Postcards From Far Away
14 Antes de Imlandris
Notas iniciais
Depois que Gandalf ajudou que os anões se soltassem, Fili e Kili me ajudaram a me soltar e a me sentar. Minhas costelas doíam muito, e cambaleei em meus próprios pés, ainda me apoiando nos dois irmãos. Oh, situação constrangedora!
— Audrey, você está bem? – Kili perguntou, segurando meu braço com cuidado. Parecia realmente preocupado.
Apoiei minhas costas no tronco de uma árvore e toquei com cuidado a lateral do meu corpo, tentando sentir minhas costelas.
— Audrey? – o anão mais novo insistiu.
— Um momento, Kili! – exclamei, ainda tentando me examinar.
Toquei cada uma de minhas costelas e respirei profundamente, aliviada. Doíam insuportavelmente, mas não estavam quebradas.
— Eu estou bem. – falei, após constatar que o príncipe ainda estava ali do meu lado – Não quebrei nada.
— Tem certeza? – seus olhos castanhos estavam cheios de preocupação.
— Sim. – sorri, embora tenha quase certeza que meu sorriso estava estranho – Por que não vai ajudar seu irmão com os outros? Eu preciso falar com Gandalf.
— Tudo bem. – ele me lançou um último olhar.
Como se observasse a deixa perfeita, Gandalf caminhou em minha direção e parou ao meu lado, mudando o cajado de mão e me observando com seus olhos brilhantes e sábios.
— Ora, parece que nosso jovem príncipe anão pegou certo interesse por você, minha cara Audrey. – o Mago riu.
Dei uma risada forçada.
— É, ele é um amor. – comentei – Mas preciso lhe contar uma coisa; Varda, a própria Varda apareceu em meu sonho.
— Quando isso aconteceu? – seus olhos pareceram mais intensos.
— Faz umas Três noites, quando saímos da casa de Bilbo. – dei de ombros e quando vi seu olhar, completei – Desculpe, mas com todos esses acontecimentos e essa viagem inesperada, eu acabei esquecendo de contar. Ela disse que eu tenho o dever de garantir que os anões retomem sua terra natal e que Smaug seja morto. Preciso admitir que estou muito assustada, embora por fora eu pareça calma.
— Não tenha medo do futuro, querida Audrey. – o Cinzento sorriu, gentilmente – É seu destino. Agora, acredito que preciso falar com um certo rei anão. Com sua licença.
Sorri enquanto observava Gandalf se afastar. Ele parecia o avô de alguém, embora um avô que usasse espada e cajado, fosse muito poderoso e pudesse matá-lo facilmente. Tentei me lembrar o que aconteceria agora; já passara a parte dos trolls... Sabia que iríamos para Valfenda, ou melhor, Imlandris. Mas sabia que algo acontecia antes. Thorin não iria até os elfos tão facilmente.
— Audrey! – uma voz me chamando fez com que eu piscasse e voltasse para o mundo real. Era Kili mais uma vez, mas agora estava sozinho e não acompanhado por Fili. Ele parou em minha frente e me entregou o que parecia ser uma espada embainhada – Para você usar. Achei na toca dos trolls. – sorriu.
Ele parecia viver sorrindo.
— Obrigada. – agradeci – Mas eu não sei...
— Fili e eu podemos te ensinar a maneja-la! – ele me cortou, animado – Tenho certeza que aprenderá rápido!
Primeiramente, não pensem que eu era aquele tipo de garota que não sabe se defender. Eu sei dar uns socos e chutes muito bons, que aprendi por ser mais próxima do meu pai que de minha mãe, e por ter crescido em meio a primos e não primas. Eu apenas não sabia usar lâminas. Sabia apenas que atacava-se com a extremidade afiada.
— Obrigada, Kili. – falei, de certa forma me sentindo tocada por sua preocupação comigo – Você é doce. Como eu coloco? – consegui apenas desafivelar a bainha, mas ela não se prendia de jeito nenhum em meu quadril.
— Assim. – ele afastou minhas mãos e puxou a bainha, a prendendo rapidamente. Sorrindo (como sempre) ele ergueu o rosto olhando diretamente em meus olhos – Agora você parece como uma de nós!
Senti que corava e pressionei os lábios, respondendo seu sorriso com um tenso de minha parte.
E nesse momento, Radagast o Castanho surgiu do meio das árvores gritando e rompendo a rara atmosfera de paz.
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