Postcards From Far Away
8 Conversas Com Uma Valië
Notas iniciais
Não sei bem quando adormeci, mas caí em um sono profundo. Imagens borradas surgiam em meu sonho, e eu não conseguia enxergar.
Até que por fim, abri meus olhos apenas para me assustar ao ver o céu estrelado acima de mim. Passado o susto, me vi hipnotizada pelas belas estrelas tão brilhantes. Não era possível que algo tão lindo fosse real.
— Olá, criança. — uma voz melodiosa, porém ao mesmo tempo firme, disse, fazendo com que eu me erguesse, sentando na... grama?
Franzi o cenho e olhei na direção da voz, e vi a mulher mais linda do mundo. Para que me entendessem, eu poderia compara-la a uma atriz de cinema ou a alguma modelo da Victoria's Secret, mas não faria jus a ela. Aquela mulher tinha uma beleza diferente, quase etérea, do tipo de beleza de que não encontramos suas vezes. Seus cabelos eram negros como a noite, tão escuros quanto os meus, e sua pele era pálida como porcelana. Intocável. Seu sorriso era perfeito, mas o que me chamavam a atenção eram seus olhos: prateados como as luzes das estrelas.
Na verdade, a própria mulher parecia brilhar como uma estrela.
— Você sabe quem eu sou? — ela perguntou, se sentando de frente para mim na grama, tão graciosamente que eu me sentia um homem das cavernas próxima a ela.
Quem era ela? Bem, estado eu na Terra-Média — se eu não estivesse sonhado e fosse acordar a qualquer instante -, eu tinha uma ideia de quem ela poderia ser.
— Varda Elentarí, a Inflamadora. — falei, em um sussurro, e o sorriso dela se alargou.
— Exatamente. — ela assentiu — Minha querida, você está aqui com uma missão. Precisa garantir que os anões consigam reaver sua terra natal e precisa garantir que Smaug seja morto.
— Mas isso vai acontecer! — exclamei, sem me conter.
— Audrey, — a voz de Varda era como uma canção de ninar — só porque leu os livros de John Tolkien não significa que saiba de tudo. Ele era um rapaz com um dom peculiar para ver o futuro, sim, mas não foi permitido a ele saber demais. Nem mesmo nós, os Valar, temos tanto conhecimento. — ela apertou meu ombro de maneira carinhosa — O seu destino, Audrey Marie Marshall, está alinhado ao da Terra-Média. Você não pode falhar.
Aquele 'você não pode falhar' tocou meu psicológico já um pouco frágil.
— Mas, achei que não pudesse interferir... — murmurei em um fio de voz.
— Talvez, uma pequena interferência não faça um mal irremediável. — os olhos de Varda brilharam, quase que brincalhões — Na verdade, algumas mudanças serão bem-vindas. — ela sorriu mais uma vez.
Acima de nós, notei que as estrelas ficavam cada vez mais apagadas. Varda notou e franziu o cenho.
— Bem, acho que agora é hora de você acordar. — ela sorriu — Nai anar caluva tielyanna. — e então tocou em minha testa.
***
Abri meus olhos, dessa vez para ver a sala de Bilbo, ainda escura, se formar a minha frente. Sentia um leve suor cobrir minha testa e notei que um grande casaco de couro estava lançado por cima de mim. A lareira estava apagada.
Segurando o casaco em meus braços — ele era mais pesado do que eu pensava -, segui para o corredor e saí da casa de Bilbo, respirando o ar puro. Ainda faltava, talvez, uma hora para o nascer do sol. Ninguém estava ali, nenhum som se escutava.
— O que está fazendo aí fora?
Corrigindo: Nenhum som se escutava, até aquele momento.
— Estava apenas pensando. — me virei para encarar o mais novo dos anões — Sei que não vou conseguir pegar no sono novamente.
Kili franziu o cenho, me observando, e foi aí que eu notei que ele estava sem seu casaco que sempre usava por cima das vestes. Ligando um ponto ao outro...
— Aqui. — entreguei seu casaco, que ainda estava comigo — E obrigada, embora não precisasse.
Ele deu um sorriso.
— Disponha, senhorita Audrey, zelar por uma bela dama é dever de todo anão. — disse ele, e eu ri. Realmente, havia algo nele que me fazia rir com muita facilidade.
— Vamos entrar, príncipe encantado. — falei — Não vai demorar muito até sairmos daqui e talvez eu conte uma coisa ou duas sobre meu mundo, se você ainda quiser ouvir.
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