Power Rangers Oneshots

1 [Zack Taylor x OC] Coração de Mastodonte - ep.1


Notas iniciais
Socorro, não estou ME CABENDO de felicidade de estar começando essa coletânea morfenomenal!! Assim como a Daph-chin achou o chamado dela com Black Clover, eis-me aqui no ápice da minha existência escrevendo fanfic de Power Rangers ouvindo Back Street Boys. Quem diria que meu eu de 23 anos realizaria o sonho de criança! Vou usar e abusar dos crushes morfantes da minha infância pra escrever uma fofura QUE VOCÊS NUNCA ENCONTRARAM EM LUGAR NENHUM! Power Rangers é o cenário perfeito para um bom fluff colegial, e essa fanfic é a prova viva disso. Nunca imaginei que o Zack seria o primeiro, mas minhas pesquisas e análises sobre ele berraram ALERTA DE HUSBANDO PERFEITO DE DAR DIABETES. Portanto, quem se aventurar por aqui, espero que se divirta muito com esse fluff absurdo, que vai acabar se tornando uma shortfic, no mínimo. Estou fazendo o balanço perfeito entre aquele clima ingênuo e super divertido de PR e inserindo alguns elementos mais reais. Eu irei também, ao longo da progressão dos "episódios", fazer uma transição do Mighty Morphin Power Rangers de 1994 para o universo e estilo usado no Reboot de 2017. O episódio referência para esse capítulo e o próximo e o ep. 23 da primeira temporada de Mighty Morphin Power Rangers. Espero que gostem não só do capítulo, mas da imersão que tentarei fazer ♥ No mais, boa leitura!

Obs: Como algumas linhas de histórias de outras personagens vão se cruzar, preferi dar nome a elas pra não virar furdunço.

Mighty Morphin Power Rangers Abertura

Episódio 1 — A aranha e as pessoas

Encolhida contra a parede, Hadassa observava com curiosidade a garota asiática que chamava os alunos transeuntes para assinarem a petição. Estava um pouco nervosa pela quantidade de pessoas que haviam se aglomerado no cruzamento de corredores, e a visão da colega vigiada por todos os olhares ali presentes fazia um frio se apoderar de seu estômago. Como ela conseguia fazer isso sem... surtar? Entrar em pânico?

— Vamos gente! – disse a estudante de olhos puxados. – Vamos ajudar a preservar a história de nossa cidade! Já se esqueceram por que ela foi colocada lá?

— De acordo com a lenda – explicou um garoto de óculos que estava ao seu lado. – O espírito da floresta selado na estátua serve para espantar artrópodes maléficos e até curar suas picadas.

Hadassa se encolheu. Gostava muito daquela estátua, mas não por aquele motivo. Era apenas uma lenda, claro, mas por alguma razão, os artrópodes inofensivos gostavam de se aglomerar em volta dela e pareciam ficar mais tranquilos. Era um ótimo lugar para seus estudos e para aumentar sua coleção pessoal. Por isso, tinha a obrigação de ser tomar iniciativa e ir lá assinar a bendita petição. Mas por que seu corpo não se mexia?

Aos poucos, alguns alunos se dispersaram, mas ainda havia gente demais para que Hadassa relaxasse. Um vulto fazendo movimentos bruscos desviou sua atenção para uma mesa na lateral do corredor que continha uma pequena exposição sobre a estátua.

— Puxa, eu só consigo olhar pra eles porque eles estão presos – disse um garoto negro de boné e camisa branca. – Ai, a aranha então...

Seu coração disparou. Zack.

Hadassa girou nos calcanhares e se encolheu ainda mais contra a parede. Por que justo ele fora aparecer ali? Agora suas chances de se aproximar da garota asiática eram oficialmente nulas. Não conseguiria chegar tão perto dele. Não de Zackary Taylor. Não quando seu coração disparava ao ouvir sua voz e seus joelhos pareciam virar geleia quando ele abria aquele sorriso torto. E, meu Deus, quando ele aparecia de regata com aqueles braços...

Mas que maldição! Por que ele tinha que ter aparecido naquela tarde no laboratório de química? De acordo com ele, fora procurar seu livro de álgebra que perdera em alguma das aulas. Ele devia ter saído no momento que ela negara ter visto um livro de álgebra. Mas não. Ele tinha que ter feito a pergunta que seria sua perdição completa.

“Está guardando as vidrarias? Quer ajuda?”

Por que, céus, ele tinha que ter sido tão fofo e prestativo? Sua tagarelice inocente, com aquele jeito alegre e descolado, somado ao abençoado par de braços que foram capazes de levantar duas caixas cheias de vidrarias com firmeza tinham redigido o resto da ruína de Hadassa. Pela primeira vez em sua vida, a garota desejara do fundo do coração se livrar daquela maldita fobia para poder conversar com Zack como ele fizera com ela. Queria aprender a contar piadas pra fazê-lo rir, pois o som era maravilhoso. Queria ajuda-lo com os deveres de química ou biologia caso ele precisasse. Mas... Isso estava fora de questão. Um sonho que permaneceria como sonho.

Despertando de seus pensamentos, [Nome, observou Zack se remexer diante da mesa com a exposição de insetos numa clara demonstração de agonia. Sapateava no lugar e parecia querer sair correndo. Seu coração disparou quando a luz de um raciocínio surgiu em sua mente.

“Ele tem... fobia de insetos?”

A garota asiática deixou seu posto no meio do corredor e se aproximou de Zack para conversar. Vendo-a falar com ele tão casualmente, sentiu um desejo enorme de estar no lugar dela. Queria tanto poder se aproximar de Zack sem pensar que infartaria...

De repente, uma ideia lhe ocorreu. A petição. Ia falar sobre a petição com a amiga dele... Podia usar como pretexto para puxar assunto. Seria... Seria possível? Hadassa começou sua preparação psicológica para socialização, que deveria ser cem vezes mais caprichado daquela vez. Afinal, envolvia Zack. Respirou fundo várias vezes, repetindo baixinho o seu mantra para socialização:

— Eles são pessoas e eu também. Eles são pessoas e eu também...

“Você pode ter uma queda por Zack, mas ele ainda é uma pessoa”, acrescentou mentalmente.

Quando finalmente sentiu que estava pronta, deu um súbito passo para frente. Avançou da forma que sua coragem lhe permitia: encolhida e abraçada aos seus cadernos com força. Entretanto, quando estava perto o suficiente para chamar a garota asiática, uma onda de gritos fez o ar do corredor vibrar. Hadassa sentiu coisas pequeninas e duras batendo de leve contra suas costas e cabeça, e ao abaixar o rosto, viu dezenas de besouros, baratas e lagartas espalhadas no chão. Seu coração doeu ao ver a coleção da escola esparramada no corredor, ainda mais pela perspectiva que ela seria completamente pisoteada em segundos. Entretanto, seu lamento durou apenas um instante: um grito muito próximo a fez tomar um susto.

— Tira isso daqui! Tira isso daqui, por favor! Tiraaaaaaaaa! – Era Zack. Zack estava gritando. Apavorado. Seu corpo parecia ter entrado em curto enquanto uma tarântula subia por seu ombro.

Hadassa viu o garoto de óculos e um outro, que usava verde, avançando entre a multidão na direção de Zack. O segundo ergueu seu fichário e a garota soube exatamente o que ele ia fazer. Seu corpo agiu muito antes que seu cérebro fizesse o processamento consciente do que se deveria fazer.

— Espere, pare! – ela gritou erguendo a mão e se colocando entre Zack e a dupla de estudantes. Eles a encararam, confusos.

Rápida e prática, Hadassa girou nos calcanhares, colocou seus cadernos no chão e estendeu delicadamente as mãos na direção da aranha peluda. Segurando nas partes certas, a garota a tirou do ombro do estudante e imediatamente a devolveu para seu recipiente. Todos a observaram de sobrancelhas arqueadas enquanto ela fechava o pote e se endireitava. Quando percebeu os olhares sobre si, Hadassa sentiu o coração disparar e, inconscientemente, se encolheu. Fixou seu olhar na ponta de seus tênis e trabalhou furiosamente em algo pra dizer. Precisava dizer algo, não é mesmo? Socializar incluía comunicação. E Zack estava bem do lado dela. E ela tinha tirado a tarântula do ombro dele. Era sua chance. Ficou alguns segundos em silêncio até que, enfim, a única coisa que lhe ocorreu foi:

— Não precisam matar ela. As tarântulas são inofensivas para humanos... A picada pode doer, mas o veneno causa reações mais fracas que a picada de uma abelha.

Zack, Trini, Tommy e Billy piscaram e trocaram olhares. Tinham uma vaga lembrança daquela garota nas aulas, mas lembravam-se que ela se destacava em química e biologia. Estava sempre quieta, sozinha em um canto, com o cabelo escorrido escondendo boa parte do rosto. Raramente ouviam-na falar, por isso o completo choque diante do grito de ordem e da atitude tão firme em proteger a tarântula.

— N-Nossa... – expirou Zack, aliviado – Você... Você me salvou. Você... Caramba, como consegue segurar uma aranha?

Hadassa sentiu o rosto fervendo. Jurou que ia desmaiar ali mesmo. Zack estava falando com ela. E. Estava. Elogiando. Abriu a boca para responder à pergunta, mas os olhares ainda sobre si a impediam de pensar claramente. Sem dizer palavra, tornou a fechá-la e cravou os olhos no chão, abaixando-se para pegar seus cadernos. Os quatro estudantes tornaram a se entreolhar.

— Sério... – Tentou Zack novamente. Ele olhava da aranha para sua salvadora, e de sua salvadora para os amigos. – Você... Você é corajosa. Obrigado. Ah, por sinal... Eu já não te conheço?

AimeuDeus. Ele a tinha reconhecido. Tremores começaram a tomar cada centímetro de seu corpo e, como se fosse possível, ela se encolheu ainda mais. Billy, percebendo que a garota estava a beira de um colapso, deduziu que ela provavelmente tinha limitações para socialização. Sabia um pouco sobre ter fobia social, então tentou uma abordagem que a relaxasse:

— Então, você gosta de artrópodes?

Hadassa espremeu os olhos tentando por tudo acalmar as batidas do seu coração. Precisava sair dali urgentemente! Quatro pessoas olhando para ela, duas tentando conversar... Sendo uma delas Zachary Taylor! Não, não, não... Tinha chegado no seu limite! Sentindo-se ser vencida pela fobia, Hadassa encolheu-se o máximo que conseguiu, fechou os olhos e irrompeu numa corrida desenfreada para o mais longe possível dali, esquecendo-se completamente da petição e enterrando fundo seu desejo de falar com Zack. Os quatro estudantes a acompanharam com o olhar e observaram o ponto em que ela desapareceu segundos depois no aglomerado de alunos até que Trini quebrou o silêncio com um suspiro.

— Ai tadinha. As coisas sempre acabam assim pra ela.

— Como assim? – perguntou Zack.

— Pelo pouco que sei, ela tem um certo nível de fobia social. Parece ser uma boa pessoa, mas nunca conheci alguém que conseguiu estabelecer uma conversa com tempo superior a um minuto com ela que não fosse um professor.

Zack entortou as sobrancelhas para Trini.

— Sério? Que esquisito...

— O que foi, Zack? – perguntou Billy.

— É que eu conversei com ela um tempão uma vez. Ajudei ela com umas vidrarias... Você acredita que ela tava organizando e limpando o laboratório sozinha!? Ia demorar séculos pra guardar aquela tranqueira.

— Mas ela falou normalmente com você? – quis saber Trini.

Zack parou um segundo para recuperar as memórias daquele calmo fim de tarde de sexta-feira.

— Ela não falou muito, mas quando falou, pareceu muito simpática.

Trini e Billy repuxaram os cantos da boca para baixo e deram de ombros.

***

Depois de uma manhã tão conturbada, Hadassa precisava desesperadamente de paz e silêncio. E, principalmente, abstenção de proximidade com outros seres humanos. De todos os lugares públicos, o único que seria perfeito para o que queria era o parque. O excesso de espaço e seu hábito de monopolizar bancos ou sombras de árvores sempre mantinha as pessoas longe. Recostada contra o tronco de uma árvore, Hadassa dedicou-se a degustar a leitura de “Aventura em Bagdá”, de Agatha Christie. A lógica que regia as investigações dos livros da Rainha do Crime era o elemento perfeito para arrancá-la da realidade que, às vezes, tanto a assustava.

De repente, um vulto passou correndo no fundo do cenário, fazendo Hadassa erguer os olhos por um instante. Sentiu seu corpo todo formigar e seus pulmões protestarem contra a súbita disparada de seu coração.

O que o Zack estava fazendo no parque? Isso era algum tipo de piada? Seria o destino querendo tirar sarro da cara dela?

Empertigando-se no lugar, Hadassa se encolheu, ergueu o livro de forma a cobrir todo o rosto e rezou silenciosamente para que Zack não a notasse. Não estava em condições de encará-lo depois do papelão que fizera mais cedo. Entretanto, a parte mais ousada de seu inconsciente a cutucava insistentemente, implorando para que ela baixasse aquele livro e desse pelo menos uma espiadinha. Depois de longos segundos de briga interna, Hadassa baixou o livro devagar e buscou a silhueta de Zack, que passara correndo da direita para a esquerda. O garoto havia parado não muito longe dali, e estava agachado na grama perto de alguns vultos caídos. Hadassa franziu o cenho e se inclinou para frente para ver melhor. Mesmo estando relativamente longe, o jeito que Zack sacudia os vultos caídos denunciava seu nervosismo. Com cautela, a garota levantou-se e avançou na direção do grupo. A voz de Zack a alcançou quando metade da distância entre eles havia desaparecido:

— Zordon, responda. Aqui é o Zack.

Um chiado grave se fez ouvir de alguma coisa que estava no pulso de Zack, mas Hadassa foi incapaz de discernir qualquer palavra. Inconscientemente, tornou a avançar ainda mais, cobrindo metade da distância que faltava. Refugiou-se atrás de uma árvore, virando de costas.

— Problemas aqui no parque de Alameda dos Anjos – disse Zack.

— Ai, ai, ai, Zack! – Uma voz robótica, mas um tanto simpática soou do relógio do garoto. – Isso não é brincadeira!

Uma outra voz substituiu a outra, muito mais grave e profunda:

— As borboletas foram feitas com um pó sonífero. Abandone a área. É o próximo alvo.

— Eu não posso abandoná-los! – protestou Zack, se levantando e encarando um grupo de borboletas que esvoaçava por ali de forma suspeita.

— Eu cuidarei deles. Não se preocupe – A voz grave tornou a soar do pulso de Zack.

— Tudo bem.

Zack se endireitou, vigiando as borboletas, acuado feito um garotinho.

— Por quê insetos? – resmungou ele dando dois passos nervosos para trás, preparando para correr. As borboletas esbranquiçadas se agitaram no ar, aproximando-se. – Se me pegarem, vou fazer o maior papelão! Eu odeio insetos!

E dizendo isso, Zack saiu em disparada, com o bando de borboletas em seu encalço. Hadassa assistiu a cena com os olhos arregalados. Se aqueles insetos estavam conscientemente perseguindo Zack e tinham capacidade de fazer pessoas adormecerem, devia ser obra de algum daqueles monstros que viviam aparecendo pela Alameda dos Anjos. A garota olhou em volta. Haviam pouquíssimas pessoas no parque, mas ao longe conseguia ver vultos agitados em torno de alguns outros caídos no chão. Sua mão subiu por reflexo e cobriu seu nariz e sua boca. Tinha de sair dali o mais rápido possível, mas... Para onde Zack fora? Ele devia estar apavorado com a crescente quantidade de insetos que aparecia. Ela... não deveria pelo menor tentar ajuda-lo?

Sentindo a atmosfera de perigo se intensificando ao seu redor, Hadassa abraçou seu livro com o braço livre e disparou na mesma direção que Zack correra um minuto antes. Mal tinha corrido por meio minuto, viu que Zack havia parado adiante. Ofegava e balançava um braço com o indicador levantado. Parecia tentar se lembrar de alguma coisa. Hadassa diminuiu o passo e correu para trás de outra árvore. Segundos depois, o garoto soltou uma exclamação e disparou a correr de novo. Entretanto, dessa vez, corria com o dobro da velocidade, o que quase fez Hadassa perde-lo de vista. Ambos deram a volta no parque, encaminhando-se para a parte que ficava próximo a entrada da reserva campestre. De longe, Hadassa viu e compreendeu o que Zack estava fazendo: estivera desde o começo atrás da estatua do espírito da floresta. A garota reprimiu um sorriso e sentiu o rosto esquentando. A inocência de Zack era uma coisa, de fato, preciosa. Ele realmente acreditara que a estátua poderia protege-lo?

Entretanto, antes que chegasse perto o suficiente, Hadassa percebeu que havia algo de errado. Zack interrompeu a corrida de forma abrupta, e longe demais da estátua.

— Ai não! – gemeu Zack se agitando onde estava. – A estátua está cheia de insetos!

Hadassa se aproximou o máximo que conseguiu, aproveitando-se da proximidade das árvores naquele ponto do parque. De onde estava, percebeu que insetos estranhos cobriam a estátua, insetos que definitivamente não se encontrava naquela região. Os que cobriam a estátua eram do tipo peçonhentos ou com ferrões e pinças, conhecidos por serem mais propícios a ataques.

“O que está acontecendo?”, pensou Hadassa sentindo o nervosismo se intensificando e descarregando-se em seus membros, que começaram a tremer.

— Espera... Essa aí não é a estátua de verdade! – a exclamação de Zack trouxe a estudante de volta a realidade. – Tem cobras no cabelo, deviam ser flores! Só poder ser coisa da Rita!

“Rit... Rita? Quem?”, Hadassa balançou a cabeça furiosamente, sentindo-se cada vez mais confusa.

De súbito, Zack virou bruscamente para trás e olhou em volta. A garota prendeu a respiração e se encolheu o máximo que conseguiu atrás do tronco de um carvalho velho. Ele deu uma volta inteiro em torno de si mesmo, os olhos negros atentos a qualquer vulto que indicasse a presença de alguém. Quando se certificou que estava sozinho, levou a mão ao bolso da calça e tirou um objeto retangular, mas com as bordas bastante arredondadas. Era prata e vermelho, e tinha um círculo de um dourado fosco no meio. Zack o estendeu para frente e gritou:

— Mastodonte!

Um clarão de luz arroxeada ofuscou a silhueta de Zack e forçou Hadassa a cobrir os olhos com as mãos. Quando a luz diminuiu, a garota baixou as mãos lentamente, entreabriu os olhos e piscou, para de imediato arregala-los. No exato lugar onde Zack estivera há dois segundos estava o Power Ranger Preto.

Hadassa sentiu seus joelhos amolecerem como se tivessem se transformado em gelatina. Devagar, dobrou-os até que encostassem no chão. Seu corpo todo tremia e sua mente parecia ter entrado em curto-circuito.

“Zack. Ele estava ali. E depois não estava. O ranger preto... Ele apareceu exatamente no mesmo lugar...”

Sua mente dava voltas e, se não fosse pelos próximos movimentos de Zack, agora na forma do Power Ranger preto, Hadassa teria ficado ali o resto do dia remoendo o que vira. Um raio desceu sobre as mãos do ranger, e um machado negro com detalhes em prata e amarelo se materializou em meio à luz azul.

— Tudo bem, agora vou descobrir o que está acontecendo aqui – disse Zack em tom de desafio. Ergueu o machado como se segurasse uma arma e fez uma das peças correr por seu cabo. Sem cerimônia, mirou na estátua e atirou. A figura delicada do espírito da floresta se espatifou em mil pedaços, dando lugar a uma gigante e asquerosa aranha.

— Rá! Eu sabia! – comemorou Zack por cerca de dois segundos até processar o que era o monstro enviado por Rita. Deu dois passos cambaleantes para trás e disse – Ah! Que droga! Eu odeio aranhas!

O enorme aracnídeo, cujo último par dos quatro o mantinha de pé como um ser humano, avançou batendo as pinças para Zack, que rolou para o lado. Como se as coisas já não tivessem se complicado o suficiente, um outro vulto vindo da reserva se precipitou na direção do Ranger Preto. Vestido com uma armadura dourada e empunhando uma espada, o monstro atacou sem hesitar. Ágil feito um gato, Zack pulou para trás, evitando a lâmina, e girou para desferir um golpe com o machado. Entretanto, o monstro dourado se recompôs a tempo de segurar o machado e, com a outra mão, descer a lâmina da espada sobre o peito de Zack. Hadassa sentiu seu sangue gelar. Jurou que veria o monstro parti-lo ao meio, mas ao invés de sangue, centenas de faíscas voaram no ar, e Zack foi atirado para trás. A garota viu que uma mancha escura se formara no local onde a espada batera. Seria um tecido que absorvia impacto para liberar na forma de faísca? Seria de fato interessante, pois não haveria dano mecânico e a energia se dispersaria sem maiores riscos. Mas como uma tecnologia como aquela poderia existir? Se fosse uma armadura seria compreensível... Mas um tecido?

Hadassa balançou furiosamente a cabeça. No que estava pensando? Zack estava em perigo! Não era hora de especular sobre o tipo de tecnologia que os Power Rangers usavam. A garota balançou as mãos, nervosa. Ok, mesmo que Zack estivesse realmente em perigo, o que ela poderia fazer pra ajudar? Se um Power Ranger estava tomando uma surra daquele monstro dourado, o que ela, uma mera mortal, poderia fazer? Em pânico, Hadassa olhou em volta. A aranha-monstro estava agachada e fazia um barulho nojento, como se lambesse algo sem o mínimo de pudor. Uma substância branca começou a se acumular na região de suas pinças e, num estalo, Hadassa compreendeu o que ela ia fazer. Precisava agir rápido ou Zack estaria completamente perdido. Seus olhos correram freneticamente pelo ambiente até se depararem com alguns galhos caídos. Um deles parecia ser bastante grosso e pesado. Fechou os olhos com força e puxou o ar. Sabia que a ideia era ridícula: as aranhas tinham um exoesqueleto absurdamente resistente. O quão duro seria o de uma daquele tamanho? Entretanto, por mais que se sentisse um poço de idiotice e inutilidade, tinha um palpite... E apostaria todas as suas fichas nele. Respirando fundo para reunir coragem, saiu correndo como nunca fizera na vida na direção do galho caído. Alcançou-o no instante em que Zack e o monstro dourado notaram sua presença. O segundo rosnou alto ao encará-la, e o primeiro pareceu congelar no lugar.

— V-Você!— Ela ouviu Zack gaguejar, claramente em pânico. – O que está fazendo aqui? Fuja!

Distraídos com a presença da adolescente, nem Goldar nem Zack perceberam que a aranha se levantara, preparando sua investida contra o ranger preto. A única a notar o movimento fora Hadassa que, num inédito surto de coragem, avançou gritando na direção do enorme aracnídeo. Com o galho em mãos, ela diminuiu a distância em segundos, para depois golpear com toda a força que tinha uma das enormes patas da aranha, no exato ponto em que ela se articulava na metade. A aranha soltou um guincho e recuou para trás, arrastando a pata golpeada, que agora pendia com a articulação partida. Ainda restava uma boa quantidade de exoesqueleto para mantê-la unida ao corpo, mas não para sustenta-la. Guinchando sem parar a aranha pareceu avaliar o ferimento e, depois, voltou seus oito olhos injetados na direção de sua agressora. Hadassa, ainda empunhando o galho, agora com a metade do tamanho por ter se partido, deu dois passos para trás. O enorme monstro pinçou duas vezes e, com outro guincho, avançou. Em pânico, a garota tentou correr, mas ao virar para tomar impulso, seus pés se esbarraram, fazendo-a perder o equilíbrio e cair apoiada nas mãos e nos joelhos.

— Não!— berrou Zack, que estava imobilizado por Goldar, completamente incapaz de socorrer Hadassa.

Quando a garota olhou para trás, a aranha já estava em cima dela. Apertou os olhos e esperou a dor... Que não veio. Barulhos de laser cortaram o ar, seguidos de explosões e mais guinchos. Passos pesados bateram contra o chão e cercaram Hadassa. Quando ela abriu os olhos, as silhuetas dos outros quatro Power Rangers preencheram seu campo de visão. Enquanto os outros três avançavam, o azul abaixou-se ao lado dela e perguntou:

— Você está bem?

Hadassa o fitou, completamente em choque. Ainda estava tentando processar o fato de que não tivera a cabeça cortada pelas pinças da aranha-monstro e estava viva. Devagar, ela assentiu e girou o corpo, sentando-se no chão.

— Não se preocupe, nós vamos cuidar desses monstros – assegurou o azul balançando o punho fechado e erguendo o polegar.

As sobrancelhas de Hadassa se franziram. De onde ela conhecia aquela voz?

— Afaste-se o máximo que conseguir daqui, está bem?

Ainda forçando o máximo de sua memória, a garota tornou a confirmar com a cabeça e se levantou. O ranger azul vigiou-a enquanto ela se afastava a meia corrida, lançando vários olhares para trás, todos eles buscando pela roupa e capacete pretos.

Notas finais
Eu queria agradecer do fuuuuundo do coração quem veio aqui me dar a honra de sua atenção e leitura na minha humilde coletânea nostálgica de Power Rangers ♥ A segunda parte virá já, já, então preparem para muita fofura! Queria deixar um agradecimento especial para a Daph-chin, minha eterna sis maravilhosa - que mesmo completamente perdida e sem saber oquetacontecendo pq eu ainda não fiz Power Point dos meus crushes de Pr e PQP SÃO MTS PQ OLHA A QUANTIDADE DE TEMPORADAS ME APOIOU LINDAMENTE EM ESCREVER ESSA COLETÂNEA MORFENOMENAL PQ ERA O Q ESTAVA ME FAZENDO BEM *U* Muito obrigada por me apoiar incondicionalmente irmã! Vc é maravilhooooooooooosa! Eu te amo muito e eu terei que passar o resto da minha te agradecendo por isso! Beijos da sua sis!

Obrigada novamente a quem vier prestigiar, um beijão bem grande da Nana-chan e até a próxima atualização!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.