Positive
11 Irmãozinhos
Notas iniciais
Eu não podia acreditar que estava mesmo vendo isso. A Halley está grávida do Klaus ao mesmo tempo que eu. Isso só podia ser o pesadelo, acho que quero acordar agora, por que não tem a menor graça.
– Isso não pode ser verdade – murmurei.
– Mas é verdade, queridinha – ela estava com um sorriso triunfante nos lábios, como se tivesse acabado de ganhar uma guerra – Encare os fatos, queridinha, você não é a única que vai ter um filho do Klaus.
– Halley, por favor, não começa – Klaus a reprimiu – Você sabe muito bem que a gravidez da Car é de risco e não pode sofrer emoções fortes.
– E eu posso sofrer emoções fortes, é isso? — cruzou os braços e o encarou – Desse jeito eu vou pensar que você só se preocupa com o filho dela, não com o meu.
Tinha vontade de falar umas verdades para ela. É claro que o Klaus se preocupa mais com nosso Júnior que com o filho dela, ele veio primeiro, sem contar que nós nem sabemos se essa criança é mesmo dele... Mas não falei nada, preferi ficar calada, se meu amigo não estava pensado nisso, não era eu quem iria plantar a discórdia.
– A Caroline está com a pressão alta e isso pode ser muito perigoso para ela e o bebê – lembrou – Mas você parece muito bem. Aliais, você precisa ir ao médico.
– E vou – garantiu – Só que eu preciso de um tempo para isso, ainda estou absolvendo o fato de estar grávida.
–Pois você não parece abalada – comentei.
– Caroline, por favor – foi a vez dele me reprimir – Vocês vão mesmo começar com isso? Sei que essa situação é difícil, mas esses bebês serão irmãos e preciso nos dar bem, pela felicidade deles.
– Então acho que eu deveria vir morar aqui também – ela sugeriu – Esse seria o mais justo, não acha?
– As coisas não são tão simples assim, Halley – Klaus deu um longo suspiro e passou a mão pelo cabelo – A Caroline está morando aqui por causa do problema de pressão, não sei se daria conta de duas mulheres grávidas em casa.
– Então está comprovado, você se importa mais com o bebê dela do que com o meu — foi caminhando em direção a porta – Tchau, Klaus, não vou ficar aqui ouvindo esses absurdos.
Ele estava se preparando par segui-la quando eu senti uma leve tontura e precisei me sentar no sofá. Quando me dei conta, ele estava do meu lado.
– Está tudo bem, Car? — colocou a mão sob a minha – É melhor eu ligar para o médico.
– Não precisa, Klaus – pedi – Viu só, já passou, eu estou bem melhor agora.
– De maneira, nenhuma, sabe que não pode brincar com esse tipo de coisa – já estava com o celular na mão – Pode realmente não ser nada, mas não quero arriscar a vida do nosso filho.
Não pude deixar de sorrir, era muito bom saber que ele estava todo preocupado com o Júnior.
– Enquanto isso é melhor você ir se deitar – sugeriu.
– Mas eu não quero deitar – reclamei – Já fiquei tanto tempo naquele hospital que não aguento nem ver uma cama.
– Que pena, porque é exatamente isso que você vai fazer – avisou – E é melhor você ir andando, por que se eu vou te pegar no colo e fazer isso eu mesmo.
– Certo – revirei os olhos enquanto me levantava – Não precisa dizer mais nada, eu já estou indo.
Então e me deitei e não demorou muito para o doutor Lockwood aparecer. E a primeira coisa fez foi a medir a minha pressão.
– Não precisa se preocupar a sua pressão está normal – garantiu – Você deve ter tido uma queda de pressão por isso a tontura.
– Eu sabia que o Klaus não precisava se preocupar – comentei – Mas ele consegue ser muito paranoico quando quer.
– Bom, ele está certo, você tem pressão alta e isso é motivo para se preocupar – avisou – Mas quando isso acontecer, coloque um pouco de sal embaixo da língua, mas não muito.
– Está bem – dei um longo suspiro e fiquei encarando o teto.
– Então, eu sei que isso não é da minha conta e você não precisa falar e não quiser – continuou – Mas o que aconteceu para você se estressar desse jeito?
– Eu não me estressei, exatamente – dei de ombros – O que eu posso dizer é que meu bebê vai ganhar um irmãozinho ou uma irmãzinha.
– Oh, entendo – disse – Imagino que essa não deva ser uma situação muito fácil de se encarar, não consigo nem imagina como seria que acontecesse comigo.
– Na verdade, não tenho muito o que falar, eu e Klaus procuramos por isso – admiti – Somos apenas melhores amigos e nunca tínhamos pensado em ficarmos juntos, apenas aconteceu, agora precisamos arcar com as consequências.
– É muito bom vocês pensarem desse jeito – deu um pequeno sorriso.
Tenho que admitir que estava sendo muito bom ter essa conversa. Matt e Elena eram ótimos amigos e sempre me ouviam, mas o doutor Lockwood era alguém de fora disso tudo e pode dar a sua opinião totalmente sincera.
De repente o celular dele começou a tocar e ele pediu licença para poder ler a mensagem. Sua expressão ficou preocupada de repente.
– Eu preciso ir, é uma emergência no hospital – explicou – Mas qualquer coisa que você sentir, não tenha vergonha em me ligar.
– Tudo bem – concordei – E, mais uma vez, muito obrigada por tudo, doutor Lockwood.
– Ora, por favor, me chame de Tyler – pediu, revirando os olhos – Doutor Lockwood me faz sentir tão velho.
– Está bem, Tyler – repeti, o nome dele era mesmo bem bonito.
Ele saiu e não demorou nem dez minutos para Klaus aparecer trazendo uma bandeja na sua mão.
– E aqui está o seu almoço – disse – Aquela sopa de batata baroa que eu sei que você adora.
– Parece deliciosa – ouvi o meu estômago roncado, eu estava mesmo com fome, a última vez eu comi tinha sido no hospital.
A primeira colherada que coloquei na boca tive que fazer uma careta, a sopa estava totalmente sem sal. Mas sabia que tinham sido ordens médicas e que teria que me acostumar com isso.
– Você falou com a Halley? — decidi perguntar.
– Liguei para ela enquanto o doutor Lockwood estava aqui com você – explicou – Ela me pediu desculpas pelo seu comportamento de mais cedo, é a gravidez que está deixando tudo nela alterado.
Quanto a isso eu não podia culpá-la, já que estava acontecendo a mesma coisa comigo.
– Ela vai passar aqui mais tarde e vamos assistir um filme na televisão – continuou – Espero que esteja tudo bem para você.
– Mas é claro que está tudo bem para mim – garanti – A Halley é sua namorada e vocês vão ter um filho juntos, na verdade, eu sou a intrusa.
– Você nunca será uma intrusa, Car – colocou a mão na minha barriga – O Júnior também faz parte da minha família e, você também.
– Eu já disse que adoro você, Klaus? — já podia sentir as lágrimas nos cantos dos meus olhos, essa gravidez está acabando comigo.
– Eu também adoro você, Caroline – sorriu – Agora você terminar de comer e depois a senhorita vai dormir um pouco e não adianta reclamar, ouviu bem?
Não disse nada, apenas terminei de tomar a minha sopa. Klaus ficou lá comigo até que eu pegasse no sono, talvez esses meses aqui com ele sejam bons, posso até me acostumar com esses mimos todos.
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