Power of War
4 Interrogatório.
Notas iniciais
O avião foguete apelidado de “Aerokect” pousou finalmente nas terras do Sul. O ar rarefeito e a poeira do local eram as principais características que Austin se lembrava de quando era criança. As pessoas resgatadas foram todas mandadas para o prédio central da "A Força". Austin e Nayara receberam cuidados médicos e ficaram trancados em uma sala marrom madeira, a espera do interrogatório e da identificação. A porta se abriu e Lana entrou na sala junto com Trevor e uma soldada de cabelos castanhos e olhos pretos, chamada Bianca. Os três se sentaram nas cadeiras que estavam postas em uma mesa quadriculada de cor cinza com um jarro d’água em cima.
–Muito bem. Vou apenas fazer algumas perguntas e vocês irão responder. –Lana começa o interrogatório. –Nomes completos, por favor.
–Não nasci no Sul. –Austin tenta não revelar sua identidade. Eles foram orientados a não revelarem suas identidades antes de cumprirem a missão, caso o contrario, a bomba poderia ser ativada se pronunciassem seus nomes completos ou se falassem a respeito dos dispositivos em suas cabeças.
–Ok. Ela também não nasceu no Sul? –Trevor prosseguia indiferente.
–Correto. –Nayara confirma.
–São Nortistas? –Trevor falou mais rígido.
–Nascemos no Norte, mas nossos pais são do Sul. –Austin se atrapalha, não querendo ser preso novamente, ainda mais pelo seu próprio reino.
–Então dizer seus nomes completos vai identificar seus pais na lista eletrônica. –Trevor tira o mesmo aparelho que um soldado do Norte tirou há nove anos para identificar Austin.
–Eu não sei ele, mas eu sou uma Nortista mesmo! –Nayara não aguentou tanta confusão. –Meu nome é Natasha e eu nasci no Norte e sou do Norte. Sou uma rebelde do Norte. Apoio a causa de vocês e fui pega pelos Nortistas para ser isca dos rebeldes do Sul.
–Muito bem. –Lana se levanta da cadeira e abre a porta. –Por enquanto ela irá ficar presa sob vigilância, depois daremos sua sentença. Bianca!
–Senhora. –Ela se levanta e se curva para Lana.
–Leve a Natasha para seus novos aposentos. –Nayara acompanhou Bianca de cabeça baixa e as duas saíram do local.
–Agora só falta esse mentiroso aqui. –Trevor suspendeu uma sobrancelha de forma maliciosa. –Aposto que é do Norte. Deveríamos aplicar métodos mais rigorosos para interroga-lo?
–Não! –Lana o repreendeu. –Não somos uma ditadura Trevor.
–Mas e se ele for do Norte? E se...
–Então teremos mais um aliado. –Lana o corta.
–E se não for aliado? –Trevor insiste.
–Qual o seu nome verdadeiro? –Lana ignorou Trevor e encarou Austin com os olhos semicerrados.
–Albert. Também sou um revolucionário do Norte. –Austin mentiu.
–Sabia! –Trevor exclamou.
–Isso não importa Trevor. Vamos prendê-lo com a prisioneira Natasha e depois vamos dar a sentença de ambos.
–Porque irão me prender? –Austin pergunta.
–Não sabemos se você é amigo ou inimigo. –Lana da um sorrisinho cínico para ele. –E é claro que você pode ser um espião. Como não sabemos o nome de seus pais e não temos conhecimento claro sobre você. –Ela se aproxima dele com os olhos semicerrados. –Ficarei de olho em você.
–Claro. Pode olhar. –Austin da um sorriso, meio intimidado.
–Agora pode leva-lo para seu quarto cela. –Ela limpa sua garganta. –Vamos tentar que sua hospedagem aqui no Sul seja dos padrões do Norte. –Ela se curva o reverenciando, zombando dele.
–Já estou adorando. –Austin da um sorrisinho malicioso.
–Andando! –Trevor prende as mãos dele e o empurra em direção á porta.
Trevor e Austin anda pelos corredores estreitos da prisão. Trevor o empurrava sem parar, seu ódio pelos nortistas estava mais do que explicito. Daniel estava passando pelo corredor quando Trevor o cumprimentou.
–Está de folga é Daniel? Nosso pai está te mimando demais. –Trevor debocha do irmão. Austin ficou estarrecido ao ouvir aquele nome.
–Ele confia mais em mim que sou filho adotivo do que você. –Daniel caçoa de Trevor, que faz uma cara emburrada.
–Daniel? Blake? –Austin fala impressionado. Ele estava emocionado com a possibilidade de que aquele era seu irmão caçula e seus olhos ficam levemente marejados.
–O que? –Daniel ficou atônito quando Austin lhe chamou pelo nome.
–Seu nome é Daniel Blake? –Austin perguntava se contendo para não abraçar o seu irmão.
–Como você sabe? –Daniel segura Austin pelo colarinho e o empurra contra a parede o sufocando-o.
–Eu conheci seu irmão. –Austin mente e Daniel afrouxa seu colarinho aos poucos, e depois leva as mãos a boca, espantado e comovido em receber um sinal do seu irmão.
–Ele está vivo?
–Sim. –Daniel começa a chorar e rir de felicidade e tenta controlar sua euforia. Austin deixa algumas lágrimas caírem, mas as enxuga rapidamente, para que não percebessem.
–Onde ele está? Está aqui junto com os outros? –Daniel fica agitado.
–Não. Ele está ainda no reino do Norte. –Austin se lamenta mentalmente por decepcionar Daniel, e pensa “Quando eu terminar o que eu tenho para fazer, eu te prometo, meu irmão, irei te contar tudo”. Trevor da um chute entre as pernas de Austin, que cai dormente no chão.
–O que você fez? –Daniel braveja.
–Ele não contou isso no interrogatório! –Trevor se manifesta. –Vamos leva-lo novamente para a Lana! Esse Nortista imundo irá abrir a boca sobre tudo o que sabe sobre seu irmão. –Trevor puxa os cabelos de Austin e o levanta quase arrastando.
Lana estava conferindo alguns papeis na sala do interrogatório. Ela olhou para cima e viu que não tinha nenhuma câmera. Ergueu sua mão e se concentrou em um copo d’água sobre a mesa. O copo flutuou levemente e depois desceu intacto. Ela deu um pequeno sorriso e anotou algo no papel. Trevor abriu a porta abruptamente a assustando-a.
–Não sabem bater na porta? –Ela fala irritada.
–Desculpe-nos. Mas era algo importante a se discutir. –Eles empurram Austin para frente. Austin estava cheio de ronchas e machucados pelo corpo, pois tinha levado muitos chutes e tapas de Trevor. Daniel se manteve calado, apesar de não concordar muito com a violência.
–O que houve com o nortista? –Ela socorre Austin, pondo suas mãos delicadamente em seu rosto machucado. –O que vocês fizeram? –Austin se comove um pouco com a preocupação de Lana.
–Só dei a ele o que merecia por ter omitido sobre o irmão de Daniel. –Trevor falava com um ar convencido.
–O Austin? –Lana levanta atônita.
–Sim. –Daniel confirma com os olhos brilhando. –Ele sabe sobre o Austin Lana.
–Ele está vivo? –Lana se emociona com a possibilidade. Austin olha para ela tentando gravar cada parte do seu rosto para não se esquecer de quem tinha que matar. –Onde o conheceu? –Lana puxa uma cadeira e ajuda Austin a se sentar. Ele a encara com olhos frios, queria tomar raiva dela, para ter coragem de mata-la.
–O conheci quando estava fugindo dos soldados do Norte.
–Ele está mentindo! –Trevor exclama.
–Continue. –Daniel interrompe.
–Ele me ajudou a escapar e ficamos alguns dias juntos em um esconderijo. Austin me disse muito sobre sua família e que havia ficado no Norte e separado do seu irmão Daniel.
–E de mim? Ele falou alguma coisa? –Lana pergunta esperançosa.
–Não. Não mencionou nada sobre... Qual o seu nome mesmo? –Austin finge cinicamente.
–Lana Estelle.
–Sobre você não falou nada.
–Ele certamente não teve oportunidade ou não quis se revelar muito. –Daniel consola Lana.
–É só isso que sabe? –Trevor o encara.
–Somente.
–E você sabe onde ele esta? –Lana dispara.
–Não. Depois disso nos separamos, ele foi para outro esconderijo e eu acabei indo parar no local da sangria. E foi lá que vocês me encontraram.
–Muito suspeito. Porque o Austin falaria o nome inteiro do irmão dele, e não falar sobre a Lana. E porque você lembraria todos esses fatos? –Trevor indaga.
–Porque são recentes. –Austin fala com um tom de como se fosse obvio.
–De certa forma é suspeito. –Lana concorda com Trevor. –Vamos mate-lo sob vigilância reforçada.
–Certamente é uma ótima ideia você me contar o que vai fazer. –Austin debocha.
–É pra você ter uma ideia de como podemos ser radicais ás vezes. –Lana o provoca.
–Calma ai garotinha. –Lana para por um momento. Seus olhos vão lentamente de encontro aos de Austin.
–Você me chamou do que? –Ela fala meio nervosa e trêmula.
–Garotinha... –Austin se lembra do apelido carinhoso que havia dado para ela no passado, e se arrepende amargamente. –É só uma maneira de falar..
–Sei... –Lana o olha torto. –De qualquer modo, você está temporariamente preso.
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