Prazeres Sombrios - Indômita
12 Capítulo XI - Caça
Notas iniciais
Apenas rezem pra que ela melhore rápido e possa vir e responder seus reviews que enchem-na de alegria :)
POSTANDO EM 3, 2, 1...
Leonor olhava pela janela para a praia, imersa em milhares de pensamentos desconexos, que formavam redemoinhos complexos em sua mente cansada. Admirava o mar com muito amor, sentindo uma imensa saudade de pular de um escarpado para nadar. Sentir o vento no rosto, o impacto gélido da água turbulenta contra o corpo, a força que usava para lutar contra a maresia para chegar ao litoral. Queria sua liberdade, seu poder de realizar suas próprias vontades sem carecer de permissão. Tinha passado todo o dia ali, olhando para além da janela, invejando os homens por sua autonomia. Arian mandara Annie, uma criada, trazer suas refeições, mas sempre havia alguém lá fora vigiando para que Leonor não tentasse escapar.
Já desistira de tentar sobreviver ao cárcere. O ambiente fechado lhe roubava o ar, enfraquecendo-a e deixando seus nervos à flor da pele. Perambulara pelo quarto, dobrara e desdobrara suas roupas diversas vezes, até que não foi mais o suficiente para passar o tempo com lucidez, cantara todas as canções que sua tia a ensinara, até mesmo a única que sua mãe costumava cantar saiu por seus lábios. A única que ela se recordava. As horas se arrastavam e não restou mais remédio que voltar para a janela e fingir que era livre. Imaginou-se nos escarpados, nas águas, livre para nadar e fazer o que bem queria.
Tal conforto não durou mais que alguns escassos minutos, pois começou a pensar que não poderia ir à praia enquanto estivesse presa. Já tinha comido, tinham-na banhado dignamente em na tina de cobre atrás do biombo e Tess escovou seus cabelos, secando mecha por mecha, enquanto xingava seu marido de todos os nomes mais vis que conhecia.
Isso a levou a pensar no que ele lhe dissera antes de sair. Apoiou os cotovelos no parapeito da janela, o vento agitando seus cabelos, refrescando seu rosto. O que ele quis dizer com ela pensar em suas ações? Ele era um bruto, um cavalo sem noção de nada, um selvagem acéfalo e arrogante, do tipo que se achava o Asno Mor dentre todos. E ele era, certo? Misógino, estorvo, hedonista, misantrópico...
Balançou a cabeça, tentando se desvencilhar de pensamentos tão absurdos.
... gentil, atencioso e provocante...
Pelas canelas de São Pedro, o que havia de errado com ela? Não podia estar gostando dele. Não, claro que não! O que havia de bom em gostar dele? Só lhe traria infelicidade. Ele não tinha qualidades e era um McGregor. No entanto, voltou para te salvar do viking quando poderia tê-la deixado. Ninguém poderia culpa-lo. Voltou por ti.
Cala-te!
Grande bobagem. McGregor apenas cuidava de seus pertences, e ela era isso para ele: uma propriedade. Eles não se entendiam nunca. Sempre que se encontravam estavam brigando: ele mugindo e gritando, ela gritando e se estressando... Onde estava o atrativo? Por Deus, ele a trancara ali! Não era como nos romances, que havia aquela troca de olhar, aquela sensação estranha que atraía o herói para a mocinha... A única troca entre eles era de farpas em forma de palavras e a única atração – ignorando a luxúria – se limitava a brigas contínuas. Ele era bruto, selvagem, sem qualquer traço de romantismo. Que tipo de homem que se preze prenderia sua esposa em um quarto?
Argh!
Foi pensando nisso que viu como a noite caía lentamente, até tudo estar escuro demais para que visse qualquer coisa. Soldados acenderam tochas nas paredes da muralha e do castelo, dando uma fraca e amarelada iluminação ao jardim que circundava os fundos de Dragon Seafront Castle. Entediada e a ponto de arrancar tufos de cabelo por estar presa entre quatro malditas paredes, esperou que trouxessem seu jantar. Seu marido a tinha trancado porque ela tinha explodido sua raiva e pensamentos sobre ele. Porque em seu âmago, por mais que odiasse admitir, queria que ele se importasse consigo. Porém, recebia apenas reprimendas e gritos.
Quando a noite ficou mais densa, a porta de seu quarto foi aberta e ela se surpreendeu ao ver Mary passar com um sorriso tímido e culpado nos lábios vermelhos. Criadas entraram atrás dela para acender a lareira e logo se foram, deixando-as a sós.
Leonor se sentia aliviada por ter com quem conversar. Sentaram-se na cama como costumavam fazer antes de todo aquele casamento desgraçar as vidas de todos.
-- Prima! – disse Mary, os olhos brilhando na penumbra – Tess me disse que Duncan te viu dormindo no chão da cozinha. Estava lendo de novo?
-- Quem dera fosse. Meus livros ainda estão para chegar.
-- Fiquei preocupada quando ouvi os gritos – confessou Mary – Está tudo bem?
Leonor se forçou a sorrir.
-- Sim, fique tranquila, prima, ele apenas grita.
Ele nunca me bateu. A constatação daquilo mexeu ainda mais com sua tênue resistência para com ele. Estava dividida entre lutar para arranjar paz e felicidade em seu casamento e ser leal aos Knightley. Conversaria com Mary e pensaria muito antes de tomar qualquer decisão.
-- Eu sei – Mary abriu um sorriso brincalhão – Tinha medo de você fazer alguma coisa com ele.
Leonor se esforçou para não estalar em gargalhadas e se fingiu de ofendida, fazendo sua prima rir loucamente.
-- Já viu o tamanho dele? Meu marido é um artos!
Sim, urso em gaélico era perfeito para ele. O homem era todo uma visão, exalando testosterona e tamanho. Um armário de tão alto, com ombros largos e nada franzinos. Leonor não conhecia nenhuma parte nele que fosse pequena – além da mente retardada. Seus músculos eram delgados e rígidos como aço, como ela nunca vira.
-- O tamanho não significa nada – rebateu Mary divertida.
-- Não quando seu marido não é um totem.
-- Priminha, conheço-te desde sempre. Quantas vezes já mandou homens três vezes maiores que seu tamanho para chupar dedinho no colo da mamãe?
-- Nenhuma – mentiu Leonor.
Mary revirou os olhos.
-- Tudo bem, enganar a si mesma não vai mudar a realidade.
-- Certo. Você veio aqui apenas para se certificar de que eu não castrei meu marido com a cera da vela?
Mary fez uma careta, desprezando a imagem formulada por sua imaginação.
-- Eu poderia dormir sem pensar nisso – retorquiu ela, agitando negativamente a cabeça, como se assim fosse afastar pensamentos indesejados. Se Mary descobrisse como o fazia, Leonor quereria aprender urgentemente. – Como adivinhou que eu não queria apenas saber se seu marido estava bem ou não?
Leonor deu de ombros.
-- Assim como você sabe que eu poderia fazer mal a um guerreiro feroz e três vezes maior que eu.
-- Mas saiba que eu duvido que o faça – garantiu ela.
-- É mesmo? – Leonor arqueou uma sobrancelha – Estou ficando muito boazinha então. – e suspirou, deixando transparecer seu cansaço Precisava sair daquele quarto.
Mary ficou repentinamente séria, o que a deixou apreensiva, quase na defensiva. Aquela expressão austera e pouco amistosa não era típica de sua prima, o que só podia significar que nada de bom resultaria naquela conversa. Esperou que ela se expressão e os segundos que se arrastavam pareceram horas.
-- O que realmente aconteceu? – indagou Mary, quebrando o silêncio e atraindo sua atenção – Sei que não dormiria ali nem se estivesse lendo escondida e encontrei metades de flechas no chão.
-- Tome cuidado, estão envenenadas.
Deus protegesse sua prima de se cortar com uma daquelas flechas malditas.
-- Eu sei. Passei a manhã estudando as ervas que poderiam ter aquele odor, mas não cheguei a conclusão nenhuma.
-- Fui atacada. Estava indo comer alguma coisa e pegar leite para o meu filhote, quando a primeira foi disparada. Tentaram me matar, Mary. Não ande desarmada.
-- Nunca ando. Tem algum plano?
Leonor ponderou. Não tinha pensado nada realmente viável, mas tinha algumas ideias.
-- Não exatamente. Por enquanto, mantenha-se protegida e guarde segredo sobre nossas habilidades. Seja lá quem for, não vai esperar muito de nós.
Ela assentiu com a cabeça.
-- Serei cuidadosa, prima. Mas, prometa-me que vai se cuidar.
Leonor sorriu para tranquiliza-la.
-- Fui treinada por Richard Campbell, como poderia não ser?
-- Não acredito que você já fez inimigos aqui, acabamos de chegar!
-- Como eu poderia ter feito inimigos, se fui encarcerada?
-- Não tem nem ideia de quem pode estar fazendo isso?
-- Claro que não, Mary! Só tive contato com Tess, Bessie e Annie. Não conheço ninguém neste maldito castelo e estão tentando acabar com a minha vida. Sequer comi hoje.
Mary arregalou os olhos e parecia pronta para estapeá-la.
-- Agora quer morrer por inanição? – rosnou Mary indignada. Leonor sorriu da raiva de sua prima. Mary estava tão focada em ataques diretos – como era o estilo dos homens – que não foi capaz de ver pelo mesmo ângulo que Leonor.
-- Não, prima. Tive medo de estarem tentando me envenenar – confessou, sem conseguir dissimular um meio-sorriso quase triste. Seu estômago estava fundo de fome, quase cobrindo as costelas como uma película – Não posso arriscar.
Mary empalideceu e balançou a cabeça, mostrando claramente seu desagrado.
-- Vou arranjar algo para você comer – ela disse por fim – O que fez com a comida que lhe deram?
-- Não havia muito que fazer com ela – resmungou Leonor – então usei um de meus vestidos para escondê-la.
Jogar pela janela seria aceitar prontamente o desafio de seu inimigo invisível, e até saber quem era, Leonor entraria no jogo debaixo das cobertas. Agiria nas sombras como seu assassino, não era tola. O único livro que seu tio a fizera ler à força foi A Arte da Guerra e ela compreendia as táticas perfeitamente. De fato, os chineses eram geniais.
-- Vou joga-lo fora – disse Mary, fazendo uma careta de nojo ao imaginar o vestido servindo de bolsa para esconder a comida que poderia estar envenenada – O salão está muito animado, parece que os homens sairão para caçar em breve.
-- Espero que nem voltem.
-- Leonor! – repreendeu Mary, rindo – Só diz isso porque está apaixonada por seu marido.
Aquilo foi uma bofetada em sua face. Por um momento, Leonor não foi capaz de responder, sequer de formular um argumento para rebater. Nunca realmente tinha parado para estudar mais a fundo o que pensava sobre seu marido, mas ouvir em voz alta seu maior medo a deixou mais que chocada. Não, ela não estava se apaixonando por aquele bruto. Ele era tudo que ela mais desprezava em um homem, sem mencionar que era um McGregor. Não, ela não estava se apaixonando por ele! Era impossível! Mary estava vendo flores onde só havia espinhos. Seu coração só batia rápido perto dele porque... porque... Diabos, ele foi seu primeiro em tudo e ela sentia simpatia por sua pessoa. Simples assim. Mas paixão por ele? Nem drogada seria possível. Não, era um McGregor. Bruto, hedonista, misantrópico, pervertido... Bonito, forte, gentil... Circunspeto. Nada romântico. Despertava luxúria nela, nada mais que isso.
E se Mary tivesse razão? Leonor nunca havia se apaixonado por ninguém que não fizesse parte de um livro, então não sabia. Talvez... talvez devesse colocar à prova para ter certeza o que realmente sentia por ele. Não apenas porque Mary estava dizendo, mas porque tinha medo de nutrir sentimentos por aquele homem. Ele era um McGregor, mas era seu maldito marido e... Somente desejava dormir com ela. No entanto, se o que Mary dizia era óbvio demais para estar muito óbvio...
Leonor mordeu o lábio inferior. Depois de tantos anos, pela primeira vez, desejou ter sua mãe consigo. Apesar de sempre se fazer de forte, ainda era uma menina. Deus. Faria dezessete anos no próximo mês, não fazia ideia de como era dormir com seu marido e temia estar se afeiçoando aos lapsos de bondade dele.
Eles brigavam sempre que se viam, como poderiam se conhecer assim? O que ela sabia sobre ele?
-- Pelo seu silêncio, eu acertei? – Mary disse, os olhos brilhando por expectativa. Leonor sustentou seu olhar, sentindo como as palavras vastas de seu vocabulário se esfumaçavam diante de si – Ah, não faça essa cara, prima! Parece que alguém morreu... Não seria bom amar seu marido?
Ela não o amava, mas... Estava com medo.
-- Eu sei falar cinco idiomas, no entanto, não há nenhuma palavra que me ajude a responder a sua pergunta, Mary. – suspirou com pesar – Sinceramente, eu não sei.
-- Mesmo que não queira ouvir, darei minha opinião: deixe acontecer. Não permita que o erro do passado destrua a sua vida, Leonor, só temos uma oportunidade de sermos felizes, não deixe que se vá. Eu... – ela corou – Estou gostando do Iain. Não somos casados e não creio que meu pai permitirá que eu tenha algo com ele, mas enquanto eu puder... Quero ter uma amostra de paixão para nunca esquecer, mesmo depois que me arranjem um marido. Entende o que digo?
Leonor entendia perfeitamente.
Não queria ser levada por um sentimentalismo tolo, mas... Inferno. Já sabia o que tinha de fazer para provar a si mesma que estava ou não verdadeiramente apaixonada pelo bruto que a trancara.
Só estou pensando nisso porque estou presa desde o amanhecer.
Mas ela sabia que não era verdade. O que seus pais diriam se a vissem se entregando a um McGregor, ao filho de Lachlan? Ela poderia dizer: ele terá meu corpo, mas nunca meu coração, mas isso era coisa de livro. Os momentos que estivera com aquele bastardo constantemente furioso foram o suficiente para fazê-la ver que nem tudo era simplesmente preto ou branco.
-- Obrigada, Mary.
-- Não agradeça – ela piscou – somos cúmplices em tudo, lembra-te?
-- Como esquecer? – Leonor sorriu – Will cresceu traumatizado com tudo o que fizemos com ele.
-- Sim, pobre criança amargurada – brincou Mary, reprimindo uma risada – Nunca mais será o mesmo, só porque cortamos seu cabelo enquanto ele dormia.
-- E arrancamos metade de seu primeiro bigode.
Elas fizeram uma careta antes de estalarem em gargalhadas.
-- Aquilo era ridículo – riu Mary, já com lágrimas nos olhos – Parecia alguma espécie de buço, era muito feio...
Elas riram ainda mais, as lembranças de suas travessuras enterrando qualquer preocupação anterior. Aqueles eram bons tempos realmente.
-- Mas ele ficou furioso quando Tristan e Rob começaram a zombar dele. Correu atrás de nós por toda a casa para nos dar uma surra.
-- Mas nosso cavaleiro branco nos salvou! – Mary disse com ar romântico, fazendo a típica expressão exageradamente séria de quando elas começavam a narrar e encerrar uma de suas histórias para os meninos, que ficavam embevecidos e completamente atentos a tudo o que elas falavam, desde as lutas até os romances, apesar de eles desprezarem um pouco esse último. – Caim apareceu, armado com uma toalha suada após o treino, reluzindo sua força...
Leonor gargalhou descontroladamente.
-- E com toda sua bravura, empunhou sua toalha contra o inimigo, até fazê-lo recuar para seu covil de criaturas sombrias – prosseguiu Leonor, ainda rindo com Mary – E as princesas foram salvas da maldade do perigoso Will.
-- Fim – encerrou sua prima alegremente – É uma bela história para se contar aos filhos, não é?
Leonor enrijeceu.
-- Sim – respondeu.
Para sua sorte, seu estômago escolheu o momento oportuno para rugir de fome, impedindo Mary de perguntar o motivo de seu repentino desconforto. Leonor não queria falar que rogara a Deus para ser estéril apenas para não dar herdeiros ao McGregor.
-- Vou buscar algo reforçado para você comer – disse sua prima, levantando-se da cama e Leonor assentiu com a cabeça – Precisa de mais alguma coisa?
Com certeza.
-- Pode me preparar um bálsamo? A noite debaixo do balcão me deixou com uma dor nas costas infernal.
-- Farei um. Tire o vestido para eu massagear suas costas então. Dói muito mesmo?
-- Sim. Passei a noite acordada naquela posição e só fui dormir pouco antes do cavalo do meu marido me acordar a gritos.
-- Por certo. Voltarei em breve.
Quando Mary saiu, Leonor ouviu o barulho da tranca. Mais uma vez, sozinha em sua gaiola. O quarto estava todo em penumbras. Geralmente ela gostava disso, mas depois do que aconteceu na noite anterior, deixava-a apreensiva e buscando a forma de uma pessoa que poderia lhe fazer mal. Repreendendo a si mesma por não ser capaz de manter a calma e a compostura, levantou-se da cama e foi até a arca, ajoelhando-se diante dela e a abrindo. Remexeu suas roupas, desarrumando-as mais uma vez, até encontrar a bainha da adaga. Puxou a arma, admirando seus entalhes. Nunca realmente pensou que a usaria, mas era mais que necessário naquele momento. Se alguém queria mata-la, não a encontraria vulnerável e ao vento como uma folha.
Ter a adaga em mãos a tranquilizava, principalmente por saber como usa-la.
Deixou a arma embainhada sobre a cama e se dispôs a desfazer dificultosamente os laços da túnica. Era muito difícil cuidar de suas próprias vestimentas, mas Leonor estava acostumada a se virar sozinha nas piores situações imagináveis. Tio Richard não queria que ela dependesse de ninguém, principalmente porque a vida de uma mulher era muito difícil. Tirou a túnica por sobre a cabeça, logo a dobrando cuidadosamente antes de coloca-la sobre a arca. Estava tirando o vestido e a regata de linho ao mesmo tempo quando viu a bolinha peluda que era seu filhotinho feito um novelo perto da lareira. Ele passara o dia inteiro andando de um lado para o outro, arrastando as patinhas e mordendo suas sapatilhas – Leonor estava descalça desde a noite passada, não via utilidade em usar aqueles calçados quentes se iria ficar perambulando em seu próprio quarto – grunhindo em uma falha tentativa de comunicação. Depois de morder suas sapatilhas furiosamente, embolou-se perto do fogo e voltou a dormir. Logo ele estaria forte o suficiente para fazer mais que roer suas sapatilhas. Arian trouxera leite para ele, então, não necessitaria comer nada por hoje.
O vento frio da noite entrou pela janela, acariciando seu corpo nu, arrepiando-a até a alma. Todos os pelos de seu corpo se eriçaram de frio e ela estremeceu enquanto dobrava suas roupas. Esperaria Mary retornar e só Deus sabia o quanto ela esperava que outra pessoa também retornasse para liberta-la.
Ele se irritara porque ela o desafiara diante dos criados. Tio Richard costumava dizer que os homens buscavam mulheres submissas e que repudiavam as poucas com opinião própria, principalmente porque não possuíam poder sobre elas. Seria por isso que ele se enfurecera? Will dizia que ninguém nunca a cortejaria por ter sido criada entre os homens e com a liberdade deles. McGregor teria gritado tanto com ela porque as ordens dele a ela importavam uma pulga? Leonor detestava receber ordens, mas...
Quero que ele se preocupe comigo.
Por quê? Acabaram de se conhecer.
Ela se sentou diante da lareira, dobrando as pernas e abraçando os joelhos. Gemeu de dor nas costas, mas podia aguentar ficar um tempo naquela posição. Seu cabelo caía como uma cascata por suas costas, espalhando-se a seu redor em suaves cachos. O filhotinho gemeu e ergueu a cabecinha para ela, abrindo os olhos preguiçosamente. Olhos negros como os do McGregor. Leonor sorriu. Sim, era filho do Mensageiro da Morte, não havia dúvidas. Baixou uma mão para o pequeno, acariciando-lhe as orelhas lupinas, sentindo a maciez de seu denso pelo. Ele precisaria de um nome. Um que não fosse Discórdia ou Dor de Cabeça.
☺
Quando a dor nas costas piorou, Leonor voltou para a cama, deitando de bruços e escondendo a adaga debaixo do travesseiro, onde poderia pega-la facilmente em um momento de necessidade. O alívio pela posição foi incomensurável, arrancando um suspiro de deleite por seus lábios. Olhou para o fogo agitado na lareira, vendo como as labaredas subiam como línguas alaranjadas, douradas e vermelhas, crepitando no silêncio profundo da noite, até que Leonor cochilou sem querer. O sono a levou para um caminho se volta e sem sonhos, exigindo que seu corpo recuperasse as energias que ela tinha perdido durante todos esses dias.
Ela tinha muitos planos em mente para executar depois de sua libertação, mas agora só queria perder-se em seu próprio mundo de sonhos, onde não havia problemas, guerras e tentativas de assassinato. E paixões. E brigas. E um ilhéu moreno e sombriamente sedutor.
Leonor acordou com mãos em suas costas, pressionando suavemente a linha de sua espinha, subindo até seus ombros lentamente, onde dedos fortes massagearam com a maestria de um perito, aliviando sua dor. Deus, aquilo era delicioso. Aquelas mãos sabiam quando pressionar, quando massagear, onde tocar para deixa-la completamente derretida de prazer. Suspirou, entregando-se à massagem. Um creme fresco e que ardia muito pouco era espalhando por suas costas enquanto as mãos habilidosas de Mary expurgavam sua dor muscular. Desceram por suas costelas, até chegar à base de sua coluna, onde, com as pontas dos dedos, pressionou. Leonor gemeu. Era ali o ponto precisamente que deveria ser aliviado. As mãos subiram outra vez lentamente pela linha de sua espinha, fazendo minúsculos círculos com os polegares que...
Não eram de Mary.
Ela ficou rígida. Quem poderia estar ali? Sem fazer movimentos bruscos, deslizou uma mão cautelosamente por debaixo do travesseiro, até tocar o punho da adaga. Esperou qualquer movimento ameaçador, mas tudo o que havia naquele toque era prazer. Era incrível como uma massagem poderia ser divinamente deliciosa. Precisou de muito esforço para não suspirar e relaxar totalmente. Nem mesmo Mary jamais fizera um serviço tão perfeito. Aquelas mãos de homem poderiam fazer qualquer mulher se render facilmente apenas com aquela massagem. A rigidez se acentuou em seu corpo quando essas tão elogiadas mãos deslizaram lenta e deliciosamente por suas nádegas, espalhando creme e carícias por toda parte. Um estranho formigamento desceu pelo ventre de Leonor e algo no ápice de suas pernas pulsou de desejo. O que havia de errado com ela, reagindo de forma vergonhosa por causa de... carinhos? Seu corpo reconhecia o dono daquelas mãos. O coração bateu mais rápido no peito. As carícias desceram para suas coxas, apertando e sentindo, excitando-a a um nível que não teria volta.
Jesus.
Algo se moveu na beira da cama, estendendo a massagem para suas panturrilhas. Dessa vez, ela não foi capaz de reprimir o prazeroso gemido ao sentir a pressão em seus músculos sempre rígidos e relaxou. Com apenas um toque aquela homem a rendia facilmente. Seria muito sábio esconder esse poder que ele tinha sobre ela. Ele massageou seus pés, os dedos, o calcanhar, o tornozelo, subindo sensualmente pelo mesmo caminho que traçara, deixando uma trilha de fogo por onde tocava, demorando-se em suas coxas como se gostasse de toca-las, acariciando e provocando.
Será que ele sentia isso também? McGregor também sentia essa confusão em seu interior, esse forte desejo por estar junto e a estranha repulsão por conta de suas famílias? Bom, ele era mestre em ocultar o que sentia. Era muito fechado, introspectivo e circunspeto. Ela queria lhe perguntar se para ele as sensações eram as mesmas. Ele também sentia essa onda de calor descendo pelo ventre, espalhando-se a fogo lento por cada célula de sua constituição, concentrando-se dolorosamente entre as pernas, como se ansiasse por algo? Por mais? Ela não sabia o que desejava, mas seu corpo sabia que ele poderia lhe dar.
Era estranho. O que estava acontecendo?
Ela olhou por sobre o ombro. Seu marido era uma figura bonita e sombria, um predador envolto pela penumbra, austero e perigoso, mas com um quase imperceptível traço de ternura na expressão inescrutável. Suas mãos voltaram para as nádegas dela, segurando-as em concha, apertando. Algo dentro dela queria corresponder, mas ela se conteve. Seus olhares se encontraram, prendendo-se um ao outro em uma sincera avaliação. Ele parecia estar buscando algum traço de nojo no rosto dela, em seus olhos. Algum rechaço.
Leonor ficou surpresa. Ele estava receoso por um rechaço?
Ela o tinha tratado tão mal assim?
Deus, o que tinha feito?
Forçou um sorriso para tentar relaxa-lo.
-- O que está fazendo, McGregor?
As sombras tornavam quase impossível saber que expressão tinha.
Ele afastou as mãos dela devagar. As bochechas dela coraram quando percebeu que sentia falta de seu toque.
-- Mary disse que estava com dor – ele grunhiu. O sorriso de Leonor se tornou mais sincero.
-- Sim, e ela disse que me faria um bálsamo.
-- E fez.
-- Ela pediu que viesse?
Ele desviou o olhar, fitando fixamente as chamas agitadas da lareira.
-- Não.
Saber que ele tinha vindo porque queria fez algo em seu peito se agitar alegremente. Ele se preocupava com ela, ou estava vendo flores onde não havia nada? No entanto, a simples constatação disso deixou-a alegre, expurgando qualquer coisa ruim aderida ao seu dia de confinamento. Apoiou-se nos cotovelos, largando a adaga.
-- Veio brigar comigo? – perguntou baixinho. Seus olhos negros refletiam como um espelho o brilho do fogo, mesclando-se em uma insondável escuridão com chamas nas pupilas.
-- Não.
Leonor rolou sobre a cama e, ao recordar-se de seu estado de nudez, puxou as peles para se cobrir. Agarrando-as contra o peito, engatinhou até onde ele estava, levantando-se da cama. Seus pés tocaram o soalho frio. McGregor ergueu o olhar para o dela, questionando silenciosamente o que ela estava fazendo. Só Deus sabia como o coração dela estava acelerado naquele momento. Colocou-se erguida regiamente entre os joelhos dele, vestida unicamente com suas cobertas, a poucos centímetros daquele peito sólido e quente de homem.
-- Está fazendo de novo.
Ele franziu ainda mais as sobrancelhas.
-- O quê?
Segurando as peles com um braço, ergueu uma mão para o rosto dele lentamente, esperando que ele lhe segurasse o pulso e que gritasse, rejeitando seu toque. Mas ele esperou, o que a muniu de coragem, até que ela tocou com o indicador o ponto onde as escuras sobrancelhas se encontravam.
Ele não entendia o que ela estava fazendo e ela estava envergonhada pela intimidade da situação. Não se lembrava de suas bodas, então, para ela como se estivesse nua com ele pela primeira vez.
-- Isso – Leonor franziu as sobrancelhas, fazendo uma careta antipática, antes de relaxar a expressão – Por que as franze tanto? É que vive zangado?
-- Eu não vivo zangado. – grunhiu McGregor, olhando-a nos olhos.
-- Ah, não?
-- Não – a voz dele endureceu – Não estou zangado agora.
Leonor reprimiu um sorriso. Agora mudava totalmente a frase dele.
-- Eu nunca te vi sorrir, McGregor.
-- Um guerreiro não sorri.
Ela arqueou uma sobrancelha.
-- Quem inventou isso?
Ela viu o tique de irritação no maxilar dele, aquela veia pulsando em sua têmpora. O que ela fizera agora? Já começariam a discutir de novo?
Mordendo o lábio inferior, ela recuou, mas os joelhos dele prenderam-na onde estava, pressionando suas pernas. Temendo cair para trás, agarrou-se aos ombros dele, sentindo sob seus dedos a dureza férrea de seus músculos contraídos. E as cobertas deslizaram por seu corpo para o chão. Leonor não ousou se mexer. Os olhos dele, antes fixos nos dela, desceram lentamente por seu corpo como uma carícia, admirando os seios, a cintura estreita, o ventre plano e... Os cachos entre suas pernas, demorando-se em cada pedacinho dela, como se a visão o deliciasse. Ela não conseguiu não enrubescer e o escrutinou desavergonhadamente no mesmo nível, desde os traços angulosos e cinzelados de seu rosto, o queixo levemente quadrado, os lábios que lhe faziam promessas luxuriosas, os ombros largos e adornados por músculos delgados e desenvolvidos, o peito forte e duro como mármore, os quadris estreitos e... Maria Mãe de Deus. A protuberância entre as pernas dele a fez entreabrir os lábios. A coisa estava erguida como um mastro por debaixo do kilt. Como aquilo coubera dentro dela? Não era de se admirar que houvesse tanto sangue no lençol. Tudo naquele selvagem era colossal. Atraía-a para ele.
-- Aonde estava indo? – sussurrou ele com a voz rouca, o sotaque escocês tornando quase ininteligível seu inglês. Ela precisou de muita força de vontade para voltar a erguer o olhar para o dele. Seu rosto estava quente a ponto de explodir e os músculos de seu ventre estavam contraídos, aquele estranho calor de uma desconhecida necessidade se fazendo desconfortavelmente presente.
O que ele tinha perguntado mesmo?
-- Estou cansada de brigar com você.
-- E quem disse que eu ia brigar com você, moça?
A ternura em sua voz a surpreendeu.
-- Quando você está zangado, há um tique em sua mandíbula – confessou ela, deixando cair as mãos de seus ombros. Tentou não cobrir a si mesma com as mãos. Não havia nada ali que ele já não tivesse visto, mas isso não tornava tudo menos constrangedor. McGregor arqueou as sobrancelhas, provavelmente percebendo que ela também era bastante observadora. Mas logo voltou a franzir o cenho.
-- Não era com você que estava zangado.
-- Não? – ela cruzou os braços diante do corpo, ocultando discretamente a visão dele de seus seios – Só há nós dois aqui.
-- Não é algo que você deva saber, moça.
Por um momento, ela pensou que ele mostraria apenas um pouquinho do que havia por baixo de sua armadura de guerreiro, e não conseguir uma vitória a decepcionou. Demônios, conhecer o próprio marido era uma tarefa que exigia paciência divina.
-- Por que não? – questionou. O tique retornou com mais intensidade.
Briga! Briga! Briga! Seu corpo a alertava do perigo, as células gritando pelo confronto que muito cedo chegaria.
-- Não é de sua incumbência – grunhiu ele, franzindo ainda mais o cenho.
-- E o que é da minha incumbência? Quer que eu passe o dia trancada em um quarto, refletindo sobre o meu comportamento, até que alguém se lembre de minha existência? – Leonor revirou os olhos com impaciência – Chutar um cachorro raivoso só vai fazer com que ele te morda.
Se bem que quem mais se parecia com um cachorro era ele. Sempre rosnando, querendo atacar quem quer que se aproximasse. Isso a tirava do sério, mas seria paciente. Tentaria ser.
-- Só a tranquei para que...
-- Eu sei por que me trancou. Não há necessidade de dizer, tive um dia inteiro para curvar-me aos seus desejos, meu senhor.
-- Não sou seu senhor, sou seu marido.
-- Eu quero conhecer você, maldito seja! – vociferou ela – O que te dói dizer umas três palavras a respeito do que pensa sem que haja cala-te, esposa e marido na mesma frase? Você não me escuta...
-- Eu te desejo.
-- ... grita, rosna, briga comigo e... O quê? – Leonor abriu os olhos como pratos e entreabriu os lábios em surpresa. Estava aturdida pelo o que ouvira. Tinha imaginado aquilo? Ele realmente dissera as três palavras que ela pedira? Não conseguia acreditar. Estava ruminando a ideia ainda – Você me... me... me deseja? – Ele não respondeu. Ela sequer possuía a capacidade de pensar com lucidez. Estava aturdida, tímida, mas queria confrontar tudo que aparecesse em seu caminho, inclusive a estranha intimidade que surgia entre eles. – Está fa...?
Antes que terminasse de falar, McGregor a puxou bruscamente com os joelhos, tombando-a sobre seu corpo, pousando as mãos em seus quadris. Com os lábios separados a um suspiro de distância, as mãos dela segurando firmemente em seus ombros e as dele, em seu pescoço, sustentando sua cabeça. Ela sentia a antecipação, a expectativa de ser beijada e tocada de novo, aquele calor no centro de seu corpo. O linho da camisa dele era macio, mas ela queria sentir pele contra pele. Ter o calor do corpo dele abraçando-a em sua segurança. Olharam-se nos olhos.
Por que ela sempre achava que ele estava esperando ser rejeitado?
Suas respirações se mesclavam em um turbilhão de ansiedades. Leonor se apoiou no corpo dele completamente. Estar com ele parecia correto. Seus corpos juntos, encaixando-se à perfeição, amoldando-se deliciosamente um ao outro. Ela podia sentir os batimentos cardíacos dele contra suas costelas. Ele baixou a cabeça dela para si. Ela apertou os ombros dele, esperando que continuasse, mas ele a provocava.
-- Beije-me, McGregor – ela sussurrou contra seus lábios, impaciente. Se as mãos dele não controlassem seus movimentos, ela já o teria beijado para aliviar sua própria dor entre as pernas. Que demônios ocorria consigo?
-- Peça por favor.
Inferno.
-- Não.
-- Só vou beija-la quando me pedir.
Ele depositou um beijo em seu queixo. Ela tentou baixar a cabeça para conseguir o que queria, mas ele segurou seus cabeços com firmeza, erguendo sua cabeça para longe dos lábios. Leonor amaldiçoou, a frustração borbulhando em seu interior. McGregor mordeu seu queixo, controlando-a, excitando-a e prendendo-a. Ela tentou se rebelar, mas ele era incomparavelmente mais forte. Ele roçou a barba por fazer em sua garganta, arrepiando sua pele, fazendo uma onda de estremecimentos percorrerem seu corpo. Mordiscou a sensível pele de seu pescoço antes de lambê-la e suga-la, marcando-a como sua. Ela nunca pediria a ele. Fá-lo-ia ceder.
O gemido de prazer dela reverberou em sua boca quando mordeu a suave carne de sua garganta. Queria senti-la, saboreá-la, perder-se em seu cálido interior. Inconscientemente, ela se esfregou contra seu membro inchado, que já doía de desejo por ela. Leonor cravou as unhas em seus ombros quando lambeu seu pescoço até o colo. Aquela era uma forma deliciosa de fazer sua esposa dizer por favor, além de a mais cruel das torturas. Seus seios estavam pressionados contra o peito dele, macios e redondos, esperando por atenção, assim como cada parte intocada dela. E ela era toda sua. Pertencia-lhe.
Beijou o vale entre os seios, inspirando seu doce aroma de canela, desejando ter seu cabelo escuro cobrindo-os como um véu. Queria desesperadamente beija-la, mas se controlaria. Faria-a sentir a mesma necessidade que ele, até que se rendesse. Ela se aferrou a ele quando lambeu a curva suave de um seio. Deus, mataria por toca-la, mas não podia libera-la ainda. Era muito cedo. Sua pele acetinada era muito macia, diferente da dele, que era marcada por cicatrizes de batalha. Sentia-se desajeitado e feio, assim como seu pai dissera que era. Tomou um mamilo entre os lábios, sugando-o e provocando com a língua. Leonor gemeu. Ela era deliciosa.
Minha.
Passou a língua pelo botão rosado e eriçado, excitando-o, sugando e mordendo de leve, acariciando-o em círculos. Ela enterrou as delicadas mãos em seus cabelos, pressionando-o ali, implorando silenciosamente por mais, por alívio. Duncan beijou o mamilo, erguendo o olhar para ela, esperando ver nojo além da luxúria em seus olhos. Embeveceu-se ao ver ternura e desejo nas orbes cristalinas, que se obscureceram em seu prazer. Saber que era ele quem causava suas reações, quem a deixava excitada, fez a pressão em seu peito retornar. Esperou que ela pedisse, mas ela mordeu o lábio inferior, impedindo-se de ceder. Duncan quase sorriu. Och, moça, até onde vai sua teimosia? Sua inglesa tinha uma determinação férrea. Era admirável. E ele precisaria tortura-la ainda mais. Não era o suficiente.
Desceu uma mão por seus cabelos macios, usando a outra para segurar com força as mechas por sua raiz, acariciando todo o caminho quente de sua suave pele, até toar um seio na mão, apertando-o o suficiente para não machuca-la, enquanto voltava a provocar o outro. Soprou sobre o mamilo e sua inglesa estremeceu, respirando aceleradamente. Usou o polegar para provocar o outro, enquanto passava a língua sobre o primeiro, olhando-a nos olhos em tudo o que fazia. Largá-la-ia assim que visse seu desprezo, por mais que o desejo contido lhe causasse dor. Ela arqueou para ele, esperando mais. Duncan teve vontade de sorrir. Mas não sorriu. Um McGregor não sorria. Acariciou seu seio, sentindo a maciez e o peso, deliciando-se quando ela se pressionou contra ele.
Ela ainda não o obedecera.
-- Beije-me, McGregor – ela disse num fio de voz.
-- Já sabe as condições, moça.
Ela o enlouquecia. Beliscou seu mamilo e ela estremeceu, enquanto ele tomava o outro na boca, usando a língua para provoca-lo. Desceu a mão por sua cintura, indo para o ventre, seguindo para o quadril largo, até segurar uma nádega redonda. Desejava aquela mulher com um desespero animal, beirando à selvageria. Puxou-a para si, acariciando-a. Antes que percebesse, largara seus cabelos e levara a outra palma para a outra nádega, apertando-a contra seu corpo. Seu membro latejava dolorosamente, crescendo pela ânsia de enterrar-se naquela mulher, palpitando, pressionado contra o kilt. Segurando-a pelo traseiro, ergueu-a e lhe abriu as pernas, sentando-a montada sobre ele, seus joelhos em ambos os lados de seu quadril. Grunhiu ao sentir sua feminilidade sobre seu eixo, separados apenas por sua roupa. Deus. Por que o kilt não podia simplesmente desaparecer? Enterrou o rosto entre seus seios quando ela rebolou sobre ele, buscando aquilo que ele queria demais fazer com ela.
Leonor passou as unhas por seu couro cabeludo, arranhando seu pescoço, seus ombros, acariciando seu peito, voltando para cima.
-- Posso te tocar, McGregor?
A pergunta o pegou de surpresa. Por que ela haveria de querer toca-lo? O único interesse era buscar alívio. Não havia por que ela querer lhe tocar, conhecer-lhe fisicamente, fazer com ele o mesmo que ele fazia com ela. Não conseguia compreender, não era assim que funcionava. Franziu as sobrancelhas.
-- Qual é o objetivo disso? – grunhiu. Ela montou sobre ele, tentando se acomodar e ele gemeu ao senti-la exatamente sobre seu pênis. Confundindo sua dor, ela tomou seu rosto entre as mãos e pressionou seus lábios contra os dele. Foi um beijo casto, que apenas o encheu de frustração por ainda não estar nu com ela.
-- Fiz-te mal?
-- Não.
Sim, claro que sim, porque ele estava vestido e ela o estava enlouquecendo. Roçou sem querer seu feminino calor em seu eixo.
Pelos sapatos de Deus!
-- Desculpe-me – Leonor pediu e começou a se levantar. Rapidamente a segurou pelo quadril e a baixou de volta a seu lugar, o que pareceu confundi-la. – Mas...
-- Não ouse sair daí, Anna Leonor.
Ele ergueu o kilt, liberando seu membro, que oscilava alegremente para o alto, grande e ereto, mais que pronto para entrar nela. Percorreu suas coxas com as mãos, apertando e acariciando. Olhou para seus generosos lábios rosados, que pediam por seus beijos. Dane-se, em outro dia prosseguiria com o jogo. Enquanto segurava uma coxa com uma mão, levou a outra para seus cabelos, enredando os dedos nas mechas negras, que possuíam contornos azulados ao refletir a luz das velas. Ela era exuberante. Puxou-a para si, pressionando os lábios contra os dela, necessitado de seu sabor, de sua paixão. Leonor o atraía a um nível sobre-humano. Beijou-a lentamente, aumentando o ritmo à medida que ela ondulava em seu colo, roçando sua umidade em seu dolorido eixo.
Era como se aquele beijo destruísse barreiras que até então eles não sabiam que existiam. Para uma inglesa, ela era fogosa e absurdamente hipnotizante. Uma beleza que poderia ser considerada estranha, para ele era simplesmente diferente, a um nível ininteligível, a ponto de fazê-lo vê-la como a criatura mais bela dentre as outras. A fêmea que o enfrentava abertamente, que não o temia e que... Inferno, tinha um maldito sorriso que o desarmava. Ele estava entrando em um terreno perigoso.
Quando ela suspirou, Duncan invadiu sua boca com a língua. Ela se sobressaltou, assustada pela experiência, mas se acostumou rapidamente, aprendendo como se fazia e seguindo o mesmo caminho, entrelaçando as línguas em um sensual embate. Leonor derreteu sobre seu peito, beijando-o com uma paixão voraz, beirando ao desespero. Faltava muito pouco para estarem adequadamente unidos. Deslizou a mão sobre sua coxa até as nádegas, posicionando-a sobre seu pênis, grunhindo de satisfação ao senti-la preparada para ele. Ela gemeu e desceu um pouco, sua entrada o abrangendo lentamente. Jesus. Duncan nunca rezou na vida, mas podia começar agora. Ela era apertada; estava quente e molhada, pronta para o sexo, mas ele tinha de ser cuidadoso com sua virgindade. Arian lhe disse que doía, que sangrava, então... Maria Mãe de todos os santos. Impulsionou o quadril, tentando molhar seu eixo em sua umidade para diminuir sua dor.
Aquilo a provocou. Leonor gemeu em sua boca, beijando-o com mais ardor, montando sobre ele, buscando alívio para seu desejo. O roce de sua feminilidade sobre a dimensão de seu sexo era a tortura mais dolorosa que poderia existir. Desceu a mão de seu cabelo lentamente, segurando-a pelo queixo, varrendo sua boca com a língua em um beijo desenfreado. Ela derretia sobre ele manhosamente, seduzindo-o com uma mistura de inocência e paixão libertina. Deixou seu queixo, acariciando sua garganta, sentindo como vibrava quando ela ronronava de prazer, enquanto ele roçava seu eixo em sua entrada, entrando e saindo lentamente, mostrando um minúsculo indício de como seria quando estivesse dentro dela. A mente dele estava nublada de desejo, de necessidade, de paixão. Com uma mão erguia e baixava seu quadril, provocando-a, tomando seu seio com a outra. Beliscou o mamilo já eriçado, acariciando-o em círculos com o polegar. Leonor passeou as unhas por suas costas, fazendo um arrepio descer por sua coluna.
Uma pontada em sua nuca atravessou a bruma do desejo, despertando-o bruscamente para a realidade, deixando-o alerta o suficiente. Em meio aos beijos, ouviu um zumbido familiar. Sem pensar duas vezes, jogou Leonor na cama e a cobriu com seu corpo, sentindo logo em seguida a espetada dolorosa de uma flecha em seu ombro. Trincou os dentes com força. Debaixo dele, Leonor estava com os olhos arregalados, os lábios entreabertos e inchados por seus beijos, o peito ofegante. Duncan amaldiçoou. Sangue escorreu por suas costas. Olhou para ela, sentindo um incômodo no peito ao verificar que estava bem. Ela pestanejou, despertando também.
-- McGregor, você...
-- Estou bem. Proteja-se.
A porta do quarto estava aberta e havia um vulto negro parado no meio do corredor. Duncan estreitou os olhos e se levantou rapidamente, ignorando a dor lancinante em seu ombro. Moveu-se para a pessoa no corredor, mas quem quer que fosse saiu correndo.
-- McGregor!
Ele se virou no momento em que viu no interior da penumbra movimentos. Algo puxava sua esposa para a escuridão do quarto, enquanto outro semelhante erguia punhais duplos pelas costas de Duncan. Leonor se debateu furiosamente, esperneando para se livrar da mão que agarrava seu tornozelo.
Demônios.
Em um giro de calcanhares, Duncan rosnou e desceu o punho no alto da cabeça do covarde que o atacava pelas costas. Surpreendido, seu inimigo não teve tempo de se defender. O punho de Duncan o acertou no alto da cabeça e o golpe foi forte o suficiente para nocauteá-lo de imediato. O bastardo caiu a seus pés com um forte estrondo. Duncan ouviu uma torrente de imprecações proferidas por uma pessoa que ele reconheceria em qualquer lugar. Voltou-se para Leonor a tempo de ver outra sombra saltar sobre ele.
Duncan estava furioso, possesso, com uma ereção cavalar e desejando o sangue daqueles tolos que ousaram atrapalhar o que estava prestes a finalmente fazer com sua esposa. Não precisava ter uma arma para acabar com todos eles. Aquela pressão em seu peito aumentou quando Leonor se desvencilhou de que tentava puxa-la. Ela pegou uma adaga estranha debaixo do travesseiro e correu sobre o colchão. O inimigo de Duncan avançou com um sabre e este esquivou habilmente, prendendo a lâmina entre o braço e as costelas. Sorriu diabolicamente quando sua esposa saltou da cama como uma valkyria e atravessou a cabeça do infeliz com a adaga. Sangue jorrou em uma torrente enquanto o cadáver despencava no soalho. Ela não chorou, não ficou histérica, muito menos vomitou. Era uma guerreira e isso o encheu de orgulho. Os olhos dela queimavam de fúria.
O último inimigo lançou algo parecido a longas agulhas da escuridão. Movido por um estranho instinto protetor, Duncan puxou Leonor, protegendo-a com seu corpo. As agulhas perfuraram suas costas e ele trincou os dentes com tanta força que poderiam rachar tranquilamente. A dor o atingiu em cheio. Sua cabeça girou, já não conseguia ver com clareza. Seus pés pareciam fixos ao chão, a mente trabalhando de forma arrastada, sem sincronia com o cérebro. De repente, suas pernas não aguentavam sustenta-lo em pé.
-- McGregor? – Leonor o chamou, sua voz distante, mas ainda assim um bálsamo para sua repentina dormência – McGregor, fale comigo.
Ele sacudiu a cabeça e se voltou para o inimigo. Todos os seus movimentos eram arrastados, pesados, bruscos. Ouviu muito longe o ofego de sua esposa ao ver suas costas. Duncan sentiu a fúria explodindo dentro de si. Avançou como um possesso pelo quarto, rosnando, as mãos implorando por partir um pescoço. O inimigo tentou fugir, mas não teve tempo o suficiente. Duncan o agarrou pela cabeça e o chocou contra a parede sem qualquer piedade. O bastardo desembainhou um punhal e o cravou em seu ombro já ferido, mas Duncan estava dormente demais para sentir alguma dor. Espremeu o crânio dele com os dedos, estreitando os olhos ameaçadoramente. O infeliz grunhiu de dor, retirando o punhal para perfura-lo de novo, mas uma adaga atravessou o ar e o atingiu no pulso, prendendo-o à parede.
-- O que você quer aqui? – rosnou Duncan. O outro se debateu, chutando e desferindo socos que provavelmente doeriam muito. Puxando outro punhal, atingiu Duncan na coxa. – Responda.
Ao ver que não surtia efeito, usou a arma e cortou a própria garganta.
Notas finais
Se por acaso eu demorar pra postar me desculpem, o período de aulas ainda não acabou :)
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