Notas iniciais
(Título provisório. Em breve decidirei se mantenho ele ou se modifico). Fala galera, estamos de volta! Esse capítulo deveria ter saído em maio, pois, corroborando com a narrativa da fanfic, seria uma forma de celebrar o aniversário da vitória de Harry sobre Voldemort em Relíquias da Morte - que ocorreu num dia 2 de maio de 1998. Infelizmente por motivos pessoais acabei postergando esses planos. Tanto é que o capítulo que havia planejado para aquela ocasião acabou se tornando uma coisa bem diferente, mas, ainda dentro do que havia planejado para a fanfic. Antes tarde do que nunca, está sendo postado agora. Não sei quando postarei novamente, mas, dependendo da resposta do público, pretendo postar o seguinte antes do dia 31 de janeiro. Feliz ano novo a todos ! Este capítulo, em especial seu 'terceiro ato', é dedicado especialmente àqueles que tiverem lido minha drabble, "A temporada de caça de Harry", também centrada no universo Potter e cujos eventos ocorrem em paralelo com parte dos eventos desta fanfic. Originalmente eu iria postar um capítulo com teor e conteúdo similar a este como um 'epílogo' bônus lá na A temporada de caça, mas acabei desistindo e decidi faze-lo aqui mesmo. Vemos também Rudolf Fontes, amigo de Matt Stick e dos demais protagonistas, em sua rotina no Brasil, mas que está sendo seguido por alguém a mando dos Guerreiros do Apocalipse.

Rudolf deixou sua sala de aula após o toque para o intervalo e seguiu pelo corredor de seu setor de aulas, em direção ao estacionamento. Havia lido notícias na internet sobre o conclave, mas ainda não fazia ideia do envolvimento de Matt, Harry e dos outros na missão que se desenrolava no Vaticano.

Alguns dos alunos o haviam procurado para pedir um adiamento do prazo para entrega dos trabalhos de avaliação do bimestre, mas Rudolf precisava seguir o cronograma da disciplina à risca, de acordo com as orientações da coordenação da graduação, e os avisou de que não poderia adiar o prazo. Ele seguiu então para seu carro, com o intento de voltar para casa após o fim do turno vespertino da universidade.

O que o jovem acadêmico não sabia é que estava sendo observado, e seguido. Um homem encapuzado acompanhava de longe seus movimentos, atento a cada passo do jovem bruxo.

Assim que Rudolf entrou no carro, o encapuzado se dirigiu a outro veículo, que parecia ter surgido do nada em meio ao estacionamento. O bruxo professor de história começou a guiar seu veículo para fora do estacionamento, ao passo que o encapuzado dava partida em seu carro e seguia, a uma distância razoável, pelo mesmo caminho tomado pelo professor.

Saindo do complexo do campus universitário da UFRN, Rudolf tomou seu caminho habitual pelo bairro do Conjunto dos Professores e depois pela Av. Engenheiro Roberto Freire até chegar ao condomínio onde morava no bairro de Ponta Negra, zona sul de Natal. Enquanto ele estacionava em sua garagem, o encapuzado posicionou seu veículo em meio a uma fileira de carros estacionados na rua em frente ao edifício onde Rudolf morava. O encapuzado sacou sua varinha e lançou seu Patrono, que tinha a forma de uma serpente marinha disforme e que passou a seguir, de forma invisível, os passos de Rudolf. Assim que Rudolf saiu do carro e entrou no elevador rumo ao andar onde morava, o Patrono retornou para o encapuzado, oferecendo-lhe um relatório mental acerca dos passos do historiador.

Logo em seguida, o encapuzado sacou seu telefone celular e discou para um remetente marcado apenas como “Chefe”.

— Senhor, estou deixando meu relatório do dia. O indivíduo continua em sua rotina diária e não demonstra suspeitar que estamos na cola dele.

Perfeito. Siga com o planejamento.

— Certamente, senhor. Mas, por curiosidade... Chefe, se me permite, por que estamos seguindo esse cara? Sei que ele é bruxo, e que detém um certo conhecimento..., mas ele não me parece nada extraordinário. Por que Excelência e os demais líderes iriam querer que nós o seguíssemos?

Não estamos seguindo a ele apenas por se tratar de um bruxo ou devido ao conhecimento dele. Ele é próximo ao grupo de Stick, que nesse momento se encontra em Roma. Em caso de alguma necessidade, capturar esse rapaz será de muita serventia para nós para que tenhamos alguma vantagem sobre Stick e seus amigos. Além disso, você pode não achá-lo “extraordinário”, mas pelo que nossas fontes informaram, ele é um duelista experiente. É por isso que, quando o momento chegar, você deverá desafiá-lo em um duelo. E derrotá-lo.

— Oh, sim – murmurou o encapuzado. – Quanto a isso, não se preocupe, chefe. Preparei-me adequadamente para enfrentar qualquer tipo de oponente. Ele não terá chance.

Não o subestime— advertiu seu superior. – Como falei, ele tem experiência e certa habilidade. Certifique-se de não estar excessivamente confiante quando for enfrentá-lo. De toda forma, é imprescindível que ele seja derrotado, pois, caso não deseje servir à nossa causa, o baralho dele poderá nos ser muito útil.

— O baralho dele, Chefe...?

Sim, meu rapaz. Estou enviando o resultado de uma pesquisa que nossos outros agentes fizeram a respeito dos duelos anteriores que Rudolf Fontes disputou, amigáveis ou competitivos. Em todos esses duelos, uma enorme quantidade de cards de Monstros de Duelo se repetiu nas jogadas executadas por Fontes. E dentre eles, alguns em particular que são muito excepcionais... Quando você ler o conteúdo da pesquisa, entenderá o que digo. Divirta-se com seu dever de casa... Em breve conversaremos novamente.

O superior encerrou a ligação. Seu subordinado abriu o link enviado pelo chat, e começou a ler os relatos sobre os duelos que Fontes tivera anteriormente. À medida que ia descobrindo os cards que Fontes usava com mais frequência nos jogos, o encapuzado abriu um largo sorriso e compreendeu o porquê de seu chefe ter tanto interesse em conseguir o baralho de Rudolf para si.

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Entrementes, Rudolf havia chegado a seu apartamento, ainda alheio às movimentações dos amigos no exterior ou do homem encapuzado que o vigiava. Dirigiu-se a seu quarto e abriu o computador. Sem mais compromissos formais para aquele dia, decidiu que ocuparia seu tempo pelo resto do dia em conversar com os amigos.

Em particular, havia um grupo de amigos com quem ele conversava frequentemente: um grupo composto por autores como ele. Devido a sua atuação acadêmica, Rudolf havia tido que publicar diversos artigos e livros através do selo da universidade, ajudando a instituição a manter seu renome e seu alto índice de produtividade acadêmica. Em retorno, Rudolf fazia um nome para si mesmo e começava a se lançar no mercado literário como autor de romances, que era o seu real desejo desde que ingressara na vida acadêmica. Uma de suas inspirações era o amigo Matt Stick, que havia compilado e publicado os eventos da vida de Harry Potter, tornando-se um autor bem-sucedido no mundo bruxo.

Rudolf abriu o aplicativo de conversa no computador, e logo procurou o grupo em questão. Seus amigos, Sabrina, Andrea, Eloiza, Cassiano, Fhany, Rodrigo, Marco, Lauro, Carla, Paulo, Gabriel, Daniele, Elias, Maitê, e Tiago, já estavam absortos em uma conversa sobre os novos romances lançados no mercado. Rudolf estava a prestes a se lançar na conversa quando viu uma mensagem privada de um deles.

Ei, Rudolf— dizia Cassiano.

— Fala, men.

Está sabendo da competição de Monstros de Duelo que vai acontecer aí na cidade?

Rudolf ergueu uma sobrancelha. Dependendo do que o amigo falasse em seguida, poderia conseguir um ótimo passatempo para o restante da semana.

— Competição, é? Fale-me mais sobre isso...

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...

...

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Em Azkaban, Damian al-Said estava sentado no chão de sua cela, encostado na parede, olhando de forma melancólica para o chão. Um dos guardas da prisão passou em frente à cela para trazer sua refeição, uma sopa meio rala; ele depositou a tigela no chão, próximo aos pés de Damian. Mas o Guerreiro do Apocalipse continuava dominado pela apatia e mal notou a tigela.

O guarda se afastou e seus passos desapareceram à distância. Porém, algum tempo depois, novos passos foram ouvidos, vindo em direção à cela de Damian. Alguém parou em frente à cela, como se estivesse vigiando o prisioneiro.

Ainda melancólico, o bruxo das trevas continuou cabisbaixo. Imaginou se tratar do mesmo guarda de antes, ou quiçá de outro que havia vindo passar o turno vigiando-lhe, e talvez para escarnecer dele. Alguns guardas faziam isso, especialmente para relembra-lo de como fora derrotado por Harry Potter, ali mesmo na ilha de Azkaban, alguns anos antes. Damian tentava ignorá-los, mas, no fundo, sempre tinha o mesmo pensamento: Ocidentais imundos.

— É realmente uma lástima vê-lo assim, caro amigo – disse uma voz melodiosa e suave. Nenhum dos guardas tinha uma voz assim.

Damian se levantou de seu torpor. Aquela voz lhe era familiar.

— É uma situação deplorável, evidentemente, mas eu espero ver meus Guerreiros sempre de cabeça erguida. Principalmente se estiverem encarcerados.

Excelência, líder dos Guerreiros, encontrava-se em frente à cela de Damian. O guerreiro fez um esforço para ficar de pé e encarar seu superior.

— Meu senhor, o que faz aqui? Alguém pode vê-lo e...

— Não se preocupe comigo, Damian. Sou perfeitamente capaz de iludir os meros guardas desta prisão e permanecer visível apenas para você. Além disso, lancei um feitiço para isolar acusticamente este lado da prisão. Assim, ninguém interromperá nossa conversa. É com você que devemos nos preocupar.

Damian ainda estava tendo dificuldades de se concentrar, devido à má alimentação que vinha recebendo.

— Milorde... O senhor está se projetando para cá, é isso? É apenas uma ilusão... É isso. O senhor, usando o Patrono ou algum outro encantamento, está projetando sua imagem para cá para se comunicar comigo. Ou talvez não passe de uma alucinação. Eu não posso confiar em mim mesmo ou em minhas faculdades mentais...

— Não seja estúpido, Damian – retrucou Excelência. Então, ele desaparatou, materializando-se em seguida ao lado de Damian, dentro da cela. Algo impossível para a maioria dos bruxos, considerando a magia presente em Azkaban. – Eu estou REALMENTE aqui. A situação exigiu que eu viesse visita-lo... e alertá-lo.

— M-milorde – gaguejou o árabe. Ele caiu de joelhos e tocou na barra das vestes do Chefe Supremo dos Guerreiros, como se suplicasse por misericórdia. – E-eu não mereço a sua presença aqui. Eu falhei diante de você e de nossa ordem. Fui subjugado por Potter e seus amigos, e vim parar aqui. O senhor veio encerrar a minha existência miserável? Se sim, peço que seja rápido, Milorde, para que eu não...

— Silêncio – cortou Excelência. – Pare de sentir pena de si mesmo, Damian. Levante-se.

O líder fez um rápido gesto com as mãos, afastando as mãos de Damian de suas vestes. Em seguida, fez Damian se colocar de pé, com a postura ereta, e retirou magicamente com outro gesto um pouco da sujeira de seus trajes (se retirasse-a por completo, os guardas desconfiariam quando voltassem a inspecionar a cela de Damian).

— Perdoe-me, m-meu senhor. Eu não estava em condições de...

— Em vez de pedir perdão, apenas me obedeça, como sempre fez, Damian. Primeiro de tudo, preciso que você esteja bem alimentado enquanto ouve meus planos.

O líder sacou sua varinha e fez um rápido floreio em direção à tigela que o guarda havia deixado mais cedo, transfigurando-a em um prato de carne com fritas. Em seguida conjurou uma cadeira e uma pequena mesa, fazendo o prato levitar até a mesa. Excelência conjurou também talheres de prata ao lado do prato.

— Sirva-se. Preciso que você esteja na melhor forma física para quando você vier a ser... resgatado.

Damian já havia sentado na cadeira, mas arregalou os olhos para seu superior ao ouvir isso.

— Resgatado, M-milorde? E-eu terei essa honra?

— Uma coisa de cada vez. Apenas trate de se alimentar enquanto eu vou lhe deixando a par de tudo o que está acontecendo.

Lutando contra as hesitações, o Guerreiro do Apocalipse se forçou a focar na comida. Estava mesmo com fome, e tremendo. Enquanto cortava o alimento, manteve seus ouvidos atentos ao que seu mestre dizia.

— Trago, sim, boas notícias sobre nossos avanços – ia dizendo o líder. – Meribá está em Roma, e seu planejamento está bem adiantado. Os aurores já chegaram, mas ainda estão às cegas, correndo atrás da própria sombra e sem ter noção de como encontrar Meribá e seus assistentes, ou mesmo os reféns.

Damian se interrompeu em meio a uma garfada.

— Então Meribá está tendo sucesso. Eu admito que sempre o desprezei.

— Você e toda a torcida do Manchester United – observou Excelência. – Mas acredito que ter sido subestimado fez bem a Meribá em todos esses anos de preparação. Ele está se saindo melhor do que a encomenda. Até a mim ele surpreendeu. Se tudo correr bem, o mundo sentirá o impacto da nossa organização em peso nos próximos dias. Começando por Roma, veremos três grandes cidades europeias sucumbirem às nossas forças.

— Três, Milorde? – a primeira refeição decente que estava tendo em meses já fazia efeito em Damian, que parecia levemente revigorado, sem gaguejar e quase não tremendo mais. – Se me lembro bem dos detalhes do plano, apenas Roma era um alvo na empreitada de Meribá.

— Apenas a fase inicial do plano foi divulgada para a maioria dos Guerreiros – afirmou Excelência. – Foi proposital. Preferi que apenas os sub-chefes soubessem dele em sua totalidade, além de mim e, claro, Meribá. Mas, você ouviu bem, meu caro: três cidades. Roma, Londres e Atenas.

— Londres... Por causa de Potter e seus aliados. Mas Atenas é... É o que estou imaginando, milorde? Não eram apenas lendas, afinal?

— Não. Nunca foram... Não para nós, pelo menos. Há poucos segredos que o mundo pode esconder dos Guerreiros do Apocalipse. E, em breve, os nossos “amigos” de Atenas também deixarão de ser um segredo para o resto do mundo. Aliás, o Ministério da Magia também deixará de ser. Será um belíssimo cartão de visitas dos Guerreiros para a humanidade. Assim, tanto bruxos quanto trouxas saberão do que somos capazes. Talvez até se deem conta de que não vale a pena nos enfrentar, e sim, se juntar a nós. Mesmo se a missão de Meribá fracassar.

Damian hesitou brevemente, antes de perguntar:

— Mesmo se Meribá fracassar, Milorde? Não estou entendendo. Acreditei que o sucesso de Meribá fosse fundamental para que o seu plano trienal fosse cumprido à risca.

Excelência riu levemente.

— É mais um detalhe que preferi ocultar da maioria dos Guerreiros. A questão é que, para que a etapa atual do plano trienal atinja os objetivos que busco, Meribá não tem, necessariamente, que ser bem-sucedido. Mesmo que ele venha a fracassar, ele já teria conseguido realizar um estrago suficiente nas três cidades alvejadas, ou, pelo menos, em uma delas, para que nossa marca fosse deixada diante dos olhos dos bruxos e dos trouxas de forma impactante. Mas, a julgar pelo avanço de Meribá em Roma, é seguro dizer, do meu ponto de vista, que Londres e Atenas também já estejam entregues à nossa sorte. Mas, respondendo à sua inquietação: Meribá é apenas a “pedra fundamental” deste plano. Acredito que ele mesmo já tenha consciência disso e, por esse motivo, esteja se empenhando esplendidamente para poder passar a tocha aos seus posteriores no momento certo. Isso porque, independente do desempenho dele, temos Salis e Mouath de prontidão para dar continuidade ao plano trienal. E como a Europa e o resto do mundo ainda estarão tentando juntar os cacos da missão de Meribá, aqueles dois praticamente não terão trabalho para executar suas respectivas partes do plano trienal. Salis está de prontidão na França e Mouath, nos Estados Unidos. Em dois anos, o tempo que falta para completarmos o plano trienal, o mundo será nosso.

— Salis... Não o conheço bem para avaliar. Mas Mouath... – ia refletindo Damian. – A reputação dele o precede. Se Milorde o encarregou da etapa final do plano... É porque quer se assegurar de nossa vitória, dentro do prazo e sem grandes sustos.

Excelência assentiu solenemente.

— Você sempre foi um aluno rápido para entender as coisas, Damian. Potter teve sorte de enfrenta-lo em um dia ruim.

— O senhor me lisonjeia, Milorde. Porém, há ainda algo que não está claro para mim...

O líder ergueu uma sobrancelha.

— E o que seria, meu jovem?

— Perdoe-me pela ousadia, meu senhor..., mas acho difícil de acreditar que o senhor teve o trabalho de vir até aqui pessoalmente apenas para me colocar a par de nossos avanços e para me fornecer uma refeição agradável. O que exatamente isso tem a ver comigo? Se o senhor veio sozinho, de certo não veio para me resgatar, como o senhor disse no começo. Pelo menos, não agora.

— Você é muito observador... É verdade que o seu resgate não ocorrerá por ora. Mas... Tenho grandes planos que o envolvem, prezado Damian. Você ainda é o líder de sua legião, filhos honrados de nossa ordem. Não posso permitir que nossas tropas alcancem a glória sem que você e sua divisão façam parte dessa empreitada. Todos os seus subordinados também se encontram aqui, ainda? Ou por acaso algum foi transferido para a guarda de outro Ministério?

— Todos ainda estão aqui, Milorde, disso eu tenho certeza. Acho que o Ministério britânico considerou que nos manter todos presos no mesmo lugar seria uma humilhação maior do que nos separar... Algo nessa linha.

— A arrogância deles não cansa de me surpreender. Mas, tanto melhor... Assim poderemos trazer todos de volta, quando o momento chegar. Não poderá ser agora, não com todos os nossos esforços voltados para a missão em Roma e nas cidades subsequentes. Mas, estive conversando com Seto Kaiba e com nossos patrocinadores. Nossos recursos estão garantidos para o restante do plano trienal. Dessa forma, quando Salis e Mouath lançarem suas empreitadas, Azkaban vai acabar ficando desprotegida mais cedo ou mais tarde. Quando o Ministério ver o resultado de nossos esforços em Roma, Londres e Atenas, acabará sendo forçado a deslocar boa parte de seu pessoal estacionado em Azkaban de volta para a Grã-Bretanha ou para o continente. Então, nesse momento, poderemos realizar a extração do seu pessoal daqui e realoca-los para atuar em alguma de nossas frentes, seja na missão de Salis, seja na missão de Mouath. Ou ambas, como seria a minha preferência.

— Então... Teremos que esperar pelo menos dois anos?

— Menos que isso. Com a missão de Meribá atingindo seus objetivos, precisaremos do seu pessoal para a missão de Salis no ano que vem. Azkaban já estará com o pessoal reduzido a essa altura. Então dentro de um ano... ou menos... digamos que Azkaban vai parecer um cenário de Prison Break.

Os boatos de que Excelência estava passando boa parte do seu tempo maratonando a Netflix pareciam ser verdadeiros, pensou Damian divertidamente.

— Parece-me um tempo muito razoável, Milorde. Não poderia ter recebido notícia melhor.

— E é por isso que preciso que você se mantenha firme e obstinado enquanto estiver aqui, Damian. Continue motivando seu pessoal. Não conte a eles sobre o resgate ainda, mas mantenha-os com a cabeça erguida. Você ainda tem a possibilidade de falar com seus subordinados enquanto estão encarcerados, não é mesmo?

— Sim, meu senhor. Há momentos em que temos banho de sol juntos, e em alguns dias fazemos as refeições em conjunto também.

— Ótimo. Motive-os, meu filho, e não os deixe perder o ânimo. Em breve voltaremos para guia-los para a vitória. Nesse meio tempo... Voltarei a visita-lo para deixa-lo a par dos acontecimentos recentes. Reparei que quase não há jornais por aqui.

— Sim... Eles não querem que saibamos das notícias... Como se pudéssemos nos sentir motivados a fazer uma revolta de dentro da prisão se lêssemos qualquer manchete sobre as façanhas de nossos irmãos ao redor do mundo – Damian riu sem prazer algum.

— É como eu sempre digo, meu caro Damian. A soberba dessa gente ainda lhes causará sua ruína. Mas, tudo a seu tempo. Deixe-os pensar que vocês são apenas ratinhos adestrados. Eles terão um baita choque quando nossas tropas marcharem sobre este lugar imundo.

Damian se permitiu sorrir. Porém, algo no fundo de sua mente chamou sua atenção.

— Milorde... Sei que tens infiltrados em alguns Ministérios ao redor do mundo. Por isso tens informações privilegiadas sobre Azkaban e outras prisões, e sobre quando essas prisões terão diminuição de pessoal, e sobre as movimentações do Ministério e dos aurores. Possui também o auxílio dos patrocinadores. Mas, mesmo assim, o senhor parece bem informado demais para alguém que conta “apenas” com essas fontes. Como se soubesse exatamente quando e como tudo irá se desenrolar. É quase como se... como se...

Damian se interrompeu. O pensamento era ao mesmo tempo, impressionante e assustador. Excelência levantou uma sobrancelha, fitando o subordinado de forma inquisitorial, como se o orientasse a prosseguir com suas conjecturas.

— Como se o quê, meu jovem?

— Como se o senhor tivesse, agora, o dom da clarividência, M-milorde.

Excelência se limitou a olhar pela pequena janela lateral da cela, e rir de leve.

— Oh céus... Milorde, é isso? Você se tornou clarividente? Seus poderes... É como se eles não tivessem mais limites! Por isso é que Vossa Excelência está tão certo de como os eventos futuros irão se desenrolar a nosso favor! Os deuses sejam louvados...

— Há muitas coisas que um homem pode aprender, meu bom Damian. Um homem como eu? Pode aprender ainda mais. Talvez eu consiga, sim, vislumbrar uma parcela do futuro. E é uma parcela suficiente para que eu possa afirmar que os planos irão, sim, se desenrolar a nosso favor.

Damian estava estupefato. Não conseguia pensar em mais nada para dizer. Excelência apontou para o prato, agora vazio.

— Vejo que já terminou. Está parecendo-me um pouco melhor. Tentarei trazer outras refeições me breve, meu caro. Siga todas as minhas orientações à risca, nesse meio-tempo.

O líder dos Guerreiros bateu palmas uma vez, e a mesa, os talheres e o prato desapareceram. Damian levantou-se, e a cadeira também desapareceu.

— Encare os guardas nos olhos quando eles vierem escarnecer de você – sugeriu Excelência. – Haja como se soubesse de algo que eles não sabem. O que, de certa forma, é verdade. Você verá que a reação deles poderá ser... demasiadamente divertida de se assistir. Exercite sua paciência e determinação, meu filho. Quando você menos esperar, estará ao meu lado e ao lado de seus companheiros no campo de batalha novamente, e poderemos subjugar Potter, seus amigos, e todos aqueles que ousarem se erguer contra nossa ordem.

Excelência se afastou, bateu palmas novamente, e desapareceu dali, deixando para trás um esperançoso Damian, que sorria maliciosamente, sentindo que seu vigor havia voltado por completo, já que, agora, sabia que seu cárcere tinha um prazo de validade bem próximo de expirar.

Notas finais
Agradeço pela paciencia e pela compreensão. Espero ve-los de novo em breve. Agradeço especialmente aos leitores Artemis Stark, Cassiano Souza, Fhany Malfoy, Louis, Notorious Fimose, Hokage Lauren Boruto, Marcos FLuder, Anne Claksa, Pandora, BILSS o Destruidor pelo apoio prestado em 2020. Revisão mais recente do capítulo feita em 15.06.2023
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.