Possible love
4 Solidão e mágoa
Notas iniciais
Ufa! Saudade de vocês! Esse capítulo demorou a sair e eu peço imensas desculpas. É difícil lidar com nossa inspiração e criatividade, principalmente num dia a dia corrido como é o meu e embora eu tenha recebido algumas mps perguntando, eu não abandonei a fic e nem coloquei em hiatus, ela está saindo, lenta, mas está. Bem, esse capítulo não saiu como eu queria e imaginei, mas espero que vcs gostem, embora não tenha grandes emoções. Essa é uma fic que terá um desenvolvimento das questões amorosas um tanto mais lento, porque os personagens estão se descobrindo ainda, mas como não pretendo faze-la com 30 capítulos, não demorará tanto também.
Beijos a todos que insistem comigo, sério de coração! Espero que gostem do capítulo.
Obs. NÃO BETADO, PERDOEM POSSÍVEIS ERROS.
A música que aparece está nesse link:
http://letras.terra.com.br/sarah-mclachlan/83338/
Boa leitura.
Solidão e mágoa
Capítulo 4
Depois que Shun saiu, o cavaleiro de câncer ficou andando de um lado a outro, pensando na inutilidade daquilo tudo. Era inútil, e ele sabia que nada o faria melhor do que o que era agora. Um espectro. Ainda carregava o estigma de um espectro, alguém que volta para uma vida que já não é sua.
O que Athena queria? Será que ela sentia a perturbação da sua alma? Mas por que aquelas aulas? Será que sentiu sua necessidade?
Todos lhe disseram não. Todos. Ninguém queria proximidade com ele. Poderia ter escolhido algum professor convencional, mas julgava humilhante para alguém em sua posição. Ele era um cavaleiro de ouro e não seria visto pelos cantos estudando. Como explicar aquele sentimento?
Ah... A carta, a bendita carta! Se não tivesse escrito aquela carta, não estaria agora sendo chacota de uma adolescente... Certo, ela era a deusa, mas ainda era uma adolescente!
Resmungou alguns palavrões em italiano e fez algumas flexões antes de ir tomar um demorado banho, tentando esfriar a cabeça. Depois de vestido, sentou-se na entrada do templo para observar o céu.
As lembranças da última guerra santa dominaram seus pensamentos e seus lábios se curvaram num sorriso amargo. Seu coração não batia mais, estava morto, mas a corrente elétrica que o dominou quando estava de frente ao muro das lamentações foi tão forte que seria capaz de revivê-lo. Estava novamente entre os doze, entre os santos de ouro, sendo resgatado das trevas..., aceito.
Mirou a armadura no meio do templo e seu estômago se remexeu em ânsia. Voltou a mirar o céu escuro. Pensou no tempo em que passou na escuridão sem fim do Hades até a convocação de Shion.
“Vocês passarão à eternidade sendo chamados de traidores, serão desprezados, amaldiçoados e vistos como imundos de geração a geração”.
As palavras do mestre estavam certas. Mas apenas para ele...
Os demais receberam a glória ao ressuscitar. Eram heróis, os deuses que sempre foram, ele porém, era um condenado, um renegado e seria eternamente o traidor da deusa.
Quantos anos tinha? Provavelmente a mesma idade que o pequeno Andrômeda, quando o mestre do santuário se revelou Saga de Gêmeos e se aliara a ele para dominar a terra com uma justiça cruel. Fariam um novo reino, um novo planeta onde apenas os fortes sobreviveriam. A fraqueza e a piedade seriam sumariamente combatidas.
Ele aceitou. Afrodite aceitou. Os demais foram apenas enganados e por isso, hoje eram louvados. Louvados por serem tolos ou se fazerem de tolos! Entendia os sentimentos dos cavaleiros a seu respeito e de Afrodite, principalmente Aiolia e Shura, esses sim, tinha todo direito de desprezá-lo. Mas e quanto a Saga de Gêmeos? Ele foi o autor de tudo, o grande maestro do plano maligno de dominação; agora, era o mestre do santuário, o poder máximo depois de Athena. Por que ele não fora julgado e condenado também? Por que ele que tanto mal fez a todos fora verdadeiramente perdoado?
À noite, quando tudo era silêncio, era mais difícil esquecer, manter a postura de cavaleiro imponente e não de homem atormentado e... Vazio.
Em Rodório, Shun mirava a lua também e pensava em tudo que vivera até ali. Hades, as lutas que deixaram tantas cicatrizes na alma; Hyoga, o sorriso do russo que tornou-se o dono do seu coração desde a primeira vez que o viu.
Primeiro o sorriso atraente e um tanto enigmático... Depois vieram os lábios macios e quentes, os primeiros e únicos lábios que tocaram os seus...
As lágrimas voltaram com força e ele deixou-se consumir por elas mais uma vez, já bastava à força que tinha que fingir ter durante o dia. À noite... Era impossível.
A noite eleva as sombras
Deixa entrar a brilhante luz da manhã
E se fixa lá agora.
Para que eu fique fraco e morra de fome por piedade
O sono me deixou sozinho
Levar o valor de descobrir onde estávamos errados
É tudo que eu posso esperar
Impedir-me de cair
Dentro dos velhos sapatos da família
Como pude ser tão estúpido?
Um simplório pôde ver
Que você não é bom pra mim
Mas você é o único que eu posso ver.
Máscara da morte saiu do seu templo a andar pela escadaria. Era o único momento em que seus passos solitários transitavam sem temor. Ele que nunca temeu nada, agora temia apenas um olhar, um olhar de condenação, era como se as chamas do inferno estivessem sempre sobre ele.
Temer... Ele não nascera para temer nada.
Subiu as escadas, todas elas e parou na entrada do templo do amigo, seu único amigo, mas não teve coragem de entrar. O que diria a ele? O que poderia dizer? Não havia nada a dizer. Seus sentimentos e solidão eram invioláveis.
Uma expressão quase pueril tomou conta do seu rosto enquanto ele voltava a se afastar. Logo o dia chegaria e precisava pensar na próxima aula. Naquele momento, o rosto de Shun invadiu-lhe os pensamentos. Tão puro, inocente, meigo. Aquele garoto não deveria estar ali, não deveria de forma alguma. Era um crime macular uma alma como a dele.
A lenda dizia que Hades sempre escolhia o corpo da alma mais pura sobre a terra para reencarnar. Será que Shun permanecia intocado? O jovem era areolado por uma essência tão simplória e ao mesmo tempo fascinante que o deixava confuso. Parecia ser algo sagrado demais para ele pensar, quem dirá, tocar.
Era hora de dormir. Esquecer a dor, esquecer as dúvidas, no dia seguinte deixaria de ser um homem e voltaria a ser novamente o temível cavaleiro de ouro de câncer.
Shun lançou um último olhar a uma estrela fugidia que escapava das trevas da noite e tentava invadir a aurora, uma lágrima banhou seu rosto pálido e ele a limpou com os dedos, antes de voltar para a cama. Mais um dia começaria; mais um dia sem Hyoga.
Amor me fez um tolo.
Colocou-me no fogo e assistiu como eu me debati
Incapaz de falar
Exceto de chorar e esperar por sua resposta
Mas você voltará no seu tempo
Falando de lugares fabulosos
Criará um oásis
Secará tão rápido quanto quando você se foi.
Você me deixou aqui queimando
Nesse deserto sem você
Tudo muda
Tudo cai aos pedaços
Não posso parar de me sentir perdendo o controle
Mas no fundo eu sei
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Uma bela manhã de verão despontou no céu grego. Shun e Ikki seguiram como sempre para o santuário e começaram animados as atividades da manhã.
O cavaleiro de fênix treinaria no jardim da casa de virgem e o de Andrômeda estaria lecionando mais uma vez aos pequenos aprendizes.
O dia corria como o esperado, tranqüilo. Saori observava pela janela do seu templo a movimentação no santuário. Saga se aproximou e parou ao seu lado sentindo a brisa quente do verão sobre o rosto.
— Tudo em paz — ele murmurou quase para si mesmo, fazendo a deusa sorrir.
— Sim, espero que assim permaneça por muito tempo, Mestre.
— A senhorita já pensou em como serão as festividades desse ano? Temos muitas crianças dessa vez e será difícil controlar todas.
— Fique tranqüilo, os cavaleiros de bronze cuidarão delas. Seiya e Shiryu já estão a caminho.
— Os cavaleiros de bronze? E quem cuidará deles? — riu o grande mestre divertido. — Além disso, não creio que Fênix...
— Não! — Saori o interrompeu rindo. — Ele não. Ikki agora é responsabilidade de Shaka, me livrei de um grande problema!
— E passou-o para o indiano — riu de lado Saga, fazendo Saori ri mais.
— De certa forma, mas acho que não poderia colocar meu cavaleiro mais indômito em melhores mãos.
— Nisso eu concordo, ou Shaka o conserta ou o mata.
Os dois riram mais e continuaram a divagar sobre a breve celebração.
Nesse mesmo momento, de olhos fechados e em posição de lothus, Ikki enchia o estômago de ar e tentava relaxar os ombros.
“Você está tenso demais, precisa libertar sua mente, concentre-se.”
A voz de Shaka ecoava mansamente dentro de sua mente e ele repetia o som do Ohn, o sopro da vida. O cavaleiro de bronze inspirou novamente tentando manter a concentração, mas era difícil não ter a mente inquieta, perturbada por preocupações que não poderia compartilhar jamais.
“Basta, hoje você está terrivelmente incompetente!”
A voz reverberou de forma ácida, mas não impaciente. Quando Ikki abriu os olhos, o mestre já estava de pé, de olhos fechados e braços cruzados.
— O que está acontecendo, Fênix? Devo crer que algo muito sério o perturba para que estejas tão desatento, enquanto tento treiná-lo. Esforcei-me muito hoje para não destruir sua mente.
Ikki suspirou. O poder de telepatia de Shaka era tão vastamente perigoso que ele poderia não somente invadir-lhe a mente como destroçá-la, caso o cavaleiro de bronze não estivesse atento e conseguisse bloquear a ação do golpe. Fênix, por sua vez, também possuía uma mente poderosa, ao contrário, não conseguiria controlar seu poderoso golpe fantasma.
O treinamento era bem simples, Shaka invadia-lhe a mente e tentava controlá-la, para isso, o cavaleiro de virgem usava seu poder, não de forma total e provavelmente letal, mas bastante agressiva. Até aquele momento, Fênix foi um dos poucos que conseguiu resistir a uma ofensiva psíquica do nível das do cavaleiro de virgem, entretanto, naquele dia, o defensor da sexta casa tivera que interromper o combate por diversas vezes, temendo despedaçar a mente do pupilo e isso o irritava profundamente.
— Eu estava distraído, sinto muito, não acontecerá mais — respondeu o moreno de maneira séria e envergonhada. Ergueu-se para encarar o mestre.
O indiano o estudou ainda de olhos fechados por um tempo. Seria pedir demais para que aquele garoto parasse de encará-lo? Todos os seus pupilos eram incapazes de erguer a cabeça para olhá-lo, mas Ikki era sempre uma exceção em tudo e, de forma estranha, aquilo o incomodava.
— Não me dirá o que está acontecendo? — insistiu altivo.
O japonês encheu de ar os pulmões e depois soltou impaciente.
— O Shun não dorme, só isso, estou preocupado que essa depressão afete sua saúde — confessou irritado, porque não gostava de se abrir com ninguém, nem mesmo com seu mestre.
Shaka deixou escapar um risinho de descaso.
— Da próxima vez que ficar disperso no treinamento por causa de preocupação tão ínfima, farei questão de estraçalhar sua mente de forma que você pense que é um bebê de dois meses para o resto da vida. Francamente, Fênix, você me decepciona...
O moreno entreabriu os lábios, surpreso demais com a rudeza com que era repreendido.
— Decepciono? C-como... assim?
— Por ser tolo. Será que não enxerga que Shun é um cavaleiro tão forte quanto você? Teu irmão não carece de suas preocupações estúpidas e eu não tenho tempo para treinar alguém tão imaturo. Se continuar assim, terei que dispensá-lo.
O rosto de Ikki ardeu com o desprezo com que o mestre lançava aquelas palavras, e ele fez o que, até aqueles dias, foi incapaz de fazer. Deixou que o Ikki de Fênix verdadeiro, arrogante e desrespeitoso aflorasse e lhe inflamasse o ego.
— Escuta aqui, virgem, será que não poderia apenas me treinar e esquecer o resto? Se me preocupo ou não com meu irmão...
— Não é da minha conta? — Shaka completou e riu de lado. — Ora, Ikki, tudo que diz respeito a você, agora, é de minha conta. Sinto muito se não teve um mestre que lhe mostrasse a importância de uma relação como essa, mas se quiser continuar a ser meu discípulo, terá que perceber finalmente, quem manda aqui, e sou eu.
O sangue do mais jovem ferveu tanto quanto seu cosmo, Shaka, no entanto, continuava com a voz baixa e suave, embora percebesse todas as alterações que as emoções do rapaz sofriam.
— Sei que se preocupa com seu irmão — ele interrompeu os desaforos que Ikki pensava em dizer e sorriu de forma terna o que acabou desarmando o cavaleiro de bronze. — Acho o carinho que dedicas a ele e seus amigos algo muito bonito, mas se preocupar com o estado emocional do Shun durante seu treinamento não foi a coisa mais sábia a se fazer. Eu poderia tê-lo ferido seriamente.
— Foi incontrolável... — acabou se explicando, completamente desarmado pela voz macia e o jeito compreensivo, e novo, do mestre.
— Então significa que precisa aprender a controlar seus pensamentos. A meditação serve exatamente para isso. Pratique mais. Está dispensado.
Confuso ainda entre a raiva e a constatação das verdades dita pelo mestre, Ikki deixou o jardim do templo de virgem.
Shaka o observou sair e respirou fundo, concentrando o ar no centro do chakra para depois libera-lo junto com toda a tensão.
“Athena, o que me pede é...”.
“Um pouco mais de paciência, só isso, Shaka.”
“Como queira, estou tentando.”
Falou encerrando o diálogo com a deusa e assumindo posição de lothus, começando a meditar, precisava.
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Máscara da morte acordou cedo como sempre, aliás, como todos os guardiões do santuário, e foi para a arena se exercitar. Era mais uma quente manhã de verão e a movimentação naquele local era intensa. Servos, guardas, aspirantes e toda espécie de pessoa freqüentava a arena nas primeiras horas do dia. Dentre esses, estavam os solônios que esperavam pacientes a permissão de algum guarda para que pudessem ter acesso a algum aspirante ou mesmo cavaleiro.
Os solônios eram espécie de agentes da prostituição dos porneions que ficavam no bairro cerâmico. Esse bairro na periferia de Rodório abrigava o centro da prostituição nos arredores do santuário e eram muito visitados pelos guardas, de vez em quando, cavaleiros de prata e aprendizes. Os santos de ouro raramente chegavam àquela periferia. O bairro porneion pagava tributo ao santuário para funcionar e viva pelas regras do grande mestre, regras rígidas e invioláveis por mais que a pornokontela fosse generosa.
Na sua adolescência, certa vez, ele tentou chegar ao porneion, mas acabou sendo descoberto pelo mestre e punido. Depois de sagrar-se cavaleiro, era mais fácil pedir que um servo lhe levasse uma porné no próprio santuário o que, apesar de proibido, sempre foi feito, assim como a movimentação dos solônios na arena.
Sentou-se na arquibancada e esperou como sempre que Afrodite chegasse. O belo loiro apareceu meia hora depois, sua presença sempre fresca e perfumada, chamava a atenção, mas seu olhar frio e desdenhoso mantinha quem quer que fosse afastado.
— Bom dia, caranguejo — falou ao se sentar do lado do amigo. — O que temos de atração hoje?
— Parece que alguma coisa acontecerá no cerâmico, percebe a movimentação de solônios?
Afrodite mordeu o lábio carnudo e observou. — Deve ser algo que realmente vale à pena, eles parecem bem eufóricos. Bem, não me interessa, o que quero mesmo saber é como foi a aula de ontem?
— Pra quê? — indagou ríspido.
— Acho que ainda sou seu amigo, aliás, único amigo, não, carcamano?
— Mas isso não é da sua conta, pra quê quer saber? Pra ficar tirando sarro da minha cara, caspita?
Afrodite negou com a cabeça e sorriu de lado. — Talvez eu apenas o inveje, Caranguejo...
— Como assim?
O loiro sueco passou as mãos nos cabelos. — Sabe essa sensação de humanidade que você deve sentir ao estudar com aquele garoto? É disso que estou falando, dessa sensação de ser humano, alguém normal, alguém que os demais podem chegar perto...
Câncer riu e passou a mão nos cabelos prateados.
— Mas podemos chegar perto, Afrodite, chegar perto e arrancar a cabeça deles! — riu mais alto de forma diabólica, levando Afrodite a rir também.
Nesse momento, após o acesso de riso, seus olhos úmidos se abriram e encararam o jovem parado a alguns metros de si, com os braços cheios de livros.
Máscara da Morte engoliu em seco. Shun o olhava um tanto assustado, percebeu isso imediatamente e algo se moveu dentro de si, uma sensação estranha de decepção. Era como se não quisesse que o mais jovem o olhasse daquela forma e isso era algo inédito e insólito, pois sempre amou aquilo; despertar o terror nas pessoas.
Sentiu o coração bater mais forte e seu riso foi morrendo quase que instantaneamente à medida que mergulhava mais no mar esmeraldino dos olhos do garoto oriental.
Afrodite, percebendo isso, parou de rir e, de forma maliciosa ficou mirando os dois. Seus olhos iam e vinham de um para o outro em profunda e silenciosa análise.
Eles permaneceram assim por alguns segundos, sem nada dizer, até que Shun, como se despertasse de um transe, corou e declarou de forma rápida:
— Bom dia! — e seguiu com seus livros, ou seguiria, se Afrodite permitisse.
— Bom dia, Shun! — falou o sueco com fingida animação. — Soube que está lecionando na escolinha dos aspirantes.
Andrômeda deu um passo para trás em visível advertência quando Peixes se aproximou. O sueco sorriu com doçura o olhando dentro dos olhos.
— Não precisa ter medo de mim, criança, já não somos inimigos.
— Não tenho medo de você — declarou o mais jovem sério. — Eu só estou... Atrasado... — e realmente estava, pois devido a uma reunião com Saori, só foi capaz de chegar agora à escola.
— Imagino que esteja. Ah, eu posso acompanhá-lo? Adoraria ver uma aula e...
— Afrodite, vamos treinar! — Máscara da Morte interrompeu o diálogo fazendo o cavaleiro de peixes erguer uma sobrancelha.
— Treinar?
— Sim, agora, vamos aproveitar que a arena está vazia — insistiu sério.
Shun aproveitou aquele momento para se desvencilhar de Afrodite e seguir rápido para a escola.
— O que foi, viu fantasma? — Marin perguntou em tom de troça ao olhar o rosto pálido do garoto.
— Sim e um que eu mesmo tinha mandado para o outro mundo! — respondeu rápido e acabou rindo disso. — Está tudo bem, Marin, eu só... Ah, eu acho que me assusto fácil!
A amazona riu e isso acabou descontraindo Shun que riu também. Depois disso foi para a sua classe que o recepcionou com muitos beijos e abraços. As crianças o adoravam.
Já estava quase terminando os afazeres da manhã quando percebeu alguém parado à porta da pequena sala. Sorriu para o irmão que retribuiu o sorriso.
Depois que a aula acabou os pequenos cercaram Ikki. Eles simplesmente não conseguiam conter a curiosidade a respeito dos cavaleiros e bombardeavam o rapaz de perguntas. Andrômeda percebeu o quanto o irmão ficava tenso com todo aquele assédio e toques e acabou rindo dos apuros de Fênix, embora uma melancolia também o marcasse. Era tão evidente a falta de intimidade que cavaleiros como ele e o irmão possuíam em relação à afetividade. Não que ele, Shun, fosse alguém duro, ao contrário, sempre se envergonhou de ser sensível demais, chorar muito fácil e se apegar fácil demais também; coisa que seu mestre sempre lhe advertiu não ser sentimentos propícios a cavaleiros. Não que Albion fosse duro ou insensível, ele apenas sabia que cavaleiros viveriam em eterna guerra contra o mal e que uma alma sensível como a de Shun se não aprendesse a controlar seus sentimentos seria facilmente ferida.
Ficou mais um tempo observando o irmão responder as perguntas das crianças; observando os olhos brilhantes de cada um dos pequeninos e como alguns imitavam golpes de luta, totalmente fascinados por aquele universo de guerra o qual Shun nunca quis fazer parte.
— Bem, crianças, já chega, terminou por hoje, hora de ir pra casa! — ele bateu as mãos na tentativa de dispensar a algazarra que eles faziam.
Muito obedientes, os pequenos pegaram suas coisas e começaram a sair da sala.
“Tchau mestre Shun, tchau mestre Ikki!”
Uma sucessão de cumprimentos, e as crianças começaram a deixar a classe.
— Vim buscá-lo para almoçarmos juntos — falou o mais velho.
— Ah, claro! Vou arrumar minhas coisas, ainda tenho o treinamento com os aprendizes e depois...
— Mestre Shun!
A voz de Acaio o surpreendeu e ele se voltou para o menino que chegava esbaforido.
— Meu mestre pede que o senhor me acompanhe — continuou o rapazinho.
Shun abriu os lábios meio aturdido e Ikki franziu as sobrancelhas e voltou seu olhar ao irmão, interrogando-o claramente sobre o que aquilo significava?
— Eh... Ontem, eu... almocei na casa de Câncer, acho que Máscara da Morte pensa que hoje...
— Ah, ele pensa? — Ikki ergueu uma sobrancelha.
— Ora, Ikki, não fique zangado! Eu teria que ir de qualquer jeito para a casa dele depois do almoço.
— Mas iríamos almoçar juntos não era? — falou Fênix um tanto irritado.
— Mas se eu posso adiantar meus afazeres que mal há nisso? — sorriu Shun. — Jantamos juntos como sempre, irmão, eu prometo.
O mais velho foi vencido. Assentiu com a cabeça e deixou que o mais novo seguisse o garoto em direção a casa de câncer.
Enquanto seguia Acaio, Shun pensava nos acontecimentos do dia. Era esquisita a presença dos cavaleiros de ouro ali, sobretudo, de Afrodite. O sueco possuía uma beleza tão estonteante quanto venenosa e ele se sentia estranho na presença dele, era como se estivesse perto de uma serpente.
“E não deixa de ser, levando em conta que ele vive cercado de rosas venenosas!”
Pensou e sorriu. Chegaram a casa de câncer e ele foi para o jardim onde o italiano o esperava.
— Bem vindo, piccolli! — Máscara da Morte falou com um sorriso aberto o que surpreendeu Shun e fez um alerta ecoar dentro de si. Mas logo a expressão fechada voltou ao rosto do cavaleiro.
— O-obrigado... — gaguejou o que sempre acabava acontecendo na presença daquele homem.
— Sente-se! — ordenou Câncer e Shun deixou os livros sobre uma cadeira e se sentou de frente a ele. Logo o almoço era servido.
Era um prato italiano, lasanha, e cheirava maravilhosamente bem. Um servo se aproximou e o serviu, assim como a Máscara da Morte e eles começaram a comer em silêncio, vez ou outra, Shun erguia os olhos para mirar a expressão do cavaleiro de ouro que estava ainda mais sisuda naquela tarde, mas nada comentava, preferia se concentrar em apreciar o prato maravilhoso. Embora não entendesse porque e tão rapidamente o sorriso de cumprimento foi substituído por aquela carranca.
Quando a refeição findou e eles provavam um pouco de vinho, o italiano ficou um bom tempo o estudando. Shun já começava a se sentir incomodado com aquele olhar, mas devido ao visível mau humor do homem a sua frente, decidiu que o melhor seria ficar calado.
— Tenha cuidado com Afrodite — a declaração foi seca e de surpresa, fazendo o adolescente erguer os olhos para ele abruptamente.
— Quê?
— Isso que ouviu. Tenha cuidado com Peixes, ele ainda não aceita ter perdido aquela batalha para você, piccolli...
Shun mordeu o lábio inferior pensativo e um tanto irritado o que ficava bem evidente pelo brilho em seus olhos e o rubor de seu rosto. — Você acha que sou mesmo um fraco, não é?
— Quê? — foi a vez de Câncer se surpreender.
— Já derrotei Afrodite uma vez e posso derrotá-lo novamente, então sua preocupação é infundada!
Apesar de irritado com aquela afirmação que predizia que ele corria perigo, Shun continuava com a voz suave e baixa, mesmo que seu rosto deixasse transparecer a irritação.
Máscara da morte riu de canto o que fez o rosto do adolescente ficar ainda mais corado.
— Não sei o que aconteceu na casa de peixes, mas posso assegurar que o sueco é perigoso. Não seja presunçoso, em ocasiões comuns, você não o venceria.
— Me chamou aqui para isso? — indagou Shun baixinho, mexendo no garfo. — Não preciso de mais uma pessoa para me dizer o quanto sou... — respirou fundo não querendo continuar o assunto, não deixaria aquele homem fazer aquilo consigo.
Câncer ergueu uma sobrancelha surpreso.
— Hey, eu não quis ofendê-lo, banbino! — apressou-se a dizer.
— Não estou ofendido, podemos terminar logo, por favor? Não tenho tempo a perder, preciso treinar os aspirantes ainda...
— Não precisa, Athena disse que você poderia ficar aqui hoje.
— Ela disse?
— Sim. A festa dos deuses está chegando e não teremos tempo durante a comemoração, porque cada cavaleiro cuidará de algo.
— Ah, sim! — sorriu Shun esquecendo-se da recente discussão. — Eu cuidarei das crianças com a Marin e a June! As crianças mais novas, Ikki se juntará a Shura e Aiolia na preparação das competições entre aspirantes mais velhos, será divertido... — Shun se interrompeu e encarou o italiano. — E você, o que fará?
Máscara da Morte engoliu em seco e deu de ombro fingindo descaso. — Io não vou ficar aqui... vou aproveitar a baderna grega para visitar minha terra... — respondeu incomodado.
— Ah... que pena... — murmurou Shun realmente decepcionado.
— Não é uma pena, é uma festa idiota! Athena não deveria abrir o santuário para homenagens a outros deuses, isso pode nos deixar vulneráveis para possíveis ataques, é tolice!
— Um acordo de paz foi selado entre os deuses, ninguém vai atacar...
— Não se pode confiar neles — resmungou Câncer depois de engolir o último pedaço de lasanha. — Bem, não pretendo ficar aqui e participar dessa palhaçada e a deusa me dispensou.
Shun moveu os ombros terminando a refeição também. — Se não quer tudo bem, eu entendo. Deve sentir saudade da sua família, não é? Isso se tiver família, você tem? — disparou de vez e enrubesceu quando o italiano arregalou os olhos surpreso. — É... sei que isso não é da minha conta, desculpe...
— Ma quando no está gaguejando, fala igual uma matraca, caspita! — resmungou se erguendo. — Vamos aos livros, Andrômeda, e pare de fazer perguntas!
— Desculpe! — pediu Shun se erguendo rápido e o seguindo.
A tarde de estudo passou rápida, mesmo por que, Câncer era um aluno aplicado e inteligente. Quando terminaram, Shun arrumou seus livros e se dirigiu à porta, mas antes de sair, voltou-se para Máscara da Morte com um sorriso.
— Seria tão bom se todos os cavaleiros estivessem aqui nas Olimpíadas — falou. — Acho que os aspirantes ficariam felizes e ainda mais empolgados, creio que não deveria viajar, perderá uma semana interessante.
O italiano parou o que fazia, guardar seu material, e se aproximou do cavaleiro de bronze; cruzou os braços o encarando.
— Você é idiota?
— Hã? — surpreendeu-se o menor, piscando.
— Será que não percebe que todos nesse santuário me odeiam e que ninguém, de aspirante ao grande mestre, me quer por perto? — acabou explodindo e falando tudo que pensava. Irritava-o a bondade exagerada daquele bambino, irritava-o a preocupação que ele demonstrava por ele e por todos, em suma, tudo em Shun o irritava porque lhe lembrava exatamente o que nunca seria, bondoso!
— Isso... isso não é verdade, Athena...
— A menina Athena é uma exceção! Mas... Caspita! Pare de insistir nisso! — pediu entre dentes. — Eu não quero me socializar, não quero participar dessa festa estúpida, não quero fazer parte desse circo, entendeu bem?
Shun colou as costas à parede trêmulo e com os olhos muito bem abertos. — Eu... eu só pensei que...
— Não pense nada a meu respeito, bambino!
Shun arregalou os olhos e nesse instante suas íris se conectaram as azuis escuras de Máscara da Morte. Ele estava muito perto, perto demais e o cavaleiro de bronze podia notar seus músculos peitorais subindo e descendo com a respiração forte, além do cheiro amadeirado que escapava do seu corpo. Sentiu-se estremecer com aquela proximidade forçada e teve vontade de empurrá-lo, mas não o fez, continuou encostado à parede e preso naquele magnetismo dominante do cavaleiro mais velho. Já o italiano sentia algo mover-se dentro de si ao experimentar aquela proximidade com o pequeno Andrômeda, algo estranho que o fazia ter vontade de expulsá-lo dali, ao mesmo tempo em que queria que ele ficasse.
Ficaram calados se encarando por um longo tempo, somente as respirações sendo ouvidas, e quando Máscara da Morte ergueu a mão para afastar uma mecha de cabelo do rosto do menino, algo o interrompeu.
— Ah, Mask, você não perde essa rudeza!
A voz de Afrodite se fez ouvir, enquanto ele descia as escadas de forma elegante. O sueco vestia uma túnica grega de um ombro só e tinha os pés calçados em sandálias de tiras. Sorriu, observando a cena com cuidado; Shun encostado à parede e Máscara da Morte numa postura ofensiva e tão perto que era impossível não notar a diferença de tamanho gritante entre os dois cavaleiros.
O loiro se aproximou do adolescente, passando pelo amigo, e o puxou pelo braço, afastando-o da parede e de Câncer.
— Não tem vergonha em assustar essa criança? — indagou o sueco sério.
— Eu não sou uma criança! — falou Shun libertando-se do braço de Peixes e se afastando o máximo que podia dele. — E não estou assustado — completou sério. Não gostava da forma que Afrodite o olhava, alguma coisa no olhar do pisciano o fazia tremer, isso, desde a primeira vez que o viu.
— Não se meta nisso, Afrodite... — grunhiu o italiano entre dentes.
— Não pretendo me meter, mas você sabe que Athena proibiu qualquer desavença entre nós, não sabe? E seus berros estavam sendo ouvidos do meu templo, creio que terá muito que explicar ao grande mestre.
Máscara da Morte suspirou e passou a mão nos cabelos repicados. — Foda-se... — resmungou.
Afrodite voltou a sorrir para Shun. — Qualquer problema que tiver, Andrômeda, pode falar comigo e, a propósito, quando tiver um tempo, gostaria que fosse à minha casa. Adoraria conversar sobre a batalha que tivemos.
— Claro — murmurou Shun sentindo o coração disparar no peito, mas tentando demonstrar calma.
— Quanto a você, carcamano, se controle e venha falar comigo quando dispensar o garoto! — ordenou o loiro e voltou a subir as escadas de maneira elegante.
Máscara da morte viu o amigo desaparecer pela escadaria e depois encarou Shun.
— Não vá a casa dele, para seu próprio bem! — advertiu.
Confuso, Shun permaneceu no mesmo lugar, sentindo seu coração disparado no peito. Não conseguia formular palavras, estava verdadeiramente assustado.
— E-eu... eu sei me cuidar... — gaguejou tentando recuperar o domínio próprio, pegando seus livros com pressa e caminhando para a saída. — Nos vemos amanhã!
Máscara da morte não respondeu. Deixou que o garoto saísse da sua casa. Sentia-se estranhamente mal pela explosão de fúria e ficava cada vez mais confuso por não entender aquele sentimento, mas sabia que não queria ter gritado com Shun, ele não merecia aquele tratamento depois de ter aceitado ajudá-lo.
Corou com a afirmação mental que lhe jogava à cara uma realidade dura de admitir. Era um renegado dentro do santuário, alguém que ninguém queria proximidade e, no entanto, aquele menino ingênuo e puro, aproximou-se dele de coração aberto, sem nenhuma malícia ou segundas intenções. O mínimo que poderia fazer era tratá-lo de forma amigável. Mas nunca ninguém o ensinou a ser amigável e... Por mais que tentasse, sempre acabava se comportando com a violência característica do seu aprendizado como cavaleiro.
Não sabia como agir com as pessoas, era um bruto, reconhecia e agora estava... Com medo?
Arregalou os olhos azuis surpreso e um estremecimento incômodo transpassou-lhe o corpo. Estava com medo de Shun desistir, de não mais ir a sua casa.
“Caspita! Por que estou me importando?” Resmungou incomodado coçando os cabelos rebeldes.
Resolveu tomar um banho para esfriar a cabeça e parar de pensar bobagens. Depois iria até o templo de Afrodite descobrir o que aquele almofadinha metido de uma figa estava planejando para Shun de Andrômeda.
Quando Shun deixou a casa de câncer, Ikki o esperava recostado na pilastra aos pés da escadaria. Ao contrário do dia anterior, o irmão estava com uma expressão péssima como há muito ele não se deparava.
— Por que não treinou os aspirantes hoje? — indagou o Amamiya mais velho enquanto começava a andar ao lado do irmão.
— Não deu tempo, Saori pediu para que passasse a tarde com o Máscara da Morte e eu...
— Saori deve estar louca! — resmungou. — Acho que ela esquece que antes de tudo você é um cavaleiro.
— Por que está tão zangado? — volveu o menor olhando o rosto do irmão e se forçando a caminhar tão rápido quanto ele.
Ikki passou a mão nos cabelos e falou algo ininteligível. Depois suspirou e disse:
— Não estou zangado só... só não foi um bom dia.
— Ah, pra mim também não foi! — deu de ombros Shun.
— Aquele psicopata fez algo a você? — indagou Ikki atento.
— Não, Ikki! Ele não fez nada! Nós só... Bem, nós só nos desentendemos...
— Por quê?
— Ele me acha um fraco... — murmurou e estranhou a mágoa que essa constatação lhe levava.
— Ele é um idiota — falou Fênix e depois caiu em sua costumeira introspecção, indo assim até chegarem a casa em Rodório. Shun achou melhor não puxar conversa com o irmão, conhecia-o bem demais e aprendeu a respeitar seu silêncio.
Ikki foi para seu quarto, onde tomou um banho demorado, pensando no dia improdutivo, nas broncas do mestre, na raiva que sentiu dele e, sobretudo, em Shun. Não cansava de se preocupar com o irmão e controlava a vontade de ir até a Sibéria para matar Hyoga de Cisne, ele bem que merecia, mas como sabia que Shun nunca o perdoaria caso fizesse algo contra o russo, ele se controlava para não ceder a essa tentação.
Apesar da melhora aparente, sentia que o coração do Amamiya mais novo continuava despedaçado, ele ainda amava profundamente aquele pato idiota e por mais que lutasse, sempre acabava chorando à noite. Ikki ouvia seu choro baixo através das paredes finas da pequena casa e isso o feria profundamente. Queria ser capaz de proteger Shun, Shaka tinha razão quanto a isso.
Quando voltou para a sala, vestido numa calça tactel negra e regata azul marinho, encontrou o irmão pondo a mesa do jantar. Ele estava com os cabelos molhados e vestia calça e camiseta leves também.
— Você é rápido! — sorriu querendo amenizar o clima tenso entre eles.
— A comida estava congelada, foi só colocar no microondas — sorriu de volta o mais novo.
— Está com um cheiro bom! — exclamou o mais velho se sentando e deixando que o irmão o servisse e depois a si mesmo.
Desfrutaram de horas agradáveis enquanto comiam e conversavam sobre as Olimpíadas e as obrigações que cada um teria no evento. Fênix percebia que o menor estava mais animado, embora a tristeza ainda permanecesse.
Terminaram a refeição e resolveram assistir um pouco de televisão. Estava sentados e riam com algum programa na TV quando escutaram batidas na porta.
Shun se ergueu e foi atender, reconhecendo aquele cosmo e franzindo as sobrancelhas.
Quando abriu a porta deu de cara com o Cavaleiro de Câncer, ele estava vestido numa calça jeans e uma bata marrom com tiras de couro na gola, típicas dos treinamentos e trazia um embrulho nas mãos.
— Máscara da Morte?! — exclamou surpreso.
— Io queria pedir desculpa por hoje — ele falou ruborizado, bastante constrangido enquanto passava a mão nervosamente pelos cabelos. — Trouxe isso pra você, aceite como um pedido de desculpas meu.
Shun piscou várias vezes aturdido sem expressar reação nenhuma o que deixava Câncer ainda mais constrangido, parado à porta, estendendo uma caixa cuidadosamente forrada num papel de presente com motivos infantis.
Andrômeda, depois do susto, sorriu e pegou o pacote. — Obrigado... — disse encarando os olhos azuis do outro cavaleiro que, ao receber aquele olhar, acabou sorrindo também.
Continua...
Notas finais
Glossário:
Porneion: Casa de prostituição.
Porné: A prostituta vulgar na antiga Grécia.
Pornonkontela: Tributo pago pelos porneions ao Estado para poder funcionar.
Solônios: Vem de Sólon que criou o primeiro porneion no bairro Cerâmico, com o intuito de satisfazer as necessidades do povo.
Chakal_Maldito, Aneeta, RakBlack, Keronekoi, guima, CiçaDF, Song HaMi, AnaB,
Sarah, Alexia-Black, Su Cabral, Juli-Usumaki, ddkcarolina, Alone Chan, Álefe, Kao,
Crush Girl, KitsuneKiki, cici, Aiko chan, MadameDark. Obrigada a todos vocês pelo carinho deixado no capítulo anterior.
Beijos da Sion e até a próxima!
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