Pré-destinados
3 Uma Noite Quase Normal
Já era noite e Miguel terminava de arrumar-se para o festival que aconteceria essa noite na propriedade dos tios.
Todos os anos Joseph e os comerciantes da cidade organizavam o festival para comemorar a riqueza que ganharam durante o ano.
O festival também servia para que os comerciantes arranjassem pretendentes aos filhos ,e com isso, bons casamentos.
-Está tudo perfeito querida. –Afirmou Joseph ao olhar a ampla propriedade muito bem decorada .
-Ah obrigado. –Falou Mabel com um meio sorriso e um olhar triste.
-O que te traz esse olhar tão triste? –Perguntou o marido preocupado
-Eu queria tanto que minha irmã estivesse aqui.Festejando conosco ,vendo seus filhos crescerem...já se passaram cinco anos e eu... –olhou novamente para o chão com o olhar mais triste,que o marido bem conhecera.
-Mary não gostaria de te ver assim. Mary queria nos ver felizes e que cuidassemos dos meninos... –Agora ele quem olhava para o chão com um semblante triste.
-Eu sei mas... essas crianças, essas pobres crianças, elas não merecem isso. Elas não merecem o destino que lhes foi escolhido. Elas nem se quer puderam optar pela vida que quisessem. Eu só... eu só quero lhes proporcionar uma vida normal enquanto ainda puder . – A mulher limpou um lágrima que insistiu em descer quente pela sua bochecha.
-E nos vamos querida. Bem hoje é um dia feliz. Vou receber os comerciantes. Vá apressar Anabell. –Disse o homen beijando a testa de sua esposa e já saindo.
[...]
Miguel vestia-se lentamente ,já que não tinha interesse neste festival, quando escuta a porta de seu quarto abrir lentamente livrando-o de seus desvaneios. Logo se surpreende ao ver a prima, Anabell, fechando cuidadosamente a porta atrás de si para que ninguem ouvisse.
-O que faz aqui Anabell.-disse nun tom de repreensão- Sabe muito bem que não pode visitar o quarto de um rapaz assim, já é uma moça, sabe que os empregados podem maldar mesmo sendo minha prima.
-Ora ,senti sua falta na festa, não o vi em lugar algum.-disse a moça em tom inocente.- E não precisa ser rude assim comigo, só estava preocupada... –Olhou para baixo com um olhar doce.
Naquele momento Miguel sentiu-se culpado por ser tão rude com a prima. Afinal gostava muito da moça e lhe partia o coração vê-la assim.
Aproximou-se da moça pegando em sua mão.
-Tudo bem querida. – disse levantando o queixo da moça com a mão livre. –Não quis te magoar, só cuide para que ninguem a veja entrando aqui sozinha, Tio Joseph não gostaria nada.
-Desculpas aceitas. –Disse já sorrindo- Mas... Miguel, por que me olha assim?
-Nada , só gosto de olhar nesses olhinhos verdes. –disse o rapaz sorridente, ao olhar fixadamente para aqueles olhos verdes esmeralda que tanto gostara de admirar. –Ah ,vamos descer já devem notar nossa falta.
Ele ofereceu os braço para a prima que logo pegou sem pensar duas vezes. Os dois deceram as escadas em direção ao pátio.
-Ah e Anabell
-Sim?
-Está especialmente linda hoje. –disse pensando em como aquele vestido lhe vestia bem ,o espartilho que fazia com que a cintura da moça ficasse ainda mais fina, e os lindos cabelos loiros que hoje estavam arrumados em cachos perfeitos que caiam sobre os ombros cubrindo o busto da moça.
-Ah , obrigada... –disse a moça já corando. Ele riu
[...]
A musica tovaca enquanto as mulheres dançavam com alguns homens no Hall principal da casa . Alguns comerciantes empanturravam-se de vinho enquanto riam e conversavam uns com os outros.
O pequeno Harry procurava calmo , sob os olhares das pessoas que dançavam, o irmão.
Ao avista-lo no canto da sala olhando protetoriamente para a prima, que dançava com um rapaz, correu para os braços do irmão. Miguel pegou o pequeno no braço.
-Oh onde estava rapazinho, não anda dando trabalho pra Lilith anda?
-Fugi da Lili –disse o pequeno rindo.
-Ora não seja malcriado Harry, vamos , vou te levar pra comer algo. – disse o irmão fazendo um carinho no cabelo castanho claro do pequeno.
-Miguel! – chamou a Mabel interrompendo os meninos.
-Sim Tia
-Venha me dê Harry, quero lhe apresentar uma moça, filha de um comerciante de cobre da região. – disse já pegando o pequeno nos braços.
-Ah tia...acho melhor nã... –ele foi interrompido pela Tia.
-Ora querido, é só para conche-la ,dançe um pouco com ela em nome da familia –ela disse em tom doce -você faria isso pela sua pobre tia?
-Tudo bem tia –ele rendeu-se – que seja rápido, não me sinto muito bem.
A mulher logo abriu caminho pelos corpos no salão, com um belo sorriso, ela para frente a uma bela moça. Muito bem vestida,cabelos negros cacheados e lindos olhos castanhos.
-Querido, esta é Eve. – ela cumprimenta a moça
-Prazer, Miguel- disse beijando-lhe a mão
A moça e a tia sorriram. Logo Mabel percebeu que sua presença não era mais necessaria .
-Bom, vamos comer alguma coisa Harry – disse já saindo.
-Hum...então... – ela diz meio sem jeito.
-Olha, Eve, eu não quero ser deselegante, mas creio esteja tão desconfortavel como eu nessa situação, então, para que isso possa terminar logo, me faria o favor de me conceder esta dança? – ele foi sincero .
-Ora , não estou incomodada de ser apresentada a você, mas acreditava que fosse mais gentil.
Ele a ignorou envolvendo sua cintura em um braço , e pegando sua mão para que pudesse dançar.
-Não esperava que dançar comigo fosse um fardo para você –disse ainda surpresa pela reação do rapaz.
-Olha, Eve, não é que não goste de você, mas não me sinto muito confortavel tendo que me relacionar com moças.
-Acredito que poderia tornar essa experiencia um pouco mais agradavel. – a moça disse em seu ouvido.
-Bom , mas confesso, és uma moça admiravel. – disse em um meio sorriso.
-Ai! – ele parou de dançar pondo a mão sobre a testa .
Todos no salão pararam para olhar. A moça continuava parada confusa.
-Oque aconteceu? Está se sentindo bem? – ela perguntou preocupada.
Miguel abriu os olhos lentamente .E assustou-se ao ver a mãe a sua frente.
-Está chegando a hora querido. – a mulher disse sorrindo.
-Mãe ? mãe , não , aqui não!, por favor – ele disse pondo a mão na cabeça.
-Miguel! Querido , o que aconteceu? – a tia diz correndo em sua direção.
-Eu...eu só... –Mary sumiu de sua visão.
Logo depois uma dor , surgiu dentro de sua mente, um calor queimante exalava de seu corpo. O jovem não conseguia mais manter os olhos abertos , ele os fechou e tentou abri-los. Quando abriu os olhos uma luz cegante o fez gritar. O jovem caiu no chão. Logo todos correram para ver o que tinha acontecido.
Fale com o autor