Postcards From Far Away
4 Uma Festa Inesperada - Parte 2
O Condado era realmente um lugar maravilhoso, eu precisava admitir. Pacato e calmo, conseguia entender porque eles não gostavam de sair para caçar aventuras. Que tipo de pessoa deixaria o Condado?
Pois bem, quando nos aproximamos de Bolsão, pude ver Bilbo Bolseiro pessoalmente. Um de meus personagens favoritos, embora não "o" favorito. Era como o ator do filme, Martin Freeman. Parecia relaxado, fumava seu cachimbo ao ar livre, em um banco em frente a sua toca. Me permiti ficar alguns passos atrás de Gandalf.
O Mago Cinzento parou na frente do hobbit, que abriu os olhos, um pouco surpreso. Essa parte era tão legal!
— Bom dia. — disse Bilbo, o encarando.
— O que quer dizer com isso? — perguntou Gandalf, o olhando por debaixo de suas espessas sobrancelhas — Está me desejando um bom dia, ou quer dizer que o dia está bom não importa o que eu queira ou não, ou quer dizer que você se sente bem nesse dia em particular, ou que esse é um dia para se estar bem?
Essa era uma de minhas partes favoritas.
— Tudo isso... de uma vez só. — respondeu Bilbo, claramente confuso — Posso ajuda-lo?
— Isso é o que vamos ver... — disse Gandalf, trocando seu cajado de mão — Eu estou procurando alguém para ir em uma aventura.
Bilbo soltou uma risada baixa.
— Eu não conheço ninguém ao oeste de Bri, que queira ir em uma aventura. São desagradáveis e nos atrasam para o jantar. — ele gesticulou com o cachimbo e se levantou para pegar sua correspondência em uma espécie de caixa de correio. Gandalf continuou o encarando, e aquilo pareceu incomodar o pequeno hobbit — Bom dia. — ele disse mais uma vez, e se virou.
— Você usa "bom dia" para um monte de coisas! — exclamou Gandalf — E pensar que eu viveria para escutar um "bom dia" do filho de Beladona Túk como se fosse um simples mascate que bate de porta em porta!
Não consegui evitar meu sorriso. Bilbo ainda não parecia ter notado minha presença, já que dedicava sua atenção ao Mago.
— Desculpe, eu lhe conheço? — o hobbit perguntou.
— Você sabe meu nome, embora não se lembre de que ele pertence a mim. — respondeu Gandalf — Eu sou Gandalf, e Gandalf significa... eu.
Reconhecimento brilhou nos olhos de Bilbo.
— Gandalf! O Mago errante que costumava fazer fogos de artifício especialmente maravilhosos. O Velho Túk costumava soltá-los na véspera do Solstício de Verão. — tragou seu cachimbo — Não imaginava que ainda estivesse na ativa.
— E onde mais eu poderia estar? — perguntou Gandalf.
Bilbo desviou os olhos e pigarreou. Me segurei para não rir; estar presenciando esse diálogo dos dois me fazia sentir mais leve.
— De qualquer forma, — continuou o Mago — estou satisfeito em saber que você se lembra de alguma coisa a meu respeito, mesmo que somente dos fogos de artificio. Você mudou, Bilbo Bolseiro, e não totalmente para melhor. Vou manda-lo nessa aventura. Muito divertido para mim, muito bom para você... e lucrativo, provavelmente, se você conseguir chegar até o fim.
— Bem, nós não queremos aventuras por aqui, obrigado! — exclamou Bilbo, parecendo subitamente exaltado. Ele se pôs de pé — Sugiro que tente depois...
— Ora, meu caro sr Bolseiro, ao menos me faça o favor de acolher a senhorita Marshall enquanto preciso resolver alguns assuntos. — Gandalf me puxou para seu lado, e pela primeira vez o hobbit pareceu tomar consciência de que havia eu ali — Eu voltarei para encontra-la, mas tarde. Ela é... — o Mago me olhou com um sorriso gentil — uma velha amiga.
Quase senti lágrimas virem aos meus olhos. Gandalf, meu personagem favorito, havia me chamado de amiga.
— Claro, claro! — Bilbo ainda estava agitado — Entre, senhorita Marshall, seja bem-vinda à Bolsão.
Gandalf piscou para mim, de modo que Bilbo não poderia ver.
Quando entramos em sua toca, o hobbit fechou a porta verde o mais depressa possível e se escorou nela respirando fundo.
E eu apenas fiquei parada ali, com o olhar perdido. Naquele dia mesmo, mais tarde, na hora do jantar, os anões começariam a chegar. E com eles, uma aventura inesperada.
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