Post Mortem

1 Post Mortem


Notas iniciais
Não sou escritora do gênero terror, essa história é apenas um teste, estou apenas testando meus conhecimentos e habilidades e vendo se consigo desenvolver algo nesse estilo. Espero que gostem.

Post Mortem

As unhas quebradiças acinzentadas e parcialmente presas nas falanges putrefatas, agitavam-se nas mãos descamadas, álgidas e com ausência de uma pulsação sanguínea, os dentes escurecidos e semicerrados eram expostos nas contraturas da musculatura maxilar há muito já extinta. As cordas vocais decompostas exalavam odor fétido junto aos urros raivosos daqueles lábios azulados sem vida.

A córnea opaca e a esclera amarronzada definida pelas ramificações de capilares sanguíneos inativos, destacava-se perante sua tez alva encoberta por uma pele pegajosa e conspurcada de sangue coagulado, o perímetro de seus olhos eram encurtados e esticados em um traçado definido direcionado a suas têmporas, seus cabelos eram lisos, grossos e pretos como o mais ínfimo vale da morte. A discreta fumaça álgida preenchia de modo enevoado todo o restrito espaço metálico daquela câmara mortuária, há seus exatos cinco graus negativos.

A balburdia dos urros pavorosos e das batidas incessantes vindo de dentro da câmara, podiam-se ser ouvidos a pouco menos de cinquenta metros. Sua mente era um borrão negro repleto de ausências e malevolência. O maxilar superior colidia ferozmente com o de baixo, quebrando e rangendo os poucos dentes restantes que havia em sua cavidade oral.

O instinto selvagem e os sentidos de sobrevivência remanescentes em seus despojos humanos, faziam a inércia de seu cadáver infectado mover-se livremente e contra a vontade de Deus. Comer e dilacerar, era tudo o que seu córtex, agora, sem sinapses e sem qualquer tipo de inteligência racional, induzia. A língua edemaciada necessitava do contato sanguíneo quente recorrente a uma corrente sanguínea vívida e oxigenada.

Os músculos em rigidez cadavérica batiam grosseiramente por dentro da câmara, despertando a atenção dos zumbis nas proximidades. Ruídos rastejantes e urros famélicos ecoavam cada vez mais próximos da gaveta metálica daquele necrotério há tempos abandonado. O braço maneta colidiu com força na porta do gavetário ao lado de fora, marcando-o com um rastro viscoso e mal cheiroso, arrancando – em uma quase paródia diabólica — a única identificação daquele cadáver isolado em seu sepulcro eterno.

“Jaz aqui, Bruce. Ex-sobrevivente do apocalipse que exumou a população”.

Notas finais
Sugestões e/ou reclamações?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!