Prazer Diabólico
4 De Volta a Rotina
Zoey Rossi havia acabado de acordar naquela manhã de segunda feira. Estava na cama com seu olhar atento para Antonio que continuava dormindo. Pensava no quanto ele parecia um anjo. Sempre sonhou terminar com um homem que tivesse beleza de sobra. Imagina que seus futuros filhos puxem a beleza do pai. A diferença de idade de 13 anos nunca foi um problema para os dois. Antonio acabara de completar 40 anos, mas não parecia. Com uma beleza jovial e bilhões na conta, muitas mulheres gostariam de estarem no lugar de Zoey. Ela ria só de lembrar que já foi uma dessas mulheres. Gostava da época em que era amante de Antonio, talvez tenha sido muito mais divertido do que agora já estando casados. Ele é um homem muito ocupado, na maioria das vezes só se veem quando chega a hora de dormirem. E o sexo é regular. Só houve uma vez que ocorreu uma pausa na relação sexual deles quando, dois meses atrás, ele estava aparentemente muito exausto e evitou transar por alguns dias seguidos, até que um dia voltou para casa acordou Zoey e transou ferozmente com ela. Ele nunca revelou os motivos daquela pausa. Ela respeitou. Antonio era um homem misterioso. Ela achava isso um charme.
Depois de se casarem a única preocupação de Zoey foi Carrie. Dias depois de seu casamento, recebeu um email no qual estava escrito várias atrocidades contra ela. O email era anônimo, mas as iniciais no final, C.T., dizia claramente quem era. Carrie Thompson. Um ódio imenso tomou conta de Zoey naquele momento. Que filha da puta! Carrie sabia que nem Zoey e nem Antonio podiam fazer nada em relação a ela e por isso não se importava. Antonio disse à Zoey para ela não ligar e evitar ler tais insultos, mas Zoey sempre clicava neles. Houve um dia em que Zoey quase mandou uma redação a Carrie tentando "pisar" nela sem dó. Daí não recebeu mais email nenhum. Issó aí, Zoey! Comemorou.
Seus muitos pensamentos foram interrompidos pelo toque de despertar do celular de Antonio. Ele assustou-se e logo se pôs a sentar na cama. Viu que Zoey estava o fitando, ele deu um pequeno sorriso.
— Bom dia. – Disse Antonio.
— Bom dia. – Disse Zoey sorrindo.
— Vamos tomar o café que o hoje o dia vai ser cheio, daqui a pouco vou assinar uns papéis e pegar outros e ir direto para o aeroporto.
— Nossa, e onde eu fico nesses seus planos? – Ela pergunta com uma voz desanimada.
— Olha se não tiver um tempo pra nós dois hoje, prometo que quando eu voltar vou trazer presentes – aproxima-se dela e segura seu rosto – e um deles vai ser eu – da um beijo nela.
— Acho bom.
— Vamos tomar um banho juntos, que tal?
— Ótima ideia.
Apesar de ter dormido umas 8 horas, Carrie tinha a sensação de ter dormido umas 2 horas. Acordou com tanto sono que resolveu tomar uma ducha de água bem gelada. O começo do dia ia ser exaustivo para ela, pois ia ter que planejar uma obra para um casal de clientes recém-casados. Após sair do banho, foi preparar seu café da manhã. Depois de tomar seu café com leite, comer seus biscoitinhos de leite e meio pão com geleia, foi tratar de se arrumar e ir logo fazer seu trabalho porque o celular não parava de tocar.
Carrie tinha seu próprio escritório de arquitetura e urbanismo, ela era uma grande referência para quem tem afeição por bons trabalhos nesta área. Desde quando se formou na universidade há 10 anos, seu pai possuidor de muita fortuna deu-lhe de presente esse novo negócio e não demorou muito para que alcançasse a popularidade satisfatória tão cedo. Ela adorava o que fazia.
Antonio e Zoey estavam terminando sua refeição da manhã.
— Pois é, quando eu voltar acertamos nossas coisas, Zoey. – Disse Antonio após tomar seu último gole de café.
— Certo, me liga quando estiver embarcando.
Antonio se levantou da mesa em seguida Zoey também, eles se abraçaram e trocaram beijos. Eles se veriam pela última vez antes da viajem. Zoey tratou de sair antes, pois haveria assuntos para resolver em uma agência da qual ela trabalha e duraria o dia todo.
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Durou 4 horas o encontro de Carrie e seus clientes naquela segunda-feira. Logo após, entrou em contato com outros clientes e funcionários para tratar das próximas etapas de projetos, marcação de novos encontros e prazo de entregas de projetos concluídos. Antes de sair de seu escritório, tratou de fazer algumas transferências bancárias necessárias via internet. Deixou o local de trabalho por volta das 13:40 da tarde. Há dois quarteirões dali, parou em um restaurante da qual costumava frequentar para almoçar. Pediu para comer um filé ao molho de vinho tinto.
Uma vez por mês, Carrie tinha o hábito de atravessar a cidade para buscar encomendas de roupas exclusivas de uma das maiores grifes do país. No inicio da manhã recebeu uma ligação de uma das moças da loja dizendo que as encomendas haviam chegado e decidiu ir buscar naquele mesmo dia. Pegou a estrada 764 beira-mar porque era mais tranquila do que a principal naquela hora. Demorou quase 30 minutos para chegar a seu destino.
Sua encomenda contava com três vestidos, dois pares de sapatos e três bolsas. Saiu de lá às 15:42 da tarde.
Na volta para casa, colocou para tocar no carro o CD do Aerosmith. A estrada agora parecia mais tranquila do que antes. Enquanto cantarolava a quarta música, ela avista um homem na beira da estrada com capacete de moto acenando para os veículos, mas a sensação era de que ele acenava mais para o carro dela. Desacelerou e percebeu melhor que o homem havia sofrido algum acidente com sua moto. Resolveu parar pra ver no que poderia ajudar. Abaixou sua janela e se dirigiu a ele.
— Você está bem? – Perguntou ela, curiosa.
Ele olhou ao redor da estrada, viu poucos carros que passavam ali, se abaixou diante da janela do carro e discretamente apontou uma arma à ela, dizendo para ela não gritar e que deixasse ele entrar. Carrie muito assustada abriu a porta do carro a ele. Ele permaneceu com a arma apontada para a cabeça dela. Ela entrou em pânico. Ele ordenou que trocassem de lugar. Ele pegou o volante e dirigiu alguns metros para frente em seguida dobrou e entrou um pouco na floresta. Estacionou.
Pediu que ela saísse do carro. Assim que saiu ela foi pega por trás por outra pessoa que também usava capacete, alguém que a prendia nos braços e na boca, sendo que foi tapada por um pedaço de pano, que em alguns segundos a deixou inconsciente sem tempo de reagir. O carro foi levado embora pelo primeiro homem. O segundo homem a prendeu junto a ele em uma moto e pôs capacete nela e partiram na estrada no sentido oposto do destino da Carrie.
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Por volta das 19h da noite, Zoey chegou em sua casa. Estava com a aparência tranquila, pensava em aproveitar que saiu cedo de uma reunião exaustiva em uma agência de modelos para poder se jogar em sua cama e dormir. Antonio naquela hora já estaria a caminho do aeroporto e chegaria por volta de três dias em casa. Tirou os saltos para subir a escadaria. Quanto mais chegava perto do corredor de cima, mais ela ouvia algum tipo de som abafado. Hesitou continuar, foi tomada por um susto. Será que sua casa fora invadida? Pegou devagar da sua bolsa seu celular e discou um número de emergência. Antes de fazer a chamada tentou continuar para ver o que estava acontecendo.
Manteve seus passos silenciosos. Seu coração disparou quando chegou mais perto de seu quarto que ficava no fim do corredor. Ela identificou a voz de seu marido Antonio. O que ele está fazendo aqui...? Pensou. E então, ainda lentamente, se aproximou ainda mais. Até que percebeu, já estando atrás da porta, que não ouvia apenas sons vindos de Antonio como... gemidos, mas outros, talvez de outra pessoa que estava ali. Eram gritos e choros. Zoey tremeu. Devagar, colocou sua mão na maçaneta. Estava trancada. O desespero aumentava. Ainda ouvia choros de uma mulher do outro lado da porta. Conseguiu identificar algumas palavras ditas como: “não,” “para” e “por favor”. Entendeu que algo de muito ruim estava acontecendo naquele quarto. Não pensou duas vezes em ir pegar uma cópia da chave do quarto que sua empregada guardava na cozinha. Desceu rapidamente nas pontas dos pés pela escada. Entrou na cozinha, abriu a gaveta onde se guardava as cópias de chaves da mansão, conseguiu identificar a chave certa pelo chaveiro de bolinha preta. E antes de sair dali, localizou um faqueiro que estava na bancada da cozinha, respirou fundo e suas mãos trêmulas agarraram a maior faca.
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