Notas iniciais
Eu precisava começar a seguir em frente, viver cada acontecimento de uma vez e sem pressa. Esquecer todo o meu sofrimento rispido e pegajoso que o passado me dera. Nova Iorque era o lugar certo para novas decisões e uma vida profissional e pessoal, repleta de alegria e mudanças. Mas existia algo que jamais mudaria, e algo do qual eu jamais deixaria no passado.
“Obrigada” sussurrei para Laurien, que observava a vista deslumbrante que nosso apartamento nos dava. Lá fora, NY era uma cidade que não dormia. Uma cidade cercada por correria e indignação abrupta dos carros e das pessoas. “Obrigada mesmo.”
“Você acha que esta me fazendo um favor?” Laurien me deu um sorriso sem graça e apertou os meus braços bem forte, me encarando profundamente “Estar aqui com você, em Nova Iorque, é um prazer.”
“Pra mim também” devolvi um sorriso maior do que recebia. Sincero o bastante pra que ela perceberce o quanto era importante pra mim. Laurien estava comigo em todos os acontecimentos da minha vida, e em todos os sentidos me deu a paz que eu precisava pra continuar vivendo. Além da minha mãe e do me pai, ela era a pessoa que eu mais podia confiar. Ela era a base de tudo, meu ponto de equlibrio.
“Eu mal posso esperar para achar um monte de gatinhos aqui” ela comentou empolgada. “posso sentir o cheiro de carne fresca daqui.”
Nosso apartamento tinha as janelas envidrassadas e elegantemente cercadas por madeira vintages, as paredes foram construidas com pedras e dava uma impressão chique e confortante do qual nós duas pressisavamos. Quanto a localização, ocupava a categoria de vigezimo terceiro andar, e tinha uma vista que deixaria qualquer um maravilhado ao olhar para a times squere.
“Laurien!” chamei a sua atenção para as poutronas de couro compridas e negras que estavam desoganizadas no meio da sala de estar — ainda emplastificadas por conta das compras e mudanças que minha mãe e eu fizemos nas noites anteriores a nossa mudança -. “você não presta.”
“Vamos sair?” Ela se juntou a mim, juntando as mãos em uma atuação dramatica de apelação, implorando por uma saidinha que bagunçasse nossa primeira noite na cidade. Ela queria mais do que ninguém, sair embreagada agarrando, sem qualquer preocupação, os meninos que passassem por nós. Era uma exelente ideia. Mas eu não estava preparada. – não tão cedo. “Quero beber, quero ficar louca!”
“você já é!” soltei uma risada grosseira, eu estava acabada. Cansada, e suada. Eu adorava me arrumar, estar com os cabelos loiros sexualmente ativo para os olhos masculinos. E eu queria estar atraente agora, mais do que em qualquer fase da minha vida. Mas eu também adorava o fato de estar sem nada pra fazer, sem preocupações, sem as unhas feitas e com o cabelo amarrado e meias quentes, uma blusa cinza leve, jogada pra baixo dos meus ombros. Uma calça larga e com estampas floridas. Brega!
“Isso é um sim?” Ao contrario de mim, Laurien estava pronta. Parecia ter nascido pronta e preparada para seduzir os homem de qualquer lugar. Ela era linda, morena com olhos azuis marinhos. Tinha um corpo magro e usava umas roupas elegantes demais; provocantes de mais.
“Isso é um... Não. Laurien, amanhã eu tenho uma entrevista de trabalho na ‘The Public Theater in NYC’ jornal” antes de ouvir qualquer reclamação ou apelo com caras tristes e um rio de lagrimas, conclui “bem cedo”.
“Vai trocar uma saida com uma amiga de longa data, pra tentar uma vaga em um jornal que especula a vida de famosos e celebridades?” Ela se afastou, e foi até a cozinha pegar duas taças de vinho, colocando sobre o mesa e abrindo sem nem me perguntar, o vinho mais caro da nossa pequena adega. “ Pelo menos essa desfeita eu não aceitaria. Vem, vamos Emily, só uma taça”.
“ À que?” perguntei, sem entender o motivo que nos levassem a brindar qualquer coisa. Estar em um novo lugar, era especial... Mas merecia mesmo o nosso melhor vinho?
“À nós” continuou “ as mudanças, e ao destino que nos trouxe aqui, por alguma razão.”
“Ao destino” brindamos.
No dia seguinte, me levantei mais descabelada do que havia me deitado. Meus cabelos estavam completamente desgrenhados e eu soava muito. “aproveite a cidade, antes da chegada do calor” era a única coisa que me lembrava de ter visto minha mãe falar; ela tinha razão. Em breve o calor de NY estaria chegando e eu queria estar preparada, linda e charmosa. Me direcionei rapidamente a banheira, deixei que a água corresse pelos meus cabelos e pela minha pele, massagiando-a naturalmente e deliciosamente. Sem muito tempo, sequei meus cabelos – que agora estavam exageradamente cedosos e cheirosos – e coloquei o meu vestido vermelho curto, com uma abertura um pouco acima dos seios que os realçavam e ao mesmo tempo me dava uma intelectualidade exacerbada da qual eu adorava que transparecesse.
“Emily, você esta pronta pra matar” Laurien sorriu. Ao contrario dela, eu era loira, com uma pele clara e um olhar de jade. Era magra, mas não tinha, de maneira nenhuma, um corpo modelado como Laurien. Ela é cheia de curvas e alta.
“Eu espero que sim” Me sentei contraponta ao seu lugar na mesa, e engoli o café da manhã, tão rapido, que cheguei a sentir um pouco de dor no peito. “Espero conquistar o jornal todo”.
“E eu espero que o dono seja homem.” Brincou “ porque se for, você esta contratada”.
“Eu preciso ir.”
Os novaiorquinos tinham o problema de não notar o local em que eles moravam, como nós — os visitantes -. Mas eu adorava observar os passos que as pessoas davam, mesmo com muita pressa, na cidade grande. Eu adorava ver os carros bozinando uns para os outros e todo o desconforto que todo mundo sentia o tempo todo. Eu estava me habituando com tudo aquilo, e podia imaginar claramente que não seria algo dificil de acontecer. Tudo ali parecia lindo, eu podia sentir o ar diferente e o bem estar que aquilo me fazia, era indescritivel. Eu estava idiferente e confiante com a entrevista de trabalho, e nada poderia abalar as coisas que aconteceriam dali pra frente – não mais.
Sai do prédio The Public Theater às 11:00hrs da manhã, uma hora e meia depois de ter entrado. Desta vez, empregada. Aos contrario da torcida de Laurien, a dona da impresa era uma mulher charmosa e deslumbrante, que me avaliou dos pés a cabeça, todo meu curriculo e formação em jornalismo, até fez alguns teste de surpresa do qual me sai muito bem. Se antes eu estava feliz, agora eu queria comemorar. Queria que a noite chegasse mais rapida possivel. E queria sair pra beber a noite toda com minha melhor amiga.
“Alô...?” Fui surpriendida sorrateiramente por um telefonema de Melindra Megatrell, minha mãe. Algo me dizia, que de alguma forma, que ela já sabia a noticia. Mesmo sem ninguém ter contado.
“Estou falando com a mais nova assistente da The Public...?” perguntou. Sendo rapidamente interrompida pela minha felicidade abundante.
“é, você está!”
“Eu sabia que você conseguiria, minha querida”. Minha mãe era uma mulher elegante e muito rica. Começou a trabalhar muito cedo, e se tornou o maior nome e a marca de joias raras e cobiçadas do mundo. Eu era muito grata por ser sua filha e por todo o previlegio. Mas a sua praia não era a minha, eu queria alcançar os meus objetivos e vencer na vida conforme a minha propria maré. “Eu te amo!”
“Eu te amo, mãe!”
“Seu pai te liga mais tarde pra te dar os parabéns. Esta trabalhando.” Sua voz foi embargada por uma voz de desconfiança e tristesa. Meu pai já havia traido minha mãe uma vez. Toda a desconfiança pra ela era pouca. O amor que ela sentia por ele fez com que as coisas se tornassem inrelevantes e o perdão necessario. Não que ela estivesse errada, mas talvez a dor que ele tenha feito com as pessoas ao seu redor sentisse, e as féridas que abriram em mim fossem levadas para um beco de amargura, fizesse com que nada mais entre eu e ele, fosse a mesma coisa. “Ele também te ama.”
“Eu preciso ir, ainda preciso comer.”
Eu me perguntava às vezes, se seria capaz de encontrar um amor e vive-lo sem mentiras, sem desconfianças, dor ou qualquer tipo de recentimento. Me perguntava constantemente se talvez, algum dia eu seria capaz de revelar minhas dores, traumas e medos. Queria ser amada e notada daquela forma feia que eu era por dentro. Não conseguia entender o quando a beleza era importante pras pessoas se o que restava dentro era podre e nojento. Eu era uma pessoa ruim, porque não fui amada como deveria ser.
“Não se corroa tanto.” Ela tinha o dom de ler os meus pensamentos. Não havia ninguém que me conhecesse tanto quanto minha mãe. “Isso tudo acabou!”
Andando pelas ruas de Nova Iorque, pelo segundo dia seguido, as coisas pareciam mais faceis e o fato do predio onde eu trabalharia dali em diante, ser umas três quadras de distancias as coisas soavam mais agradaveis do que eu poderia pedir a Deus. Apesar de estar um pouco acabada. De ressaca da noite anterior, as coisas estavam fluindo conforme o planejado. A maquiagem escondia minha olhera e o vestido basico curto e branco, reaussava a minha cor e suavidade que eu queria.
Ao entrar no saguão do predio, comprimentei os recepcionistas e notei suas roupas formais, que eram espetaculares e todos muito bonitos. Aquele era de fato, uma impresa que levava a imagem muito a serio, e eu estava honrada em trabalhar ali. Ao entrar no elevador, pude ver que a grande maioria das funcionarias contratadas eram morenas e eu era uma das poucas loiras que circulavam – com vergonha – por ali. Por um instante achei que aquilo era coisa da minha cabeça, e quando o elevador parou no decimo oitavo andar, optei por esquecer aquela bobeira. Fui rapidamente abordada pela mulher que seria a minha nova chefe, já haviamos sido apresentadas no dia anterior. Toda alegre e simpatica, nos dariamos muito bem.
“Você não entrou no serviço em um bom dia”. Agata me puxou pelos braços e me levou até a minha mesa, cochichando no meu ouvido.
“Porque?” soltei um riso sem graça.
“Ele esta ai” continuou sem nem me deixar abrir a boca. “veio dar uma expessionada na impresa.”
“Ele quem?” perguntei curiosa.
“O homem que faz a economia girar...” Agata se afastou e ajeitou o corpo, quando percebeu que a porta estava se abrindo e o tal homem misterioso estava saindo, se despedindo da dona da Public Theater.
“Quem é você?” O homem era sexy, lindo, vestia um terno cinza colado no corpo e mostrava todo seu musculo e seu corpo viril, poderia deixar qualquer mulher de quatro ali mesmo. Estava hipinotizada como qualquer mulher estaria em uma situação como aquela. Ele era um Deus. Seu cheiro era forte e palpavel, de tão gostoso. Eu poderia nota-lo no meio de milhares de pessoa. Era desejavel e atraente. O tipo de cara que tem a mulher que quiser nos dedos, e que não brinca em serviço. Senti todo o meu corpo contrair quando notei que seus olhos estavam de encontro aos meus... ah, aqueles olhos castanhos e cabelos lisos e completamente negros estava me olhando deliberadamente e falando comigo.
“E- eu?” indaguei, timida “Emily Megatrell, prazer.”
“Carter Johnson, prazer” Ele estendeu a mão pra mim, e quando o apertei, senti uma corrente de eletricidade rodenado o nosso corpo, me fazendo solta-lo de uma maneira abrupta e até mal educada. “Essa é a garota nova?” Katy, a dona da Theater confirmou com a cabeça.
“Eu sou o cara que faz isso aqui e talvez 50% de tudo que você conhece em NY, funcionar.” Sua arrogancia me deixou desconfortavel. “Agora você é minha!”
“Me desculpe Sr. Carter. Não sou um objeto.” Conclui. “e eu não conheço nada em Nova iorque, sou nova aqui!”
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