Power High

23 Arco 3 Capitulo 2 - Aprisionados


[Ivon Zolotoy]

Tá tudo girando. Tem uma luz forte apontado para o meu rosto, minha cabeça está doendo juntamente com meus ossos. Com o pulsar das têmporas eu conseguia ouvir meus batimentos. Tem quatro enfermeiros a minha volta, prancheta, agulhas e trajes de contenção.

— Que dia é hoje? – Perguntei com dificuldade na voz.

— Dia cinco de abril, você ficou inconsciente por dois dias. – Um dos enfermeiros apontou uma lanterna para meus olhos. – Felizmente o procedimento aparenta ter sido um sucesso.

— Sério? – Me sentei na maca. – Quando vou poder agir de novo?

— Vão ser necessários alguns testes físicos e neurológicos para conferência de que você está apto para voltar ao campo. Por hora. – Ele assinou algo. – Descanse.

Concordei com a cabeça e assisti os enfermeiros saírem. Fui até as telas que haviam na sala de cirurgia e analisei várias ultrassonografias e raios X que foram feitos em mim. Alguns documentos foram deixados a esmo pelas mesas. “Mutação no lobo frontal juntamente com a amígdala cerebral. Estrutura óssea enrijecida em quatorze por cento a mais. Sentidos e reflexos sofreram alteração positiva.”

Aparentemente foi um sucesso.

[Elena Starkov]

Um mês desde que Ivon se submeteu a cirurgia, conversávamos pouco desde então, apenas algumas palavras, acho que para saber se estamos ambos bem e se eu não estou chateada com sua última decisão. Independente da situação eu gosto muito dele e isso é o que importa, mas eu não deixaria de me preocupar com a periculosidade de tal atividade. Segundo ele tudo foi um sucesso e o estão induzindo a testes físicos e neurológicos. Não o vi em ação no último mês.

Caminhei pelos corredores lotados de alunos que queriam ver o Comandante. Era sua guarda essa semana em Power High e todos queriam uma conversa. Chegando no refeitório me sentei junto com meus amigos.

— Até parece que eles nunca viram o Comandante. – Tom comentou encarando a gama de alunos. – Enquanto ele está aqui, aquilo tá rolando. – Ele apontou para uma das TVs do refeitório aonde uma fenda havia liberado um kaiju de classe sete no mar do norte. -O Quarteto Feroz foi acionado pra lá.

— Então o que ele tá fazendo aqui? – Sohye encarou o super dotado mais poderoso do mundo e caminhou em sua direção.

— Ela vai fazer o que eu acho que vai? – Connor questionou.

— Vai. – Kyle confirmou sorrindo. Vendo o comandante sumir rapidamente e sua namorada retornando. – O que disse pra ele?

— Disse pra ele ir que a gente dava conta da guarda. Creio que eles irão precisar de todo apoio possível. – A asiática respondeu se sentando.

— Quem sabe o Sombra não leve o Ivon. – Manu ponderou. – Seria incrível ver ele agindo depois da... – ela me encarou. – Deixa pra lá.

— Tudo bem. – Olhei para a TV. – Seria bom ver ele agindo...

[Joe Crowford (Sombra)]

— O quarteto feroz foi convocado e eu quero levar o Extroyer comigo! – Exigi. – Missão em campo aberto.

— Infelizmente não será possível. – O supervisor de Ivon me adiantou. – Ainda estamos conduzindo os testes.

— O garoto tem demonstrado resultados positivos, deixem ele voltar pra campo. – Pedi encarando o homem.

— Não podemos arriscar um investimento de milhões de dólares no momento. – Ele virou o monitor do computador para mim. – Esse é Extroyer nos testes semana passada, agora ele consegue absorver não só matéria sólida, mas biológica.

— Fale minha língua.

— Extroyer absorveu um peixe antes de pular na piscina. – Ele avançou o vídeo. – Veja as brânquias se formando na lateral do pescoço. Ele conseguiu respirar de baixo d’água. Agora no combate colocamos um tanque T-14 Armata. Olhe o que ele fez. – O vídeo mostrava Ivon caminhando de frente contra o tanque os tiros nem sequer o tiravam do lugar, quando ele pegou proximidade, agarrou o mesmo pelo cano e o torceu. Em seguida destruindo o mesmo com golpes poderosos. – Os níveis de agressividade dele subiram perigosamente por conta da mutação na amígdala cerebral. Isso pode alterar seu julgamento.

— Isso é besteira, eu conheço o garoto, deixem ele vir comigo...

— Creio que você precisa ir para o mar norte não é mesmo? – Fui interrompido.

— Sim, eu tenho. – Foi o que respondi antes de me teletransportar.

[Elena Starkov]

Power High 13:45

A cobertura do ataque do Kaiju estava insana. O Quarteto estava lá junto com Jotun um herói dinamarquês que podia ficar gigante, mas nada do meu namorado... com a chegada do comandante a luta ficaria simples para eles.

— Vamos? – Connor me acordou de meus devaneios. – Tudo bem?

— Tudo, eu só... – Encarei o movimento dos alunos até as janelas. – O que está acontecendo? – Andei até a janela vendo uma cúpula roxa de alguma espécie de energia se formar ao redor do que parecia ser todo o campus. Símbolos estranho apreciam no chão.

— Que porra... – Connor não terminou de falar por conta de uma explosão no chão do refeitório que assustou a todos.

Os gritos de terror tomaram o lugar. Muitos corriam em desespero para as portas de saída, mas outras explosões eram ouvidas.

— Precisamos sair do prédio. – Anunciei para os outros. – Pulem!

Pulamos pela janela amortecendo a queda no terceiro andar. Olhei em trezentos e sessenta graus e tudo parecia coberto pela energia roxa.

— Algo está errado. – Cocei as têmporas. – Dissemos para o Comandante que daríamos conta, vamos fazer acontecer. Connor e Luna evacuem os dormitórios, Kyle, Sohye e Tom Biblioteca e laboratórios. Eu e Manu cuidaremos das áreas restantes. – Encarei o velocista. – Assim que evacuarem as áreas deem um tour pelo campus para procurar por alunos.

— Pode deixar. – Ele concordou. – Não devem ser só explosões, tomem cuidado.

Algo na minha cabeça me diz que não estamos sendo atacados aleatoriamente. Quem arquitetou isso planejou um momento de vulnerabilidade. Estamos sem a proteção de um profissional e o herói mais poderoso do mundo está ocupado com uma ameaça maior. Estamos sob ataque.

Eu e Manuela corremos em direção ao ginásio poliesportivo já em ruínas. Os poderes dela estavam sendo muito úteis para levantar escombros em busca de sobreviventes. Eu estava curando os que apresentavam algum ferimento mais grave. Teríamos muito trabalho pela frente.

[Thomas Stamford]

Power High 13:50

O grupo de resgate na biblioteca estava sendo bem sucedido, ninguém ferido gravemente. Sem a necessidade de muita ação rápida, liberei Kyle para que buscasse mais Sobreviventes espalhados pelo Campus.

— Por aqui, rápido! – Gritei apontando para a passagem lateral na parede criada pela explosão. – Vão até o portão e esperem lá!

Encaramos a biblioteca uma última vez antes de darmos a evacuação como encerrada. Ao darmos de frente com a abertura... ela não estava mais lá.

— Quando foi que? – Sohye me encarou. – Não importa, detona com o laser.

— Com prazer. – Quando fui disparar a rajada não senti mais meus pés no chão. – Mas que...

— Não acham que vou deixar que saiam tão rápido não é mesmo? – Uma voz grave surgiu em meio a prateleiras pegando fogo.

— Põe ele no chão. – Sohye puxou seu bastão retrátil.

— Depois de tantos anos é assim que recebe o seu pai garota? – O que? Pai dela? Pensei antes de ser lançado longe.

— Merda! – Praguejei sentindo as costas doerem. Eu não tenho tempo pra sentir dor. O calor do fogo tirava minha concentração, mas levantei mesmo assim. – SOHYE ABAIXA! – Gritei soltando uma rajada descontrolada que partiu muitas prateleiras, mesas e computadores ao meio. Corri até minha amiga em meio a destruição. Ela estava estática e em choque. – Ei, ei, ei! Acorda, não podemos parar. – Ela levantou o braço apontando para nossa frente. Reconheci o vilão assim que pousei meus olhos nele. – Graviton.

— Vejo que eu ainda sou famoso. – Ele tocou em uma prateleira e ela começou a flutuar. – Tem se alimentado bem, querida? Esta tão pálida.

— Acha uma saída. – Falei sério lhe entregando minha jaqueta. – Eu lido com ele.

— Mas...

— Sem mas. Vai! – Mandei.

Sohye saiu correndo entre as chamas. Encarei meu oponente. Ele precisa estar relativamente próximo para que a gravidade se alterasse, posso manter distância para atrasá-lo. Sim, esse seria meu plano, só espero que funcione. Correndo para o fundo da biblioteca disparo alguns feixes contra meu oponente que os evita facilmente para em seguida arremessa algumas prateleiras que eu explodo sem problemas.

— Uma. – Saltei por cima das mesas que ainda restavam na biblioteca. – Duas... e trê.. – A terceira começou a levitar me desequilibrando, uma rajada laser focalizada foi o suficiente para me fazer deslizar os pé para fora da mesa antes que a mesma encontrasse o teto. – O que você quer?! – Gritei disparando um raio contínuo contra o piso que defendia meu oponente.

— Algo que pertence a mim! – Respondeu erguendo a mão direita em minha direção. Senti a pancada seca me atingir nas costas para depois me prensar no chão. Pesado demais, minha força era em vão. – É inútil tentar garoto. – Ele usava o traje clássico que eu já havia visto nos jornais. Preto vanta Black que com detalhes em prateado nas mãos, cinturão e pernas o capacete lembrava o de um traje espacial. – É como se mais de trezentos quilos estivessem em cima de você.

— Só trezentos? – Provoquei. – Acontece... que aqui. – Apontei para meus olhos. – Tem pressão! – O feixe foi tão forte contra o chão que me deu potência para me jogar para o alto. Comecei a guiar meus raios ômega para persegui-lo, mas o campo gravitacional que orbitava Graviton o defendia, com pedaços de piso, madeira e o concreto da parede. – Impressionante.

— Realmente é. – Ele tirou o capacete revelando um homem asiático. Seu punho se levantou fechado. — Mas eu não tenho tempo para brincadeiras. – A biblioteca começou a se comprimir. – Foi divertido garoto... – Seu sorriso abusado se desfez ao ser atingido por um soco veloz que o lançou para longe.

— Kyle. – Chamei o mesmo que veio até mim.

— Pronto pra acabar com ele?

— Não é a gente que ele quer. É a Sohye, protege ela! – Ordenei. – Eu dou conta.

— Primeiro. – Ele me pegou nos levando rapidamente para fora da biblioteca. – A gente sai. Esse lugar vai... – Antes que ele completasse a frase, a biblioteca desmoronou. – Cair. Conseguimos agrupar todos próximos a portão principal. Precisamos de alguém organizado pra acalmar a todos.

— E eu sou a melhor opção, e o Graviton? – Questionei olhando a biblioteca.

— Vou procurar Sohye e ele. A prioridade agora é tirar todos daqui. – Fui pego pelo braço e deixado a frente do grupo de alunos. – Prometo voltar com ela a salvo.

Antes que eu pudesse responder ele sumiu num vulto azul. Encarei todos os alunos ali assustados encarando a beirada da cúpula roxa de energia. Energia roxa, não é ciência... é magia, o que sinceramente é ciência sem explicação. Tem só duas pessoas que fazem magia no mundo.

— Alguém descubra aonde esta a diretora Powers! – Gritei. – Ela vai conseguir abrir uma fenda na cúpula para que possamos tirar vocês daqui, mas preciso que vocês mantenham a calma e me ajudem a encontrá-la.

— Mais alguma ordem capitão? – Manuela apareceu ao meu lado sorrindo.

— Vamos salvar esse pessoal.