Power High
9 Capitulo 9
Notas iniciais
/Um mês depois, Refeitório de Power High, 10:40/
Elena e Manuella estavam sentadas, somente as duas na mesa que costumava ser do grupo todo em questão. Parecia que todos andavam bem ocupados ultimamente.
— Tom está aonde? – A ruiva perguntou para a menor sentada a sua frente que comia uma maçã.
— Está lidando com um super traje para o Connor, aí está empenhado e antes que pergunte, Sohye está fazendo coisas de presidente do grêmio e Ivon está se preparando para pegar o vôo para Berlim. – Manuella explicou antes mesmo de Elena continuar.
— Pelo visto nós duas sobramos. — Elena comentou amena, sabia que os outros tinham suas ocupações e não era um simples café da manhã que os faria parar. – Vai participar de alguma modalidade esse ano?
— Não. – Respondeu sorrindo. – Esse ano eu vou narrar.
— Sério? – Elena conteve um riso.
— Qual a graça? – Manuella perguntou, mas não deu tempo da ruiva responder. – Já sei, minha voz não é exatamente como a do Galvão Bueno ou de qualquer outro locutor, minha voz é fofa demais para narrar eventos desportivos de alunos, mas acredite, existe muita eloquência por trás desse rostinho fofo.
— Número um, você realmente tem uma voz fofa. – Pontuou Elena. – Segundo, sim não imagino você narrando algo e terceiro, quem é Galvão Bueno?
— É um narrador de futebol do Brasil. – Manuella revirou os olhos como se fosse óbvio. – Você como medalhista olímpica júnior deveria saber.
— Ser incrível não tem nada haver com saber o nome de um narrador. – Elena riu. – Vou competir na ginástica de novo.
— Tricampeã esse ano? – Manu perguntou, mas já sabia a resposta.
— Exato, só não posso perder o foco. – Elena sabia da grade de competidores das fraternidades, mas nenhum deles seria capaz de derrotá-la, se era boa o suficiente para derrotar Ivon diversas vezes sempre seria a melhor.
/Laboratório de mecânica, 10:50/
Tom acabara de descobrir o quão difícil era criar um super traje que não pegasse fogo, o flex steel era a única opção porém teria que haver uma liga de gadolínio (Um dos metais mais resistentes a altas temperaturas),para não queimar no corpo do amigo, que passara a treinar sozinho a duas semanas, apenas seguindo as instruções de Tom. Ligando o gravador do celular e indo em direção a um lança chama o qual soltou a válvula de segurança.
— Teste número vinte e oito, super traje do... ainda vou pensar em um nome de herói. – Tom disparou o fogo contra o traje que permaneceu intacto a alta temperatura gerada pela chama continua. – Isso! Quer dizer... O traje apresentou cem porcento de resistência, está pronto para testes físicos na cobaia... Volcano!
O rapaz colocou o traje dentro da maleta e a colocou dentro de seu armário, mais tarde a levaria até o piromante.
/Aula de artes marciais, 11:20/
— Olha quem chegou. – Elena apontou para Tom que entrava no dojo com a roupa de ginástica. – Parabéns, você quase se atrasou. – Sussurrou continuando seu alongamento. – Não acha que está investindo demais no Connor e se esquecendo de você?
— Claro que não. – O rapaz começou a se alongar. – Ainda consigo treinar minha artilharia.
— Sabe que esse anos os alvos são móveis não é? – Manuella perguntou. – Você tipo, vai precisar se esquivar e disparar durante um percurso de cem metros.
— Tá brincando? – Tom perguntou incrédulo. – Isso aumenta o desafio, vai ser incrível.
— Mais incrível. – Elena se levantou forçando a abertura do amigo com os pés que gemeu de dor – Se esforce.
— Você é má. –Respondeu o moreno contendo a dor.
— Posso te ajudar com o treinamento se precisar. – Manuella se ofereceu.
— Não precisa. Tenho o alvo móvel perfeito para a ocasião. – Tom sorriu se levantando.
— Alunos façam um quadrado aqui! –Butcher ordenou. – Vamos voltar na matéria de utilização do poder em forma de combate, é uma maneira de surpreender. – O professor apontou um caixote de aço. – Vêem a caixa? Quero acertos nas laterais e na parte de trás, porém, usem o poder ralo, não quero a variação que inventaram ou o aperfeiçoamento. O inimigo espera por algo incrível e isso fará com que percam. – O espanhol passou os olhos pela classe. – Thomas, vai primeiro, está pronto?
— Sim professor. – O rapaz tirou os óculos se acostumando com a claridade do local, seus olhos começaram a brilhar vermelhos.
— Pode utilizar a sala toda. – Avisou Butcher. – Comece.
Tom correu para a lateral do dojo utilizando uma das paredes para dar dois passos sobre ela e se impulsionar para um chute parafuso,usando o poder durante seu giro paradisparar o laser direto e reto contra a lateral esquerda acertando o chute na parte traseira do caixote.
— Muito bem. – Elogiou Butcher. – Senhorita Carvalho, por favor.
— Sim senhor. – Manu esperou o sinal e avançou contra a caixa executando um chute giratório se mantendo no ar com sua telecinese idêntico a um golpe do jogo street fighter que atingiu os quatro cantos do caixote. –Feito. – Falou fazendo um positivo com o polegar.
Todos os alunos seguiram usando seus poderes até que finalmente chegou a vez de Elena, ela estava obstinada a demonstrar o porque de estar apta para ser uma super heroína.
— Fúria ruiva é a sua vez. – Butcher usava esse apelido com a ruiva que não dava muita importância, sabia que era por conta de suas habilidades que aquilo existia. – Quando quiser.
Elena investiu na direção do caixote de maneira direta, saltou por cima do mesmo com um mortal transversal desferindo um chute direto escurecendo sua pele com seu poder assim partindo o caixote ao meio, em seguida acertou um chute lateral em uma parte e uma cotovelada na outra jogando uma para cada canto da sala.
— Querem só empurrar o inimigo, ou acabar com ele? – Elena perguntou sem obter resposta. – Respondam.
— Obrigado pela demonstração Elena, volte ao seu lugar. – Butcher pediu recebendo um olhar frio de Elena que não desobedeceu. – Mas o que a senhorita Starkov disse é verdade, não deem oportunidade para o oponente, precisamos do que mesmo?
— Garantir a segurança das pessoas. – A classe falou em uníssono.
— E como fazemos isso?
— Com força e inteligência! – A sala gritou.
— Ótimo, agora de volta a aula!
/Berlim, prédio da Allianz, 14:30/
— Parabéns Ivon. – Sombra passou o braço por cima dos ombros do mais novo. – Sobreviveu ao mês de anotações e chatices de escritório, agora você finalmente vai entrar em ação.
— Finalmente! – Ivon sorriu. – Qual vai ser? Roubo de carro, assalto a banco, ataque de kaiju?
— Calma lá garoto. – O mais velho riu. – Você está trabalhando com um herói de infiltração, sei que você é o cara do reconhecimento, mas comigo você vai ser um Ninja silencioso e duvido que consigamos vencer um kaiju, deixa eles para o Comandante e o Jotun.
— Você consegue me broxar de uma maneira. – Ivon revirou os olhos. –Qual a designação?
— Temos uma situação com refém, inimigo super dotado. – Explicou. – Vamos até o pátio pegar a moto e a gente resolve isso.
— Certo!
/Berlim, Hotel Adlon, 14:50/
Ivon e Sombra pararam as motos em frente ao hotel aonde se formava uma zona de contenção por viaturas.
— Qual a situação delegado? – Sombra perguntou.
— Um pequeno grupo anarquista, tem quatro adultos e três crianças lá dentro. – O delegado informou.
— Okay. –Sombra puxou Ivon para perto. – A energia já está cortada, mas um hotel desse tamanha tem gerador, preciso que você desative.
— Pode deixar. – Ivon absorveu uma esfera de borracha. – Mando um sinal no comunicador assim que conseguir.
— Ótimo. – Sombra colocou a máscara. – O gerador fica no subsolo depois do estacionamento.
Ivon assentiu é foi em silêncio em direção a entrada do estacionamento subterrâneo que estava guardada por dois anarquistas. Usando sua inteligência pegou um pedaço de vidro que estava próximo e lançou para longe o que criou uma distração para um dos inimigos deixando outro vulnerável. Apagou o homem com um mata leão e avançou até o outro e acertou um chute na lateral da cabeça o levando a nocaute. Já no nível do gerador haviam três homens. Ivon conseguiria derrubar todos com facilidade.
— Sombra. – Chamou no comunicador. – Começa a conversar com os anarquistas, vou derrubar três deles no gerador.
— Furtivamente ou vai partir para o ataque?
— Ataque. – Respondeu. – Desligo.
Ivon correu na direção inimiga absorvendo um orbe de metal. Os homens perceberam o barulho de ferro batendo e começaram a atirar, seus tiros não surtiram efeito contra a lataria de Ivon que nocauteou os três facilmente com mãos de martelo.
— Hora de desligar. – Caminhou devagar até o gerador absorvendo borracha novamente. – Acabou a luz. –Enfiou a mão nos circuitos do objeto arrebentando os cabos assim fazendo tudo escurecer. – É com você.
/Hotel Adlon, 15:00./
Sombra se teletransportou para o hall de entrada escuro e misturou seu corpo junto a penumbra, facilmente se escondendo e rendendo os inimigo cortando pontos estratégicos de seus braços e pernas impossibilitando o movimento.
— Vão pra saída. –Sussurrou para os reféns vendo um homem se aproximar com um lança granadas. – Se entregue pacificamente, ninguém tem que se ferir.
— Engraçado dizer isso, pra alguém que está com um lança granadas! – Gritou pressionando o gatilho.
— Escolha ruim. – Antes que o projétil saísse pelo cano, Sombra disparou uma shuriken contra o mesmo fazendo a arma explodir no rosto do homem. –Equipe de resgate mandem um paramédico, se é que esse cara ainda está vivo.
/Frente do Hotel Adlon, 15:10/
Ivon estava em Silêncio ao lado de Sombra que respondia as mais diversas perguntas aos jornalistas.
— É verdade que agora você tem um parceiro? – Uma jornalista asiática perguntou com o microfone na cara do homem.
— Não é meu parceiro. – Sombra puxou Ivon para perto de si pelo ombro. – É meu estagiário, que agiu super bem e eu não veria problema em efetivar ele, já deixando essa dica pra empresa né!
— Qual seu nome de herói garoto? – Repórteres se atropelaram aos berros.
— Eu ainda não sou efetivado, mas podem me chamar de... – Teve a boca tapada por uma mão grande.
— Opa, confidencial. – Sombra riu. – Precisamos ir e lembrem, se precisarem contem com a Allianz, heróis de boa fé em aliança pelo bem estar da Alemanha.
/Salão de artes marciais em Power High, 16:00/
Elena socava o boneco de treinamento com foco, golpes precisos que quebrariam ossos. Parou seu treino ao receber repetidas notificações em seu celular. Mensagens de Sohye escritas “olha o seu namorado na TV” seguida de cinco vídeos de Ivon e Sombra dando uma entrevista.
— Realmente não vai demorar muito para ser efetivado depois da formatura. – Mandou o áudio voltando a seu treino.
— O soldado prodígio? – Elena se virou para ver quem era o dono da voz vendo Connor com faixas vermelha amarradas nas mãos.
— Talvez. – Elena revirou os olhos. Achou que estaria sozinha a tarde no salão, mas teria um convidado indesejado que ela tentaria expulsar. – Sabe fazer sombra?
— Se me disser a sequência de golpes eu sei. – Respondeu o loiro batendo no saco de pancadas. – Quer ajuda?
— Só preciso de um sparring mesmo. – Zombou jogando as manoplas para Connor.
— Okay. – Connor sorriu presunçoso colocando-as. – Qual a sequência.
— Direto com a esquerda, cruzado coma direita e chute lateral baixo e alto com a direita.
— Certo.
Connor se posicionou e Elena começou os golpes, fazendo a sequência duas vezes de maneira rápida que o rapaz conseguida acompanhar, mas decidiu que estava na hora de tentar expulsar o convidado. Usou os golpes direto e cruzado com os punhos quando o loiro abaixou as manoplas para receber o chute na panturrilha Elena enrijeceu seus músculos fazendo seu chute derrubar Connor que bateu a cabeça no chão.
— Achei que aguentasse mais. – Elena sorriu zombeteira.
— Quero ver fazer isso de novo... – O britânico falou se levantando e recebendo outro chute. – porra! De novo.
— Se você tá pedindo. – Elena preparou seu chute que foi segurado pelo loiro que a derrubou no chão executando uma chave de perna. – Talentoso. –Elena escapou da chave. – Mas não muito.
— Só queria provar que consigo defender o seu... – Foi interrompido de levantar por outro chute. –Chute.
— Desiste?
— Essa palavra não está no meu vocabulário. – Connor se levantou. – Mas prefiro treinar sozinho do que ser seu saco de pancada.
— Justo. – Elena ameaçou outro chute que o loiro deu um pulo para evitar fazendo a russa rir. –Bom reflexo.
— Eu sei. – Caminhou até o outro canto do salão.
Elena seguiu seus afazeres ali percebendo que não dava para se livrar do menino do chá da tarde. Seguiu seu cronograma mas com uma estranha sensação de estar sendo observada.
/Dormitório feminino, 16:30/
Luna pregava na parede o exame de biologia em que tinha tirado dez e adicionava o lembrete mental de agradecer Sohye assim que a visse. Saiu andando distraída pelo corredor e esbarrou em alguém.
— Desculpe. – Pediu analisando a pequena pessoa. – Não vi você.
— Tudo bem. – Sorriu. – Você é Luna né? Amiga da Sohye, sou amiga dela também, o que faz da gente quase amigas, mas seria estranho porque a gente nunca se falou antes...
— Sim. – Luna cortou a menor. – Você é a Manuella não é? Sohye já me falou de você. – Luna se recordava de Sohye ter contado que Manu era faladora.
— Manuella é muito formal. – Falou fazendo uma careta. – Só Manu está bom.
— Okay Manu. – Luna sorriu. – Você sabe aonde a Sohye está?
— Resolvendo assuntos do grêmio. – Explicou voltando a caminhar. – Ela está na sala do grêmio.
— Okay. Muito obrigada. – Manu sorriu e voltou sua caminhada. – Nem dá pra acreditar que essa pessoa delicada consegue espremer glassine com a mente. – Luna falou sozinha lembrando do salvamento do cidadão do ano retrasado em que Manu espremeu a porta de uma jaula de aço sem nem tocar nela. Não era hora de focar nisso, ela precisava achar Sohye.
/Dormitório masculino, 17:00/
Kyle caminha até seu quarto quando seu telefone tocou, não devia ser ninguém importante então não atendeu. Passou pelo quarto de Connor, estava difícil achar o amigo parado por lá. Sohye e ele não se falavam a algumas semanas nem mesmo quando seu poder entrara em pico fazendo-o fumar um baseado escondido. Entrou em seu quarto largando o celular em cima da cama para tomar um banho. Ao entrar no banheiro o aparelho começou a tocar novamente.
— Espero que seja importante. – Voltou para o quarto pegando o aparelho “Tia Nora.” – Alô tia Nora... O que?
/22:40/
Tom estava ansioso, estava indo mostrar seu trabalho a Connor e esperava que o amigo apreciasse, porque se reclamasse iria levar laser na bunda por um mês. Parou em frente à porta de madeira que esboçava um adesivo de dedo médio escrito “cai fora". Bateu na porta aguardando o amigo que abriu a porta liberando a visão de um Connor sem camisa e bermuda do coragem o cão covarde que fez Tom segurar o riso.
— Boa noite. – Connor falou confuso. – Sabe que tá tarde né?
— Então posso entregar o seu traje amanhã. – O moreno brincou levantando a maleta com um adesivo escrito “Volcano".
— Sério? – O britânico tomou a maleta em suas mãos. – Obrigado cara, vou precisar dele pra mostra de poderes da fraternidade.
— Relaxa, vai dar tudo certo, você se esforçou pra caramba. – Tom animou o amigo. – Sobre o traje. Ele é cem porcento a prova de fogo, não vai queimar no seu corpo.
— É bom saber disso. – Connor sorriu.
— Era só isso, então amanhã te espero para o nosso treinamento pra teste mecânico do traje .
— Sim senhor. – Connor fez uma continência e esperou o amigo sair para fechar a porta. Quando caminhou de volta para sua cama deixando a maleta ao lado da mesma a porta foi batida novamente. – Esqueceu de deixar minha capa? – Falou abrindo a porta recebendo outra figura no lugar de tom. – Kyle...
— Preciso da sua ajuda.
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