Postcards From Far Away

6 Uma Festa Inesperada - Parte 4


No fim, eu havia visto Gandalf chegar com o resto dos anões, menos Thorin, é claro. Ele chegaria por último. Gandalf ria com os anões, mas o pobre sr. Bolseiro corria para todos os lados, tentando impedir que os anões destruíssem sua casa. Eu achava seu comportamento engraçado, mas não era hipócrita; se aqueles anões surgissem em minha casa e fizessem toda aquela bagunça, eu provavelmente teria uma ataque pior do que o de Bilbo.

— O que irá falar para Thorin, Gandalf? — perguntei ao mago, me dando conta de que daqui a pouco o rei anão chegaria a Bolsão.

— Creio que a verdade será o melhor, não acha, Audrey? — ele me encarou, trocando o cajado de mão.

— Acredito que sim. — suspirei — Melhor se contarmos a todos, quando ele chegar.

— Gandalf! — Bilbo se aproximou, com o rosto vermelho de raiva — Gandalf, o que significa isso? — ele puxou o mago para longe.

— Hora, meu caro Bilbo, eles são uma reunião alegre! — ouvi a resposta de Gandalf, e ri comigo mesma, encostada na parede. Não queria ficar no meio de todo aquele barulho. Claro, eu adorava os anões, eram divertidos, mas eu era muito propensa a ter enxaquecas e tinha aversão a qualquer barulho.

— Então, você é amiga de Gandalf. — Kili surgiu ao meu lado.

— Como o conheceu? — Fili surgiu ao lado do irmão.

— Ele me ajudou... — escolhi bem as palavras — Quando eu mais precisei. É.

Eu não era muito boa em mentir, e nem gostava de mentir, por isso eu preferia o termo ocultar parte da verdade.

— Você não é uma hobbit, seus pés são pequenos. — Kili franziu o cenho, olhando para meus pés cobertos por minhas botas. Me mexi, desconfortável — Também não é anã, seu rosto não tem pelos.

Pressionei meus lábios, cada vez mais desconfortável.

— Eu sou humana. — falei, pigarreando.

— Humana? — ambos exclamaram ao mesmo tempo, me encarando com surpresa.

— Sim. — franzi o cenho — Sou humana, apenas mais... baixa que a maioria. — senti meu rosto esquentar. Que tipo de desculpa era aquela? Ah, Gandalf ia contar a verdade mesmo!

— De onde você é? — Fili perguntou, curiosos — De Rohan ou Gondor, talvez?

Fiquei tentada a dizer que na verdade era uma grande amiga dos elfos da floresta e vivia com eles sob a proteção de rei Thranduil, mas procurei me acalmar.

— Eu sou de muito longe. — respondi — Gandalf sabe de onde eu vim, e depois vocês irão saber de tudo ao meu respeito. Agora, se me dão licença, — dei as costas aos irmãos — eu vou procurar algum lugar onde ninguém me pressione com perguntas desconfortáveis.

Andei rapidamente pela toca do hobbit, não querendo que os dois me seguissem, e felizmente não seguiram, e encontrei outros anões mexendo nas pratarias de Bilbo.

— Ei, será que podem parar com isso! Vão deixar as facas cegas! — Bilbo passou por mim, frustrado.

— Ouviram isso rapazes? — Bofur disse — Ele disse que nós vamos deixar as facas cegas!

Meu humor melhorou consideravelmente, ao reconhecer a música que eles começaram a cantar, enquanto de uma maneira habilidosa começavam a arrumar a casa de Bilbo.

Copos trincados e pratos partidos!

Facas cegas, colheres dobradas!

É isso que em Bilbo causa gemidos!

Garrafas em caco e rolhas queimadas!

Pise em gordura, corte a toalha!

Sobre o tapete jogue os ossinhos!

Não pude evitar rir e cantar a letra que eu tão bem conhecia.

Isso é o que Bilbo Bolseiro detesta!

Cuidado! Cuidado com os pratos da festa!

No fim, toda a louça estava limpa e arrumada, e todos riram, até uma alta batida na porta silenciar a todos.

— Ele chegou. — Gandalf disse.

Thorin Escudo de Carvalho havia chegado.