Potion of Hearts
10 Halloween Party
Notas iniciais
Bom, eu quero agradecer pelas reviews que vocês tem me mandado! Porque são justamente essas reviews que me fazem ter vontade de escrever até o final, e quem sabe um dia publicar? (sonha, Alice, but okay). Enfim, obrigada ;D
- Não. – disse Mohan
- Não? Como assim “não”?
- Você não vai para esta festa e ponto final.
Eu não conseguia entender o motivo por eu não poder ir àquela festa. Mohan estava parecendo a mãe de uma adolescente normal proibindo a filha de ir para uma festa. A diferença era que ela não era minha mãe e eu não era uma adolescente normal.
- Olha, Fatin, nós não estamos aqui para nos divertirmos. Temos uma missão, lembra-se?
- Mas é Halloween! Dia das bruxas! Nós temos um feriado próprio e você não quer comemorar?
- Nós comemoramos esse feriado todos os anos na nossa terra!
- Mas não com os humanos!
- Fatin. Não.
Meus argumentos estavam se acabando. Ótimo. Os humanos iriam comemorar o meu dia (mesmo sem saber) e eu não poderia comemorar junto. Ah, mas e quanto as minhas roupas de bruxa? Não. Mohan não iria deixar de jeito nenhum. A não ser que...
- Tudo bem. Eu não vou.
- Ótimo.
No momento em que ela saiu da sala, comecei a anotar meus planos de fuga.
Deu certo. Usei um papel inteiro para anotar os planos. Porém, todos foram riscados. Nunca iriam funcionar. Peguei o celular e disquei o número de Becky.
- Alô?
- Eu preciso da sua ajuda.
- Bom, no momento eu estou fazendo minha maquiagem para a festa, mas pode falar.
- Eu tenho que fugir de casa.
- Como assim? Por quê?
- Não para sempre, claro. Mas Mohan não quer me deixar ir à festa.
- Ah, é só isso? – ela riu – Isso aí é fácil. Já fugi de casa para festas umas quinhentas vezes.
- Então pode me ajudar?
- Com certeza.
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Vesti minha roupa favorita: o espartilho preto, a saia roxa, a meia-calça arrastão e uma bota preta. A maquiagem eu também não precisei me esforçar. Apenas fiz com que eu ficasse com meu rosto de sempre: sombra roxa e preta, bastante delineador e, claro, um gloss vermelho com delineador labial preto. Aquela sim era eu.
O celular tocou.
- Diga. – atendi
- Está pronta? – perguntou Becky
- Já faz uma meia hora. Por que demorou tanto?
- Meu cabelo e maquiagem precisavam de muitos caprichos. Você vai ver depois.
- Tudo bem.
- Eu estou chegando à sua casa. Sabe o que fazer, certo?
- Claro. Sair pela janela e escalar a árvore até chegar ao chão.
- Faça isso agora, é o tempo que eu chego.
Olhei pela janela do meu quarto. Aquela não era das mais baixas. A árvore também não parecia muito favorável. Mas toda bruxa tem um plano B.
- Certo. – disse, pegando minha vassoura que também estava guardada no fundo do armário.
- Tem certeza que consegue?
- Claro.
Logo lembrei que não poderia descer de vassoura sem ter de subir novamente para guardá-la.
Droga. Pensei. Hora do plano C.
Eu odiava fazer isso, mas era o jeito. Peguei minha bolsa e fiquei em pé na janela e pulei para trás. Sim, pulei. Por sorte eu me lembrava das aulas de voo sem vassoura. Comecei a flutuar praticamente sem direção. Ainda precisava treinar muito, mas não era hora de pensar nisso. Dei um gritinho quando quase perdi o equilíbrio no ar.
- Está tudo bem?
Quase esqueci que ainda estava no telefone! Mexi um pouco nos galhos das árvores para parecer mais real.
- C-claro. Só está um pouco... Hmm, difícil de descer aqui. Mas eu dou um jeito.
- Eu já estou chegando, vou te ajudar.
Ah, não. Ela não poderia chegar e me ver flutuando desequilibradamente. Tentei descer o mais rápido possível.
- Não, não. Não preci... – antes que eu conseguisse completar a frase, comecei a gritar. Eu estava caindo, mas por sorte, estava perto do chão.
- Fatin? Fatin, o que aconteceu aí?
- Eu... Eu acabei de pular. Não precisa mais me ajudar, eu já estou no chão.
Caída de joelhos no chão, mas no chão. Levantei-me rapidamente, limpei os joelhos e vi um carro chegando perto.
- Vou desligar.
Aproximei-me do carro e ela abriu o vidro.
- Becky... Seu cabelo... Ele está...
- Azul? Sou a noiva cadáver, claro que preciso ter o cabelo azul! Entra aí. O que houve com seu joelho?
Quando olhei, meu joelho estava sangrando um pouco.
- Ah, isso? Não é nada. Foi só uma pequena queda. Daqui a pouco para de sangrar.
- Tudo bem...
Abri a porta e entrei. A maquiagem dela estava perfeita. Parecia mesmo que tinha acabado de sofrer um enorme acidente. O rosto pálido, mas meio azulado estava cheio de cicatrizes. O vestido, todo esfarrapado. Sujo de lama e rasgado. Na parte das costelas, tinham literalmente ossos desenhados lá.
- Sua fantasia está... – comecei
- Eu sei! A sua também! Onde você comprou este espartilho? Está perfeito!
- Não foi aqui. Eu estava... Viajando.
Chegando à casa de Susan, vi que tudo estava perfeitamente decorado. Estava escuro, apenas com uma luz negra. As mesas tinham teia de aranha ao redor e os doces ficavam dentro de um balde de abóbora. Além disso, tinham várias velas espalhadas. Nas paredes, alguns fantasminhas de isopor estavam grudados. Vi pessoas gritando ao pegarem aranhas de plástico sem querer entre os doces. Ao redor da piscina, alguns crânios pretos brilhantes. A música que estava tocando era “This Is Halloween”, uma das minhas favoritas.
Aquele era simplesmente o paraíso. Eu estava completamente maravilhada. Até lembrar que a dona da casa era Susan. Lá estava ela, bem na minha frente, com uma fantasia de boneca de porcelana quebrada, tentando chamar minha atenção.
- Ei! Oi? Como é isso? Chega a uma festa e fica apenas observando a decoração sem nem sequer falar com a dona da festa?
- Ah... Oi, Susan. – disse, desanimada. – Hmm, bela festa.
- Obrigada. – disse, olhando fixamente para Becky.
- É. Bela festa. – disse Becky, o que a fez simplesmente virar as costas e sair.
Continuamos andando, à procura de Peter. Eu me maravilhava a cada decoração que passava. Aquele sim era o lugar para uma bruxa. De repente, alguém tapa meus olhos. Gritei de susto e Becky começou a rir.
- Quem é? – perguntei, um pouco aflita. Estava prestes a usar um feitiço para fazer com que a pessoa se afastasse, mas achei melhor esperar uma resposta.
- É você que tem que adivinhar – disse Becky.
Uma voz sussurrou no meu ouvido:
- Sou um caçador de bruxas. Diga meu nome e sairá viva.
Paralisei por uma fração de segundo, pois minha mãe havia sido morta justamente por um caçador de bruxas. Mas logo reconheci o dono da voz que tentava me assustar e comecei a rir, aliviada.
- Peter!
- Achou! – ele tirou a mão dos meus olhos e me deu um abraço. Estava fantasiado de Jack, do filme O Estranho Mundo de Jack. – Te assustei?
- Claro que não!
- Ah, por favor, Fatin! – disse Becky, rindo – deu para ver até você tremendo!
- Becky, por que seu cabelo está azul? Quer dizer, ele já era azul antes, mas só nas pontas. Decidiu finalmente pintar o resto?
- Ha ha ha, muito engraçado. Eu esperava ser a única personagem do Tim Burton aqui.
- Você me imitou.
- O quê?
- Eu tive a ideia de vir fantasiado de Jack primeiro!
Tudo o que eu fazia era rir da briga dos dois. Eles sempre inventavam um motivo muito interessante para brigas. Um exemplo? Bom, um dia Becky foi almoçar um sanduíche e Peter começou a dizer que ela iria ficar gorda se comesse daquele jeito (de brincadeira, claro). Mas minha amiga não levou na brincadeira. Ela começou a dizer que aquilo era um sanduíche vegetariano e que não iria engordar. E assim os dois começaram uma briga muito útil com este assunto.
- Eu estou preparando este vestido desde que fomos convidados para a festa! E sabe que horas eu comecei essa maquiagem?
- Você sabe que horas eu comecei a maquiagem? Não é nada fácil desenhar um esqueleto na cara, sabia?
- Gente! – gritei – Os dois tiveram a ideia juntos. Felizes? – ambos cruzaram os braços e ficaram de frente para mim, ainda com “raiva” um do outro. – Olha, nós não viemos aqui para discutir a fantasia. Viemos para nos divertir! Certo?
- Certo – disseram juntos
- Ótimo.
Então fomos dançar. As músicas que passavam eram todas temáticas de Halloween, e eu amava aquelas músicas cada vez mais! Finalmente um lugar em que eu me encaixasse sendo simplesmente eu mesma. Aquela era a noite na qual eu poderia ser não apenas Fatin Brooks, mas Fatin, a bruxa, sem que ninguém desconfiasse a verdade.
De repente, as músicas agitadas terminaram. Susan foi ao microfone:
- Eu agradeço muito que vocês todos tenham vindo! Mas agora eu vou ter que mudar um pouco o estilo de música. Sei bem que o baile é só no final do ano, mas que tal nos prepararmos? Escolham seu par, que agora teremos uma música lenta!
Começou então o dueto de piano do filme A Noiva Cadáver. Becky começou a pular empolgada, dizendo que era a sua música.
- Me daria esta honra, Emily? – disse uma voz atrás dela. Tenho certeza de que ela não precisou se virar para saber quem era, só pelo sorriso em seu rosto.
- Jake! Claro que sim!
- Chame-me de Victor – por coincidência, acaso ou destino, Jake tinha ido fantasiado de Victor, o “marido” da Noiva Cadáver. Os dois saíram para dançar.
Eu fiquei apenas observando, feliz por Becky, quando alguém me cutucou.
- E você? Me daria esta honra? – era Peter, com a mão estendida para mim. Meu coração saltitou.
- Com toda certeza – respondi, sorrindo.
Apenas nos poucos minutos em que dançamos, para mim foi perfeito. Começamos a dançar, e eu não consegui evitar olhar em seus olhos. Era um tom de castanho perfeito. Como estávamos encostados um no outro, pude sentir seu coração batendo forte. Não sei se estava mais forte do que o meu, mas os dois pareciam estar numa competição de bateria. Quando a música acabou, fomos para fora. No caminho, pude ver Becky e Jake ainda dançando, embora a música já estivesse agitada. O sorriso quase nem cabia no rosto dela.
- Eles dois formam um belo casal, não é? – perguntou Peter
- Formam mesmo...
Ficamos um minuto em silêncio, apenas observando a luz do luar. Aquela noite não poderia estar sendo mais que perfeita.
- Fatin...
- Sim?
Ele deu uma pequena risada, como se fosse falar uma idiotice.
- Sabe... No dia em que eu fui falar com você na aula de Química... Eu não sei... Eu senti que queria ficar ao seu lado. Não só naquele momento, mas também no tempo inteiro. Logo de primeira pude perceber que você era especial. E quando nos tornamos amigos, a cada abraço, cada risada... De repente meu coração começou a saltitar cada vez que eu te via. E hoje, quando vi você de longe, vestida de bruxa e... mais linda do que nunca... Percebi que não quero ser só o seu amigo.
Eu não sabia se chorava, ria, gritava, ou beijava-o. Peter sentia o mesmo por mim que eu sentia por ele. Nós poderíamos ficar juntos, finalmente... Mas não era para isso que eu tinha feito amizade com ele. Senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto sem que percebesse.
- Você está chorando? Eu disse alguma coisa errada?
- Não, Peter. Não, não, não! Você disse tudo certo. Acabou de dizer tudo o que eu sentia.
- Então por que está chorando?
- Às vezes... às vezes as coisas não saem como queremos. Às vezes o amor pode doer.
- Não conosco.
Dizendo isso, ele limpou minha lágrima e afastou uma mecha da minha franja do meu olho.
E então Peter Williams finalmente me beijou.
Notas finais
Até o próximo capítulo, bjs!
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