Power Rangers: Esquadrão Z
66 #CancelemOsPowerRangers
Notas iniciais

Aquele sábado foi marcado para ser uma ocasião histórica na celebração do legado dos Power Rangers, movimentando adoradores dos heróis coloridos de diversas gerações. Era a denominada RangerCon, uma convenção ao ar livre reunindo da Alameda dos Anjos e de outras cidades, até artistas fantasiados, grandes e pequenos empresários que obtiveram direitos para tornar os Rangers suas marcas bem-sucedidas de produtos licenciados.
Os oito Z-Rangers viam-se sentados numa bancada distribuindo autógrafos em camisetas, desenhos, cartelas de bonecos, entre outros.
Austin terminou de autografar o desenho de um garoto chamado Dave, incentivando-o:
— E aqui está, muito obrigado por vir. Achei esse seu desenho morfenonenal. Se você quiser seguir carreira nessa arte, lute por esse sonho com todas as suas forças.
— Valeu, quero sim ser um desenhista incrível e criar histórias em quadrinhos de vocês. — revelou o menino.
— Ah, muito legal. Você tem futuro, é só praticar bastante pra se tornar um dos melhores. — falara Austin dando um joinha.
— Tem gente na fila esperando, vamos. Rangers, muito obrigado pela atenção. — dissera o pai.
— Agora tá realizado, né? Hora de irmos. Foi um prazer conhecer vocês mais de perto, tchau. Sucesso nas missões. — falara a mãe.
— O prazer foi nosso, seu filho é uma gracinha. — disse Jessie.
— Tchau, Ranger Vermelho. — despediu-se o garoto acenando.
— Falou, Dave. Na próxima convenção, quero te ver de novo com um desenho ainda mais morfemonenal. — dissera Austin.
— Sim, capitão. — disse Dave fazendo sinal de continência.
— Hahaha, você é fera. Tchau, garoto!
— Não sei como o Lokknon ainda não tentou estragar a convenção. — disse Owen.
— Ai, nem fala, senão acontece. — disse Jessie.
— O evento tá lindo demais pra ser arruinado por Psycho-Bots ou qualquer monstro horroroso. — comentou Zoe.
— Podem formar filas, estamos prontos pra outra rodada de autógrafos. — determinou Austin com a caneta preta na mão.
— Ei, peraí, você não é uma fã nossa? — quis saber o líder.
— Era depois que ela nos contou o que vocês fizeram. — disse a menina com certo desprezo. As outras crianças saíram no mesmo trato com os heróis.
Foram abrindo as caixas das quais retiraram papéis-cartões com palavras impressas.
— Hoje. — disse Flint lendo a palavra do seu papel.
— Acaba. — falou Owen lendo seu papel.
— O legado. — prosseguiu Jessie ao ler.
— Farsante. — disse Austin.
— E irresponsável. — adicionou Zoe.
— Dos embustes. — disse Damian lendo o seu.
— Mais toscos. — disse Tim.
— De toda a história. — fechou Mason a mensagem — Assinado... W. H? Que parada é essa?
— Se trata de uma mensagem ameaçadora. — disse Damian.
— Seja lá quem for W.H., pagou aquelas crianças pra repassar essa mensagem nos chamando de farsantes. — disse Austin.
— E ainda por cima de embustes. — revoltou-se Tim — O quê que é embuste?
Uma presença especial chamou a atenção, gerando um pequeno alvoroço de euforia apontando seus celulares para a estrela que passava por eles como se desfilasse numa passarela de moda. Acompanhada de seus dois assistentes usando ternos laranja com gravatas azuis e usando óculos escuros tal qual ela.
— Pessoal, acho que a remetente tá vindo logo ali. — apontou Owen.
— Aquela é a... Wanessa Higgs!? — disse Jessie não medindo seu tom de espanto.
— A blogueira que faz vídeos na Internet?! Caramba, ela é mais gata ao vivo! — babava Tim.
— W.H., Wanessa Higgs. — disse Austin — Foi ela quem nos mandou a mensagem. É ela quem quer nos prejudicar de alguma forma.
Wanessa Higgs possuía uma carreira relativamente nova nas interwebs ao publicar postagens em seu blog pessoal e num canal de vídeos com seu web talk-show "No Divã Com Wanessa".
Era uma garota de pele morena de exatos 21 anos, cabelo castanho com luzes em mechas lisas, lábios carnudos e olhar intenso e misterioso — como todos puderam ver assim que ela retirou seus óculos.
— Nos dê licença, temos uma apresentação a fazer.
— O espaço não foi aberto ainda pro painel de entrevistas. Os lugares da imprensa serão colocados daqui a uma hora. — disse um segurança.
— Mas eu sou parte da imprensa. E farei história dentro dela hoje.
— Preciso ver suas credenciais.
— Servem essas? — disse Wanessa oferecendo uma certa quantia para o segurança que não resistiu a tentação e pegou as cédulas, contando-as.
— Podem passar. — permitiu ele guardando o dinheiro no bolso do paletó.
— Eu não acredito, ela ofereceu dinheiro só pra ter exclusividade. — disse Zoe.
— Mas ainda nem estamos na hora pra falar com os jornalistas. — ressaltou Flint.
— Vamos continuar com os autógrafos. Quem liga pra essa daí? — disse Mason.
— Pelo visto, a convenção toda. — disse Damian, observando a atenção do público.
Os assistentes de Wanessa ligaram um data-show a um pequeno gerador. A blogueira pegou o microfone:
— Por favor, eu sou uma voz influente na internet, mas quero ampliar essa influência para o mundo real. Nenhum de vocês deveriam estar aqui glorificando heróis que não passam de crianças irresponsáveis e, o que é pior, desonestas e...
— OK, vamos acabar com o showzinho dela. — disse Mason que foi barrado por Austin com uma mão no peito.
— Não, espera.
— Esperar o quê? Ela detonar com a gente pra estragar o evento?
O assistente de Wanessa projetou um vídeo de baixa qualidade na tela. Nele, os Rangers riam com escárnio dos danos estruturais causados nas batalhas de Megazords.
— A gente não dá a mínima pra quem fica num prédio morrendo de medo e depois é destruído junto com ele, hahaha. — disse Tim no vídeo.
— Ei, não falei isso não, hein! — protestou ele — Que sujeirada é essa?
O vídeo terminou e Wanessa prosseguiu em seu discurso:
— Como vocês viram, os Power Rangers fazem pouco caso das vítimas fatais de cada dano estrutural que causam nas batalhas com seus robôs gigantes. Para se ter uma noção do prejuízo aos cofres públicos, o governo fechou o ano passado no vermelho com mais de 3 milhões perdidos em engenharia civil. E esse número só aumenta cada vez mais ao longo desse ano. Eu me perguntava até quando a sociedade ficaria de olhos fechados. Uma medida mais drástica precisa ser tomada.
— Como o quê, por exemplo? — indagou Jessie.
Wanessa mostrou um papel carimbado:
— Esta intimação que vim dar pessoalmente a vocês.
— Intimação?! — disse Austin, estremecido — Está nos processando?
— Por todo e qualquer dano material que vocês causaram sem pensar nas vítimas que sofreram e ainda sofrem. Este vídeo que acabei de passar é a prova de que vocês tratam essas pessoas como formigas! Não, como vermes que não se importam de pisar!
— Esse vídeo é uma tremenda farsa! — acusou Owen.
— A gente pode te processar por difamação, sabia? — disse Mason.
— Nunca gravamos um vídeo debochando das pessoas que são prejudicadas por nossas lutas com o Megazord! — disse Zoe com a voz embargada — Nós não somos assim!
— E nem me limito a falar das lutas de gigantes — continuou Wanessa em tom áspero segurando firme o microfone — Existem danos enumerados em escala humana, mas isso prefiro deixar pra nossa audiência de amanhã com o juiz pra quem apresentei primeiro esse vídeo nojento e descarado.
Um rapaz fantasiado de Megazord dos Rangers de Zordon jogou o capacete no chão em revolta.
— Gastei meu salário inteiro só nesse cosplay, fiquei uma semana esperando chegar a encomenda pra acabar vendo essa droga!
— E daí? Problema seu, não reclama com a gente! — retrucou Flint.
— Cara, isso não ajuda. — disse Tim, tenso, tocando-o no ombro.
— Como fãs nos sentimos traídos, esse vídeo foi o maior desilusão com heróis que o mundo já sentiu. — disse um homem de meia idade barbudo e de cabelos loiros compridos fazendo cosplay do Ranger Espacial Vermelho.
Uma boa parcela do público pagante afastava-se em retirada massiva, muitos praguejando contra os heróis, alguns jogando até latinhas de refrigerante.
— Parem com isso! — disse Austin.
— Seus picaretas! Destruidores! — diziam os adolescentes, atirando latinhas.
Flint reagiu, pegando uma lata e amassando-a:
— Se quiserem uma briga, é só virem, seus moleques!
Zoe o repreendeu:
— Flint, para! Não vê que reagir a isso tudo só piora as coisas?
Wanessa que desceu do palco junto a seus assistentes para ir embora. Ela jogou a intimação no chão em desprezo aos Rangers. Austin pegou o papel, lendo os dizeres.
— Wanessa, espera.— chamou o líder. A blogueira virou-se. — Nós não vamos a essa audiência se não nos disser quem te mandou esse vídeo.
— Uma fonte sigilosa. Além disso, se faltarem com a ordem judicial, o juiz entrará com pedido de interdição no parlamento americano. E sabem o que acontece depois?
— Ah não... Podemos sofrer uma sanção presidencial. — disse Damian. — O próprio presidente dos Estados Unidos terá o poder de veto contra nós se a câmara dos deputados e o Senado tiverem maioria favorável à nossa interdição num projeto de emenda constitucional que visa regular ações de heróis.
— Vocês tem um amigo bem informado. — disse Wanessa. — E se não conseguirem entrar com recurso, o resultado será o mesmo e vocês nunca mais vão vestir essas roupinhas coladas.
— Certo, vamos todos a audiência, mas não cante vitória antes do tempo. — determinou Austin. — Vamos provar nosso dever com as pessoas provando que esse vídeo é mentiroso.
— É o que veremos amanhã. Lembrem de organizar um evento gratuito na próxima convenção. — disse Wanessa pondo os óculos. — Ah, é mesmo, não haverá próxima, hahaha. Nos vemos no tribunal.
A estrela da internet dera as costas aos heróis e saíra com os assistentes.
— Ela falou que a fonte é sigilosa. — disse Flint — Talvez ela trabalha pra um agente que quer fritar nossa reputação.
— E se esse agente for alguém que conhecemos? — questionou Austin — E se... esse agente for o Lokknon? E a pergunta de um milhão: e se aquela não for a Wanessa real, mas sim um monstro disfarçado?
***
Na nave de Lokknon, a atmosfera era de puro otimismo com o andamento do mais novo plano de arranhar a imagem pública dos Rangers.
— Suposição correta, Ranger Vermelho. — disse Lokknon tomando seu licor púrpura.
— Sabe, eu odeio quando desvendam fácil assim o culpado. — disse Aracna assistindo pelo visualizador multifocal — Eles já têm noção de que é um monstro disfarçado.
— Odeio esses terráqueos, mas você subestima demais a inteligência deles. — contrapôs Mudok.
— Ei, não sou nenhum monstro! — disse Wanessa vindo a sala central da nave — Sou uma donzela que herdará a coroa de rainha, hahahaha. — a blogueira logo revelou-se como sendo Enckantess que desfez do disfarce com sua magia violeta. — Não é momozinho?
— Sem dúvida, minha imperatriz. — disse Lokknon, puxando-a levemente — Os Power Pirralhos não fazem ideia de onde a garota da internet está confinada e nem farão antes de serem condenados judicialmente, hahaha!
— Mestre, o boneco já foi previamente posto na máquina e os dados referentes a objetos de demolição foram transferidos ao bio-modelador! — disse Barooma aproximando-se da alavanca — Que venha com muita saúde!
A máquina manifestou as luzes tempestuosas e a fumaça de vapor branco. Ao fim do processo, a criatura robusta saíra da cabine, batendo suas mãos em forma de bolas de aço adornada com grossos espinhos, seus passos estremecendo o chão.
— Oh, que enorme ele é. — disse Enckantess — Barooma, o que ele faz?
— Ele possui um instinto compulsivo de destruir construções de todos os tipos e formas, não importa o quê! — explicou o cientista.
— É aqui onde devo começar meu trabalho? Eu odeio lugares fechados como esse!
Mudok interveio a tempo:
— Não, aqui não, controle-se! Existem prédios na Terra que você pode destruir a vontade.
— Mas este lugar é perfeito pra demolir! É tudo tão... fechado, estou com claustrofobia!
Lokknon o atacou com um raio atingindo-o no peito:
— A minha nave não é para ser destruída, é o meu lar e de todos do meu exército!
— Então me diga onde posso esmagar nessas construções perfeitinhas! Perdão pelo aborrecimento, mestre Lokknon.
— Não deixe um edifício desta cidade intacto, destrua tudo!
— Já sei até que nome te dar. — disse Enckantess aproximando-se dele com empolgação — Vai ser... — porém, Aracna a empurrou de lado usando o quadril.
— Arrasa-Quarteirão. — falara a princesa aracnídea sorridente ao monstro.
— Ah, era esse nome que imaginei. — disse Enckantess.
— Aham, acredito. — retrucou Aracna.
Lokknon teleportou o monstro batendo sua mão no braço direito do trono, fazendo-o surgir no centro da Alameda dos Anjos.
— Hora de iniciar minha quebradeira! Do menor domicílio para o maior arranha-céu!
Bateu suas mãos esféricas uma na outra, produzindo uma onda de choque que destruiu a fachada de lojas e alguns prédios comerciais vizinhos, causando pânico generalizado.
O alerta soara na Central de Comando.
— Não bastando o escrutínio público por causa de danos estruturais, agora temos um monstro destruidor de prédios. — disse Karen vendo pelo monitor principal.
— Isso confirma o envolvimento de Lokknon na campanha dessa blogueira que certamente foi enganada por quem forjou e forneceu o vídeo. — disse Dickerson. — Contate os Rangers.
Os comunicadores tocaram, os heróis ainda no local da convenção.
— Na escuta, Sr. Dickerson. — disse Austin.
— Rangers, não por mera coincidência, Lokknon acaba de mandar um monstro com bolas de demolição capazes de transformar prédios em ruínas num piscar de olhos. O ataque é na zona central.
Na região, Arrasa-Quarteirão batia suas esferas no solo de ladrilhos de concreto com socos potentes que geravam os abalos sísmicos e rachaduras que levantavam partes do chão, afundando carros.
— Eu gosto é de sacudir a poeira!
Múltiplos tiros de laser o interceptaram provocando explosões de faíscas em volta. Os Rangers vinham pilotando suas Beasts Cycles alinhados lado a lado.
— Chega desse festival de destruição! — disse Austin.
O monstro bateu suas esferas uma na outra, as ondas de choque lançadas diretamente aos Rangers.
— Epa, tô perdendo o controle! — disse Flint sentindo desequilíbrio e instabilidade de pilotagem na moto.
— Essas ondas... conseguem nos derrubar facilmente, não vou aguentar! — disse Damian.
Os heróis foram caindo das motocicletas deslizando no chão repleto de buracos e fissuras. Tim, Owen e Jessie caíram num desses buracos enquanto Austin, Zoe, Flint, Mason e Damian foram rolando ao chão, as motos faiscando.
— Estão todos bem? — perguntou Austin,reerguido. Os outros juntaram-se a ele.
— Estamos. Parece até que nossas motos perderam combustível! — disse Jessie.
— Chegou a hora da gente encarar esse peso-pesado com toda a força que temos! — disse Austin.
Porém, Mudok surgira acima de um prédio comercial.
— O que acham de economizar essa força? Ele é muito trabalhoso para vocês. — disse o androide que lançou ao ar esferas, liberando Psycho-Bots que caíram de pé e marcharam rumo aos heróis e apontaram sua detonadores — Ataquem-os!
Os robôs avançaram e os Rangers não tiveram escolha senão lutar deixando o inimigo agravante livre.
— Quanto a você, prossiga na sua onda destruidora!
— Por que tem que me dizer o que já sei fazer? Não seja estúpido!
— Grr, tenha mais respeito com o general do mestre Lokknon. Vá logo, não perca mais tempo. — mandara Mudok, teleportando.
— Esses soldados de alta patente se acham os próprios chefes. — reclamou Arrasa-Quarteirão, seguindo em frente.
Os Rangers desdobravam-se no combate aos robôs com acrobacias, chutes e socos que os danificavam, intercalando com as pistolas Z.
— Pessoal, deixa o grandalhão comigo! — prestou-se Damian que chutou dois Psycho-Bots vindos de ambos os lados, os derrubando ao mesmo tempo.
— Vai nessa, Damian! — permitiu Austin. — Não deixa ele escapar!
Austin foi saltando para a esquerda por três vezes, salvando-se dos tiros explosivos.
— Deflagrador Max! — a pistola vermelha evoluiu para a arma de longo alcance, logo mirando e disparando contra os robôs que voaram com a explosão tremenda de fogo.
Damian corria no curto encalço até Arrasa-Quarteirão. O Ranger Preto logo saltou girando verticalmente.
— Colete Zoomorph! — logo pousou frente ao monstro e virou-se para ele.
O monstro transformou-se numa bola de concreto espinhosa semelhante a sua cabeça e foi girando para atropelar Damian, o chão tremendo.
— Modo Fúria Animal, ativar! — a armadura substituiu o traje da forma base — Esfera Batedora! — girou a bola metálica e a lançou contra o monstro o refreando ao ponto de faze-lo atritar no solo.
— Acho que sua tentativa de medir forças comigo tá sendo um fracasso! Quanto mais minha esfera se move, mais massa ela ganha!
Graças ao rápido aumento do peso e da densidade da esfera batedora, a casca de Arrasa-Quarteirão rachou-se até explodir em pedaços, o monstro caindo e rolando de lado.
A bordo de um helicóptero, a equipe de reportagem da AGNN cobria a batalha.
— Ser insultado desse jeito eu não tolero! Não quero nenhum inseto de metal voando no meu território!
Arrasa-Quarteirão atirou sua mão-esfera direita na aeronave que tivera sua cauda destruída, a aeronave logo rodopiando prestes a colidir com um prédio de vidraças pretas.
— Esse helicóptero vai bater direto nesse prédio, vai ser uma tragédia. — disse Karen.
— Rangers, algum de vocês aja depressa! — pediu Dickerson. — Pode ser uma chance de restaurar um pouco da reputação.
— Deixa comigo! — disse Jessie. — O Glady Motor Z tem força suficiente pra salvar todos que estão no prédio e no helicóptero.
— Liberando Glady Motor Z agora. — disse Dickerson mexendo no painel até que apertou a tecla Enter.
O carro turbinado vinha em alta velocidade por teleporte. Jessie saltou imediatamente, adentrando no veículo e segurando firme no volante. A Ranger Amarela pegara o disco transmutador e inseriu no drive ao lado do volante. O carro adquiriu uma aparência remetente ao zord Águia Flavescente.
— Modo Guerreiro, transformar e avançar! — o veículo assumira o modo humanoide tendo asas de águia liberadas voando rumo ao helicóptero.
A aeronave foi parada a quase um metro do prédio, o Glady Motor Z agarrando a dianteira, logo sendo deixada no solo seguramente.
— Boa! — disse Owen.
— Mandou super bem, Jessie! — elogiou Austin.
A equipe repórter foi retirada com ajuda da Ranger Amarela. Os Rangers correram até ela após liquidarem com todos os Psycho-Bots.
A repórter aproveitou para fazer uma entrevista-relâmpago:
— Como estão todos aqui, gostaria que falassem a respeito do escândalo do vídeo comprometedor que explodiu nas redes. O que têm a dizer em suas defesas?
Austin aproximou-se sendo focalizado na câmera.
— Somos inocentes, é a única coisa que podemos dizer nesse momento. Tentaremos provar que aquele vídeo é uma farsa criada pra sujar nossos nomes.
A repórter questionou:
— Mas a pessoa que vazou essa filmagem tem quase um milhão de seguidores nas redes sociais. Sendo assim, é difícil imaginar que alguém famoso na Internet possua alguma credibilidade.
— Não puxa a sardinha pra aquela abusada. — retrucou Flint.
— Ela odeia os Power Rangers de graça, só quer mais fama destruindo a nossa. — disse Mason.
— Mas foram apresentados fatos contundentes, além do vídeo que soa como uma prova imbatível. — continuou a repórter.
— Ela nos intimou pra uma audiência com o juiz amanhã. E será lá que iremos reconquistar a admiração das pessoas.— disse Austin firmemente.
— Adianto que a equipe da AGNN estará lá para transmitir ao vivo. Obrigada pela atenção. — A repórter fez sinal para cortar a gravação.
Jessie tentou argumentar:
— Ei, espera aí. Acabamos de salvar as suas vidas, será que isso não conta como prova de que fomos difamados?
— Lamento, mas... um salvamento feito apenas para reparar a imagem pública não significa prova concreta. — falara a repórter parecendo indisposta a discutir, logo afastando-se com seus assistentes.
Na Central de Comando, durante a pausa para o descanso, Jessie pusera o capacete com força na mesa de vidro.
— Que raiva, eu dei duro pra fazer o melhor que eu pude e mesmo assim... nosso filme continua queimado.
— Aquele vídeo parece tão verdadeiro que seria estranho se a imprensa duvidasse. — disse Owen sentado numa cadeira.
— Ela ainda nos culpou de não ter pego aquele monstro. — disse Mason, chateado.
— Era o Damian quem tava lutando com ele, então... O vacilo é dele. — dissera Flint.
— E eu assumo essa culpa. Eu devia ter sido mais enérgico. — lamentou o Ranger Preto.
— Não, o Arrasa-Quarteirão aproveitou que estávamos todos distraídos com a Jessie salvando o helicóptero. — disse Austin.
— Karen, como anda a repercussão do vídeo? — indagou Zoe
— Crescendo minuto a minuto. — disse a tecnóloga voltando-se aos Rangers — Ao menos existe uma minoria com o entendimento de que os danos das batalhas são consequências naturais e fora do controle, o que é a mais pura verdade.
— O Sr. Dickerson foi mesmo até a casa da Wanessa pra interrogar ela? — perguntou Austin.
— Ele não, mas sim James Stanford. — respondeu Karen.
— Ah, é o disfarce que ele usou uma vez pra limpar a barra daquele mágico de circo. — recordou Tim.
Dickerson retornava a Central de Comando por teleporte.
— Sr. Dickerson, bom te ver de volta. — falou Austin levantando da cadeira — E aí, o que ela disse?
— Nada acerca do fornecedor do vídeo. — respondeu o mentor retirando a gravata — Ela desconversou com muito mistério. Mas deu uma informação importante.
— Qual? — indagou Karen.
— A audiência começará às nove da manhã.
— Justo no nosso horário escolar?! — disse Owen. — Ah, não, isso vai dar problema.
— Mas todos precisam comparecer? — questionou Zoe.
— Austin como líder pode representar toda a equipe. — disse Dickerson. — Se o juiz não aceitar, chamarei a todos.
— E se o cabeçudo feioso resolver atacar bem na hora? — temia Mason.
— Os clones holográficos estarão disponíveis. — disse Karen que virou-se ao monitor conferindo o status da onda de ódio contra os Rangers na web — A hashtag Cancelem Os Power Rangers se fortalece a cada minuto.
— Criaram uma hashtag pra nos detonar?! — disse Tim, assustado — Galera, agora bateu o maior medo desse ser o fim da nossa carreira.
— Não será de jeito nenhum. — disse Austin firmemente — Vou na audiência amanhã com o Sr. Dickerson. Não vai ser um hashtag idiota nas redes sociais que vai me fazer desistir.
— Assim que se fala, amigão. — disse Tim o abraçando de lado — Você e o Sr. Dickerson farão bonito.
— Sim, faremos. — assentiu Dickerson. — Amanhã, Wanessa saberá que está trabalhando pro lado errado da história.
***
Chegava enfim o dia que definiria o futuro da atuação dos Rangers no combate ao mal em território americano. Os oito heróis reuniram-se no laboratório de ferramentas de Damian em preparação para o decisivo julgamento.
— Já são oito e meia, tá quase na hora. — disse Austin. — O Sr. Dickerson tá me esperando lá na base. Vão mesmo cabular aula pra acompanharem pela TV?
— Eu mal consegui dormir só pensando nessa audiência. — disse Zoe.
— Também demorei a pregar o olho de tanta ansiedade pra saber se vamos acabar de volta ao topo ou no fundo do poço. — declarou Mason próximo de Flint, Zoe e Jessie.
— Nada de pensamento negativo, galera. — incentivou Tim. — A gente supera essa, uma dupla melhor que o Austin e o Sr. Dickerson pra nos fazer dar a volta por cima não tem.
— Concordo, o Ranger Vermelho e o mentor, no caso o advogado de defesa, formam um par perfeito nessa briga judicial. — disse Damian.
— Austin, boa sorte pra vocês dois. — disse Jessie tocando-o no ombro. — A gente fica por aqui de olho em tudo que vai rolar.
— Precisamos ficar de prontidão porque a chance é bem alta do Arrasa-Quarteirão atacar de novo e ainda durante a audiência. — falou Owen.
Tim aproximou-se discreto de Mason para cochichar:
— Não tá sentindo nem um tiquinho de ciúme? Olha como a Jessie tocou no Austin. Isso não te deixa com inveja?
— Tim, não começa. — retrucou Mason em voz baixa com olhar repreensivo — Assim você fica parecendo o diabinho sussurrando no ouvido.
— Posso saber que segredinho o morcego e o tubarão estão dividindo? — perguntou Zoe se metendo entre eles, olhando-os com suspeita brincalhona.
— Ahn... Nada, é só bobagem, como o Tim sempre fala. — disse Mason, meio tenso.
— Nem sempre, dá um desconto aí. — disse o Ranger Azul. Mason e Zoe riram levemente.
— Os abutres da imprensa já estão no lugar. — disse Flint vendo pela TV.
Austin sacou o morfador e a célula.
— Vamos lá. — esticou os braços para encaixar os itens — É hora de morfar! Leão Escarlate!
Como um pilar de luz, Austin surgiu no local próximo de Dickerson que trabalha seu terno azul-marinho com gravata preta.
— Tudo pronto? — indagou o Ranger Vermelho.
— Quase. Os advogados da Wanessa e nem a própria deram as caras ainda. Mas estamos aqui, com ou sem eles podemos desmentir todas as acusações. — disse Dickerson.
— Transcrições de códigos de database. — respondeu o mentor — Não convém carregar uma mala vazia nesse disfarce. Lá vem os repórteres, cuidado com a postura.
— Sem problema. — disse o líder virando-se e vendo alguns jornalistas aproximarem-se com seus microfones apontando para ambos.
A falsa Wanessa e seu igualmente falso advogado, no caso Theron sob a identidade de Robert Endlund, entraram no tribunal sob os holofotes da imprensa, a influenciadora mandando beijos para as câmeras.
— Segurança, retire toda a equipe de imprensa daqui imediatamente! Quero todos fora!
— Que cara é essa, doutor Stanford? Achou que eu não viria? — disse Wanessa.
— Ordem no tribunal! — disse o severo juiz batendo o martelo. Todos sentados, vamos iniciar a seção. Os acusados se apresentem. Ahn... Apenas um Power Ranger compareceu?
— Meritíssimo, por favor, me dê a palavra. — disse Dickerson
— Palavra concedida.
— Em virtude da ameaça de um ataque alienígena, meus clientes precisam estar atentos na base de comando a qualquer alerta. Permita que apenas o líder deles represente os interesses e os valores aqui defendidos.
— Hum... Um motivo bem razoável. Permissão concedida. Mas gostaria de saber onde se localiza tal base de comando.
— Ah não... — disse Austin, apreensivo.
— Ahn... Com todo o respeito, meritíssimo, mas essa é uma informação estritamente confidencial e não tem relevância prática na condução do julgamento.
— Meritíssimo, eu protesto. — disse Robert. — Se os Power Rangers querem prestar um serviço de inteira transparência a comunidade, deveriam compartilhar informações sendo uma delas a localização de seu quartel-general.
— A razão pela qual a localização é sigilosa diz respeito à ameaça constante do imperador Lokknon que uma vez ciente da base não hesitaria em atacar. — explicou Dickerson.
Lokknon assistia e concordava.
— Exatamente, Dickerson. Vamos, juiz, o pressione com muito rigor.
— Bem, é uma justificativa plausível, além de que isso não se encaixa no cerne do problema que é a contagem de danos estruturais a construções civis e privadas.
O imperador enfureceu-se no trono.
— Ah, mas que lástima! Senti que estava tão perto de saber!
— Meritíssimo, minha cliente quer lhe fazer um pedido.
— Levante-se. — falou o juiz a encarando.
— Meus assistentes querem mostrar uma apresentação em Power Point que enumera os principais danos provocados pelos atuais Rangers.
A paciência de Lokknon alcançava o limite.
— Chega, preciso ver onde está Arrasa-Quarteirão agora! Barooma, laser regenerador nele!
O cientista questionou:
— Mas tão cedo, milorde?
— Está me questionando?! Eu disse agora!
— Sim, agora mesmo! — falou o cientista que logo batera no botão que disparou o raio verde sobre o monstro que fora gigantizado.
— Minha diversão acaba de aumentar! Dá vontade de sair rolando por aí esmagando tudo e todos como insetos!
O Megazord Z pousara frente a ele pronto para o duelo. Karen contatava Austin.
— Karen falando. Arrasa-Quarteirão voltou a atacar e cresceu, mas os outros já estão lidando com ele. O Leão Escarlate foi posto em piloto automático.
— Valeu por avisar, Karen. — disse Austin — A turma já tá enfrentando o Arrasa-Quarteirão.
— Contanto que ele não chegue até aqui, a audiência vai seguir bem até o fim.
Wanessa começava a apresentação no data-show.
— Começando pelos danos a bens civis. Como neste dia em que o Ranger Azul usou suas lâminas para despedaçar um carro jogado na sua direção. Um absurdo de despreparo.
— O que você queria que ele fizesse? — questionou Austin.
— Vocês são bem fortes, não são? Daria pra segurar ou aguentar o impacto, era simples.
— Somos fortes sim, bem mais que pessoas comuns, mas também sentimos dor.
— A proporção de força dos Rangers não é a mesma para todos. — deixou escapar Dickerson.
Wanessa explorou o erro:
— Não importa o nível de força, este carro talvez pertencesse a um pai de familia que gastou seu suado dinheiro.
— Mas foi o monstro quem jogou o carro, ele danificou primeiro. — contrapôs Austin.
— Não, ela está certa. — disse Dickerson, concordando. — Um erro não justifica o outro.
Ouvir aquilo colocou um sorriso autoconfiante na blogueira.
— Dr. Stanford, tem conhecimento de algum programa de treinamento relacionado a formação profissional dos Rangers?
— Dr. Stanford, tem conhecimento de algum programa de treinamento relacionado a formação profissional dos Rangers?
— A iniciativa visava escolher cinco jovens com garra e coragem. Mas nada acerca de treinos para aprendizagem das missões.
— E devo dizer que é de certa forma questionável convocar crianças para exercerem tamanha responsabilidade.
— Sim, não nego que sejam crianças em transição a adolescência. Mas creio que a pessoa que os escolheu soube ver que em cada deles existia um dom para fazer a diferença. Essa pessoa teve a certeza de que eles são capazes de feitos grandiosos como qualquer Ranger do passado. Adulto ou criança, não importa. A força complexa que rege os Rangers os capacita a lutarem, sem distinção etária.
Wanessa contra-atacou:
— Palavrinhas bonitinhas, mas... nada convincentes. Ainda são crianças e imaturas, por isso despreparadas.
Robert Endlund não mediu acusação:
— Meritíssimo, ele falou bem mais que um simples advogado. Talvez seja ele o mentor dos Power Rangers que está exercendo ilegalmente a profissão.
— Protesto, meritíssimo. Isso é claramente infundado. — disse Dickerson.
O juiz interveio:
— Haja vista que é um crime frequente, não seria tão absurda a acusação dada a forma com que discursou. Para que não haja a menor sombra de dúvida, preciso que abra a sua maleta, Dr. Stanford.
Karen alertou, aflita:
— Se Dickerson abrir essa maleta... vai tudo por água abaixo.
A batalha de gigantes tinha início. Arrasa-Quarteirão lançou suas bolas e bateu no solo, destruindo prédios aleatórios.
— Não vou perder tempo com vocês, quero mais mais é destruir essa cidadezinha inteira!
— O Megazord mal consegue caminhar com o chão tremendo assim! — disse Zoe.
— Que tal uma Chama Cromática pra dar um apavoro nele? — sugeriu Tim.
A espada do Megazord inflamou de fogo multicolorido e foi manejada num efetivo golpe nas costas de Arrasa-Quarteirão que explodiu em chamas e faíscas.
— Não me atrapalhem! — disse Arrasa-Quarteirão que virou-se rápido, derrubando o Megazord com as esferas.
— A velocidade desses ataques não permitiu tempo de se defender! — afirmou Damian.
— O Owen precisa vir! — disse Jessie.
Karen contatava o fotógrafo-mirim.
— Owen, na escuta?
— Sim, na escuta. — disse ele em seu quarto — Só passei aqui em casa pra alimentar o Nemo. O pessoal tá com problemas?
— Sem o Austin no Megazord, o time fica bastante fragilizado. Deve ir agora. Estou chamando Flint e Mason também.
— Tá legal, tô indo nessa. — encerrou o contato e sacou sua célula e morfador — Hora de morfar!
Acima de um prédio, o Ranger Verde sacou sua adaga Kong, logo soprando o apito ao chamar o Gorila Esmeralda que saiu do hangar rugindo e correu a caminho do palco da batalha.
Saltou direto ao cockpit. Arrasa-Quarteirão pisava forte no Megazord. Owen surgiu e o atingiu com as tropi-granadas.
— Sai de perto deles, cabeça de nós todos! — disse Owen.
— Minha vez! — disse o Ranger Roxo disparando as ondas vibratórias das asas do zord contra Arrasa-Quarteirão, contudo os ataques em nada o afetaram — Ué, ele nem se moveu!
— Mason, as ondas ultrassônicas não o ferem devido a composição orgânica do corpo dele. — explicou Karen — Flint, na escuta?
— Diz aí que eu tô ouvindo, gata!
— Há um prédio nessa área onde detecto presença humana... — Karen ampliou a visão do radar — Meu Deus... Mas é a Wanessa Higgs.
— O quê? Mas ela tá na audiência. — disse Zoe.
— A verdadeira Wanessa não. — disse Karen.
— Então a que está lá no julgamento é uma farsante! — disse Damian.
— Owen e Flint, se unam para salva-la, depressa. O prédio vai desabar em poucos minutos. Ela precisa ir ao tribunal desmascarar a falsária antes que seja tarde pra Dickerson e Austin.
O gorila e o urso corriam juntos rumo ao prédio. Wanessa desesperava-se, esquivando dos pedaços do teto que cediam.
— Socorro! Alguém me tira daqui!
O chão se inclinou perigosamente, fazendo-a deslizar a uma queda de doze metros. O gorila segurou a parte superior como alicerce enquanto Flint saiu do cockpit frente ao andar em que Wanessa estava.
— Vem, pula! — a chamou.
— Não dá, não vou conseguir!
O Ranger Marrom resolveu saltar ao andar, a inclinação do chão piorando. A agarrou consigo.
— Segura firme hein. Nossa, você é mais linda de perto do que na Internet.
— Ahn... Obrigada. — ela sorriu tímida.
— Ei, você roubou minha cantada, Flint. — resmungou Tim.
Flint e Wanessa saltaram para fora do prédio até a cabeça o zord que se afastou antes do prédio desabar.
— Amigão, ajuda aí a galera que eu vou levar a princesa até o julgamento. — disse Flint.
— OK, boa sorte! — respondeu Mason.
— Owen, hora de se juntar a nós! Ativar conexão Megazord! — acionou Jessie.
O Gorila Esmeralda fixou suas partes ao robô, formando o Megazord Z x2.
— Você lidera agora, Owen. — falara Jessie.
— Valeu! Que tal uma lança de dois gumes pra quebrar em mil pedaços?
— Dupla Lança Selvagem! — bradaram os Rangers em uníssono.
A arma surgira nas mãos do robô é foi maejada em golpes precisos dos quais o monstro defendia-se, mas sofrendo danos na esferas no lugar das mãos.
Uma ponta da lança foi movida contra ele girando, atingindo o meio da cabeça e causando rachadura.
— Rangers, uma novidade: o Morcego Púrpura pode se combinar ao Megazord e oferecer voo com os ataques ultrassônicos. — avisara Karen.
— Aí sim! Ativar conexão Megazord! — disse Owen — Vem pra cá, Mason!
O Morcego Púrpura fixou-se as costas do robô, abrindo mais suas asas que cresceram.
— Megazord Z x2.5!
— E aí, turma? Cabe mais um aqui? — disse Mason surgindo no seu terminal no cockpit.
— Sempre cabe. — falou Jessie.
O Megazord avançou em voo desviando dos ataques, logo emitindo as ondas vibrantes das asas, o monstro sendo quebrado em uns pontos do corpo.
— Não, minha pele indestrutível... se quebrando desse jeito é horrível!
— Indestrutível nada! Você é nosso saco de pancadas! — disse Tim.
— Por falar em saco de pancadas, o protezord Javali pode reforçar essa condição! — disse Damian — Protezord Javali, venha!
O suíno robótico veio pulando entre os prédios, logo separando-se em duas partes que formavam brocas perfuradoras.
— Não, fiquem longe de mim, essas coisas machucam! — gritou o monstro.
— Modo Velox 2.5! — a envergadura do robô reduziu para maior flexibilidade.
O Megazord atacava velozmente com as brocas como um pugilista.
— Mais fácil que picar cebola! — disse Owen.
Arrasa-Quarteirão foi cambaleando para trás salpicando faíscas até cair e explodir fatalmente. Os Rangers comemoraram.
— Não celebrem tão cedo, Power Pirralhos, o julgamento está no ápice dramático, hahahaha! — disse Lokknon.
— Eu não diria isso com tanta certeza, mestre! — disse Barooma, mostrando imagens de Flint e a legítima Wanessa Higgs entrando no tribunal.
— Ah, maldição! Traga minha aspirina e desligue isso, Mudok, esse julgamento virará um show de horrores!
O juiz Harrington pressionou Dickerson:
— Dr. Stanford, não relute em abrir a maleta a menos que prefira um dos meus guardas abrindo.
— Não há nada para ser provado, eu sou advogado credenciado, confirme isso com a alta cúpula da NASADA, eles tem relações estreitas com a Intercorp há muitos anos.
— Devo ser claro de que isso não foi um pedido! — dissera o juiz.
Dickerson aceitou, após Austin assentir:
— Está bem, meritíssimo. Todos merecem saber a verdade, somente a verdade e nada além da verdade.
— E a verdade aqui está! — disse a real Wanessa adentrando de súbito no tribunal com Flint.
O juiz reagiu estupefato:
— Ma-mas... alguém pode me explicar o que está havendo aqui? Uma sósia da Srta. Higgs, é isso? São gêmeas?
As duas Wanessas se confrontaram, apontando uma para a outra:
— Ela é uma impostora! — disseram ambas.
— Vou suspender essa seção se nada for esclarecido! — cogitou Harrington.
Flint interveio:
— Sr. juiz, ela veio comigo, acabei de salvar ela de um prédio que tava desabando, ficou presa lá depois de um sequestro.
— Acredito nele! — disse Dickerson.
— Claro, está pagando seus honorários. — retrucou a falsária.
— Quem me paga são os chefes da Intercorp.
Austin se pronunciou:
— Então a real Wanessa foi sequestrada por um capanga do Lokknon que mandou outro se passar por ela, pelos assistentes e o advogado.
Os outros Rangers surgiram em teleporte.
— Amigos, que bom que vieram! Nós vencemos. — falara Austin.
— O julgamento não foi decidido ainda. — contrapôs Harrington.
— Mas a Wanessa real é a que veio com o Ranger Marrom. — disse Jessie.
— E usurpada pela impostora que trabalha para Lokknon. — disse Damian, que se voltou para a impostora — Chega, sua mentira não se sustenta mais... Aracna.
— É, o jogo acabou! — reforçou Tim.
— Aracna?! Me sinto ofendida. — disse Enckantess revelando-se — Vocês ainda verão meu imperador dominar este planetinha ordinário.
— Mas quem é você? — indagou Zoe.
— Prazer, me chamem de Enckantess. A futura rainha de Nemethea. As vésperas de noivar com meu amado e magnífico Lokknon.
— Noiva do Lokknon?! — disse Austin, surpreso.
— Que péssimo gosto ele tem pra mulheres. — disparou Jessie.
— Um cara todo de preto me levou para aquele prédio, parecia um androide ou coisa desse tipo. — relatou Wanessa.
— Esse é o Mudok, não havia ninguém melhor para essa tarefa. — disse Enckantess.
Flint questionou o falso advogado:
— Se você é a patroa do Lokknon, então quem é o falso advogado?
— Barooma? — Zoe deu seu palpite.
— Incorreto. — disse Theron, desnudando a farsa. — Sou eu, Theron, serviçal do mestre Lokknon.
— Além de uma noiva, o cara tem um mordomo?! Ele deve ser bom de vida. — comentou Mason.
Dickerson tentou se aproximar de Theron, mas Austin o deteve.
— Espera, esse não é mais o Theron que o senhor conhecia. — disse Austin.
— Verdade, se percebe que ele foi mesmo reprogramado para servir ao Lokknon. — disse Damian.
— Theron, não me reconhece mais? Não conserva nenhuma lembrança? As nossas viagens, as boas conversas, os jantares incríveis que você preparava em casa... nada mesmo?
— Lamento, mas não consta nos meus arquivos nenhuma vivência entre nós dois. Não sou seu criado, sou seu inimigo tal qual meu honorável mestre.
Os assistentes revelaram-se Psycho-Bots. O juiz interveio:
— Não haverá confronto direto no meu tribunal! Levem isso para fora do recinto!
— Tudo bem, juizinho, não vamos lutar. Nosso plano maligno afundou, mas valeu a tentativa. Tchauzinho! — disse Enckantess, teleportando-se junto a Theron e os soldados.
O juiz perguntou à blogueira:
— Há algo que a Srta. Higgs tenha a dizer?
Wanessa, emocionada, defendeu os Rangers:
— Eu só queria dizer que... eu jamais faria uma campanha de ódio contra os Power Rangers. Mesmo que eu não fale deles no meu canal na internet, eu me declaro uma fã incondicional.
— Ela é muito mais bela por dentro. — disse Tim.
O juiz insistiu na questão dos danos:
— Mas existe realmente uma queixa de sua parte em relação ao trabalho dos Rangers?
— Eu sei que as vezes o governo paga o preço de tanta destruição, mas os Rangers não são culpados da maioria delas. Eles fazem o melhor que podem. Até heróis não são perfeitos. E quer saber? Nem precisam.
— Wanessa, nós agradecemos de coração. — disse Austin.
— Essas palavras são muito gratificantes. — falou Zoe.
— A primeira coisa que vou fazer quando acessar meu canal é apagar o vídeo que detonou a imagem de vocês. É a minha retribuição.
Dickerson finalizou a defesa:
— Meritíssimo, o protocolo de evacuação segue efetivo em todas as ocorrências de ataques alienígenas. Os dados que a impostora divulgou são falsos. Se houveram perdas fatais, os Rangers certamente não foram a causa direta delas.
O juiz questionou a preparação deles, mas com um sorriso:
— Estão mesmo empenhados e preparados para seguirem no combate ao crime?
— Nossas idades são meramente números. — disse Damian.
— A gente é craque no que faz, os melhores da nossa geração. — reforçou Tim.
— Então são mesmo crianças da Alameda dos Anjos... Mas não se preocupem, mantenham seus anonimatos, não é da minha ética força-los a violarem esse código. Levando em conta as circunstâncias, o julgamento está... cancelado.
Wanessa sugeriu, animada:
— Selfie coletiva?
— É claro, haha! — disse Austin.
— Essa vai pro álbum famosidades do ano. — disse a blogueira, no meio dos heróis, abrindo um largo sorriso e registrando a selfie mais icônica de sua carreira.
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