Power Rangers: Esquadrão Z

36 Nas Garras do Gato (Parte 2)


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Nekovolt se alimenta da rede elétrica, provocando um blecaute em toda a Alameda dos Anjos. Os Rangers sentem-se à beira da derrota quando nem mesmo o Megazord é páreo contra os atributos do vilão. A turma visa apanha-lo numa armadilha no intuito de fazê-lo voltar a ser Schrondnyah, sua antiga versão. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!


O processo expansivo de drenagem perpetrado por Nekovolt nas redes elétricas de todo o território da Alameda dos Anjos chegava a atingir até mesmo as instalações da Central de Comando onde Karen e Dickerson se afligiam vendo a instabilidade ocorrer no pisca-pisca incessante e veloz das luzes junto à alguns estouros que salpicavam faíscas.

Enquanto isso, Nekovolt seguia aterrorizando a todos nas ruas da metrópole manejando os controles do vigoroso Nekogigawatt com o qual Mudok o presenteou em troca de seu fingimento diante de um deslumbrado Lokknon. O gato-robô continuava rindo, tratando os cidadãos como meras formigas que poderia esmagar.

— Corram, corram, mas corram bem depressa porque senão o gatão aqui vai pisotea-los que nem insetos, hahahahaha! Daqui de cima a humanidade parece até um formigueiro!

Na colina, os Rangers se aprontavam para entrar em ação rumo ao terceiro round.

— Pois é, turma, o cometa não vai nos esperar, mas o que importa é sairmos ganhando de algum jeito mesmo que nossas forças esgotem ao máximo. — disse Austin sacando sua célula e morfador. Os amigos em ambos os lados do líder fizeram que sim com a cabeça em concordância. O Ranger Vernelho virou-se para frente com os braços esticados para conectar os dois itens — Prontos? É hora de morfar!

— Touro Ônix!

— Tubarão Cobalto!

— Arraia Rósea!

— Águia Flavescente!

— Leão Escarlate!

Karen retornava a cadeira giratória entrando em contato com os heróis.

— Crianças, os zords estão em modo de espera.

— Certo! — disse Austin que ergueu sua mão direita — Precisamos do poder Megazord agora!

As máquinas animais eram liberadas dos hangares em direção a área metropolitana da cidade. Ao verem-os do alto da colina, os Rangers saltaram para adentrar nos cockpits.

— Beleza, pessoal! Vamos mandar brasa pra cima desse gato enxerido! — disse Austin tocando firmemente nos controles.

— Dar um pé na bunda pra ver se ele chega até a lua! — disse Tim — Será que é possível?

— Podíamos tentar, eu não duvido de nada. — concordou Jessie sobrevoando a cidade na Águia Flavescente.

— Caramba, a cidade tá um breu total! — apontava Zoe em tom de urgência.

— Creio que não há uma fagulha sequer de eletricidade correndo em alguma fiação. — disse Damian — Fez a cidade retroceder séculos de desenvolvimento.

— Concentração, turma, ele tá bem ali! — avisou Austin.

O Nekogigawatt andava mais à vontade entre os edifícios, despreocupado se danificava veículos ou construções pelo caminho.

— Ops, pisei num chiclete! Argh, que nojo! — fizera o robô soltar da sola do pé esquerdo um carro esportivo que havia sido magnetizado. O veículo foi solto em frangalhos, capotando e invadindo uma loja ao quebrar a vitrine — Hora do meu alongamento noturno! — os braços do robô gigante se abriram, mas a mão direita acabou atingindo destrutivamente um prédio residencial — Essa cidade mal tem espaço pra exercitar as articulações, que droga!

De inesperado, o Nekogigawatt foi acertado pelo rugido sônico do Leão Escarlate e cambaleou em recuo, chegando a bater as costas no mesmo prédio, causando mais danos.

— Esse foi o maior arroto que já senti! Lá vem os Power Pirralhos de novo me azucrinar! — dizia Nekovolt se irritando — Eu não sabia que vocês também tinham brinquedos grandões!

— Pois é, agora sabe! — disse Zoe — Arpões Caçadores! — disparou os seis arpões das barbatanas da Arraia Rósea que penetraram na carcaça do Nekogigawatt no torso, os braços e mas pernas — Vem pra pertinho da gente! — deu a marcha ré acelerada, o puxando fortemente.

— Tim, sincronia em dupla, vamos lá! — disse Damian — Mísseis Ônix! — os projéteis foram disparados dos chifres do Touro Ônix cujas pontas foram abertas.

— Legal, amigão, tô contigo! — falou o Ranger Azul — Torpedo Náutico! — disparou o projétil cilíndrico pesado do alto do Tubarão Cobalto. Os três tiros atingiram explosivos contra o Nekogigawatt na cabeça e no peito.

— Ei, na cabeça não vale, é covardia! — reclamou Nekovolt — Para de me puxar, seu peixinho rosa idiota!

— Só se você nos prometer que será um gato bonzinho e comportado! — rebateu Zoe — Vamos ver como se sente provando do seu veneno! — apertou uma tecla no painel que liberou descarga elétrica pelos arpões. O Nekogigawatt foi envolto de raios rosados, sofrendo explosões de faíscas internas e externas.

— Minha vez agora! — disse Jessie vindo com sua Águia Flavescente em alta velocidade desviando de prédios ao baixar o voo, logo parando a uma curta distância do rosto do inimigo — Chuva de penas! — as asas viraram de trás para frente, as penas prateadas sendo disparadas como balas de uma metralhadora, gerando múltiplos tiros explosivos contra o Nekogigawatt que fora desestabilizado.

— Francamente, vocês são umas pestes! Nem seus pais devem aguentar! — resmungou Nekovolt se abaixando de leve para não ser afetado pelas várias explosões de faíscas no seu cockpit — Pensam que é moleza me enfrentar só porque tô aqui dentro? Vou provar que a diferença não é nem mínima!

O robô arrancava os arpões, os tirando pelas cordas com força bruta rapidamente.

— Eu odeio agulhas! — protestou o gato.

— Os arpões! — alarmou-se Zoe.

— Rugido sônico! — bradou Austin que mandou mais uma onda vibratória da boca do leão. Porém, o Nekogigawatt anulara o ataque dando um pisão com o pé direito que gerou uma onda elétrica a atingir o zord do líder vermelho com grande impacto, o derrubando a alguns metros.

— Austin! — disseram os demais em uníssono.

— Não estão com essa bola toda, né? Eu quero é me embriagar de mais energia!

Raios drenadores saíram das pontas dos dedos do robô e antingiram os cinco zords ao mesmo tempo, procedendo numa nova absorção para alimentar a fome elétrica e voraz de Nekovolt.

— Níveis de energia caindo vertiginosamente! — alertou Damian.

— Ele não pode ganhar mais uma vida sugando energia dos zords, pode? — questionou Jessie, atordoada, as faíscas salpicando em sua volta.

— Acho que vamos descobrir daqui há pouco! — disse Zoe.

— Não é possível, eu tô sentindo o choque sem nem tocar nos controles! — disse Tim.

Karen assistia ao embate com crescente nervosismo.

— Rangers, o Megazord, formem ele depressa! Individualmente, nenhum de vocês rivaliza com essa coisa! Estão subestimando o poder dele.

— A Karen tem razão, mas a culpa é minha, eu que decidi não formar o Megazord logo de primeira! — assumia Austin, as explosões de faíscas nas laterais do cockpit.

— Tá mais do que na hora da gente testar as chaves que o ancião tubbiano nos deu! — disse Jessie.

— Verdade, tô com a minha bem aqui! — falou Tim.

— Os tubbianos estão lá torcendo por nós! Temos que retribuir a consideração deles ganhando a batalha com essas chaves! — declarou Zoe.

— Confiamos na palavra do ancião, nossa performance de combate vai subir mais degraus! — dissera Damian.

O Nekogigawatt recolheu os raios, abortando a drenagem.

— Lutar assim não tem graça! Segundo meu banco de dados, com certeza vocês tem muito mais do que esse zoológico de ferro-velho!

— Ferro-velho é o que o seu robô vai virar quando mostrarmos tudo que temos! — disse Austin — Chaves de Comando!

Os demais sacaram suas respectivas chaves.

— Ligar! — bradavam em uníssono, inserindo-as.

— Sequência Megazord, ativar! — disse Austin inserindo sua chave e girando.

Os zords uniram-se uns aos outros, as conexões dando forma ao Megazord Z que logo pousou em posição combativa tal qual um lutador de punhos cerrados em meio a cidade às escuras.

— Sabre Selvagem! — bradou Austin. A espada prateada caíra na mão direita do robô que avançou valente. O Nekogigawatt também o fizera, pronto parar desferir um soco. O golpe foi rebatido pelo sabre, um choque metálico que explodiu em faíscas — Escudo Selvagem!

A arma defensiva com face de leão surgia em teleporte na mão esquerda do Megazord que a bateu contra o peito do Nekogigawatt, logo depois desferindo um corte diagonal com o sabre. Quando iria aplicar um novo corte, tivera a espada segurada pela mão esquerda do robô inimigo que logo também segurou o escudo, em seguida acionando uma nova drenagem.

— Ele tá fazendo de novo! — disse Jessie.

— Esse robô dele não pode se comparar em tudo que ele faz sozinho! — disse Austin.

— Meu criador fez esse brinquedinho à minha imagem e semelhança! Lógico que ele faz o mesmo que eu, senão até mil vezes melhor! — falava Nekovolt em seu tom debochado.

— Campo Repulsor! — disseram os Rangers. O pulso de energia explodiu, derrubando o Nekogigawatt e cortando a absorção. O Megazord se moveu para atacar com o sabre selvagem, mas o Nekogigawatt, ainda que caído, barrou o ataque com a mão esquerda, logo dando uma rasteira no Megazord Z e assim reerguendo-se. O gato robótico gigantesco soltou raios elétricos ofensivos que explodiam ao redor do Megazord.

— Levantem, crianças, reajam! — torcia Karen, aturdida.

— Querem uma massagem nas costas? — perguntou Nekovolt prestes a dar um golpe com as mãos entrelaçadas no Megazord caído. Contudo, os Rangers revidaram com o sabre num corte semi-horizontal que decepara o antebraço direito do Nekogigawatt. O membro caiu retumbante faiscando no chão de uma rua — Não, minha mãozinha! Seus bárbaros, isso foi golpe sujo!

— Olha só quem tá falando! — rebateu Zoe.

— Hora da Insígnia Feroz! — disse Austin no instante em que o Megazord reergueu-se. O robô fizera o círculo cinzento com os emblemas animais em sentido horário usando o sabre.

— Partir! — bramiram os Rangers.

O corte diagonal luminoso veio com força absoluta. Porém, Nekovolt ativara um escudo de energia amarelo em volta do Nekogigawatt, resistindo ao golpe decisivo que não arranhou nem a camada mais superficial da barreira.

— Ele aguentou a Insígnia Feroz! – surpreendeu-se Jessie — Grr, mas que droga! Já tô ficando de saco cheio desse gato!

— Ainda temos a Chama Cromática, não vamos perder a esperança! — disse Austin.

— Me tiraram uma mão, isso eu não perdoo! — disse Nekovolt, eletrizado de fúria — O gatinho aqui ficou irado! Vou mandar artilharia pesada!

A centelha do Nekogigawatt resplandeceu poderosamente, disparando um vigoroso e denso raio de energia. O Megazord Z defendeu-se com o Escudo Selvagem sendo agressivamente empurrado com os pés arrastando.

— O escudo não suporta essa magnitude! — avisou Damian.

O escudo se rachava, logo sendo despedaçado pela força do raio que atingiu em cheio o robô. O cockpit foi tomado pelas explosões de faíscas enquanto era chacoalhado pela intensidade do raio. Nekovolt tomara uma atitude audaciosa.

— Quer saber? Jogo limpo é pros fracos! Hahahaha! — disse o gato-androide que se desfez em faísca elétrica e deslocou-se para fora do robô. Mudok observou do alto de um prédio.

— Mas o que esse desvairado pensa que está fazendo? Acabou de exceder o consumo de energia do robô, agora o abandona sem mais en menos! Tudo por um braço perdido?

O arco voltaico de Nekovolt chegou ao Megazord Z como um invasor de propriedade, logo se materializando no cockpit para o desespero dos heróis.

— Caraca, ele tá aqui! — exclamou Tim.

— Eu não vou ser ridicularizado por um bando de pirralhos que mal saíram das fraldas! — disse Nekovolt golpeando com suas garras nas paredes e nos controles.

— Rangers, atacar! — ordenou Austin levantando do seu assento para partir ao confronto direto naquele espaço um tanto exíguo para uma luta.

— Dickerson tem sorte de não estar vendo isso. — disse Karen, chocada — Eu nem vou ser estúpida de chama-lo, isso aqui pode ser traumático pra ele como tá sendo pros Rangers.

O embate dentro do cockpit resultou na expulsão gradual dos Rangers do Megazord como se tivessem sido defenestrados de uma janela do último andar. Primeiro Damian e Jessie foram jogados, seguidos de Zoe e Tim que caíram aos gritos. Austin desviava dos golpes de garras que acabavam danificando controles, intercalando com chutes.

— Tenta me tirar daqui! — disse Austin em cima de um painel — Garanto a você que ativo a autodestruição!

Os Rangers, ao ouvirem esse ultimato pelos comunicadores, estremeceram de tensão.

— Austin, não! — disse Jessie.

— Cara, não faz isso, é doideira! — pediu Tim.

— É uma ação drástica mesmo em relação a ele! — disse Damian

— Você só pode estar blefando, não faria uma coisa dessas, ele não vale esse sacrifício! — falou Zoe, a voz emocionada.

Nekovolt novamente se desfez em eletricidade, rodeando Austin feito uma serpente chegando a levanta-lo e carrega-lo.

— Ei, me põe no chão!

— Você que pediu! Hahaha! — disse o gato-robô o mandando para fora do cockpit. Austin foi arremessado do Megazord, caindo até onde estavam os demais. Após sua queda, vieram ajuda-lo a levantar.

— Que pinoia de ideia foi essa que você teve pra acabar com esse idiota? — repreendeu Jessie.

— Desculpa assustar vocês, mas é que foi a primeira coisa que pensei em fazer, eu tava muito nervoso.

— Ironicamente, devemos agradecer ao Nekovolt por ter tirar de lá antes que cometesse esse desatino. — disse Damian o tocando no ombro.

— Já pode ir retirando o agradecimento! — disse Tim apontando para o Megazord que foi envolvido por raios amarelos enquanto sofria explosões externas.

— Tá drenando o Megazord! — disse Zoe.

— E nesse ritmo vai avariar os zords permanentemente! — disse Damian.

— Temos que voltar lá e fazer alguma coisa! — apressou Jessie.

Karen se prontificou a uma medida de contenção.

— Não é preciso que voltem pra impedi-lo, eu cuido disso. — apertou algumas teclas e depois o Enter — Ouvi dizer que gatos costumam fugir do frio.

Um sistema de defesa no Megazord foi acionado e resumia-se a uma fumaça saída de dutos de ventilação circulares e pequenos. A fumaça extremamente gélida preencheu o cockpit instantaneamente, o atordoando.

— Mas o que é isso? Que frio de lascar! — disse Nekovolt cortando sua drenagem ao se tremer com a fumaça tomando conta do espaço — Tô caindo fora! — resolveu sair correndo e pular do Megazord praticamente coberto de gelo.

— Ele pulou! — disse Austin — Karen, o que você fez?

— Nada que uma boa fumaça de nitrogênio líquido aprimorado não possa fazer. — disse a tecnóloga, satisfeita. O Megazord foi recolhido por teletransporte para auto-reparos no hangar — Se trata de um sistema defensivo contra intrusos, pelo visto fez ele tremer não só de frio.

— Você é nosso anjo da guarda, Karen! — disse Tim.

— Ué, mas não era o Earl? — indagou Zoe.

— OK, o Earl pode ficar com o segundo lugar, ele não ficaria bravo. — disse o Ranger Azul gerando risadas nos amigos.

Nekovolt caía sobre um prédio estando trêmulo com o frio que incapacitou sua voltagem.

— Parece que eu tava preso num freezer! Ou no Polo Norte! Esses pestinhas não fizeram aquilo, mas vão se arrepender mesmo assim! — disse ele que olhou para a mão direita e estalou os dedos, não fazendo mais que ínfimas faíscas elétricas — Meu poder... não dá nem pra acender uma lâmpada! — socou uma parede ao lado na qual fez um rombo — Eu não admito que isso seja minha fraqueza. Papai terá que me dar um bônus e ele que nem pense em negar!

Mudok surgiu diante dos Rangers sobre um carro estacionado.

— Me parece que é uma comemoração antecipada demais pro meu gosto.

— Mudok. — disse Austin posicionando-se em combate — Quer nos dizer porque agiu a nosso favor ontem?

— Eu agi somente para salvar Nekovolt de uma sobrecarga iminente! A salvação de vocês foi uma mera consequência! — respondeu o androide com esferas metálicas numa mão.

— Bom, isso esclarece devidamente. — falou Damian.

— Então por isso que ele usa aquele robô? Pra absorver mais energia sem se sobrecarregar? — indagou Zoe.

— Exato, mas isso é opcional, ele ainda pode drena-los em solo, a menos que respeite os intervalos de segurança. Mas a medida que acrescenta mais vidas, ele se torna menos dependente dessa restrição.

— Nos diz uma coisa: ele tá sendo um menino bem desobediente pra ter agido daquela forma, é ou não é? — questionou Tim.

— Minha resposta é essa! — lançou as esferas no ar — Psycho-Bots, ataquem!

Os soldados monoculares saíram dos recipientes em um exército relativamente grande. Os Rangers avançaram ao combate, enfrentando-os com chutes e socos, além de arremessos contra latas de lixo próximas.

— Nesse escuro fica difícil descer o sarrafo neles! — reclamou Tim que tomou um golpe na barriga e foi empurrado a uma parede, mas logo derrubou uma lata se lixo e a chutou para sair girando no chão, atingindo dois robôs que foram derrubados.

— Os capacetes têm mecanismo de visão noturna e térmica, estão nos botões a direita. Mais precisamente o segundo. — orientou Karen.

O quinteto acatou a sugestão, tocando nos botões indicadores nos capacetes. Nos visores, o filtro esverdeado da visão noturna fora acionado, possibilitando visualizações claras dos Psycho-Bots que pareciam ainda mais medonhos da perspectiva dos heróis.

— Nossa, como vocês ficaram mais hororrosos que de costume! — disse Jessie que logo saltou dando um giro e chutando dois deles que foram parar num latão de lixo.

— Parecem um bando de fantasmas! — reforçou Zoe que sacou sua pistola Z e disparou em vários dos que estavam próximos ao correr para um lado, produzindo estouros fortes de faíscas que repeliam-os com eficácia além de danificar muito deles seriamente.

Com expressiva agilidade, Austin deveria socos ao estilo karatê em um robô sem dar a ele chance alguma de defender-se, logo dando um giro e o chutando no peito para manda-lo contra um poste no qual bateu e se desmantelou nos braços e na cabeça que saiu ligada à fios.

Nekovolt estava novamente a bordo do seu Nekogigawatt que possuía propulsores a jato nos pés, cujo voo proporcionado lhe envolvia de um manto de pura energia.

— Agora que descongelei, hora de mandar minha máquina mortífera pro hospital! Aqueles pestinhas safados vão me pagar pelo prejuízo!

O robô gigante acelerou e verticalizou o voo rumo a nave de Lokknon. Os Rangers viam-se cercados de Psycho-Bots combalidos e destroçados, todos os soldados sendo recolhidos em teleporte.

— Ufa, acabamos com todos. — disse Zoe — Pelo menos uma vitória nessa noite difícil.

— Legal, mas isso acabou sendo uma distração bem esperta do Mudok pra favorecer seu gatinho chocante. — disse Damian olhando para cima.

— Pois é, não vejo o robô do Nekovolt em parte alguma. — disse Austin — Desgraçado, escapou.

— A gente pega ele amanhã. — disse Jessie.

— Ou ele nos pega outra vez pra nos sugar toda a energia. — disse Tim.

— Ah, Tim, nunca ouviu falar daquela frase: um dia da caça, outro do caçador? — perguntou Jessie — Vocês viram como ele saiu do Megazord parecendo um picolé tirado lá do fundo da geladeira.

— E se o Sr. Dickerson estiver projetando uma arma de congelamento? Podia ser nosso trunfo pra enfraquecer o Nekovolt e virarmos o jogo. — confiou Zoe, nutrindo otimismo.

— Amanhã no colégio discutimos a estratégia ideal, eu já tô formulando uma agorinha mesmo, mas preciso lapidar o plano. — afirmou Damian.

— Beleza, amanhã no recreio bolamos nosso esquema pra acabarmos com esse gato trapaceiro de uma vez por todas. — determinou Austin.

— Peraí, ninguém vai mais ver o cometa? — indagou Tim.

— Eu vou só pegar meu carro de volta e vazar pra cair na minha cama. — disse Damian.

— Estamos todos exaustos, eu perdi todo o pique pra ver o cometa. — falou Zoe.

— Eu tô numa canseira daquelas. — disse Jessie tocando Zoe no ombro ao lado dela — A gente se vê amanhã, OK?

— OK, melhor irmos logo, nossos pais devem estar super preocupados por causa desse blecaute. Falou, pessoal. — disse Austin.

— Falou! — disseram os demais.

Os Rangers teleportaram ao mesmo tempo para suas respectivas casas, indo parar em seus quartos escuros e tratando de tranquilizar os pais — a exceção de Damian que primeiramente fora buscar o carro voador.

***

Ainda naquela noite, Mudok entrou na sua oficina se deparando com Nekovolt mexendo em equipamentos cirúrgicos.

— O que está fazendo? Não lhe dei permissão pra manusear meus apetrechos! Largue isso!

— Quanta braveza, papito! Eu só tava olhando! — disse Nekovolt que largou o aparelho no chão, quebrando-o — Ops, quebrou, hihihihi.

— Olha o que fez! Ah, isso foi proposital, não foi? — disse o androide aproximando-se com irritação — Está tentando me descontrolar pra que você se sinta mais dominador! Pois saiba que nada do que fizer irá alterar nossos papéis, eu permaneço a autoridade sobre você.

— E o nosso acordo, esqueceu? Parece que diferente de mim, você tem esquecido muito facilmente de coisas recentes. — disse Nekovolt afastando-se de costas ao seu tutor.

— Se refere às suas antigas lembranças, certo? Sua amargura por mim é ligada ao fato de eu ter zerado seu contador de vidas durante o processo. Você retém essas memórias.

— E daí que eu consigo me lembrar da coisa mais estúpida que você já fez? Isso só prova que você é um imprestável. — disse o gato-androide virando-se para ele.

— A estupidez foi ter deixado ocorrer essa falha na subtração de memórias do seu antigo eu! — rebateu Mudok — Começo a perceber que fui ainda mais estúpido em dar vida a você!

— Se é assim eu posso ir lá no chefão agora e botar a boca no trombone! Hahaha, eu vou dar o primeiro passo, depois outro e depois...

— Você não sai daqui enquanto não me esclarecer uma coisa. — disse Mudok o barrando ao pegar uma arma pesada — Essa arma desintegra a nível subatômico. Você talvez resistiria, mas sofreria horrores até se desligar definitivamente.

— Vai com calma com isso aí, papaizinho! Não pode ameaçar seu próprio filho! Olha que eu chamo o conselho tutelar!

— Disse que não queria ser chamado de filho, portanto não me chame de pai.

— Nesse caso não temos nenhum vínculo que possa decretar sua superioridade a mim!

— Você tem mais do que apenas partes baseadas no meu DNA cibernético e isso sim o torna parte de mim, logo minha propriedade. Além disso, você carrega traços de Voltaikus, seu antecessor do qual herdou a eletricidade. — disse Mudok que foi baixando a arma — Do que você pode se lembrar da antiga encarnação?

Nekovolt imergiu em pensamentos, olhando para o vazio enquanto sua lembrança retrocedia para mais fundo da sua existência, como se alcançasse a maior profundidade no oceano.

Naquela retrospectiva, Mudok foi rememorado prendendo um grupo de tubbianos sequestrados e amordaçados em cadeiras frente a Schrondnyah que estava preso a uma tábua de aço com amarras firmes e altamente resistentes.

— Por favor, eu suplico, me deixa sair daqui! — clamava o gato-robô.

— Mas aqui estão fontes abundantes para que alcance sua última vida. — disse Mudok — Os tubbianos são uma raça que exala vitalidade. Farão com que você atinja sua meta muito mais rápido do que os terráqueos.

— Mas aí só tem quatro! Preciso de nove seres pra absorver!

— A metade de nove é aproximadamente quatro. É o bastante pra que consiga. Vou abrir sua escotilha. — disse Mudok o fazendo. As vitalidades dos prisioneiros eram drenados direto ao buraco central no peito do gato-robô. O contador de vidas finalmente marcava nove e um processo de transmutação iniciava-se em Schrondnyah que ficou envolto de raios vermelhos numa aura de mesma cor.

Os tubbianos aprisionados envelheceram vários anos, adquirindo pele enrugada e barbas grisalhas. Schrondnyah se debatia na mesa inclinada sofrendo a metamorfose graças ao vírus ativado.

— Fascinante. — disse Mudok, satisfeito. O gato-robô ganho um tom cinzento com detalhes em vermelho — especialmente os olhos.

— Por que continuo preso? Era pra eu ser indestrutível! Você aí, me liberte ou juro que minha fúria explodirá todo esse lugar!

— Garanto que será indestrutível. — disse Mudok pegando um instrumento cirúrgico — Tão logo passar pelos meus exames e modificações. Fique quieto. Apesar de ser uma máquina, devo lhe perguntar: a uma escala de zero a cem, qual sua tolerância a dor?

— Eu não sei! O que vai fazer comigo?

— Então teremos que descobrir na prática. — definiu Mudok ligando a máquina similar a uma furadeira e a aproximando da testa de Shcrondnyah.

— Não, espere! Pare! Não tem anestesia? Não, não faz isso comigo! Faço tudo que quiser, mas não faça um buraco na minha cabeça! Nãããooo! — gritava o gato-robô sentindo a agulha giratória penetrando no seu metal.

Retornando ao presente, Nekovolt manifestou fúria com faíscas elétricas correndo pelas suas garras e no resto do corpo.

— Você me torturou... Me fez sofrer uma dor que eu nunca vou esquecer naquela maldita mesa! — disse ele que avançou para atacar Mudok como se quisesse estrangula-lo.

— Me solte, Nekovolt! Pare, está me drenando!

— Estou mesmo! O que foi? Vai chorar?

— Não me obrigue... a atirar!

A aparição súbita de Barooma os levou a desfazer o embate depressa.

— Peço licença, Mudok! Desculpe entrar sem avisar... Ahn, o que estavam fazendo?

— Barooma, bata antes! — repreendeu Mudok tocando no pescoço.

— É! Não sabe que é falta de educação interromper brigas particulares? — disse Nekovolt.

— Estavam brigando!? A princípio, foi o que me pareceu!

Mudok tentou contornar desesperadamente.

— Não foi nada demais, estávamos apenas ensaiando para um... um plano para induzir os Rangers a pensar que estamos em desacordo. Não é, Nekovolt?

— Sim, foi isso mesmo. Mas você achou minha atuação bem convincente, não foi, Barooma?

— Se foi um ensaio, soou muito real!

— Viu só? Eu sou um artista, mereço o Oscar de melhor ator! — vangloriou-se o gato-androide.

— O que veio fazer aqui? — perguntou Mudok.

— O mestre quer você presente na sala dele para lhe entregar uma honraria! Nekovolt deve acompanha-lo!

— Eu não tô afim. — rejeitou Nekovolt, virando para um lado de braços cruzados — Não vou ganhar nada.

— Venha logo, não faça o mestre esperar. — ordenou Mudok o puxando pelo braço.

Já na sala central da nave, Lokknon condecorava seu general com uma medalha.

— Esta é a medalha de honra hierárquica. O exército de guarda da minha família sempre era condecorado com uma dessas. — disse Lokknon terminando de prender a medalha no peito de Mudok — É meu reconhecimento pelo sucesso incrivelmente satisfatório que temos tido com Nekovolt.

— Mas não sou eu quem mereço essa medalha? Afinal, eu fiz tudo acontecer, ele só ficou dando ordens. Digo, nem tanto, hehehe.

Aracna estava sentada na grande almofada roxa lendo uma revista e lançou um olhar desconfiado para o gato-robô, a revista tapando metade do seu rosto. Depois bufou em inveja por Mudok, voltando a fingir indiferença.

— Mas o mérito vai pela façanha de criar você, Nekovolt. Deve expressar gratidão por ele. — disse Lokknon voltando ao trono — Parabéns pela ideia de mandar Nekovolt invadir o Megazord dos Rangers e expulsa-los. É dessa ousadia que precisamos pra amedronta-los.

— Peraí, deixa eu falar uma coisinha, papo reto entre nós aqui, chefinho... — disse Nekovolt ameaçando dar com a língua nos dentes. Porém, Mudok tapara sua boca o agarrando.

— Ele não tem nada importante a dizer, mestre. Está tudo sob o mais absoluto controle. — falou virando o rosto para encarar seu filho, pressionando uma pistola a laser discretamente nas costas dele.

— Diante desses últimos resultados, eu imagino que sim. — disse Lokknon — Haha, Dickerson verá sua lista de truques na manga se esgotar antes de ver a decadência dos seus pupilos!

***

Na manhã seguinte, durante o intervalo na Angel Grove Middle School, os Rangers se reuniam numa mesa após comerem para discutir o estratagema visando neutralizar Nekovolt.

— Eis o nosso trunfo esquematizado. — disse Damian abrindo um papel grande sobre a mesa.

— Desenho maneiro, amigão. — disse Tim — Agora explica que trambolho é esse.

— Não é trambolho nenhum. — disse o Ranger Preto olhando com sorriso leve e confiante aos amigos — É um imã de anulação magnética.

— Devia ter escrito uma apostila só pra facilitar. — falou o Ranger Azul.

— Como se desse jeito fosse entrar na sua cabeça oca. — implicou Zoe afagando a quase careca do amigo.

— E aí, Damian, como vamos atrair o Nekovolt pra essa armadilha? — indagou Austin.

— Não só como, mas onde. — adicionou Jessie — Esse negócio deve ser grande pra colocar em algum prédio da cidade.

— Não vamos instala-lo na zona urbana, mas numa área onde haja alcance limitado de eletricidade. — respondeu Damian.

— A reserva florestal onde acampamos há alguns dias. — sugeriu Austin.

— Boa, será lá então. — aceitou o Ranger Preto dando um soquinho com a mão do líder.

— Daí usamos armas congelantes e transformamos o gato em picolé. — disse Tim, animado.

— E se... — começou Zoe, pensativa — ... pudéssemos cura-lo ao invés de congela-lo? Pensem só, ele é a versão do que o Schrondnyah viraria se estivesse infectado pelo vírus. Um antivírus poderia faze-lo voltar ao que era.

— Fisicamemte sim, mas a Karen ou o Sr. Dickerson teriam um trabalho bem árduo pra modificar a programação dele sem que ele corresse risco de ser adulterado novamente. — declarou Damian.

— Mesmo assim podemos pedir que a Karen baixe um antivírus que reverta o Nekovolt. — disse Jessie — Pode funcionar, eu acredito.

— Se todos vocês confiam, eu que não vou duvidar. — disse Austin, otimista — Hoje será o dia da caça pra nós. — estendeu a mão direita. Por cima dela, os outros botaram as suas umas sobre as outras — É um juramento.

Soltaram as mãos simbolizando a força conjunta que exerciam. E logo teriam de materializa-la, pois Nekovolt retornava a cidade veloz como um raio, pousando no edifício de uma emissora de TV, logo agarrando as antenas transmissoras gerais uma em cada lado com as duas mãos e canalizando sua eletricidade.

— Eu vou me tornar o rei desse mundo!

Todo e qualquer televisor ligado passou a apresentar o rosto sorridente de Nekovolt num fundo preto, interrompendo a programação de todos os canais abertos e fechados. Os Rangers chegavam a Cantina do Earl deparando-se com a invasão aos sistemas de radiodifusão.

— Que porcaria, essa peste de gato do mal roubou todos os canais. — reclamou Earl mudando com o controle remoto na sua TV — Não bastasse ter causado o apagão de ontem.

— Essa não, ele invadiu os sinais de TV. — disse Austin.

— Eu ia gravar meu seriado favorito hoje a tarde. — disseram Tim, frustrado — Esse Nekochato vai ver só uma coisa. — socou a mão esquerda.

Os comunicadores tocaram imediatamente, levando os heróis a atenderam a chamada no corredor perto da entrada, saindo discretos para Earl não notarem-os.

— Na escuta, Sr. Dickerson. — disse Austin ao atender.

— A armadilha está pronta, dei vida ao projeto do Damian. Já instalei na reserva florestal, vocês devem chamar a atenção dele antes que pule pra alguma rede de alta tensão.

— Certo, valeu Sr. Dickerson, a gente te deve essa e mais outras. — disse Austin — Galera, vamos lá. — o quinteto teleportou-se a floresta.

Há alguns quilômetros, com sua macrovisão, Nekovolt avistava do alto de um prédio uma antena distinta entre o mar de árvores.

— Mas o que é aquilo? Parece uma miragem no deserto! Ou será que tô sonhando? Ilusão ou não, aqui vou eu! — disse o gato-robô, logo se desfazendo em eletricidade e saltando como um raio diretamente à arapuca.

Já morfados, os Rangers escondiam-se nas robustas árvores.

— Ele vem vindo aí. — disse Jessie vendo o raio saltitante se aproximar da torre falsa.

Chegando perto da estrutura armada por Dickerson num espaço aberto da floresta, Nekovolt se materializou contemplando-a.

— Enorme e cheia de energia, posso sentir daqui! Mas cadê os fios? Não pode existir rede com uma só torre, não faz sentido!

Na Central de Comando, Dickerson ativava o mecanismo de magnetização.

— Ela foi feita especialmente pra você, bichano.

A esfera metálica no alto da torre emitiu uma frequência ondulatória que rapidamente atraiu Nekovolt até ela, o tirando do chão. O gato-robô ficara preso sem mover uma grama de ferro do corpo.

— O que é isso? Me tirem daqui! Odeio ficar preso, não consigo mexer nem minha cauda!

Os Rangers se revelavam e agrupavam.

— O que achou da nossa gatoeira hein? — perguntou Tim.

— Te pegamos de vez! — falou Zoe — Faço questão de ir até você pra te deixar um presente! — mostrou um pendrive que continha o antivírus fornecido por Karen.

— Você vai lá, Zoe? Vai precisar de impulso. — disse Jessie.

— Eu dou uma forcinha. — se ofereceu Damian.

— Me tirem daqui, por favorzinho! — insistiu Nekovolt.

— Nem adianta você implorar! Só vai sair quando mandarmos! — decretou Austin.

— Mas eu não tava pedindo a vocês! — disse Nekovolt com ar risonho — Mas sim a eles!

Diversos raios amarelos irromperam das árvores e saltitaram em volta dos Rangers. Materializaram-se em clones de Nekovolt e lançaram descargas que se estenderam para a esfera magnética da torre que tivera os circuitos avariados.

— A torre! — disse Austin recuando com os amigos — Não!

Nekovolt ria a beça ao ser libertado e aterrissar junto aos seus gêmeos. Num leve movimento de mão, empurrou a torre faiscando.

— Madeeeeira! — disse ao derruba-la.

— Ele se autoreplicou! — alardeou Damian.

— Não, pior do que isso, parece que previu nosso plano! — disse Austin em posição combativa — Rangers, não baixem a guarda!

— Isso é meu! — disse Nekovolt usando um raio ínfimo para tomar o pen-drive de Zoe — Não sei o que tinha aqui dentro, mas dispenso presentes, não é meu aniversário! — esmagou o dispositivo e o queimou — Obrigado, irmãos! Podem se deliciar por aí!

Os clones se desfizeram em raios e dispersaram-se até a cidade.

— Agora estou em todo lugar, até na TV!

— Mentira que aquelas suas cópias podem absorver energia pra você! — disse Jessie.

— Adivinhou certíssimo e quando tiverem drenado o bastante, voltam pra mim porque... Bem, eles são eu e eu sou eles, hahaha! Mas já que estão aqui, vou fazer meu lanchinho também! — criara um campo de força elétrico que fizera os Rangers levitarem.

— Agora nós que estamos presos! — disse Tim — Que belo dia da caça!

— Põe a gente no chão! — mandou Austin.

O gato-robô acionou a drenagem por meio daquele escudo elétrico, lhe provendo uma nova vida. O contador marcou o número seis.

— Perfeito! Minha sexta vida, acabei de ganhar! Até mais, molecada! — teleportou-se.

Os Rangers caíram exauridos e foram prontamente teleportados a Central de Comando. Dickerson dirigiu-se a eles ajudando Austin a levantar enquanto os demais reerguiam apoiando-se uns nos outros.

— Acho que tivemos sorte em não desmorfar. — disse o líder, ofegante — Valeu, Sr. Dickerson.

— Eu diria que não terem desmorfado foi devido ao aumento da eficácia de drenagem. — disse Dickerson.

— Dickerson, talvez seja a hora mais apropriada pra apresentar suas novas bugigangas. — falou Karen virada para ele.

O mentor olhou firmemente para os heróis e assentiu com a cabeça, decidido no que fazer.

— É a coisa que o senhor tava trabalhando? — perguntou Jessie.

— Exato, preparem-se. — disse Dickerson indo até o painel e apertando alguns botões. Repentinamente, armaduras pretas com o emblema da equipe surgiram teleportadas cobrindo o torso dos Rangers — Conheçam os coletes Zoomorph, a ideia mecânica avançada de que precisam pra derrotar Nekovolt.

— Nossa, tô me sentindo um policial durão com colete a prova de balas. — disse Tim — Irado!

— Não apenas à prova de balas como também de descargas elétricas aprimoradas. — revelou Dickerson com satisfação na face — Além disso, devem estar se sentindo revigorados, imagino.

— Verdade, me sinto disposta, como se tivesse recarregado. — disse Zoe.

— Eu também, parece que recuperamos a energia que perdemos há pouco. — disse Jessie — Eu adorei, Sr. Dickerson, valeu mesmo!

— E não limitam movimentos, não sinto meu peito apertado. — disse Austin movendo-se em aquecimento.

— Limitar? Eles fazem totalmente o oposto. Melhoram a performance de combate em todos os quesitos: força, agilidade, velocidade, reflexos, etc. — informou o explorador se aproximando deles.

— E vão servir adequadamente pra situação atual. — disse Karen — Como sempre sou a primeira a saber, digo que essas armaduras precisam ser carregadas de energia para operar em capacidade máxima.

— Em outras palavras, são capazes de absorver a eletricidade de Nekovolt para chegarem ao auge de energia e desbloquear o potencial total.

— Podemos mesmo nos beneficiar da eletricidade dele absorvendo aqueles clones? — indagou Damian.

— Esse é o ponto. A etapa primária até que atinjam o patamar geral que vai desencadear em um poder que vocês nem imaginam. — falou Dickerson transmitindo sua expectativa positiva.

— Isso aí, pessoal, temos uma chance valiosa pra arruinar a festa daquele gato, não vamos dar bobeira. — disse Austin colocando-se entre os amigos — De volta a ação!

O quinteto partiu direto para a zona de um parque eólico onde Nekovolt se fartava de mais energia parando as hélices de um aerogerador.

— Mas que energia ele vai sugar nesses cata-ventos? — questionou Tim.

— Não são meramente cata-ventos, mas turbinas que convertem a força do vento em eletricidade. — explicou Damian.

— Detonador Max! — disse Austin invocando a pistola vermelha na mão direita, logo disparando quatro tiros de laser que explodiram faíscas na turbina eólica e o derrubaram.

— Voltaram só pra atrapalhar meu lanche da tarde! Eu tô em fase de crescimento! — reclamou Nekovolt levantando e limpando-se.

— Voltamos pra te dar uma montanha de troco, isso sim! — dissera Tim.

— E olha só! Roupas novas? Gostei do estilo! Mas ficam meio bregas em vocês com esses trajes de spandex! Hahaha!

— Ah, vamos te mostrar a breguice desses coletes! — falou Jessie.

— Rangers, atacar! — bradou Austin, avançando com os companheiros. Nekovolt se encheu de faíscas elétricas pelo corpo e se desfez em raio, passando pelos heróis os atacando.

— Lutando assim você só é um covarde! — disse Jessie.

— Queremos uma luta justa! — disse Zoe, saltando para trás e se posicionando.

— Mano a mano, seu gato fedorento! — falou Tim dando cambalhota para a esquerda e ficando em posição combativa.

Nekovolt materializou-se novamente.

— O que há com vocês? Não sentiram nenhum choquinho?

— A gente não te deve satisfação! — disse Austin que avançou desferindo chutes com giros, mas Nekovolt defendia-se com os braços agilmente. Depois vieram Jessie e Damian golpeando com os punhos um em cada lado enquanto Austin o fazia de frente. Nekovolt, porém, bloqueava os ataques simultâneos do trio com mastria, logo dando um salto baixo e aplicando dois chutes velozes, atingindo Jessie e Damian, logo depois girando e chutando Austin no colete. O líder voou contra uma cerca de ferro, mas dera impulso rápido e avançou planando no ar. Nekovolt disparou raios que explodiram ao redor do Ranger Vermelho.

— Punhos Selvagens! — invocou as armas com as quais destravou os canhões e disparou. Os tiros explodiram fortemente em faíscas próximos de Nekovolt, o levando a cair. Porém, o gato-robô levantou-se com força nas pernas e disparou uma esfera elétrica em Zoe e Tim que resistiram correndo juntos, o ataque explodindo em fogo atrás deles. A dupla o agarrou nos braços. Tim pressionou sua mão direita no peito, depois Zoe fizera igual com sua esquerda.

Austin saltou ficando frente ao gato-robô, logo aplicando um soco potente e energizado no peito que vibrou numa onda e o mandou voando vários metros ao longe com explosões intensas de faíscas em volta. Damia batera nas costas dele com sua marreta, o jogando de encontro a Jessie que, deslizando na grama, utilizou as garras raptoras desferindo um corte em X, o mandando para cair sobre uma cerca.

— Clones, apareçam! — bradou Nekovolt reerguendo-se — Ué, cadê aqueles idiotas?

— Tá chamando você mesmo de idiota? Que idiota! — zombou Tim.

— Antes de virmos pra cá, demos um jeito neles! — respondeu Austin.

O gato-robô disparou novos raios drenadores.

— Sem problema, pego eles de volta! Hahahaha!

— Ah, não pode ser! — disse Austin, aturdido.

— É por isso que falam que gato preto dá azar! — falara Tim sentindo a dor da absorção.

Os raios se recolheram e Nekovolt conferiu seu contador de vidas.

— Eu não acredito! Sétima vida, bem-vinda! Hahaha, que emoção!

Os Rangers caíram de joelhos, mas não dando-se por vencidos.

— Como ele conseguiu uma vida nova? — indagou Zoe.

— Pois é, ele só não recuperou os clones? — disse Tim, confuso.

— Os coletes protegem dos raios ofensivos dele, não da drenagem! — disse Damian.

— Mas que droga, mesmo abastecidos com a energia dele não fomos páreos! — reclamou Austin — Mas não culpo o Sr. Dickerson, ele quis que aproveitássemos os clones pra energizar os coletes já que nossa situação é urgente.

— Quais serão meus planos pra hoje a noite? Hum, deixa eu ver... Ah, já sei, uma passadinha no shopping, lá tem energia polpuda que só! Nos vemos mais tarde, ou não, Power Pestinhas! Tchauzinho!

Nekovolt teleportou-se indo embora. Austin definia o próximo passo para impedi-lo.

— Já temos o que fazer hoje a noite. O que acham de um cineminha no shopping?

— Ah, beleza, deixa que escolho o filme! — disse Tim.

— Não é pra ver filme nenhum, Tim, se liga. — corrigiu Jessie.

— O único filme que vamos ver será o da nossa reviravolta pra cima daquele gato. — determinou Austin, a autoconfiança inabalável.

***

Pelo meio da noite, Nekovolt aparecia em forma de raio no lotado estacionamento do shopping center da Alameda dos Anjos.

— Tô tão empolgado que nem sei por onde eu começo! — disse ao se materializar.

Inesperadamente, um numeroso exército de Psycho-Bots surgiu em teleporte o cercando.

— O que significa isso? Quem mandou vocês participarem da diversão?

— Eu. — disse Mudok saindo das sombras — Parece um comitê de boas-vindas, mas é uma emboscada.

— Mudok! Que papo é esse? Não tô gostando do seu tom, melhor me explicar tim-tim por tim-tim!

— Vejo que ganhou suas sete vidas, meus parabéns.

— Obrigado, é meu número da sorte. Agora vê se despacha sua gangue pra eu poder me divertir e conseguir minhas próximas duas vidas.

— Negativo. Já se divertiu além da conta... Já desobedeceu minhas ordens além da conta! — mostrou um dispositivo — Segurem-no!

Quatro robôs vieram agarra-lo, mas foram repelidos com chutes e ataques de raios que os destruíram ao baterem numa parede.

— Pensa que me segura usando esses palermas? Você é uma piada! E que troço é esse aí na sua mão?

— Estou sendo misericordioso com você, deveria ceder ao meu comando em vez de agir como um garoto imprudente!

— Já saquei, essa coisa serve pra controlar meus movimentos, né? Não vai rolar, papai!

Nekovolt avançou iniciando um confronto físico com seu criador na tentativa de arrancar o controle. Mudok desviou dos chutes e golpes de garras até certa altura, tendo seu chute barrado. O gato-robô virara a perna de Mudok, a danificando gravemente.

— Minha perna! — falou Mudok antes de ser arremessado a uma parede na qual bateu de frente, deixando largar o controle — Não... — rastejou para reaver, porém Nekovolt rapidamente agiu, pisando forte no aparelho.

— Cansei de você tentando me adestrar como um animal de estimação! Eu faço minhas leis a partir de agora! Você perdeu, hahaha!

— Nekovolt, não rasgue nosso contrato... — disse Mudok forçosamente levantando — Barooma e Aracma devem ter suspeitado...

— E eu com isso? Diga adeus a sua medalha porque agora vou botar pra quebrar! É isso aí, chutei o pau da barraca! — disse o gato-robô indo até os Psycho-Bots.

— Espere! O que pretende fazer?

— Como você me falou depois que eu renasci: tudo o que é meu é seu... e tudo o que é seu é meu! — disse Nekovolt que lançou um raio num Psycho-Bot aleatório, este que foi tomado por faíscas elétricas e se metamorfoseava para se assemelhar a Nekovolt, logo esbarrando nos pares e os infectando com a eletricidade viral que foi sendo transmitida de soldado a soldado a um ritmo que acelerava até que o exército inteiro estivesse tomado.

— Mas é inacreditável... — disse Mudok, atônito.

— Um rei precisa de súditos, certo? Aí estão eles, meus Psycho-Bots do Trovão, finalmente tenho um exército só pra mim! — comemorou Nekovolt, batendo palmas — Ouçam, caros guerreiros, este sujeito é um herege e merece ser condenado a destruição!

Os robôs modificados apontaram os detonadores para Mudok.

— Não o escutem, eu sou o comandante de vocês!

— Desista, eles pertencem a mim! Em breve o mestre Lokknon saberá que o posto de general tem um novo ocupante! Hahahahaha!

— Era esse seu plano o tempo todo! Miserável... Eu juro que o farei pagar por tamanha desonra! — ameaçou Mudok apontando para ele. Teleportou-se para salvar-se.

— Mas que frouxo, fugiu com o rabinho entre as pernas! Mas sem problema porque agora vou assumir o controle total dessa cidade, hihihi! Minha lista de tarefas não para de crescer!

Os Rangers estavam no elevador subindo para o hall onde situava-se o cinema.

— Que elevador mais lento, já devíamos estar no... — disse Tim olhando o painel de botões — ... quarto andar. Já passamos do segundo e...

A energia sofrera uma queda brusca, o elevador parando com um solavanco e um baque.

— Ah não! Apagou tudo, socorro! — disse Jessie.

— Socorro, estamos presos! Alguém, por favor! — berrava Tim batendo na porta.

— Tim, se acalma, ninguém vai nos ouvir, relaxa! — disse Austin — Podemos nos teletransportar daqui.

— Valeu por me lembrar, cara.

— Zoe, fica perto de mim, sei que você tem claustrofobia. — falou Damian abraçando a Ranger Rosa ao lado.

— Ah, obrigada, Damian. Mas e aí, o que faremos?

— Não sabemos se isso foi obra do Nekovolt ou uma pane por causa da instabilidade que ele causou desde que chegou. — disse Austin.

— Ele já está aqui. — disse uma grave voz de tom robótico. Os Rangers viraram-se para o par de olhos vermelhos na escuridão. As luzes de emergência acenderam, revelando a figura de Mudok frente aos heróis.

— Mudok! — alarmaram-se eles, recuando.

— Mas o que tá fazendo aqui? — indagou Austin em posição de luta — O que você quer da gente?

— Você não tinha que estar por aí coordenando as ações do seu gatinho? — disse Damian.

— Infelizmente, admiti que nunca tive essa autoridade. Prestem atenção, o momento agora não pede por conflito.

— Como é? Tá zoando da nossa cara, né? — desacreditou Jessie.

— Nunca falei tão sério antes. — disse o androide com firmeza — Preciso de ajuda para aniquilar aquele maldito!

A clara surpresa dos Rangers ao ouvir aquela frase recaiu sobre eles feito um raio poderoso.

CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO...
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