Pra que mudar?
11 Capítulo 10: Feriado
Notas iniciais
Não bastava descobrir que meu novo namorado era de uma família rica e poderosa, ainda por cima somos buscados por uma enorme limusine. Minha família tinha uma boa condição financeira, mas não tínhamos condições de ter supérfluos como este ainda.
Diego estava meio tenso, talvez porque eu estivesse quieta demais. Até chegarmos a casa na praia de seus pais, levaríamos pelo menos umas seis horas de carro, o que me deixava exausta só de imaginar.
Porém, para minha surpresa, depois de quase uma hora dentro daquele carro, o motorista repentinamente entra em um enorme prédio e estaciona. Diego desce agilmente e abre a porta para que eu desça também.
— Chegamos? – pergunto confusa.
— Não. Vamos pegar nossa outra carona aqui. – Diego responde, enquanto caminhamos em direção ao elevador.
Não estava entendendo mais nada. Como faríamos para pegar uma carona dentro de um prédio?
Quando chegamos ao último andar, e o elevador se abriu, um vento gelado bateu em meu corpo, me fazendo arrepiar. Diego me envolveu com um de seus braços e caminhamos juntos. Evitei ao máximo olhar para longe, tinha medo de altura, então mantive meus olhos no chão.
— Eis, nossa carona? – Diego disse orgulhoso, apontando algo a nossa frente. Levantei meu olhar e fiquei sem fôlego por um momento.
— Um heli.. um helicóptero? –Gaguejei a pergunta.
— Sim. Já tinha voado nisto? – ele perguntou praticamente me arrastando para perto do helicóptero.
— Não, tenho medo de altura. – respondo com sinceridade.
— Relaxa, vai dar certo. – ele responde me dando um rápido selinho.
Nós aproximamos de um homem alto e lindo, parecia até um modelo, conclui pelo capacete que utilizava que devia ser o piloto.
— Demoraram. – ele nos repreendeu em um tom sério e logo em seguida abriu um enorme sorriso para Diego, puxando-o para um abraço apertado. Pareciam se gostar muito. Assim que soltou Diego o homem estendeu sua enorme mão para mim. Eu a peguei prontamente.
— Então está é a famosa Alexia. Ouvi falar muito de você. – ele disse apertando minha mão com firmeza. Senti-me constrangida por ter sido alvo de comentários desconhecidos para mim.
— Alexia, esse é meu padrinho Celso. Ele é meu tio, e piloto também. – Diego disse como se estivesse me apresentando seu herói. Fiquei feliz por ele ter um adulto à quem amasse tanto.
— Prontos? – Celso nos perguntou. E antes mesmo que eu conseguisse formular uma resposta, ele se virou e foi cuidar dos últimos detalhes antes de partimos.
Diego me ajudou a subir e colocou o sinto em mim. Comecei a tremer, não sabia se por causa do frio, ou se por causa do medo. Quando Diego se sentou ao meu lado, ele segurou minha mão com força, tentando me passar uma maior tranquilidade. Era obvio que ele confiava nas habilidades do tio, então decidi confiar também.
Quando levantamos voo, senti-me como numa montanha russa. No começo dá medo, mas depois é gostoso. Até consegui sorrir um pouco. Inegavelmente era bem mais rápido do que viajar de carro.
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Chegamos rápido a praia. Celso despediu-se de nós, prometendo que voltaria no domingo para conversamos melhor.
Diego e eu caminhamos pela praia, em meio a escuridão, quebrada somente pela luminosidade que vinha da lua cheia. Ele tirou sua blusa de frio e colocou sobre a minha, tentando me proteger do vento forte que vinha do mar.
A casa dos seus pais era enorme, a parede voltada na direção do mar era completamente de vidro, poderíamos apreciar o mar a todo o momento. Do lado de fora, pude ver o pai de Diego ao telefone, e sua mãe ao piano.
Quando chegamos, fiquei deslumbrada, pelas obras de artes presentes em cada lugarzinho da casa. Era tudo de um incrível bom gosto. Fomos seguindo a música doce que vinha do piano, e chegamos até onde estava a mãe de Diego.
Ela não pareceu notar nossa presença de imediato. Observei-a atentamente, parecia muito com Ana, cabelos loiros ondulados lindíssimos, unhas e maquiagem impecáveis. Vestia um vestido cor creme e parecia sem dúvidas a primeira dama perfeita. Ela pareceu sentir meu olhar sobre ela, então levantou um pouco seu rosto, olhando diretamente para mim. Parou de tocar, levantou-se e caminhou em nossa direção.
— Finalmente meu amor, estava começando a me preocupar. – ela disse afetuosamente abraçando Diego.
— Trânsito. – ele limitou-se a dizer. – Mãe, está é minha namorada Alexia. –ele apresentou-me orgulhoso.
— Olá querida. – ela disse surpreendendo-me com um forte abraço. –É um prazer finalmente conhece-la. Desculpe-me por minha filha. – ela disse amavelmente.
— É um prazer conhece-la. –eu digo sorrindo. Nos encaramos por um breve momento e sinto algo estranho em seu olhar. Imagino que Ana tenha feito toda uma propaganda negativa a meu respeito.
— Cadê o papai? – Diego pergunta.
— Trabalhando em seu escritório. – Ela responde. – Melhor não incomoda-lo agora. Seus quartos já estão prontos, vou preparar um lanchinho e levo para vocês. – ela diz e se afasta em direção a porta, que penso ser a da cozinha.
Diego segura minha mão e vai me guiando pela enorme casa. Vejo muitas fotos, principalmente dele e da irmã. Tinha que admitir que aquela vaca da Ana, era realmente muito fofa na época.
— Este é nosso quarto. – Ele diz abrindo a porta para que eu entre. Se trata de um quarto enorme e luxuoso. Uma cama enorme de casal, guarda roupa espelhado enorme e uma escrivaninha virada para parede de vidro. A vista para o mar dali, era de tirar o folego. – Aquela porta ali, é o banheiro. – ele diz me puxando para ver. O banheiro não deixava a desejar, era enorme, tinha banheira enorme e pias duplas.
— Aquela outra porta ali? – pergunto curiosa, vendo a porta do outro lado.
— Dá para o meu quarto. – Diego respondeu, abrindo-a para que eu pudesse ver. Seu quarto era igualmente lindo e enorme. Mas ao invés de paredes rosa bebê como as do meu, tinha paredes azul marinho, e alguns pôsteres de bandas de rock nas paredes.
— Este quarto que vou ficar não é da sua irmã ou é? – pergunto receosa de ficar tocando nas coisas daquela louca.
— Não, Ana fica no quarto no final do corredor, gosta de ter um closet enorme e não gosta de dividir seu banheiro. – Diego responde, revirando seus olhos levemente.
— Eu que sei. – Digo e nos dois rimos um pouco.
Ficar assim tão perto de Diego, apenas a uma porta de distância. Estava começando a achar que aquela escolha de quarto foi proposital.
Diego e eu estávamos soltando faíscas desde o início do namoro. A falta de privacidade do colégio não nos permitiu fazer nada. Mas ali, naquele paraíso, parecia ser questão apenas de tempo!
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Acordei suada, estava fazendo um calor insuportável. As enormes cortinas, deixavam o quarto escuro, e me privavam da vista maravilhosa do mar. Não me atrevi a abri-las, preferi tomar meu banho primeiro.
Depois de fazer minha higiene, coloquei um biquíni e um vestido branco bem levinho. Bati levemente na porta de Diego, mas ele não respondeu. Abri e vi que ele já não estava em seu quarto.
Voltei ao meu quarto e abri as cortinas, deslumbrei-me mais uma vez com a vista. Pude ver meu namorado brincando com um cachorro na praia. Seu pai estava sentado à mesa do café da manhã, que ficava em cima de um gramado ao ar livre, pouco antes da praia. Nem sinal da minha sogra.
Desci devagar as escadas, torcendo para não encontrar a mãe de Diego ali. Simplesmente não queria ficar sozinha com aquela mulher por enquanto. Com muita dificuldade encontrei a porta dos fundos e sai para o gramado, onde o pai de Diego estava.
Ao notar minha aproximação, ele abaixou o jornal que lia e se levantou gentilmente para apresentar-se.
— Olá, sou Rodrigo e você? – ele cumprimentou-me com um aperto de mão firme.
— Bom dia, meu nome é Alexia. –respondo educadamente. Ele me olha intrigado, acho que não faz a menor ideia de quem eu seja. – Namorada do Diego. –emendo em tom de explicação.
— Claro, desculpe, havia me esquecido de que você viria. Sente-se por favor. – ele propôs educadamente, puxando uma cadeira para mim.
— Obrigada. –agradeço sentando-me.
Tomamos nosso café da manhã silenciosamente. Não posso deixar de notar o quanto o pai de Diego é bonito. Obviamente ele e Celso eram irmãos, a semelhança era impressionante. O silencio entre nós é agradável e percebo que o pai de Diego é um homem de poucas palavras. Mas sinto afinidade maior por ele, do que por sua esposa.
— Bom dia Alexia. – escuto a voz feminina familiar. Minha sogra se aproxima deslumbrante com seu maio dourado e me dá três beijos no rosto. Logo em seguida senta-se no colo de seu marido e lhe dá um beijo ardente.
Fico tímida com a cena, e evito olhar. Continuo tomando meu café da manhã.
— Credo, parem com isso. – Diego diz se aproximando com cara de nojo. Não posso deixar de sorrir.
— Como acha que você foi feito? – seu pai pergunta sarcástico, enquanto sua mãe senta-se ao seu lado e começa a tomar café da manhã também.
— Cegonha. – Diego responde no mesmo tom sarcástico do pai. Aproxima-se de mim e dá um selinho. Logo em seguida senta-se ao meu lado, e todos juntos tomamos nosso café da manhã.
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Foi um dia incrível. O pai de Diego nos levou para passear em sua lancha. Tivemos a oportunidade de mergulhar, e apesar de ter ficado com um pouco de medo, foi uma experiência incrível!
A mãe de Diego não quis ir conosco, ela ficava muito enjoada em barcos. E também queria evitar minha companhia, pelo menos foi o que eu senti.
À noite, enquanto Diego e seu pai preparavam um churrasco no quintal. Fui até meu quarto, e tomei um longo banho. Demorei muito para tirar toda areia do meu corpo. Enquanto me vestia ouvi leves batidas a minha porta.
— Pode entrar! – gritei ainda dentro do banheiro. Escutei os passos da pessoa entrando e depois o silencio. A atmosfera ficou pesada de repente, e senti que não era Diego que estava ali.
Terminei de me vestir, respirei fundo e voltei para meu quarto. Para minha surpresa, sentada ali, na beira da minha cama, estava a mãe de Diego.
— Posso lhe ajudar em algo? – perguntei sem querer demonstrar meu assombro por vê-la ali.
— Quero ter uma conversa em particular com você. De mulher para mulher.
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