Power High
5 Capitulo 5
Notas iniciais
/Dormitório masculino 00:33/
Tom não conseguia acreditar no que estava vendo. Era tarde da noite e o amigo interrompera seu sono.
— Não podia esperar até amanhã? – Perguntou coçando os olhos. – É quase uma da manhã.
— Não. – Respondeu Connor ríspido. – Pode me fazer um favor?
— Depende do que vai pedir. – Respondeu colocando as mãos nos bolsos da calça de moletom azul marinho.
— Pode me ajudar a treinar? – Perguntou. – Vai ter uma audição de poderes para combatente da Bite Bones e eu quero entrar.
— Por que não pede ajuda pro seu novo amigo? –Rebateu Tom, não queria tratar Connor dessa maneira, mas não gostava muito da companhia com quem ele estava se misturando.
— O Kyle não tem a mesma experiência que você. – Admitiu o loiro se escorando na parede ao lado da porta. – Por favor.
— Não acha que tá levando esse embate com o Ivon pro lado pessoal? – O moreno fechou a porta e se sentou no chão se recostando na mesma.
— Não. – Respondeu rápido. – Só quero provar que sou melhor que ele.
— Sabe que é uma tarefa difícil né? – Provocou.
— Não se alguém me ajudar. – Apontou para o amigo sentado. – Qual é, por favor.
— Connor eu... – O olhar inquieto do piromante estava botando pressão em Tom, não sabia o que fazer, mas não iria deixar um amigo na mão. – Okay, mas é o seguinte. Você vai fazer tudo o que eu disser, sem reclamar, sem insultos ou corpo mole. Entendeu?
— Sim senhor. – Brincou Connor batendo uma continência.
— Todo dia depois da aula, na área verde. – Explicou o moreno se levantando. – E quinta-feira no lago as 14:00 Okay?
— Não posso esse horário... – Connor coçou a nuca. – Tenho um compromisso fixo.
— Como é, o que tem de tão importante? –Tom observou o amigo inquieto e percebeu ser uma coisa que o loiro não se sentiria tranquilo contando. – Então as 16:00.
— Pode deixar. – Connor deu as costas e começou a caminhar, mas em uma parada súbita se virou para Tom. – Obrigado.
Tom sorriu e voltou para dentro de seu quarto. Sabia desde o início que ajudaria Connor, principalmente se fosse para mantê-lo afastado de Kyle e de encrencas com Ivon nas quais ele perderia novamente. Não sabia ao certo como iria ser ensinar uma pessoa tão teimosa, mas seria algo que ele faria.
/Biblioteca, 15:30/
Sentado em meio a uma roda de crianças com as mais engraçadas, desesperadas e admiradas expressões, Ivon fazia esse trabalho toda sexta, lia histórias para os mais jovens de Power High, todos com seus seis a oito anos de idade. O rapaz se divertia lendo e fazendo pequenas figuras com sua mão de ferro.
— Mas eles sobreviveram ao impacto? – Um pequeno menino loiro de olhos castanhos perguntou.
— Claro que sim. – Ivon respondeu com entusiasmo. – O comandante veio com sua força e chutou o míssil para fora da atmosfera, salvando toda a cidade de Bangkok.
— O comandante é demais. – Uma garota comentou. – Você quer ser que nem ele tio Ivon?
— É um plano. – sorriu o moreno fechando o gibi. –Espero ser tão bom quanto.
— Você vai salvar o mundo? – Três crianças perguntaram ao mesmo tempo.
— Vamos pensar pequeno antes né? – Riu afagando os cabelos de um dos garotos. – Vamos começar com Power High. – Olhem um ataque de míssil. – Ivon apontou para um lado aonde vinha um pequeno míssil de madeira flutuante. – Rápido pessoal se escondam.
As crianças foram para trás de Ivon que criou um pequeno escudo com sua mão de metal que ao se chocar contra o objeto de madeira fez o mesmo virar pó de serragem.
— O tio Ivon salvou a gente! – As crianças gritavam e aplaudiam.
Ivon adorava fazer esse tipo de trabalho. Contar histórias, fazer as crianças serem crianças, terem a oportunidade que ele não teve.
Após as crianças irem embora Ivon pegava uma vassoura e uma pá para varrer a sujeira do pó que ficara no chão.
— Você fica tão fofo de dona de casa. – Elena comentou se aproximando junto de Manuella.
— Fico não é? – Ivon riu baixo. – Aliás, obrigado Manu por controlar o míssil e esfarelar ele.
— Não foi nada. – Sorriu a brasileira. – Você é o herói dessas crianças... depois do comandante é claro.
— Ele é. – Elena sorriu para o amigo que respondeu o gesto sorrindo e se aproximando da ruiva.
— Tá fazendo o que aqui? – Perguntou com a pá e a vassoura em mãos.
— Vim ouvir sua história sobre o míssil de Bangkok e te chamar para me ajudar com um projeto de mecânica. – Ivon revirou os olhos rindo. – Que foi?
— Qual vai ser dessa vez? – Perguntou. – Micro compressão pro traje sair de um anel?
— Não, só termina de limpar a bagunça e me encontra lá.
/Laboratório de mecânica 15:45/
Ao entrar Ivon viu a cabeleira ruiva e já foi a seu encontro.
— E então... – Se sentou ao lado da ruiva. – Qual o grande projeto?
— Você vai começar a estagiar na segunda não é? – Perguntou rápido, essa era sua ideia, conversar sobre o estágio.
— Vou... – Respondeu o moreno sem entender. – Mas por que essa pergunta?
— Sei lá, você vai ficar dois meses só durante o período da manhã aqui e depois vai pra Berlim estagiar, vai voltar só a noite e a gente nem vai se falar e... – A ruiva é interrompida por um par de mãos que seguram seu rosto.
— Calma. – Os olhos azuis de Elena se encontraram com os orbes castanhos do moreno. –Acalmou?
— Eu sei que parece ridículo, mas acho que vou sentir sua falta. – Admitiu a ruiva – A gente tá sempre andando junto.
— É pro meu currículo. – Explicou. –Preciso disso pra tentar ser efetivado pra ter uma chance de ir para...
— Entra na Sberbank. Você só fala nisso. – Reclamou a ruiva.
— Elena qual o problema? –Ivon se levantou. – Tá agindo feito maluca. Eu não vou abandonar ninguém. – Respondeu elevando o tom de voz.
— Maluca? – A russa sabia a maneira que estava agindo, o período em que estava ainda não era dos melhores. – Seu... como consegue ser tão imparcial?
— Como é? – Perguntou aparentemente confuso. – Eu só...
— Ivon Zolotoy Lev. – Usou o nome completo se levantando para olhar nos olhos do moreno. –Eu estou aqui, preocupada, com medo de perder o meu melhor amigo, porque ele vai para a desgraça de uma empresa em Berlim todo dia, vai conhecer gente nova e talvez eu não seja mais tão importante para ele e ele simplesmente me diz que estou agindo que nem maluca. – A ruiva respirou fundo tentando conter o choro cobrindo o rosto com as mãos, mas era inevitável, estava emotiva e nesse período seu poder não ajudava nem um pouco.
— Por favor não chora. – Pediu se aproximando sem saber o que fazer. Ivon não sabia lidar com pessoas chorando por isso apenas a abraçou. – Você tá de tpm né? – A ruiva escondeu o rosto no peito do moreno e acenou positivamente com a cabeça. – Relaxa, não vou te abandonar, afinal, quem derrotaria você?
— Cala boca. – Deu um soco fraco no peito do moreno. – Eu te odeio. – Falou afastando o rosto.
— Sei disso. – Ivon sorriu e ambos ficaram se olhando por segundos intermináveis. Começaram a aproximar o rosto um do outro, podiam sentir suas respirações, totalmente entregues a emoção até a música de abertura de “hora de aventura” começar a tocar. – Desculpa. – Ivon pega o celular em mãos “General Zolotoy” é esboçado na tela. – Preciso atender.
— Claro que precisa. – Em seus anos de amizade com o russo Elena, nunca havia cogitado o ato que quase acabara de acontecer. Ainda sentindo o calor familiar do rapaz sumir ao ser liberta de seu abraço Elena secou as lágrimas e se sentou para esperar que ele terminasse sua ligação, nada poderia ficar entre Ivon e seu pai, nem mesmo a ruiva.
/Terraço dormitório feminino 16:00/
— Pode prestar atenção? – Sohye dava uma bronca em Luna por estar com a cabeça em qualquer lugar menos na matéria.
— Desculpa. – Pediu voltando os olhos para o caderno. – Então nosso poder se dá ao vigésimo quarto par de cromossomos e...
— E... – Incentivou gesticulando com a mão. – Luna é a parte mais fácil.
— Eu esqueci. – Admitiu fechando o caderno. –Odeio biologia.
— Não teria esquecido se tivesse ido a aula. – Repreendeu a amiga abrindo o caderno da mesma novamente. –Nascemos com o vigésimo quarto par. Que é ativado após um evento desencadeador.
— Esse evento pode variar né? – Perguntou.
— Sim, vai de pessoa pra pessoa. – Respondeu anotando. – O evento desencadeador é uma situação que faz com que esse vigésimo quarto par se agite e revele o seu poder. – Explicou. – Mas também existem as pessoas que foram feitas em laboratório.
— Quer dizer super dotados né? –Luna se espreguiçou. – Eles injetam o vigésimo quarto?
— Não me faça perguntas difíceis. Isso é uma coisa que não sei. –Sohye fechou seu caderno de biologia e pegou o de ética heroica. – Agora ética.
— Não preciso estudar isso. –A amiga fechou o caderno. – Só preciso elaborar uma boa resposta com quinze linhas que eu garanto um oito.
— Tem certeza? Por que não um dez? – Sorriu a asiática. – Pensa em um número de dois dígitos no seu boletim, que lindo que iria ficar.
— Mas tem dois dígitos no meu boletim. – Sohye ficou confusa. – Sempre tem um zero a esquerda. – Luna riu da própria piada. – Vamos fazer outra coisa. Chega de estudar!
— Mas a gente ainda precisa...
— Fofocar, isso mesmo. – Interrompeu Luna colocando os cadernos de lado. –Pode começar me contando o que a senhorita faz a noite.
— Como é? – Sohye engoliu em seco.
— Eu vi você a algumas noites atrás andando pelo dormitório. – Luna sorriu prepotente. – Vai me contar?
— Eu não faço nada. – Respondeu rápido, mas não o suficiente para enganar a amiga.
— Você não sabe mentir. – Afirmou a italiana. – Não conto pra ninguém.
— Promete? –A asiática sussurrou recebendo um polegar positivo. – Eu vou para a área da piscina para me acalmar.
— Só isso? – Luna riu. – Pensei que estava metida em algum problema.
— Mas é um, estou fora do dormitório em um horário que não devia. –Explicou ficando em pé apoiando-se no parapeito.
— Relaxa, não vou contar. – Falou a morena fazendo como se fechasse um zíper na boca. – Minha boca é um túmulo.
— Obrigada. – Sohye se permitiu respirar aliviada. – Agora mudando de assunto.... como vai sua família?
— Mudando de assunto mesmo. – Luna ficou ao lado da amiga. –Devem estar bem, vou pra casa no Natal. Pietro prometeu que vamos fazer um boneco de neve igual fazíamos antes.
— Que legal. – Família era um assunto desestruturado para Sohye.
— Nenhum sucesso na sua busca? – Luna sabia que a amiga ainda pesquisava sobre sua mãe.
— Nenhum, mas fiquei sabendo que meu padrasto está preso. – O padrasto de Sohye era um vilão Orion Vengeance, a escola mantinha acobertada até hoje a origem da menina.
— Isso é uma boa ou má notícia? – Luna era a única que sabia da origem de Sohye, portanto, tinha um dos maiores segredos da asiática.
— Boa, ele era um babaca. – Sohye fez uma careta, não tinha o costume de xingar, parecia que Kyle era contagioso em relação a ofensas.
— Se você quiser, pode passar o recesso de fim de ano em casa... – Ofereceu Luna. – Você já foi na casa do Tom e da Manu,que tal a minha esse ano?
— Tá falando sério? – Perguntou sorrindo.
— Claro, você é minha melhor amiga. – Luna sorriu de volta para a amiga. –Podemos dar uma de Ana e Elsa e fazer um Olaf.
— Por mim seria ótimo. Amo esse filme. – Sohye sorriu para Luna.
— Então vou avisar que você também vai comigo esse ano. – Luna pegou o celular e começou a discar o número.
— Ainda faltam cinco meses. – Avisou. – Não precisa avisar agora.
— Acredite, vão querer se planejar desde já. – Falou levantando o indicador para Sohye fazer silêncio. –Buongiorno papa...
/Hangar 33 16:28/
Abaixo do casco de um f-35 preto, coberto de graxa estava Tom, fazendo os últimos reparos da aeronave antes de seu exame. O exame seria na semana seguinte, mas o rapaz queria deixar tudo do jeito certo.
— Agora é só apertar isso aqui... – O rapaz apertou as novas velas e procurou pela nova bomba de óleo. – Onde eu deixei essa coisa? – Desceu do pequeno andaime hidráulico e começou a jogar algumas ferramentas atrás da bomba. – Onde foi parar?...
— Tá procurando isso? – Manuella estava ali vestida com um short branco e uma blusinha azul claro com um chinelo Adidas branco. – Bomba de óleo né?
— Isso mesmo eu... – Tom olhou como estava vestido, o jeans velho a regata branca e o coturno surrado. – Tá fazendo o que aqui?
— Resolvi agraciar seus olhos com a minha presença. – Sorriu prendendo os cabelos em um coque. – E resolvi te dar uma força com o avião.
— É um jato. – Corrigiu sorrindo. – Pode me dar essa peça? – Pediu apontando para o objeto nas mãos da morena.
— Claro. – Estendeu a peça para o moreno que ao tentar pegar levou um drible. – Posso te ajudar a colocar?
— Você sabe tipo... mexer em um motor de jato? – Perguntou.
— Posso aprender não é? – Sorriu para o rapaz subindo no andaime. – Vai ser meu professor de mecânica.
— Okay... –Tom a acompanhou e subiu o andaime até o motor do jato.
— Agora, isso vai aonde? – Perguntou olhando para o motor escuro. – Não tem nenhuma luz?
— Pera aí. – Tom tirou os óculos e os fez brilhar vermelhos.
— Meu herói. – Riu Manu.
— Tem que tirar a bomba de óleo velha. – Apontou para o lado inferior direito do motor. – Deixa que eu faço isso. – Tom tirou a peça do local com a ajuda da chave inglesa. – Agora você coloca ela ali.
— Okay. –Manu esticou os braços e encaixou a peça. – Agora preciso dessa chave na sua mão. – Tom entregou a chave para a amiga que apertou a peça. –Achei bem fácil.
— Você chegou na hora fácil. – Falou abaixando o andaime. – Se estivesse aqui para trocar as velas comigo, estaria tão suja quanto eu.
— Que bom que cheguei na hora fácil. – Desceu do andaime olhando as mãos sujas de óleo. – Preciso lavar as mãos.
— É preciso... – Tom ficou estático quando viu Manu se aproximar dele e tocar seu rosto com as mãos. – Tá fazendo o que?
— Um monóculo. –Fez um círculo em volta do olho do moreno com a sujeira preta do óleo. – Parece até um cavalheiro.
— Se eu estivesse com a minha capa você acharia incrível. – Tom riu passando os dedos sujos de graxa no rosto da menor. – Agora precisa lavar o rosto também.
— Somos muito maduros. – Manu comentou sarcástica fazendo o rapaz rir. – Tem mais alguma coisa pra fazer com isso?
— Nope. – Respondeu. –Só preciso Fechar o hangar.
— Então senhor Stamford aceita dar um passeio comigo para tomar um sorvete na lanchonete. –Brincou afetando a voz para parecer um homem cavalheiresco.
— Se parar de falar assim eu aceito.
— Okay, te espero lá fora. – Sorriu caminhando em direção ao portão do hangar deixando o rapaz sozinho.
/Área da piscina 00:55/
Kyle estava sentado na beira da piscina molhando os pés enquanto Sohye boiava na água relaxando, diferente das últimas duas vezes o rapaz não estava fumando o que deixou a asiática curiosa.
— Achei que ia estar cheirando mal hoje. – Provocou nadando até a borda.
— Não, hoje eu não preciso. – Respondeu dando de ombros.
— Então tá aqui por que? –A asiática perguntou curiosa.
— Pra conversar ué. – Sorriu. – Não tinha muita coisa pra fazer no dormitório.
— Podia conversar com o Connor. – Sugeriu. – Vocês são bem parecidos.
— Como assim?
— Sabe... – Sohye procurou as palavras. –Como posso explicar... vocês dois estão sempre com raiva, as vezes desanimados, determinados, assustados, entende? Sentem muitas coisas parecidas.
— Você sonda minhas emoções então? – O moreno perguntou.
— É inevitável, você e ele sentem... muito por assim dizer. – Explicou. – Posso perguntar o por que?
— Quer mesmo saber? – O moreno se levantou.
— Se quiser contar. – Deu de ombros e nadou até o meio da piscina.
— Okay. – Kyle tirou a camiseta expondo a tatuagem de duas asas que pegavam de um ombro ao outro, em seguida deixou o celular do lado da mesma antes de pular na piscina e nadar muito rápido para ficar a frente de Sohye que se assustou com a proximidade. – Vou te contar então.
Fale com o autor