Power High
29 Arco 3 capítulo 8 - Consequências
Connor Rivers
Olhei pela janela de novo enquanto tentava encontrar uma posição que me deixasse confortável na maca. Nada melhorava minha situação, o braço aparentemente nunca mais vai ser o mesmo, apesar, da cicatrização estar indo bem com a ajuda das câmaras curativas, as costelas doem pra cacete, não existe meio de não doer, até respirar é dolorido. Desperto dos pensamentos quando escuto a porta abrir. De supetão encaro e vejo Ivon entrar com mais duas pessoas.
— Não era quem eu estava esperando. – Me sentei segurando as costelas doloridas. – De que precisa?
— Como você tá? – O russo perguntou.
— Tranquilo, vou sobreviver. – Forcei um sorriso. – Quem são eles?
— Eles têm umas perguntas sobre o seu último pico de poder. – Claro que tem. – Foi realmente assustador. –
Okay. – Concordei vendo o mais velho ir até a porta. — Não vai ficar? – Questionei.
— Tenho uma audiência em meia hora. – Explicou. – Vamos ver o que vai ser do meu futuro.
— Boa sorte. – Falei vendo-o sair. – O que querem saber?
— Bom... – A mulher de jaleco que estava bordado o nome Janice. – Foi uma coisa bem interessante de se ver. – Ela mostrou um trecho da explosão por uma câmera de segurança que fritou. – Você quase evaporou um lago por completo.
— Queremos saber o que sentiu no momento. — Foi a vez do tal Brydon falar. – Foi bem perigoso, distorção molecular e arrasto muito grandes.
— Nem eu sei. – Encarei a janela lembrando. – Estava tudo embaçado, tinha sangue escorrendo do meu nariz pra minha boca... e eu não queria morrer.
— Acha que pode ter sido o catalisador do momento? – Janice indagou seria anotando no Tablet.
— Acho que sim. – Abaixei a cabeça. – Podem voltar outra hora? – Eles me encararam e concordaram com a cabeça. – Se puderem pedir o meu celular pra alguma enfermeira, por favor.
Eles saíram e pouco tempo depois uma enfermeira me trouxe o aparelho, encarei o telefone, encarei o número por mais uns minutos, que pareceram uma eternidade e cliquei para ligar.
— Oi vó... – Quando ela começou a falar preocupada, tinha visto jornal, e me viu sendo colocado na ambulância, parecia que o mundo ia desabar, apenas perguntei com a voz chorosa. – Pode ficar na linha comigo?... É que, — Hesitei por um segundo. – Eu estou com medo.
Luna Esposito
Caminhei pelos corredores do hospital encarando cada um, pensando se eu diria algo, se entraria ou se quebraria tudo... Me vi parada em frente ao quarto de Connor, olhei pelo pequeno vidro da porta e ele estava chorando ao telefone. Encarei por alguns segundos antes de ser surpreendida.
— Você vai entrar? – Tom estava ali, já vestido com suas roupas habituais e uma tipoia enfeitando o look.
— Por que eu entraria? – Ralhei. – Já foi liberado? – Começamos a fazer o caminho de volta.
— Bom comportamento. – Brincou. – Eu e Kyle já estamos liberados, Elena e Connor vão ficar mais um tempo.
— Que droga. – Por mais que eu estivesse brava com Connor queria que ele ficasse bem logo. – Ivon já foi para a audiência?
— Já. – Respondeu sério. – Vamos torcer pelo melhor.
Ivon Zolotoy
Pelos corredores largos e altos do tribunal eu caminhava com uma escolta de dois policiais armados, e meu mentor a minha frente. Eu usava um terno preto, camisa branca e gravata, fizeram questão de alugar um terno caro para não parecer que arranquei um terno velho do guarda-roupa. Encarei meu mentor que vestia um terno semelhante, porém cinza.
— Alguma dica? – Perguntei sério.
— Garoto, essa é sua primeira audiência, e não será a última. – Suspirou encarando a porta. – Ser herói tem a ver com ser julgado as vezes.
Entrei na sala do tribunal, e uma pequena quantidade de pessoas estavam nas cadeiras, encarei a juíza, o escrivão, minha advogada que estranhamente era minha chefe.
— Senhor Zolotoy, sente-se. – A juíza indicou meu assento ao lado de minha advogada, não demorei a sentar. – Está audiência está aberta. O réu é acusado de roubo, e destruição de propriedade privada, como de propriedade pública, agressão, heroísmo sem autorização e quebra de contrato previsto. Alguma coisa a declarar?
— Deixa que eu falo. – Alita se levantou. – As acusações conferem, tendo em vista o prejuízo a minha empresa e ao setor público, tal como as agressões a seis policiais, e destruição de quatro viaturas. – Ela me encarou. – Sobre a quebra de contrato previsto, a cláusula de liberação para agir em detrimento de seu dever como herói já havia sido revogada. – Arregalei os olhos com a mentira, eu não havia sido liberado para campo. – Meu cliente e funcionário já havia sido testado e aprovado para voltar a campo.
— Então como a senhorita explica a destruição dos portões da garagem e o roubo da motocicleta Arch combat edition? – Controlei minhas expressões, para parecer que eu estava ciente do que estava sendo dito.
— Minha equipe não havia sido avisada, então o tentaram impedir, ele em um ato de desespero, pois, as vítimas que foram atacadas em Power High eram amigos próximos, alego que se meu cliente não tivesse a tentativa de ser impedido, ele teria chego a tempo, até poderíamos ter evitado a morte de Brunilda Powers. – Ainda nãoconseguia acreditar na morte da diretora. – Os atos contra a polícia realmentesão chocantes, mas meu cliente estava em detrimento do dever, eu deveria processar a cidade por tentar impedi-lo? Sabemos que isso se categoriza como desacato ao trabalho de segurança, não estou dizendo que ele está acima da polícia, mas em uma situação desesperadora, tratando-se de um superdotado, ele deveria ter sido ao menos questionado antes de abrirem fogo contra ele.
— Entendemos sua indignação e seus pontos para defendê-lo. – Ela me encarou. – Quer dizer algo senhor Zolotoy?
— Sim senhora. – Me levantei e Alita me lançou um olhar mortal. – Queria deixar claro que sinto muito pela situação com os policiais de Berlim e que minha família estará disposta a cobrir custos médicos, o reparo, ou até mesmo adquirindo novas viaturas se necessário. – Isso o dinheiro podia pagar. – Sobre meus atos, eu não me arrependo do que fiz e faria tudo de novo. – Os olhos dela Alita quase saltaram das órbitas. – Meus atos são justificáveis, e a maneira com que agi garantiu a vida de seis amigos muito queridos por mim, e mais a vida de sabe-se lá quantos alunos daquela escola, estou sendo o herói que fui educado para ser. – Respirei fundo. – Estou pronto para agir e aceito o julgamento e o destino que achar cabível a minha situação. Isso é tudo excelência.
— A corte vai levar um tempo para deliberar, peço que tenham paciência e aguardem no tribunal.
— Sim senhora. – Concordei me levantando depois da batida do malhete. Me virei para a Alita. – Eu não sou a porra do seu peão.
Kyle Solberg
O corredor frio do prédio estudantil estava como sempre lotado de alunos, Sohye estava ao meu lado carregando um amontoado de fichários. Saímos pela porta principal e estávamos na escadaria para o pátio quando encontramos Connor nos esperando ele carregava apenas um caderno com uma caneta enfiada na mola, o braço ainda engessado continuava ali.
— Como vai o braço? – Dei um tapinha em seu ombro.
— É difícil limpar a bunda com a mão esquerda, mas até que ta indo bem. – Rimos. – Alguma novidade?
— Não. – Sohye deu de ombros. – Ninguém em um raio de a Europa toda viu meu pai. — Ela encarou adiante onde Elena e Tom estavam. – Seja como for, Elena disse que o Ivon vai dar uma entrevista hoje.
— Ele ainda vai ficar em Detroit? – Connor questionou quando voltamos a andar.
— Foi decisão judicial. – Sohye explicou. – Foi bom. A Alita era uma porca controladora, segundo ele.
Caminhamos em silencio até a cantina onde Elena estava com Tom e Manu, nada da Luna para evitar situações desconfortáveis. A TV estava ligada na CNN, passando notícias recentes de Detroit.
— Aumenta o volume. – Connor pediu ao dono da cantina que aumentou. – É ele. – Encaramos a tela em apreensão. “Estamos aqui hoje com o herói profissional, Extroyer, naturalmente russo, e aqui vai responder algumas curiosidades.” Quando a imagem mudou para Ivon, todos vibramos. Ele estava diferente, o traje agora inteiramente preto e aparentemente estava deixando o cabelo crescer. “Muito obrigado por me receberem.” Ivon agradeceu cordial.
— Senhoras e senhores, esse é meu namorado. – Elena sorriu. “Extroyer, nos diga. Existem algumas pessoas que acham sua forma de agir agressiva e muito violenta. O que você acha?” Ivon segurou um riso antes de responder. “Bom, é só olhar os números. Desde que cheguei à criminalidade caiu. Eles têm medo de mim, e do que pode acontecer se saírem da linha.” A plateia do programa aplaudia as respostas do russo. “Até mesmo quando suas ações causam um óbito.” – Eu odeio programa de fofoca. – Elena exclamou. “Pense em mim como a S.W.A.T de Los Angeles. Eles ne chamaram para ser a ponta da espada, não o juiz e o carrasco. São fatalidades que podem ocorrer durante o trabalho.”
— O cara tá com todas as respostas na ponta da língua. – Tom comentou animado. “Tem pessoas dizendo que o seu trabalho aqui é apenas uma ordem judicial. Isso confere? “Até demoraram para perguntar isso. “Sim. Não é segredo para ninguém, afinal o meu julgamento foi bem público, mas para os que não sabem, a três meses atrás eu me envolvi em uma ação que gerou danos particulares e públicos, ao invés de deixar o advogado limpar meu nome eu assumi a responsabilidade, aí me mandaram pra cá.” A falta da presença de Ivon nos últimos meses, só tem nos deixado mais alertas, não podemos depender de um Salvador da pátria sempre. “Isso gerou problemas com a empresa que te contratou?” Ivon sorriu novamente. “Na verdade, me livrou de um contrato que eu perdi a vontade de cumprir. Então se quer saber se eu saí ganhando, na minha opinião, sim.”
— Que situação. – Connor falou sozinho. “Então está vivendo um sonho” A apresentadora fez todos rirem. “Pode se dizer que sim.” Todos aplaudiram. “Eu sou Susan Murphy do de frente com o super, e estive aqui com Extroyer.” – Cacete que entrevista rápida. – Meu amigo reclamou.
— É uma entrevista, não um podcast. – Elena explicou. – Quando der uma entrevista vai saber.
— Me livrei de um para ficar com o outro. – O inglês bufou desviando o olhar. – Eu vou indo. – Encarei para onde o mesmo ia e percebi Luna metros à frente. Corri parando a frente dele.
— Acha mesmo uma boa ideia? – Questionei mantendo a calma, não quero que ele pense que estou tentando impedi-lo. – Dá mais um tempo pra ela.
— Já faz três meses. – Rebateu. – Essa raiva tem que passar.
— A raiva pode ter passado, mas o luto não. – Tentei explicar, mas aparentemente ele não estava dando a mínima. – Vai ir mesmo assim né?! – Ele confirmou com a cabeça me fazendo suspirar em seguida. – Boa sorte.
Connor Rivers
A segui até estarmos no meio do corredor do dormitório dela, ela já devia ter percebido que eu estava atrás, afinal, apertou o passo.
— Por favor, fala comigo. – Pedi vendo ela parar. – Você tá bem? – Ela virou lentamente e se aproximou.
— Não. – Simples e objetiva. – E caso não tenha percebido eu tenho evitado você. – Ainda simples e objetiva.
— Já faz três meses, até quando vai ficar bolada comigo? – Ela deu as costas e começou a andar. – Quer que eu faça o que?! – Gritei. – Que eu peça desculpas por defender você da morte? – Comecei a pisar duro me aproximando. – Se alguém ameaçar você mil vezes, eu vou matar alguém mil vezes.
— Você quer parar! – Ela me encarou. – Independente do que estava acontecendo ele ainda era meu irmão, e eu não quero mais manter essa conversa. – Ela se virou e eu a segurei pelo punho. – Solta!
— Não
— Eu vou bater nas suas costelas. – Ameaçou.
— Não vai não... – Senti um tapa forte, nas costelas que me fez recuar e soltar. – Porra! – Esbravejei levando as mãos a costela.
Que bosta, bosta, bosta! Saí do dormitório sem saber o que fazer. Não restavam mais tantas coisas, estava zerado novamente... Só eu e minha avó, porque aparentemente, a pessoa que eu podia considerar “minha” não me quer mais.
— E lá vamos nós de novo.
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