Powerful Blood
3 Play In The Shadows With a Wich
Notas iniciais
Queria agradecer a todas as leitoras lindas que aguentaram e vão aguentar minha demora para postar...
Enjoy
Depois que Ben se pronunciou, ninguém falou. Maya olhava Liza e Katherine como se esperasse que fizessem alguma coisa, mas elas estavam sentadas encarando o chão como se fosse a coisa mais interessante naquela pequena casa.
–E então? –João falou, incomodado com o silêncio que se fez
–Bem, enquanto vínhamos para cá, passamos por uma mansão antiga no meio da floresta... Tinha um cheiro forte de bruxas... Vou arriscar que elas vivem lá. –Katherine disse
–Bruxas que moram em mansões... Isso é novo... –Liza falou pensativa
Maya revirou os olhos com a idiotice da garota.
–Então acho melhor irmos para essa “mansão”. –Maria falou ignorando completamente o fútil comentário de Liza
–Não podemos ir agora... Ainda é dia, as bruxas podem usar isso contra nós. Elas sabem sobre nosso ponto fraco, sabem que, se nós ficarmos expostas a luz do sol, seremos desintegradas a pó. –Katherine falou
–As bruxas tem vantagem a noite. –João disse
–Nós também, principalmente Maya. –Liza falou
Todos a encararam.
–Não é verdade, não tenho nada de especial. –Maya afirmou
–Ora, vós dizeis que não és especial? Logo tu? –Katherine falou numa linguagem formal, antiga, o que fez João e Maria pensarem a quanto tempo estão vivas
–Katherine, controle a linguagem. Ainda é estranho você falando assim
Katherine revirou os olhos.
–Humanos, mudam a linguagem de tempos em tempos... –resmungou segurando o sotaque Inglês
–Não podemos ir a noite. –Maria se contrapôs
–Temos que ir a noite. –Maya disse
Maria pareceu não gostar da ideia.
–Votação. Quem prefere ir agora, levanta a mão. -ela falou e pôs-se a levantar a própria mão
Ben também levantou, sem saber muito bem o que estava fazendo.
–Quem vota em ir a noite... –Maya falou
Todos, menos Maria e Ben, levantaram as mãos. Maria olhou para João o repreendendo. Ben olhou para a quantidade de mãos em pé e lentamente levantou a dele.
–Elas tem razão, Maria. –João disse
–Então tudo bem. Vamos a noite, mas é bom que valha a pena. –Maria disse e subiu para o quarto batendo os pés
–Estressadinha... –Liza comentou
***
Estava anoitecendo, e os irmãos carregavam suas armas. Por precaução, resolveram que iriam levar Edward junto.
–Não gosto da ideia de um troll conosco. –Katherine falou
–Por que não? –Ben perguntou
–Eu tinha uma amiga na Inglaterra, seu nome era Deanna...
–E o que aconteceu com ela? –Ben perguntou mais uma vez
–Um troll arrancou seus braços e logo depois a decapitou usando as mãos. Foi uma cena horrível... E ele ainda tentou me matar. –Katherine disse
–E o que você fez? –Ben perguntou com um ar entusiasmado
–Matei ele. Sangue de troll não é o melhor, tenho que admitir. –Katherine falou
Maria estava tensa, não sabia se podia confiar naquelas garotas. Eram de uma raça desconhecida, e ainda mais, se alimentavam de sangue. Já sabiam que com Maya não precisava se preocupar. Já estava bem na cara que ela não era uma ameaça tão grande, mas Katherine e Liza não eram a mesma coisa.
João viu a expressão dura da irmã, olhando para as três garotas que estavam contando histórias a Ben que as ouvia entusiasmado.
–Não se preocupe, mana... Sabe que nós podemos mata-las se fizerem alguma coisa de errado... –ele falou
–Elas são rápidas e fortes, João... Não são como as bruxas que enfrentamos todos os dias. –Maria falou sem desviar o olhar
–Sei disso, sei disso... Mas acho que podemos confiar nelas. –João disse olhando rapidamente para a irmã
–E por que acha isso? –Maria perguntou
Uma lembrança veio a cabeça do caçador. Mina, a bruxa branca que os havia ajudado. Ela, mesmo sendo uma bruxa, os ajudou, o que mudou a percepção dele sobre como as coisas são. Nem todas as bruxas são más.
–Só acho que podemos confiar... –ele disse, mas sua voz vacilou por um segundo, mostrando o receio pela morte da jovem bruxa
Maria respirou fundo e assentiu com a cabeça.
–Vamos? –Maya perguntou escondendo o rosto embaixo do capuz
–Por que vai de capuz? Já é noite. –Ben perguntou curioso
–Nossa pele é muito alva, a luz da lua nos condena. Os capuzes pretos nos ajudam a nos mover como sombras. –Liza explicou
Era estranho como o sotaque das jovens era antigo, como se não fossem dessa época. Sem mais nem menos, Maria saiu. Todos a seguiram, adentraram na floresta e lá encontraram Edward. Katherine deu um passo para trás, se distanciando do troll que a olhou de olhos arregalados.
–Sanguinarius! –ele falou com sua voz grossa e se afastou das três
–O que? –João perguntou
–Acho que ele disse sanguinarius... –Liza falou
–Elas são sanguinarius! –o troll falou mais uma vez
–E o que é isso? –Maria perguntou
–Se não me engano significa “Sanguinário” em latim... –Maya falou
–Sanguinarius... Então existe um nome para nossa raça. –Liza falou como se fosse uma descoberta estupenda
–Não gostei, achei ofensivo. –Katherine disse
Maya permaneceu em silêncio. Tudo que se passava em sua cabeça era resgatar o irmão e matar aquelas bruxas. Depois de um longo tempo de caminhada, chegaram a uma mansão no meio da floresta.
–Casa de doces, mansão no meio de uma floresta... Essas bruxas não podem viver em lugares normais, não? –João reclamou
Maya ainda silenciosa andou a passos largos, ultrapassando os outros e quebrando sem mais nem menos a porta de entrada.
Não se ouviu nem um barulho a não ser a porta batendo no assolado de madeira dentro da mansão. Maya entrou sendo seguida por Katherine e Liza, logo atrás, os outros vinham com suas armas levantadas.
–Não tem bruxas aqui... –Liza falou
No mesmo momento, uma bruxa passou voando e puxou Maya pelo braço a levando junto para fora da mansão.
–Você vem comigo, cadela... –a bruxa falou
João e Maria estavam prontos para atirar, mas Maya foi mais rápida. Seus olhos se tornaram vermelhos e suas presas entraram na pele apodrecida da bruxa. A mesma deu um grito de horror e soltou Maya que caiu dentro de um rio que corria forte. A bruxa voltou e a procurou pelo rio, mas não havia sinal dela. Com reclamações e xingamentos, voou para longe, deixando de lado os planos de levar a garota.
Todos correram até o rio.
–Ela não sabe nadar! –Liza gritou em desespero
–É o que? –Ben perguntou, não acreditando nas palavras da jovem
–Ela não sabe nadar! Vai se afogar! –Katherine assumira a mesma pose preocupada da outra
João não pensou duas vezes. Jogou sua arma no chão e pulou dentro do rio. A correnteza era forte, mas ele pode ver Maya se debatendo dentro d’água, tentando de alguma forma, ir para a superfície, porém as tentativas dela estavam sendo frustradas. A cada movimento ela afundava mais e a forte correnteza não a ajudava em nada.
Com certo esforço, João nadou até ela e a levou até a superfície. Nadou com dificuldade até uma das margens do riu e colocou Maya lá. Ela tossia, tirando a água da garganta.
–Agora me diz... Você mata bruxas, toma sangue, tem garras afiadas como navalha, mas não sabe nadar e pode morrer afogada? –João perguntou
–Primeiro, eu não tomo sangue. Segundo, eu não aprendi a nadar, ok? –Maya falou tossindo em seguida
De alguma maneira, os outros conseguiram atravessar o rio e forram socorrer os dois.
–Maya, você está bem? –Liza perguntou
–Sim, eu acho. –ela falou
–Como você poderia morrer afogada? Pensei que, com esses poderes e tudo mais, vocês fossem imortais. –Maria disse
–Entenda... Nós não morremos, somos mortas. –Maya falou
A luz do luar refletia em sua pele branca e dava a sensação que uma aura prateada emanava da garota.
“Nossa pele é muito alva, a luz da lua nos condena...” Liza havia dito, agora entendiam o sentido das suas palavras.
–Por que se referem a sua espécie no feminino? –Ben perguntou
–Por que não há homens de nossa espécie. Somos todas mulheres. Uma vez ou outra, nasce um garoto, mas ele não nasce com os poderes. –Katherine explicou
–E seu irmão? –Maria perguntou a Maya
–Ele não tem os mesmo poderes, só a parte da juventude... –ela disse se levantando
–Juventude? –João perguntou confuso
Maya o olhou, seu rosto pareceu mais sombrio que o normal.
–Quantos anos acham que eu tenho? –ela perguntou
Todos ficaram em silêncio por um tempo.
–Vinte e um? –Ben arriscou
–Parei de envelhecer com essa idade. –Maya falou pensativa
–E quantos anos você tem? –João perguntou, agora curioso
–Quatrocentos. –ela disse
Todos lá arregalaram os olhos, não dava para imaginar que ela teria quatrocentos anos.
–Quatrocentos? –Ben perguntou ainda surpreso
–Sim, vos digo que sou deveras antiga. –Maya falou as palavras naturalmente, como se, a muito, esse fosse seu jeito normal de se comunicar
A conversa parou com o som do vento sendo cortado pelas bruxas.
–Corram para dentro da floresta! –Maya gritou e todos correram o máximo que podiam
–Não atirem nelas. –Katherine disse após deixar todos escondidos atrás de um tronco caído
–O que? –João perguntou
–Confie. –ela falou e se escondeu atrás de uma árvore colocando o capuz na cabeça
As bruxas pararam observando todos os lados a procura de alguém. Um vulto passou por trás, João reconheceu Liza. As bruxas olharam, mas ela já não estava mais lá. Depois foi a vez de Katherine. As duas pareciam estar fazendo um joguinho com as bruxas, mas quando menos esperavam, um outro vulto encapuzado saltou das árvores e com as garras arrancou a cabeça de uma das bruxas. A outra tentou fugir, mas Katherine e Liza foram mais rápidas. Derrubaram a bruxa do ar e fincaram as presas nela.
–Esperem! –Maya avisou
Katherine e Liza, agora com as bocas meladas do sangue da bruxa que se debatia tentando se soltar, pararam e olharam para Maya.
–Tenho umas perguntas para essa vadia. –Maya falou, seus olhos ainda vermelhos faiscando de raiva
As duas colocaram a bruxa de joelhos e Maya se aproximou. João, Maria, Ben e até Edward saíram do esconderijo e foram ver o que iria acontecer.
–Agora, me diga... Para onde você e sua raça asquerosa levaram meu irmão? –Maya perguntou
A bruxa riu, como se aquela situação estivesse sendo divertida para ela, mas não disse nada.
–Não vai dizer? –Maya perguntou, a raiva visível em seus olhos
O riso da bruxa se cessou e deu lugar a uma face amedrontada. Os olhos dela pareciam cada vez mais vermelhos e ameaçadores.
–Não. –a bruxa disse confiante
–Foi você quem pediu... –Maya falou
Ela pôs as mãos na cabeça da bruxa e em um movimento leve, a puxou para o lado, decepando-a. Jogou a cabeça inerte dela longe enquanto Katherine e Liza soltavam o corpo. Maya fechou um punho e socou uma árvore do lado dela. A árvore parecia ser feita do mais leve papel, pois se quebrou assim que a mão de Maya entrou em contato com seu tronco.
–Nós vamos acha-lo. –Liza falou
Os olhos de Liza e Katherine agora estavam nos seus tons azuis e verdes normais, ao contrário dos de Maya... Os dela pareciam mais vermelhos. Ela piscou algumas vezes e o tom de seus olhos voltou. Nada falou, apenas colocou o capuz na cabeça e andou tranquilamente para fora da floresta como se nada houvesse acontecido.
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