P.o.v. (point Of View)
5 Parte Cinco.
Foi estranho porque mesmo sendo quase quatro horas da manhã, a resposta de Brendon urie veio quase que imediatamente. Suspirei baixo ao ler, olhando docemente para o rosto dele deitado em minha cama, com ressaca.
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Ryan, Ryan, Ryan!
Se quiser me xingar, me espancar por carta – mesmo isso não sendo possível -, eu vou continuar aqui, como sempre estive e como sempre estarei, nem que seja para ouvir suas mais terríveis palavras. Só te peço para não desistir de mim ainda. Eu sei que doeu, (mentira, eu não sabia que você se importava comigo de verdade), eu sei que o Brendon aí falou muita coisa ruim, que não devia ter dito.
Mas agora é você quem está me machucando (eu não deveria me surpreender, você faz isso sempre), porque você me deu esperanças para acreditar nessa loucura, então, tente acreditar em mim, do futuro, para tentar melhorar as nossas vidas, porque usando o seu próprio raciocínio, não acho que você esteja realmente feliz, agora, em 2010, namorando aquela Elizab(itch)ete. Ela deve ser confortável, como a Sarah é, mas não a ama.
Pela manhã, eu vou preparar alguma coisa para você tentar se desculpar com o B daí e ao mesmo tempo, eu vou tentar me desculpar, porque você nunca saberia – se não fosse esse elo maluco – que eu nunca pude me perdoar. Por favor, Ryan, não me diz adeus novamente. Eu não conseguiria suportar.
B.
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Brendon,
Na realidade, eu não tenho condições nenhuma de avaliar o que é o melhor para mim nesse momento, porque de verdade, querido, eu só preciso pôr para fora a raiva que eu estou sentindo de você nesse momento. Eu não tenho prática nenhuma em demonstrar sentimentos – isso foi o que você sempre me cobrou, não é? -, e peço desculpas se te magoei tantas vezes assim, se de mim você só espera coisas ruins; coisas das quais só servem para ser mudada toda vez que você tentar uma conexão comigo nessa casa.
Você poderia ter dito tudo o que bem quisesse, Brendon, mas você deixou transparecer que não acreditava em todos os meus esforços para tentar te fazer feliz, para te fazer ver que eu não quero o clima em que estávamos, mas como você deve se lembrar, eu disse que acabou.
Você me magoou tanto dessa vez, mas tanto, que eu não sei se eu consigo te perdoar algum dia. Você já pensou em, hm, me ligar aí em 2010 e pedir perdão pelo o que você fez aqui. Creio que estamos tão afastados assim por causa das coisas que você me disse, por você não acreditar no meu amor esquecendo-se das tantas vezes que eu já o demonstrei. Creio que gestos para você não valem nada.
Você só gosta de palavras. E elas sempre te machucam.
Você pode me escrever aí, na sua época. Tenho certeza que ficarei feliz. Porque você gosta de palavras e eu preciso de você, estou apenas magoado.
Ryan.
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Ryan,
Eu to implorando que você, pela primeira vez nessa sua vida, pense em mim primeiro. Só pedir desculpas por estar me machucando não vai adiantar em nada. Agora que eu descobri que você se importa comigo, por favor, não me decepcione.
Tente imaginar o quão desesperado eu estou a ponto de ter esperanças em algo que, supostamente, não existe. A lenda não deixou de ser estúpida, eu que me tornei estúpido – mais do que eu já era – com ela.
Não me deixa sozinho, Ryan. Eu preciso de você comigo o máximo que você puder, eu sustentarei você quando você não agüentar. Sem reclamar. Me deixa te reconquistar, porque agora, você verá nos olhos do Brendon que está contigo, uma dor que nada poderá remediar. Ele se arrependerá amargamente, como eu ainda sinto essa dor por ter te ferido.
I need you more than ever.
B.
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Bden,
O que é que você quer que eu faça então? Eu nunca estive tão machucado e não tenho noção de como ficar em pé. Eu não vou te deixar, porque não consigo falar não para você. Eu não consigo negar meu instinto de te fazer feliz. Só me diz o que fazer, como fazer e quando.
Apenas você para me fazer sorrir, mesmo quando você mesmo me machuca.
Ryan.
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Ryan,
Apenas mude minhas lembranças. Mude nosso futuro, nossa vida a dois, realize nossos sonhos, meu querido. Ouça as coisas que acontecerão e tente revertê-las. Tente se abrir com o Brendon da sua época, falar como você se sente. Nas minhas lembranças atuais, você pega suas coisas e simplesmente some da minha vida dentro de dois dias.
Depois quando nos vemos num ensaio da banda, fingimos que nada nesse lugar maravilhoso aconteceu, fingimos que somos felizes longe um do outro para os demais da banda, mas na verdade, eu andava me arrastando e, agora lendo suas palavras, vejo que você também não ficou bem. Mas depois disso, nós nos afastamos ainda mais até quase não nos falarmos e até você me bombardear com sua saída da banda.
Por favor, me dê dois dias para me desculpar.
B.
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B,
Tudo bem, Bden. Eu vou tentar mudar suas lembranças, porque não gostei nenhum pouco de seus relatos. Porém te peço encarecidamente que não tenha esperanças. Eu preciso pensar no que eu vou fazer, tentando não dar o braço a torcer e ao mesmo tempo provando pra você que eu não quero só sexo. Eu preciso pensar em algo para te fazer confiar em mim, já que é esse o problema.
Eu precisava muito de um abraço agora.
Ryan.
PS: Você está me procurando na cama. Se você me vir sentado ao lado do assoalho quebrado vai dar uma outra briga. Vou voltar para cama e te abraçar – caso você queira meu abraço -. Obrigado por me ouvir.
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Brendon se mexia na cama, tateando-a, como se buscasse alguém para abraçar. Ele ainda dormia e eram mais de cinco da manhã. Sorri e coloquei seus óculos no criado-mudo. Sentei-me na cama assim que segurei docemente em sua mão. Não dormi, fiquei observando-o, colocando a cabeça no lugar.
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#POV do Brendon#
And we’ll only making it right,
E nós apenas estaremos fazendo o certo,
‘Cause we’ll never be wrong.
Porque nunca estivemos errados.
Confesso que não pude pregar o olho durante a noite. Eu tive que dormir de cochilinhos, prestando atenção no mover do assoalho para responder Ryan Ross. Quando ele foi me abraçar, na cama, eu fiquei pensando ali mesmo, no que eu faria para coordenar Ryan, as mudanças bruscas de lembranças. Cada vez mais algumas dúvidas surgiam em minha mente, dúvidas das quais eu não podia perguntar a ele que estava mais sem norte do que eu. Ia passar, claro, só não sabia quando. Isso era problema.
Lembranças das quais eu queria esquecer vinham me visitar quando eu tentava fechar os olhos para dormir. As lembranças da briga com o Ross, a exatamente um ano atrás, estavam mais vivas do que nunca. Não só por causa das cartas que me eram enviadas que relatavam o quão eu havia ferido Ryan Ross, mas porque eu não havia me perdoado ainda por tamanha brutalidade e ao saber o que ele havia sentido, aí sim, tive motivos pra não me perdoar nunca mais.
Tomei um longo banho, curtindo bem o vapor da água quente e também curtindo minha tristeza. Eu havia combinado com Sarah a sua chegada, na verdade, não sabia ao certo se queria que ela viesse, por causa da minha melancolia, mas agora já estava feito. Após o banho e já bem agasalhado, decidi andar um pouco por toda aquela neve branquinha e talvez ela me ajudasse a congelar alguns pensamentos indesejados, mas novamente, só conseguia pensar em como mudar as coisas, em como ter Ryan ainda mais perto, sem precisarmos trocar papeizinhos como duas crianças primárias.
Peguei um graveto de tamanho mediano e escrevi no chão “Love you. I need you. I miss you. B e Ry , na neve, ignorando que a qualquer momento Sarah podia chegar ali e presenciar minha declaração de amor. Na verdade, eu estava fazendo aquilo para que Ryan entregasse a mim no passado e com uma câmera Polaroid bati duas fotos daquela declaração. Mas depois, apaguei rapidamente uma parte e escrevi “I need you. I still loving you after all and I still waiting you come back to me. B ” e bati uma nova foto. Na última foto escrevi uma pequena parte, no verso, da música Say that you love me. Eu precisava que ele soubesse o quanto o amava. “Love me, love me, love me, say that you love me. I can’t care anything but you.”
Quando um carro se aproximou, ainda estava a mensagem para o Ryan – sorte que o que escrevi por último, eu poderia mentir que era para Sarah. Coloquei as fotos no bolso da calça e esperei que ela saísse, mas quem apareceu foi Shane. Eu sorri, porque estava mesmo precisando de um amigo. Alguém com que eu pudesse conversar sem ser repreendido. Então, ele me abraçou.
“Hey, B.” Falou baixinho em meu ouvido. “Solidão não faz nada bem pra alma, sabia?”
“Ooi, Shane.” Murmurei, aconchegando-me em seu abraço. “Eu gosto, às vezes.” Em seguida ele me deu um beijo no canto dos lábios, completamente sem maldade e carinhoso. “Obrigado por vir, eu estava mesmo precisando de um abraço.”
“Não precisa agradecer.” Nos afastamos. Ele mantinha um sorriso e eu, agora, forçava o meu.
“O que tem no bolso?” Fiz um gesto com a cabeça, para entrarmos. Havia começado a cair neve do céu e ia esfriar um pouco mais. Eu não queria morrer congelado. Não ainda. Devagar e sem maldade, ele puxou as fotos do meu bolso e as olhou. “São boas.”
“’Brigado.” Sorri fraquinho. “Elas são pro Ryan.”
“Eu achei que tinha parado com esses delírios que o Spencer me contou.” Entramos, por fim. “Poxa, B, remoer o Ryan não faz nada bem pra você.”
“Na verdade, faz. Aqui eu falo com ele, eu tenho o Ryan aqui, comigo.” Segurei em seus ombros enquanto gentilmente o empurrava para a poltrona em frente à lareira. Shane negou com a cabeça e não trocamos mais nenhuma palavra, por hora então, escrevi um bilhete rápido.
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Ryan,
Entregue essa foto, que não tem uma declaração minha, para Brendon e, por favor, leia o que eu escrevi na outra. Essa tem, também, a data. É uma coisinha do futuro, mas acho que você vai gostar. Meu pedido oficial de desculpas a você pela ferida que causei.
Eu me arrependo muito do que fiz aí contigo. Das coisas que te disse enquanto estava bêbado. Você sabe que eu não sou assim. Shane veio me ver no lugar da Sarah, não é espetacular? A Sarah tinha combinado comigo de vir aqui para me fazer companhia, e fazer outras coisas também, mas o Shane a convenceu a não vir. Eu realmente não estou com cabeça pra receber a visita dela.
B.
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Permaneci sentado ao lado do assoalho e, de repente, o papel e as fotos sumiram. Shane, que estava ao meu lado para ver se era realmente verdade, arregalou bem os olhos e eu ri baixinho. Logo a resposta de Ryan surgiu no assoalho.
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