Notas iniciais
Notas da Mitologia Nórdica: A Floresta Negra: é uma cordilheira do sudoeste da Alemanha Yggdrasil: é uma árvore, localizada no centro do universo que se liga aos nove mundos nórdicos. Asgard: o mundo dos deuses, parecido com o céu Midgard: o mundo dos homens, parecido com nossa terra Helgardh: o mundo dos mortos, parecido com o inferno

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Naznacheniye era uma vila que ficava na floresta negra, perto do rio Reno e há anos era amaldiçoada, muitos já tinham tentado ir embora, mas a maldição os perseguia não importando a distância e nem o lugar. A maldição surgiu depois que um dos moradores da vila matou o que acreditava ser uma humana, mas na verdade era um espírito disfarçado e para punir o assassino, Yggdrasil trouxe do Helgardh um demônio em forma de lobo que deveria destruir a alma de qualquer humano que tivesse a sombra da morte sobre si.

Lyuba nunca foi considerada um exemplo na vila, sempre questionando e indo contra todas as regras impostas e ao contrário dos outros que tinham medo, ela queria descobrir um jeito de acabar com a maldição e para ela o melhor jeito de descobrir uma saída, era se aproximar do lobo.

Naquela noite, ela estava decidida a ir em frente com seu plano e escondida sob a cobertura de sua casa, ela viu quando a grande massa de pelos brancos saiu da floresta, mesmo de longe se podia perceber o tamanho do ser que andava entre as casas, os dentes brancos e afiados e olhos negros que, os poucos que sobreviveram ao vê-lo, disseram ser o próprio reflexo do Helgardh.

O lobo andou pela vila sentindo o cheiro das vidas que ali residiam e após alguns minutos percebeu que pelo menos por aquela noite não haveria mortes, mas enquanto adentrava a floresta de volta sentiu a presença de um humano que o seguia. Pelo cheiro não era um culpado então não podia fazer nada, já que pela maldição ele só pode matar os culpados; decidiu então ignorar já que pelo breu que era a floresta, logo ele iria desistir.

E assim Lyuba seguiu o lobo acreditando que o mesmo não a percebia e eles se aprofundaram na floresta. Ela era guiada apenas pelo brilho que o pelo do lobo fazia ao ser tocado pelos raios de luar que conseguiam passar pelas densas copas das árvores.

Quando ele percebeu que já estava próximo de sua toca decidiu despachar a humana de uma vez.

"Você não deveria estar aqui."

Ela se assustou com as palavras que escutou em sua mente e deu alguns passos para trás, mas mesmo assim juntou sua coragem e o enfrentou.

— Você também não.

O lobo se virou e a olhou curioso. Era a primeira vez em milênios que um humano não se assustava com ele e pelo cheiro ela estava com medo, então porque não ia embora?

"Vá embora antes que algo lhe aconteça."

— Não antes de você dizer como posso acabar com a maldição. – ela o confrontou.

"Não existe saída, sua vila será dizimada."

— É o que você e Yggdrasil dizem não o que acredito.

"Pois essa é a única verdade, o aceite ou continue fantasiando. Agora vá!"— ele se virou para ir, mas ela continuou.

— Porque você não me mata então?

"Se quiser a morte, vai encontrá-la com outro, não comigo."

— Só me dê uma chance de tentar descobrir uma saída, nós vamos nos libertar e você também.

Ele sabia que aquela seria uma busca infrutífera, mas apesar de agora ser um demônio, ainda se lembrava de como era sua vida antes de sua própria maldição e não gostava da solidão, talvez se aceitasse a companhia dela conseguiria um pouco de sossego.

"Como quiser, mas você vai ficar aqui comigo, não quero que outros sigam seu exemplo."

— Tudo bem! – ela sorriu com esperança — Meu nome é Lyuba e o seu?

"Hugh."

E assim semanas se passaram e eles se conheceram melhor. Hugh que até então só tinha se aproximado de humanos para matá-los, percebia o quão interessante eram aquelas criaturas que os Deuses tanto falavam, principalmente aquela humana. E Lyuba se interessava cada vez mais pelo mundo dele, com os espíritos encantadores que viviam na floresta e que a vila tanto fugia e também notava que tudo que tinha ouvido desde que nasceu era um grande equívoco.

Mas mesmo tendo se encantado pelo mundo dele, ela ainda pensava na família que tinha deixado na vila e foi assim que ela pensou ter encontrado uma solução para o problema dos dois.

— Hugh, se eu quisesse voltar para vila, você deixaria? — Ela perguntou enquanto eles se aprontavam para dormir.

"Isso não vai dar certo."— ele respondeu indiferente

— O que?

"Os seus pensamentos gritam. É impossível não escutá-los."

— Mas pode ser uma solução! Eu sei que você não gosta de nos matar e se eles perceberem isso podemos mostrar a Yggdrasil que os humanos e os espíritos podem conviver em paz.

"É surpreende o seu otimismo, mesmo sendo tão esclarecidos nós nunca conseguimos entender a alma dos humanos. Vocês são tão incomuns."

— É por isso que insisto me deixe voltar pra vila e provar o quão incomum somos.

"Como quiser, mas tome cuidado. Ao contrário de mim, eles podem não ser tão piedosos." Elerespondeu relutante.

— Vai dar tudo certo, daqui a pouco todos estaremos livres.

Quando amanheceu Lyuba foi para a vila e todos se assustaram ao vê-la, pois eles tinham dado ela como morta, mas a garota não se esqueceu de sua missão e logo procurou o chefe da vila e contou sobre as semanas que passou com o lobo, que ele tinha um nome e assim como todos ali, não gostava daquela maldição que “era uma prisão para todos inclusiveele, que o único jeito de quebrá-laera esquecer as diferenças e se unir”. Mas assim como Hugh previu alguns humanos não são piedosos…

Ele se fingiu de frio por fora, mas por dentro queria gritar para ela ficar, ele sentia que algo iria acontecer, mas ainda assim esperava que fosse apenas uma impressão, que apesar de todos os séculos de vida que passou observando os humanos fossem apenas um equívoco, mas logo ele percebeu que estava errado.

O grito foi alto o suficiente para atravessar quilômetros de distancia e chegar aos ouvidos dele que sem pensar correu para a vila se preparando para matar quem estivesse em seu caminho. Assim que passou pelos limites da vila, sentiu cordas em suas patas e a queda foi inevitável, ele se debateu e rosnou o quanto podia, mas não tinha o que se fazer, ele era um espírito das trevas, na luz ele perdia completamente seus poderes.

Os moradores o arrastaram até o centro da vila e o deixaram em frente a uma grande estaca onde Lyuba estava amarrada e amordaçada.

"Fique calma, vou tirá-la daqui."— ele disse, lutando contra suas amarras

"Desculpe-me, eu não sabia que isso iria acontecer!" — ela respondeu em seu pensamento.

"Não é hora para se culpar."

Os humanos passaram mais cordas em torno de Hugh, ele tentava estourá-las,mas elas estavam muito fortes.

— Senhoras e senhores, — o chefe da vila gritou ao lado de Lyuba — o que temos aqui hoje não é uma mulher e nem um de nossos parentes, está coisa que está amarrada aqui é uma traidora, um monstro ainda pior que a fera que nos assombra há tantos anos! Ela se esqueceu de todas as mortes que a fera nos trouxe e se juntou a ele para nos destruir! E agora pergunto: como nós nos livramos de traidores?

— MORTE! — A vila gritou em uníssono.

Lyuba chorava, mas não pela sua iminente morte e sim pela de Hugh, que por causa dela iria morrer. E ao escutar aquilo, Hugh se desesperou ainda mais tentando se livrar das amarras que o impediram de salvá-la. O homem que incitou a multidão acendeu uma tocha e com ela colocou fogo na lenha que estava aos pés de Lyuba. Ela o olhou pela última vez para seu amigo e então o fogo começou a consumi-la.

Ela não queria gritar para que ele não sentisse a dor que aquilo a infligia, mas era impossível. Tudo queimava tudo doía. Era como um formigamento que não dava trégua e que corroia seu corpo aos poucos. E então a dor chegou ao maximo que ela aquentava e sem perceber mergulhou na escuridão. Hugh estava estático enquanto olhava o cadáver carbonizado a sua frente, ele não conseguia entender o que estava acontecendo, ela só queria ajudar, só queria acabar com aquela maldição e deixá-los livres! Agora ela estava morta e os humanos que ela tanto queria ajudar comemoravam.

Logo o sol se foi, mas mesmo com a noite de volta ele continuou paralisado. Eles passavam a sua volta e o xingavam, batiam e humilhavam de todas as formas. Eles diziam que ele se tornou o exemplo de como eles eram superiores aos Deuses e aos espíritos que tanto temiam, mas logo ficaram bêbados e um por um eles desmaiavam caídos no chão fedendo a álcool e a morte, as fogueiras se apagaram e a vila mergulhou na escuridão e no silêncio.

Yggdrasil que entre a floresta observou tudo calado decidiu se manifestar. Todas as vidas se originavam dele e consequentemente ele sentia suas dores e mesmo sendo um ser de sabedoria e igualitário, ele sabia que havia chegado a hora de Naznacheniye aprender uma lição. Ninguém está acima de nada, todos são iguais.

Hugh escutou o chamado de Yggdrasil. A voz que retirava todas as regras postas sobre a maldição, que tirou as amarras que o prendiam e trouxe de volta o poder que estava enterrado por todos estes milênios e o trouxe a sua verdadeira forma como um Ǣsir.

Em meio à escuridão, os únicos sons foram os passos pesados... Os gritos... E as garras que brilharam com sangue.

Após a noite de horror e vingança o sol nasceu novamente e iluminou o matadouro que a vila tinha se transformado, de cabeça baixa Hugh andou pela floresta até chegar a Árvore que era Yggdrasil. Ele se deitou entre suas raízes e esperou a sentença. Yggdrasil olhou para o espírito atormentado que passou tantos anos no Helgardh e depois preso na maldição e pensou que pelo menos daquela vez, ele merecia um descanso. E assim, Yggdrasil retirou a maldição e o restabeleceu como um Deus o mandando para o Asgard para se juntar a Lyuba. Ele sabia que no Midgard eles nunca conseguiriam ficar juntos, mas que longe dos humanos tudo seria diferente.

Notas finais
E então mereço algo? =*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!