Prazer Diabólico
2 A Festa
Sábado 22 de março
Os convidados da grande festa de 40 anos de Antonio Rossi não paravam de chegar. Ministros, chefes de cargos politicos com suas belas esposas, celebridades do cinema e esporte e até o prefeito da cidade, todos marcavam presença nesta festa que acontecia ao ar livre da bela casa de campo da familia Rossi. Alguns fotógrafos registravam os melhores momentos do evento para as grandes revistas e jornais da cidade. Estavam na expectativa pela aparição da esposa de Antonio, que alguns meses atrás haviam oficializado sua união. Antes conhecida por Zoey Vasquez, agora por Zoey Rossi. Modelo. Considerada por uma renomada revista como uma das mais belas mulheres do país.
– E aí, o que achou? – Pergunta Zoey à Antonio referindo-se ao seu traje. Vestia um longo vestido azul escuro que se ajustava muito bem em seu corpo. Seus lindos cabelos castanhos escuros estavam soltos jogados para um ombro. A maquiagem era pouca, porém suficiente. Seus belos olhos azuis se destacavam assim como seus lábios que estavam num vermelho-sangue.
– Perfeita. – Disse Antonio, mostrando-se hipnotizado com a beleza de sua mulher. Ela sorriu.
– Bom, acho melhor descermos. Estão esperando por você.
– Não. – Corrigiu ele – Estão nos esperando. – Aproxima-se dela e lhe dá um beijo. – Vamos. – Segura as mãos dela e partem rumo ao jardim.
O grande magnata das indústrias, o pai de Antonio, o senhor Leonardo Rossi, com animação, anunciou a chegada do aniversariante e de sua esposa. Vários flashs eclodiram em direção ao elegante casal que acabara de entrar nos jardins. Antonio estava com um semblante frio, mas ao mesmo tempo sedutor. Já Zoey, com um largo sorriso no rosto não deixando de esconder seu charmoso jeito tímido diante das câmeras dos fotógrafos.
Talvez a única a incomodar-se com o casal na festa de aniversário de um deles era Carrie Thompson. A ex-mulher de Antonio cujo casamento durou 5 anos. Estava lá a pedido do pai dele do qual ainda tinha certa aproximação. Fingia diante de outros se dar bem com Antonio, mas tinha repulsa em só de ouvir seu nome. Não tinha como ser ao contrário depois do que eles aprontaram com ela. A imagem daquele dia em que ela flagrou os dois em um motel com a ajuda de um detetive particular, não saía da sua cabeça. Desde então odiava, desprezava e tinha nojo dos dois miseráveis. Os três fizeram um acordo para que aquilo nunca fosse vazado para a imprensa. Seria um enorme escândalo do qual nenhum gostaria de viver. Agora ela estava lá, vendo de perto pela primeira vez a alegria do casal.
Enquanto isso Antonio e Zoey cumprimentavam os convidados e posavam para as fotos com alguns deles. Muitos elogiavam Antonio Rossi por se tornar quem ele era antes dos 40 anos.
– Ah, o segredo foi, certamente, minha criação. Devo quase tudo a meu pai e meu avô que souberam me instruir desde cedo para este mundo que eu aprecio bastante que é o do empresariado. – Disse ele em um tom descontraído. – Por favor, agora vamos brindar – Pegou uma taça de champanhe com o garçom que passava por ali e ofereceu aos senhores com quem conversava.
Zoey havia se afastado naquele momento para falar com sua mãe. Quando elas se abraçam, Zoey avista uma mulher no meio de alguns homens, usava um vestido preto com paetês e seus lindos cabelos vermelhos faziam com que ela chamasse a atenção. Carrie Thompson. Um frio gélido percorre seu corpo. O semblante alegre some de sua face. Lembrou-se do rosto de Carrie quando esta a flagrou com Antonio na cama. Destruída. Diferente da mulher que via naquele instante rindo, aparentemente feliz, conversando com estranhos. Um mal estar logo tomou conta de Zoey. O que é que ela faz aqui?
– O que foi minha filha? – Pergunta a mãe ao perceber um ar preocupado vindo de sua filha.
– Ah... a ex mulher dele está aqui. – Aponta com o olhar para onde Carrie está.
– Oh... Aquela ruiva?
– Sim mamãe. Mas esquece. Isso não é um problema. – Da um sorriso falso – Vem conhecer um pouco deste lindo lugar e depois falamos com Antonio, sim?
Carrie realmente estava esforçando-se ao máximo para aparentar que estava em bom estado no aniversário de seu ex marido agora casado com uma modelo famosa. Por dentro ela estava uma ruína. Contava os minutos para ter que sair daquela festa sem parecer incomodada com algo. Trocou umas poucas palavras com o homem que fez ela ir àquele inferno, pois havia pessoas mais interessantes que ela para conversas do tipo negócios que era um dos assuntos preferidos dele e da maioria dos que estavam ali. Odiou ter que puxar conversas com gente que ela não conhecia ou conhecia, mas não lembrava. Até que um senhor cumprimentou-a. Ela sorriu por saber exatamente quem ele era.
– Ah, meu querido Victor Hugo! – Ela o abraça.
– Minha bela Carrie. Quanto tempo não nos falamos. Sinto falta dos seus risos naquela casa.
– Ah, Victor! Sinto falta também dos seus bolinhos de canela! – Carrie ri. Como adorava Victor – Como estas?
– Bom, na mesma. Ainda estou meio perdido com todo o caso de minha neta, Melinda. Você deve estar sabendo... – Disse ele tentando mostrar-se forte.
– Eu soube. É muito triste tudo isso. É confuso esse sumiço. Ela tinha 12 anos, não é?
– Sim. Completaria 13 anos esse ano. Não entendo esse sumiço de uma criança, neta de um cara humilde como eu. O Sr. Rossi me ajudou de toda forma, mas não conseguiram acha-la.
– Sinto muito. Ela era um doce de menina... – Carrie tenta segurar sua emoção. – Um dia quem sabe ela volta, Victor.
– Quem sabe. – Diz num tom melancólico.
Neste momento Antonio aproxima-se dos dois.
– Carrie! – Da um beijo no rosto dela. Ela não encontrou tempo de recusar.
– Olá. – Muda seu olhar frio com ele após perceber os fotógrafos que acabaram de notar os dois juntos. Esboça um sorriso. – Festa linda. Parabéns.
– Obrigado. – Da um sorriso no canto da boca – Vejo que estão botando os papos em dia – Toca o ombro de Victor. Carrie foi mais rápida e respondeu.
– Estávamos falando da neta dele, Melinda. O sumiço misterioso... Vocês realmente não encontraram nada? – Disse Carrie num tom curioso e chamou a atenção de Antonio pelo assunto.
– Nossa... Melinda? Não. Não conseguiram rastrear a menina e...
– Me desculpa Sr. Rossi e Sra. Thompson, mas esse assunto é pesado demais para mim. Por favor, me deem licença. – Victor deixa os dois.
– Hum. O melhor que fazemos é esquecer essa estória, não é? – Disse Antonio tomando o último gole de sua bebida.
– Acho que não deveriam desistir de procurar a menina. – Carrie volta a se dirigir a Antonio num tom gélido, não tirando seus olhos dos dele. Eles ficam em silêncio por uns segundos, até que ele é quebrado com a chegada de Zoey.
– Amor, minha mãe quer falar com você. – Diz sem olhar na cara de Carrie.
– Vadia. – Carrie não resistiu.
– Como é...
– Ei, garotas! Por favor, Carrie. – Diz Antonio, enfurecido. Eles se afastam de Carrie.
Imbecis. Espero que morram. Desejou Carrie.
E Zoey reclamava para Antonio o fato de Carrie estar naquela festa.
– Poxa, parece que ela nunca vai superar o que aconteceu. Pensei que já tinha, vendo ela toda sorridente e simpática com essas pessoas... Só falsidade. Eu vi o ódio nos olhos dela ao me ver com você. Ela é desprezível!
– Esquece ela querida. Vamos tomar um drink para relaxar um pouco.
Antonio passou uma taça com champanhe para ela. Em seguida pegou um copo com whisky para ele. E discretamente seus olhos procuraram por Carrie. A achou. Ela estava conversando com uma mulher agora. Fitou-a por longos segundos, pensativo. Depois tomou em um só gole sua bebida e voltou sua atenção para Zoey.
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