Potion of Hearts
4 Mystic High
Notas iniciais
Às 7 da manhã eu acordei com alguma coisa apitando. Não sabia o que era, e estava com muito sono para tentar descobrir. Porém, quando olhei para cima, lembrei que não estava em casa. Ao meu lado estava Weyna na sua cama também acordando. De repente lembrei do dia anterior, no qual nos mudamos e eu vesti um moletom de arco-íris. Pelo menos hoje eu não iria vestir nada colorido para ir à aula.
Primeiro dia de aula para alguém que nunca ouviu falar nisso. Ótimo.
Quando estava prestes a levantar, percebi que a coisa que me acordou continuava apitando.
– Ahh, que barulho é esse? – perguntei sonolenta.
– Se chama despertador. É uma coisa que os humanos usam para acordar na hora certa. Pelo jeito funciona.
– E como se para isso?
Ela pegou o celular que compramos ontem e apertou um certo botão. Por incrível que pareça, o despertador realmente parou.
– Por sinal, como vamos chegar nessa escola? Por favor, fala que é de vassoura! – perguntei
– Eu também não faço a menor ideia. Depois a gente pergunta pra Mohan.
Depois disso tomei um banho demorado, coloquei uma roupa razoável (calça jeans preta e camiseta roxa) e decidi me maquiar um pouco, tentar não parecer... bem, uma bruxa. Não que bruxas sejam feias. Bom, quer dizer, não as bruxas da minha família e... Ah, ótimo. Agora eu estou parecendo uma convencida que se acha a única bruxa bonita no mundo. Enfim, o que realmente importa é que eu usei apenas uma maquiagem a mais básica possível: lápis bem preto, sombra lilás e um batom vermelho. Vi que o batom vermelho me caracterizou bastante como bruxa e tirei, para usar apenas um gloss rosa claro. Argh. Rosa.
Quando saí do banheiro já toda pronta, esperando ver Weyna ainda com seu pijama e uma cara feia olhando pra mim por eu ter demorado, tive uma visão completamente diferente. Minha irmã já estava mais arrumada do que eu, esperando sentada impacientemente pela hora de ir embora.
– Como...?
– O que é? Eu ainda sou uma bruxa, tenho meu direito de fazer feitiços!
Tinha que ser a Weyna, pensei. Ignorei-a e fui calcei um all star, que era tudo o que faltava para que eu realmente ficasse pronta. Assim que terminei, Mohan entrou, toda de preto e ainda com a maquiagem de bruxa. Preferi nem questionar e fui direto ao ponto:
– Mohan, como vamos chegar nessa tal de “escola”?
– De carro, é claro. Esse cartão aqui ainda tem muito dinheiro. Deu pra comprar uma BMW para todas nós.
Sinceramente? Eu não entendi uma única palavra do que ela tinha dito, mas quando fomos ao estacionamento do hotel, vi que esse tal de “carro” era tão mágico quanto uma vassoura. Você só precisava apertar com o pé no acelerador que ele andava! E era confortável! Claro que uma vassoura seria bem mais rápida, mas Mohan disse que os humanos não acreditavam em vassouras que podiam voar e se vissem nós seríamos descobertas.
Fala sério, quem poderia não acreditar que vassouras voam?
Chegamos no colégio em cima da hora.
– Lembrem-se, meninas: nosso sobrenome é Brooks. Aqui está um papel para cada uma com o nome e sobrenome dos garotos de vocês. Vamos fazer essa poção logo e voltar para casa. Fatin, lembrando que antes de matar o garoto você terá que fazê-lo se apaixonar por você. Um coração apaixonado irá ajudar muito para a poção.
Ela me entregou um pequeno papel dobrado. Quando desdobrei, vi um nome escrito com a caligrafia perfeita de Mohan.
Peter Williams
Ótimo, pensei. Vamos logo com isso para voltar para casa o mais cedo possível.
A primeira coisa que fizemos ao chegar foi ir para a diretoria. Parece que todos os alunos novos tem que ter uma sessão com a diretora antes de terem suas primeiras aulas.
– Sentem-se, meninas. – disse a diretora – Então vocês são novas, certo? Senhoritas Brooklin.
– Brooks. – corrigi
– Claro.
Vou ser bem sincera agora: aquela diretora parecia mais com uma bruxa do que eu e minhas irmãs. Ela sim seria daquelas velhas e feias. A mulher era realmente velha, com o cabelo loiro tingido, cheia de rugas e sim, tinha uma verruga no nariz. Me dava medo.
– De acordo com o histórico de vocês, as três vieram de Chicago e estudaram em casa. Bom, o que eu tenho a dizer é: sejam bem-vindas à Moonwood. E também à Mystic High. Devo lhes dizer as regras da escola. Não é permitido trazer bebidas alcoólicas ou cigarros. Também não é permitido colar durante as provas. Caso cometa algum destes delitos, não poderei dar outra punição a não ser expulsar vocês.
– Sim, senhora. – dissemos as três juntas.
– Seus armários são vizinhos, números 91, 92 e 93. Os livros já estão lá. Aqui estão os horários. Agora vão para a aula.
Olhei no meu horário para saber qual seria a primeira aula. Trigonometria. Ótimo. Eu iria para a aula de uma matéria que não sabia nem pronunciar o nome. Peguei meus livros e fui correndo para a sala. A professora já tinha chegado, mas a sala ainda estava um caos. Sentei na única cadeira vazia que ainda sobrava, do lado de uma garota baixinha, de cabelos castanhos com pontas azuis e olhos verdes. Assim que eu sentei ela virou pra mim.
– Bom dia! Você é a garota nova, não é? Prazer, eu sou a Rebeka. Rebeka Christ.
– Fatin Brooks.
– Bem-vinda à Mystic High. Você não é daqui, é?
– Não. Eu vim de Chicago e estudei em casa minha vida inteira.
– Nossa. Então vai ser meio difícil se acostumar com isso aqui. As pessoas daqui são meio... hm, como posso dizer... Digamos, bagunceiras.
– Entendi.
– Muito bem, alunos, sentados. – disse a professora. Rebeka revirou os olhos.
– Argh, vai começar. Se eu fosse você, dormia. A primeira aula nunca é importante. Apenas espere ela falar seu nome na chamada.
Ela estava certa. Primeiro a professora fez a chamada, e eu apenas levantei a mão quando ela disse “Fatin Brooks”. Eu já estava abaixando a cabeça quando eu ouvi o tal nome.
– Peter Williams?
Espertei na hora e cheguei até a dar um pulo. Perfeito. O garoto estava na minha classe de Trigonometria.
– Presente – disse uma voz atrás de mim.
Não hesitei. Olhei pra trás. Sim, era ele. Alto, muito branco, cabelos pretos, olhos castanhos e ombros largos. E foi exatamente no momento em que olhei pra ele que meus problemas começaram.
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