Postcards From Far Away
9 Questão de Idades
Notas iniciais
Um pônei foi dado para mim, para que eu pudesse montar, algo que não tive muita dificuldade a fazer. Eu sabia montar à cavalo, e pôneis eram mais delicado e até mesmo dóceis. Partimos a primeira luz do dia, após um rápido desjejum e deixamos Bilbo para trás. Não me preocupava, afinal, sabia que ele viria.
Eu seguia entre Fili e Kili, ouvindo suas piadas e rindo o máximo que podia, algumas vezes comentando sobre como era a minha realidade, sobre como era tudo diferente, embora não comentasse nada que eu soubesse. Até que os anões começaram a apostar se Bilbo iria ou não encontra-los. Aí eu tive que me meter; eu tinha um certo... ahmmm, vicio em apostas. Fazia muitas com meus amigos na época da escola, embora algumas vezes me desse mal.
— Apostem que ele virá. — sussurrei para Kili e Fili.
Ambos me olharam com desconfiança.
— Esqueceram que eu... tenho certo conhecimento sobre o futuro? — ergui uma sobrancelha, decidindo repetir as palavras de Gandalf. Mas bastou, pois eles apostaram.
— Então, senhorita Audrey, quantos anos você tem? — Fili me perguntou, lançando-me um olhar de soslaio.
— Me chame só de Audrey. — acenei com a mão — E eu tenho dezoito.
Houve um silêncio no grupo, e os dois irmãos me encaravam com olhos arregalados.
— Pelas minhas barbas, você é apenas uma criança! — o anão ruivo, Glóin, pai de Gimli, exclamou.
— Não, eu não sou! — falei, um pouco indignada.
Gandalf, mais a frente em seu cavalo, ria.
— Audrey, meu irmão e eu somos os mais novos da companhia e faz pouco tempo que saímos da maioridade. — os olhos de Fili brilharam — Para os nossos padrões, você é uma criança.
Ah, é. Tinha me esquecido. Fili e Kili eram bem jovens mesmo.
— Não me lembro a idade de vocês. — murmurei, e os dois riram.
— Eu tenho oitenta e dois. — o loiro me lançou um sorriso.
— E eu setenta e sete. — o mais novo concluiu.
— Bem, no meu mundo, dezoito é a maioridade. — falei — Legalmente, não sou mais criança.
— No seu mundo há músicas, senhorita Audrey? — Ori perguntou, timidamente.
— Sim, há muitas. — sorri.
— Você poderia cantar para nós! — Kili exclamou, o que fez com que os anões murmurassem em concordância, o que por sua vez fez com que Thorin mandasse que fizéssemos silêncio.
— Eu não canto muito bem. — falei, sem conseguir evitar uma careta.
— Não acredito nisso nem por um segundo. — disse Kili.
— Eu aposto que sua voz deve ser tão linda quanto o seu belo rosto. — Fili acenou com a cabeça, me lançando mais um sorriso.
Senti meu rosto corar com toda a atenção que estava recebendo, mas não vou mentir, me sentia lisonjeada também. Nem toda garota poderia se dar ao luxo de dizer que era o alvo da atenção de dois príncipes — literalmente.
— Esperem! — uma voz gritou atrás de nós — Esperem! — todos nós paramos e Bilbo conseguiu chegar — Eu assinei o contrato. — disse, sem fôlego.
Balin examinou o contrato e então sorriu.
— Bem-Vindo, meu jovem, a Companhia de Thorin Escudo de Carvalho!
— Dê um pônei a ele. — foi tudo o que Thorin disse, voltando a fazer seu pônei andar.
O sr. Bolseiro disse que não precisava de pôneis, mas Fili e Kili o levantaram e o colocaram sobre um. Não consegui evitar rir com a cara que o hobbit fazia.
Passamos alguns instantes em silêncio, exceto pelos espirros ocasionais de Bilbo, por conta de sua alergia. Me peguei observando Thorin, que conversava com Gandalf a frente da comitiva. Uma pena que um líder nato e tão cheio de honra como ele fosse cair perante a doença da ganância e isso resultasse tanto sofrimento. Eu poderia impedir, talvez, mas como? Como impediria a morte de Thorin, Fili e Kili? Varda poderia ter ao menos me dito como! Senti a ansiedade tentar tomar conta de mim e respirei fundo. Teria até o final para bolar um plano eficiente.
É, seria uma longa jornada.
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