Notas iniciais
Bom, como eu já tenho até o capítulo 12 salvos aqui, eu vou parar de ser malvada com vocês. Com uma ou suas reviews eu vou postando o próximo :) por sinal, boa leitura!

Um mês se passou desde que nos mudamos. Só nesse tempo, virei melhor amiga de Becky. Descobri que as amiguinhas das minhas irmãs eram as garotas mais populares do colégio, e que a “abelha-rainha rosa” se chamava Susan Lewis. O musical finalmente fora divulgado: iríamos apresentar “A Bela e a Fera”, em homenagem à música que Becky cantou na nossa primeira aula de música. Com isso, passamos a ficar na escola depois da aula três vezes por semana para fazer aula de teatro também.

Aquilo era tudo perfeito! Era uma apresentação na qual as pessoas interpretavam e cantavam. O professor de teatro não era Erick, mas também conseguia divertir a turma e nos elogiava o tempo inteiro pela nossa voz. Becky pegou o papel de Bela, enquanto eu peguei o papel de Mts. Potts, uma mulher que fora transformada em um bule. Justamente a que cantava a música que Becky cantou na aula de Música. Achei a história muito interessante, até porque o assunto principal envolvia uma bruxa. Falava de um príncipe esnobe que fora transformado em Fera por negar abrigo a uma bruxa. Com isso, seu castelo todo foi assombrado. Era tudo branco e bonito, e de repente ficou um castelo de pedra parecido com o meu. Todos os criados foram transformados em objetos. E então chegava Bela, que, para salvar seu pai aceitava ficar na masmorra do castelo. Para que a maldição se quebrasse, a Fera teria de se apaixonar até que a última pétala de uma rosa caísse, caso não, ele seria uma fera para sempre. Quem pegou o papel da Fera foi Jake Harris.

Neste tempo, nada das minhas irmãs matarem seus homens/garotos. Inclusive eu. Eu continuava amiga de Peter, andávamos sempre juntos, nos abraçávamos quando nos víamos... Mas era como se eu quisesse mais. Cada vez que o encontrava, minhas pernas tremiam e meu coração queria pular pela boca. Quando nos abraçávamos, eu implorava mentalmente para que ele nunca me soltasse. Já não estava entendendo mais nada. Odiava pensar que mais cedo ou mais tarde, eu teria que matá-lo.

Um dia, peguei-o me olhando distraidamente enquanto eu fazia o dever de Química na casa dele. Lembro-me perfeitamente deste dia, eu estava com dúvida na matéria e combinamos para ele me ensinar em sua casa. Cada vez que eu me abaixava para responder, ele me olhava sorrindo.

Eu realmente estava confusa.

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- O que acha de dormir na minha casa hoje? – perguntou Becky, na aula de Trigonometria.

- Claro.

- Perfeito! Meus pais vão te adorar! Quer dizer, eu já falei de você pra eles, mas ainda assim eles ainda vão estar te conhecendo. Sabe... Desde que eu me mudei para Moonwood, quatro anos atrás, eu não havia feito nenhuma amizade grande como você. Já fui quase amiga da Susan, mas logo percebi que ela não era flor que se cheire. Então quando eu falei de você pros meus pais eles praticamente vibraram!

- Own, que bonitinho – disse Peter atrás de mim, o que fez Becky dar um pequeno tapa nele.

- E você não se meta!

Comecei a rir. Sabia perfeitamente como ela se sentia. Durante toda a minha vida, minha única companhia era minhas irmãs. E nem isso direito, já que minhas irmãs eram como Susan. Não são flores que se cheire. Mohan principalmente. Minha única irmã que poderia ser chamada de “amiga”, era Weyna, que me ajudava o tempo inteiro e sempre estava do meu lado. Mas eu não podia contar pra ela que não queria matar minha vítima. Com certeza contaria para Mohan. E isso não seria uma das melhores coisas.

Liguei para Mohan avisando que iria dormir fora e fui para a casa de Becky depois da aula. Ela estava certa. Seus pais me adoraram. Trataram-me como se eu fosse sua filha. Bom, eu não sabia direito como é ser tratada como filha, mas pelo que descobri, é bem melhor do que ser tratada como irmã mais nova.

- Então, que filme você quer ver hoje à noite? – perguntou, enquanto fazíamos os deveres. Ela estava fazendo de Física e eu o de Química. Não sei minha amiga, mas eu não estava conseguindo prestar a mínima atenção no dever. A cada questão eu precisava me lembrar dos ensinamentos de Peter e isso sempre gerava outros pensamentos.

- Não sei. – respondi finalmente

- Ah, vamos lá! Que tipo de filme você gosta?

- Hmm... Eu não sei...

- Tem que haver um filme!

- Não sei!

- Tive uma ideia. Por que não assistimos “A Bela e a Fera”? Afinal você precisa mesmo saber como interpretar sua personagem.

- Pode ser.

- Perfeito. — disse, fechando o livro de Física.

Com isso, Becky se levantou e correu para a sala. Passou um tempinho lá e logo voltou pro quarto:

- Nós vamos alugar. Vem!

Ela me puxou e fomos até o carro de sua mãe. Chegamos a um lugar cheio de DVD’s. Enquanto Becky procurava nosso filme, outro DVD na seção “Fantasia” me chamou a atenção. As Bruxas de Blair. Então existiam filmes sobre nós. Olhei os outros daquela seção. Abracadabra. Stardust. Twitches: The Twin Witches. Harry Potter. E muitos outros. Deu-me uma vontade enorme de ver todos aqueles filmes, para descobrir o que pensavam sobre bruxas. Corrigir cada um dos erros que provavelmente tinham. Mas percebi porque estava na seção de “Fantasia”. Os seres humanos não acreditavam que poderíamos existir.

Bom, alguém deve ter descoberto, não teriam a imaginação fértil a ponto de nos inventar, pensei. E ainda mais inventar corretamente... Ou quase.

- Fatin? – disse Becky, como sempre me fazendo voltar à realidade. – Vamos, eu aluguei o filme. O que está fazendo na seção de fantasia?

- Nada, eu só estava... Olhando.

- Por que não disse que era esse o tipo de filme que gostava? Vamos!

Voltamos para a casa dela e começamos a preparar a televisão para ver o filme.

- Vou fazer a pipoca – disse.

- O quê?

- A pipoca! Vai me dizer que nunca comeu pipoca?

- Ah, claro! – menti – É que... Eu não tinha escutado direito.

Pareceu convincente.

Durante todo o filme ela ficou fazendo uma cara de sonhadora. Cantamos juntas todas as músicas com suas devidas coreografias, como se estivéssemos ensaiando. E tecnicamente estávamos. No final, quando a Fera voltou a ser homem, Becky ficou acompanhando silenciosamente cada uma das falas. Provavelmente essa era a parte que havia decorado. E finalmente quando o casal principal se beijou, um enorme sorriso se estampou em seu rosto. Tinha alguma coisa por trás daquela cara de sonhadora.

Depois do filme, fomos pro quarto para ficar conversando e depois deitar.

- Então... – comecei – Eu vi sua cara de sonhadora vendo o filme.

Ela corou. Senti que não devia ter tocado no assunto.

- Eu tenho que te contar uma coisa. Não é nada demais, mas... – disse ela – você é minha amiga, e eu confio em você. Eu meio que tenho uma... quedinha pelo Jake.

- Quedinha?

- É... Quer dizer, você sabe. Eu gosto dele. Quando começamos a fazer as aulas de teatro, cada vez que o via meu coração parecia querer saltar pela boca e minhas pernas tremiam... Eu já senti isso antes, mas... Terminei de coração partido.

Seus olhos estavam tristes, parecia que lágrimas iriam soltar deles a qualquer momento.

De repente, eu me toquei. Era exatamente aquilo que eu sentia quando encontrava Peter. Será que...

- Peter. – foi a única palavra que me veio a cabeça.

- O quê?

- Eu estava tentando descobrir o que sentia por Peter. Quer dizer, dessa forma que você descreveu. Mas eu nunca senti isso antes.

Ela riu um pouco.

- Você está apaixonada!

Eu estava o quê?

- Isso é ruim?

- Claro que não! Bom, depende. No começo é tudo perfeito, maravilhoso. Mas se não for exatamente o garoto certo tudo termina horrível. Eu já tive um amor assim antes. Era tudo maravilhoso. Mas então descobri que ele tinha outros planos. Disse que ia viajar com a família e demorou um ano para voltar. Quando voltou, estava com uma namorada. – enquanto contava, ela começou a chorar.

- Becky, eu... Eu sinto muito.

- Eu nunca sofri tanto como naquela época. É por isso que eu tenho medo de contar para Jake o que eu sinto. Mas você e Peter... Vocês dois parecem que nasceram um pro outro. Só em ver vocês se olharem, já dá pra notar que tem uma química! Não é a toa que a matéria que os dois tem juntos é a Química. Você não precisa se preocupar. Nada pode separar vocês.

Se ela ao menos fizesse ideia do que poderia nos separar... Senti vontade de chorar. Sim, chorar. Contar tudo para Becky, desabar. Mas eu sabia que não poderia. Isso iria estragar tudo.

Então finalmente eu entendi. Sim, eu estava apaixonada por Peter. Nós dois éramos feitos um para o outro, mas... Mas nosso destino não era ficarmos juntos. Quanto mais cedo aquilo acabasse, melhor.