Jimmy e eu combinamos de nos encontrar na igreja, a meia noite do dia seguinte. Levaríamos apenas o necessário em nossa fuga da cidade. Morgana me ajudou a levar algumas coisas, que deixaríamos escondidas na catedral e Jimmy pegaria mais tarde. Ela tentou me convencer a não fazer aquela loucura, mas eu estava decidida a desaparecer com Jimmy. Ir para bem longe dos nossos pais, seria a única solução para nossos problemas.

Então no horário marcado, eu me preparei como se fosse pra cama. Dei um longo abraço em Maria, sem que ela soubesse que aquilo era uma despedida definitiva e depois me tranquei no meu quarto. Aguardei por alguns minutos, e então desci pela sacada da minha janela, ate estar no pátio. Levei a chave de um dos portões dos fundos, e foi por ele que sai.

Morgana havia conseguido uma carona para me levara até a igreja. Despedimos-nos uma da outra, entre abraços e lágrimas, depois eu entrei na igreja e esperei Jimmy. Ele não demorou muito a chegar, nos encontramos no centro da igreja.

-Voce tá pronta? –ele pergunta pra ter certeza-

-Sim! –eu sorrio meio nervosa-

-Então é melhor agente ir logo... Nós vamos no meu carro...

-Tá bom! –eu o puxo pra perto de mim e digo olhando nos seus olhos- Jimmy! Não importa o que aconteça... Eu quero que voce saiba que conhecer voce foi a melhor coisa que me aconteceu...

-Agente vai cuidar um do outro agora! –ele toca no meu rosto- Seremos só eu e voce daqui pra frente, é só isso que importa! Ninguém mais vai nos separar! Nunca mais!

-Eu te amo Jimmy!

-E eu amo voce!

Jimmy me olha docemente nos olhos, e então me beija.

Enquanto ainda estávamos nos braços um do outro, algo que não esperávamos aconteceu. Alguém havia informado meu pai de nossa fuga. Não sei quem, nem por que, mas ele entrava agora na igreja carregando uma arma em mãos. Ele estava sendo seguido por seus seguranças, e estava furioso. Ele abre as portas fazendo com que elas batam fazendo um barulho alto que ecoou pela catedral inteira. Agarrei-me a Jimmy assustada, que tomou a frente.

Meu pai gritava:

-Tira as suas mãos de cima da minha filha seu moleque filho da mãe...

-Pai não... –gritei vendo-o com aquela arma em mãos-

-Eu vou acabar com a sua raça aqui mesmo... –ele insiste- Se afasta dela antes que eu manche o solo da igreja com seu sangue seu desgraçado...

-Eu amo a sua filha, atirar em mim não vai mudar isso... –diz Jimmy encarando meu pai-

-Quero ver voce amar ela no inferno... –meu pai empunha a arma levando o dedo ao gatilho-

-NÃO... –eu grito me colocando na frente de Jimmy- Se voce for atirar nele, vai ter que atirar em mim primeiro...

-Sai da frente ou voce vai se arrepender disso Valerie... –disse meu pai transtornado-

-Atira em mim se voce tiver coragem pai. Por que só vou me afastar dele assim...

Nesse momento vemos o padre surgir na catedral, vindo de trás de uma das grandes cortinas vermelhas logo atrás de meu pai. Ele chama atenção de meu pai, e avança até estar frente a frente a ele.

-Isso é uma igreja, é o templo de Deus, como se atreve a trazer uma arma para dentro desse lugar? –diz o padre na mira da arma-

-Saia da frente ou atiro em voce tambem padre... –meu pai estava fora de si-

-Ordeno que saia daqui imediatamente antes que eu chame a policia... –o padre se mantém firme-

-Não me obrigue a atirar em um homem de fé padre... Esta garota é minha filha, e este rapaz está tentando tirá-la de mim...

-Pois tentem resolver isso de uma maneira racional...

No meio daquela discussão, não tivemos outra escolha. Jimmy e eu saímos correndo pela porta dos fundos. E fomos ate o carro dele, que estava estacionado nos fundos. Ouvi meu pai ordenar que os seus seguranças nos seguissem. Entramos no mustang de Jimmy e ele acelerou o Maximo que pode.

Assim que quebramos a rua, vimos dois carros pretos nos seguindo a toda velocidade. Eram os seguranças de meu pai, que vinham atrás de mim.

-Não vou deixar que eles alcancem agente... –diz Jimmy- Coloca o cinto...

Eu fiquei tão nervosa que nem conseguia puxar o cinto para colocá-lo ao redor do meu corpo. Minhas mãos tremiam, e meu coração parecia que ia sair pela boca a qualquer momento. Mas eu não estava disposta a desistir... Nenhum de nos estava.

Os seguranças do meu pai se aproximavam mais e mais, a cada km. Parecia impossível se livrar deles. A cada curva que fazíamos, ficávamos mais perdidos, e apavorados. Aqueles filhos da mãe não iam desistir ate nos parar.

Entramos em uma avenida muito movimentada, e foi assim que Jimmy teve uma péssima idéia. Ele pisou o mais fundo que pode no acelerador, e nós avançamos o sinal, passando rente a muitos carros. Mas desviamos de todos por milímetros de distancia. Respirei fundo colocando a mão sobre o peito, achando que ia ter um ataque. Jimmy olhou pra mim:

-Fica calma, vai ficar tudo bem...

Assim que os lábios dele se fecham eu vejo uma luz forte, vindo do seu lado do carro. Um barulho alto de buzina, quase me deixou surda. Foi assim que um caminhão de carga colidiu contra o mustang, fazendo com que o carro fosse arrastado e depois jogado ao longo da estrada, capotando, enquanto os vidros se quebravam, e cortavam minha pele. Gritamos desesperados... tentei me segurar no teto do carro, enquanto meu corpo batia de um lado para o outro dentro do veiculo que ficava cada vez mais amassado.

Em segundos estávamos com o carro virado entre duas ruas. Eu não consegui sentir partes do meu corpo, mas minha cabeça doía muito. Meus olhos estavam abertos, mas eu estava sem forças. Olhei para o lado vendo Jimmy desacordado, preso as ferragens da porta do carro. O rosto dele sangrava muito, e ele não se movia. Tentei dizer seu nome, mas minha voz não saia. Levei minha mão ate o rosto dele, e senti seu sangue escorrer por ela. Senti vontade de chorar, mas a dor na minha cabeça me fez apagar antes disso acontecer...