Power High
3 Capitulo 3
Notas iniciais
/Arena de combate holográfico 13:51/
Os russos tomam a largada para iniciar mais um combate para marcar pontos no placar imaginário. Ivon estava determinado a empatar novamente e Elena estava focada em manter sua pontuação atual.
/Minutos antes/
Os jovens se preparavam cada um de suas maneiras. Elena achou estranho Ivon posicionar cinco garrafas d’água de um litro cada.
— Você vai correr até a florida é? – Brincou a ruiva se aproximando.
— Vou te impressionar. – Respondeu Ivon dando uma piscadela. –Tá pronta? Colocou o traje só para eu te derrotar? Me sinto lisonjeado. – Provocou observando a vestimenta da adversária.
O traje de Elena era todo de seda vermelha escura. Consistindo em uma parte longa esvoaçante contida por um corselet a prova de balas, calças compridas, além de, luvas sem dedos e coturnos de cano longo pretos. Já o de Ivon era simples, já que a intenção era deixar seus movimentos livres; o traje inteiro preto de mangas cavadas sem muita proteção pesada, apenas uma liga de titânio na região da espinha, calças táticas e um coturno leve com bicos de aço para aumentar a letalidade de seus chutes.
— Colocou o traje para eu te fazer beijar o chão? Que atencioso da sua parte. –Retrucou bagunçando os cabelos do rapaz.
— Vão para os seus cantos, chega de namorico sem sentido. – Reclamou Sohye. – E acabem logo, tenho uma reunião com grêmio ainda hoje.
— Sim senhora capitã! – Responderam os russos em uníssono.
/Presente/
Os olhares se cruzaram quando ambos investiram para o combate. Ivon sabia que precisava se manter fora do foco das mãos de Elena, era de lá que saíam as ondas biocinéticas, não queria perder para seu próprio punho de novo. Quando o rapaz se aproximou o suficiente, em um movimento ágil deslizou no chão para se levantar e segurar Elena pela cintura com braço esquerdo jogando-a contra o piso frio. Em resposta a ruiva enrijeceu sua pele com auxílio de seu poder acertando um poderoso soco na pele de metal que amassou com o golpe. Ivon girou por cima do corpo da ruiva ficando cara a cara com a mesma preparando um soco que se não fosse desviado pelas mãos da mesma, teria levado-a a nocaute. Ivon queria encerrar logo, mas isso não fazia o estilo de Elena, ela queria fazer seu espetáculo perdurar.Com um salto gracioso Elena passou por cima do rapaz para em seguida desferir um chute lateral que foi facilmente bloqueado.
— Previsível. – Provocou segurando a perna esquerda da ruiva próxima ao rosto.
— Ainda tenho outra perna. – Em um rápido giro Elena atingiu o rosto do rapaz com sua perna direita que fez outro amassado agora no rosto. Elena observou os amassados diminuírem e voltarem a ser metal polido. – Isso sempre é nojento. – Ivon levantou o dedo médio em resposta e transformou os braços em lâminas. – Okay.
Um sequência de ataques frontais e laterais foi aplicada, Elena se esquivava e quando era obrigada usava seu poder para desviar as lâminas com as mãos. Ivon juntou as mãos fazendo uma grande lâmina e atacou com um golpe giratório. Elena viu a lâmina chegar próxima a seu rosto quando se esquivou com um cambré, porém não conseguiu evitar que algumas mechas ruivas fossem cortadas.
— Chega! – Elena projetou as mãos paralisando Ivon. – Olha onde estamos de novo. – Provocou se aproximando. – Você cortou meu cabelo. – Reclamou acertando um chute no estômago do rapaz que ficou imóvel. – Quer desistir agora?
— Nem ferrando ruiva! – Ivon avançou contra Elena acertando uma joelhada em suas costelas, em seguida um soco na boca do estômago que foi recebido com louvor. Elena não entendia como ele havia escapado de seu controle, levantou a guarda para defender os golpes dos punhos ágeis de Ivon. A guarda baixou e Ivon aproveitou a oportunidade para encerrar a luta com uma joelhada no estômago da ruiva e imobilizá-la em ummata leão. – Desiste?
— Sabe que não! – Pigarreou Elena tentando se soltar, mas estava fraca por conta dos golpes recebidos.
— Então vou forçar sua desistência. – Seu braço começou a se transformar num metal preto. – Desiste?
— Não. – Desferiu cotoveladas nas costelas do rapaz na intenção de se soltar, mas estava duro, muito mais duro.
— Você não vai conseguir se soltar de glassine. – Onde ele havia arrumado glassine? Elena se perguntou internamente. – Desiste logo!
— Não... – O fôlego estava se esvaindo, as palavras estavam difíceis de serem pronunciadas. – Okay... – Falou a ruiva com dificuldade e foi liberta do aperto caindo no chão tossindo.
— E o placar empatou de novo. – Sohye encerrou a luta. – Agora se me dão licença, tenho uma reunião.
Elena estava curiosa, glassine e imunidade a biocinese, não eram coisas normais, Ivon havia se preparado para essa batalha.
— Como fez aquilo. – A ruiva finalmente se levantou e caminhou até Ivon que bebia a água de uma das garrafas como se sua vida dependesse disso.
— Como fiz o que? – Perguntou abrindo a segunda garrafa.
— Resistiu ao meu poder e conseguiu glassine? – Elena estranhou a sede insaciável. – E porque está bebendo tanta água?
— Meu pai me deu o glassine. – Essa era nova matéria que Ivon havia dito para a ruiva. – Ainda está instável, não é tão fácil domar o minério mais duro do mundo. Então só consigo focar em algumas partes do corpo.
— E com o resistiu ao meu poder? – Perguntou inquieta. – Virou um robô por acaso?
— Aprendi uma coisa nova. – Respondeu abrindo a terceira garrafa. – Agora eu consigo cristalizar meu sangue com o material que estou usando, o que você tentou controlar foram cristais de metal. – Explicou. – Mas o porém é que isso me desidrata e quase seca minhas veias, então preciso de cinco ou mais litros de água.
— Então é isso? – Incrédula era a palavra certa para definir sua sensação no momento. – Então se eu lutar com você agora eu venceria?
— Provavelmente sim. – Respondeu sorrindo após tomar o último gole da terceira garrafa. – Por isso precisava acabar com você logo, não dá pra sustentar essa habilidade por muito tempo.
— Você é inacreditável. – A ruiva esboçou um sorriso sincero que foi correspondido pelo moreno.
— Você também. – Os olhares se encontraram por um breve momento onde ambos enxergaram a si mesmos naíris do olhos, parecia até magia, e quem diria o contrário? – Bom... Relatório de combate.
— Okay. – Elena odiava o relatório, principalmente quando era ela quem havia perdido.
— Qual foi o seu erro? – Ivon perguntou aguardando a resposta da ruiva.
— Subestimar o inimigo por resultados antecessores. – Respondeu ríspida.
— Qual foi meu acerto? – Tentou conter um sorriso, mas foi em vão.
— Planejamento de combate. – Ao ver o sorriso no rosto do russo a garota segura seu rosto com a mão e o empurra em um gesto carinhoso. – Te odeio insuportável.
— Também te odeio. – Gargalhou diante do gesto. – Parabéns, foi uma boa luta. – Ivon estendeu a mão.
— Foi sim. – O choque familiar entre as mãos ocorreu. Eram rivais, amigos, parceiros de combate.
/Sala do grêmio estudantil 14:10/
Sohye se encontrava em meio a uma discussão sobre o que seria feito esse ano no festival de outono. A gritaria na sala e as discussões mexiam com sua cabeça, o misto de emoções deixava seu corpo carregado. Perguntas e gritos frequentes estavam deixando a presidente estressada.
— Esse ano vamos inovar okay! – Falou alterando o tom de sua voz. – Sim, faremos barracas e jogos, mas esse ano eu queria uma coisa em especial. – A sala que estava aos berros agora estava em silêncio. – Vamos usar uma paleta de cores mais alegres e vamos decorar o chão com algumas trilhas de folhas coloridas. Vai parecer o outono,mais alegre e menos mórbido! –A bancada do grêmio concordou, Sohye ficou feliz com isso, fazer algo relacionado a seu gosto pessoal por paisagensseria excelente. – Agora vamos aos assuntos sobre o problema com.... – Sohye sentiu líquido quente escorrer de seu nariz.
— Presidente seu...
— Eu sei. – Falou colocando a mão sobre o nariz sangrando, era normal acontecer quando usava muito de seu poder para controlar uma situação desregulada como essa. A empatia era uma arma perfeita nesse momento. – Com licença. – A asiática se levantou. – Vou ao toalete e já... – Não conseguiu terminar afrase antes de tudo escurecer.
/Enfermaria 15:00/
Os olhos da menina se abriram pesadamente, enxergando um vulto que se tornou nítido em segundos. Era Tom, o mais velho sempre se preocupara com ela.
— O pessoal do grêmio disse que você desmaiou, está tudo bem? – Perguntou aparentemente preocupado.
— Eu tô bem. Respondeu. – Devia ver o outro cara.
— O chão em que você bateu a cabeça? – Brincou o moreno. – Forçou demais de novo?
— Eles não ficavam quietos, eu tinha que fazer alguma coisa. – Reclamou se sentando na maca. – Senão não teríamos decidido nada! Tá que só decidimos uma coisa, mas é melhor do que nada.
— Eu sei, relaxa. – Falou levantando o travesseiro da menor. – Só pega mais leve.
— Eu sei. – Concordou Sohye. – Não quero preocupar você, ou quero? – Provocou dando uma cotovelada no braço do rapaz. – Como vocês estão aliás?
— Não sei do que tá falando. – Tom se fez de desentendido.
— Você não me engana. – Afirmou. – Você e Manuella.
— Antes que você me bombardeie de perguntas. – Falou se levantando. – Estou indo. – Deu um peteleco na testa da menor que acariciou o local atingido. – Cuida disso aí.
— Thomas Stamford você me deve explicações!
/Corredores 15:10/
Thomas saiu da enfermaria rindo dos mil nomes que Sohye o estava chamando, adorava ver a amiga com raiva.
— A conversa foi boa? – Manuella, uma garota baixinha e magra, porém, com traços femininos bem visíveis, olhos e cabelos castanhos que chegavam até metade das costas.
— Foi. – Afirmou se aproximando. – Ela está melhor.
— Que bom. – Sorriu para Tom. – Lembro quando essas coisas acontecem comigo, meu nariz sangra a cabeça dói e as vezes eu fico com náuseas, dependendo do tempo posso até vomitar e...
— Vamos andando? – Interrompeu o rapaz. – Ainda tenho que passar no Hangar 33 para entregar a autorização do exame de pilotagem.
— Ótimo. – Sorriu mexendo nos cabelos. – Vou com você porque não tenho nada melhor para fazer.
— Me sinto até honrado. – Brincou.
— Só vamos logo! – Ordenou puxando o rapaz pela manga do camisão xadrez vermelho.
A relação do estadunidense com a brasileira era regada a conversas sem sentido que Manu inventava sobre teorias da conspiração sobre qualquer coisa, Tom sempre era obrigado a cortar o assunto senão a garota falaria por horas sem parar, mas adorava ouvir a mesma falar. Para ela Tom sempre seria um bom ouvinte, mas ela não precisava saber disso agora.
/Sala de detenção 17:30/
A sala estava vazia. Capacidade para quinze pessoas e apenas duas estavam ali. Connor ficava olhando de um lado para o outro sem ter o que fazer, vez e outra olhava para a garota que estava compartilhando a sala com ele.
— Ei. – Resolveu tentar um contato, mas não obteve resposta. – Ei! – Chamou de novo sem sucesso. – Você por acaso é surda?
— Não. – Respondeu. – E você é burro?
— Não, por que? – Perguntou.
— Quando uma pessoa não responde duas vezes é porque não está querendo falar. – Explicou sem olhar para Connor.
— Mas agora está falando comigo. – Provocou.
— Está aqui por ser super irritante? – Rebateu.
— Quase botei fogo na sala de aula, e você? – Revelou se levantando e caminhando para se sentar ao lado da morena.
— Não é da sua conta. – Respondeu se virando para observar o piromaníaco. – Luna.
— Connor. – Se apresentaram. –Entrou na minha turma não é?
— Olha... ele é um stalker. – Comentou sarcástica.
— Só te vi na primeira aula. – Admitiu.
— Faz sentido. – Revirou os olhos voltando-se para frente.
— Talvez essa porcaria passe mais rápido se a gente conversar. – Tentou, porém sem êxito. – Você é meio anti-social.
— Só não acho que tenho que puxar assunto com uma pessoa que está na detenção. –A acidez era evidente na voz da italiana.
— Digo a mesma coisa. – Connor sorriu sarcástico enquanto Luna revirava os olhos.
— Babaca.
/Dormitório feminino 23:10/
Sohye se debatia de um lado para o outro em sua cama. Não conseguia dormir, sempre que eventos como os de hoje aconteciam sua mente ficava a mil e ela conseguia sentir quase todas as pessoas do dormitório, o que dificultava muito seu sono, todavia, ela tinha o remédio certo para aquilo.
/Área das piscinas 23:30/
O local estava vazio, do jeito que a garota imaginava. Tirou seu roupão ficando apenas com seu maiô azul bebê e caminhou até a borda colocando pés na água. Calma, silenciosa e sozinha... era o que pensava a garota quando começou a sentir um forte cheiro. Seguiu o cheiro estranho até o vestiário feminino e ficou surpresa a ver uma pessoa não tão desejada ali fumando um cigarro de maconha.
— Kyle, tá fazendo o que aqui? E ainda por cima fumando maconha. – Perguntou incrédula.
— É um dos únicos lugares aonde não tem câmera. – Explicou dando uma longa tragada logo e em seguida insinuando o cigarro para a asiática. – Quer?
— Você não pode fazer isso. – Advertiu tentando manter o controle. – Vou ter que te entregar.
— Espera! – O norueguês correu atrás da garota que já estava saindo do vestiário. – Você tá fora do dormitório, em um lugar que não deveria estar a esse horário, se me entregar eu te entrego e ambos nos ferramos. – Sohye não havia pensado nessa possibilidade, ela perderia seus momentos de paz por alguém como Kyle? – Eu posso ficar aqui e você pode ficar na piscina. Eu não te perturbo e vice versa.
— Não vou negociar com você! – Afrontou o moreno.
— Então diz adeus a sua natação noturna. – Sorriu maligno. – Anda... colabora com a gente. – Sohye ficou pensativa, não queria perder seu lugar favorito. – Acordo? – O rapaz estendeu a mão.
— Tá bom. – Se deu por vencida apertando a mão a sua frente.
Sohye saiu pisando duro e entrou devagar com o corpo todo na piscina e começou a boiar, deixando os ouvidos dentro da água. O silêncio era acolhedor, calmo, pacífico e a controlava melhor do que a si mesma.
— Por que vem aqui? – Kyle quebrou o silêncio da borda da piscina.
— Não ia ficar no vestiário. – Perguntou fechando os olhos ainda boiando.
— Mas fiquei curioso. – Revelou tirando os tênis e subindo as calças até os joelhos para poder por os pés na água. – Por que? – Perguntou tragando o cigarro.
— Silêncio. – Sohye não conseguia acreditar que estava falando logo com Kyle. – É calmo e eu preciso da água pra isso.
— Te entendo. – Sorriu assoprando a fumaça para cima.
— Entende nada! – Falou nadando até a borda aonde o rapaz estava. – Você é um agente do caos nutella.
— Entendo sim. – Retrucou sorrindo. – Sabe como é ser um velocista? – Sohye negou com a cabeça. – É como se tudo fosse mais devagar e quando meu poder entra em pico, um dia de vinte e quatro horas parece ter setenta e duas, então eu preciso disso para me manter neutro, assim eu fico no controle.
— Sabe que isso é desculpa de viciado não é? – Provocou. – Seu maconheiro.
— Não sou viciado. O organismo de um super dotado queima quatro vezes mais rápido certo? – Perguntou tragando o cigarro.
— Certo. – Sohye não conseguia não achar nojenta a atitude do velocista.
— O de um velocista queima oitenta vezes mais rápido, não fico bêbado, não bate brisa nem nada. – Explicou apagando o cigarro no chão e o colocando no bolso. – Mas é por isso.
— Entendo. – Se deu por vencida. – É como eu preciso da água, sabe quando você está boiando e não ouve nada –Perguntou retoricamente. – É maravilhoso eu me sinto tranquila, sem sentir os sentimentos alheios.
— Silêncio. – Kyle jogou a palavra ao vento se levantando e calçando os tênis. – Bom, eu vou indo. Obrigado por guardar meu segredo. Pode ter certeza que não vou contar o seu. – Antes que a garota pudesse responder um vulto azul foi deixado para trás.
Ela ainda não acreditava que acabara de fazer um acordo de esconder um possível drogado. De todas as pessoas que podiam saber que ela vinha escondida para a piscina, logo um dos piores foi descobrir. Ela estava negociando com Kyle, um norueguês esperto que sabe conseguir o que quer. Se tratando dele ela podia esperar qualquer coisa
Fale com o autor