Notas iniciais
Só um conto curto de terror.

Fábio mexia no celular na cozinha quando enquanto sua avó lavava a louça, era de noite e uma voz soou no quintal.

— Fábio cheguei!

O garoto com os olhos no celular só gritou:

— Tá aberto pode entr-

Antes de terminar a frase sua avó lhe deu um cascudo chamando sua atenção.

— Ai!

— Não fale isso, moleque. Legiões de demônios podem te possuir se você disser que tá aberto e que podem entrar sem ver quem é.

Não existe essa coisa de capeta, véia” pensou ele com raiva massageando a cabeça.

— Mas eu sei quem é vó, é a voz do Guilherme.

— Demônios disfarçam a voz para enganar. Nunca faça isso. – ela suspirou — quando eu tinha sua idade morávamos num sítio, não havia energia elétrica naquele tempo na zona rural então de noite era uma escuridão total. A nossa vizinha mais próxima a dona Rosana ficava numa casinha a uns cinco km, o marido dela trabalhava na roça de modo que voltava só a noite e sempre esquecia a chave gritando para ela abrir a porta. Um dia Rosana ficou sem paciência e deixou a porta destrancada. Enquanto fazia crochê escutou a voz do marido, do outro lado da porta dizendo:

— Cheguei, me deixa entrar.

— Tá aberta, pode entrar.

A avó de Fábio ergueu a mão indicando o número 6.

— Uma legião de 6 demônios entrou no corpo dela. Quando o marido chegou em casa havia sangue que se arrastava da cadeira onde fazia crochê até a janela indo pro mato. Ela nunca mais foi vista.

Fábio fez uma careta, não queria questionar os furos na história da avó para não levar outro cascudo. Assim se levantou e foi até o portãozinho, o abriu e não tinha ninguém na rua. Foi até a calçada e naquela hora da noite a rua estava deserta. Pegou o celular e mandou mensagem para o Guilherme.

“Cadê você?”

Ele respondeu em segundos.

“Estou em casa uai”

“Você não tava aqui na frente do portão da minha casa?”

“Tá maluco? Tô maratonando aquela série, é feriado.”

Fábio respirou fundo olhou para a rua deserta e voltou para dentro fechando o portão pequeno quando seu celular vibra com uma nova mensagem, de um remetente desconhecido dizia:

Fábio... estou aqui, me deixa entrar?”

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!