Positive
5 Grávida? Não!
Notas iniciais
Quando acordei os enjoos estavam mais fortes do que nos dias anteriores e como se já não bastasse isso, ainda tem essa dor de cabeça horrorosa. É nessas horas que prometo que nunca mais vou beber, mas como sei que é mentira, então é melhor não falar nada.
Depois de ir até o banheiro vomitar todo meu jantar de ontem a noite, fui até a pia e levei o meu rosto, quando olhei o meu reflexo no espelho pude ver o quanto estava pálida e não era só por causa do enjoos, estava precisando tomar um pouco de sol, ficou o dia inteiro trancada naquela editora.
Por incrível que possa parecer comecei a sentir fome e fui para a cozinha. Elena estava sentada na mesa comendo seu iogurte com mel e granola e levantou ou olhar assim que eu entrei no local.
– Uau, amiga, você está com uma cara – comentou.
– A minha cabeça está explodindo – falei enquanto colocava dois pães na torradeira, não falei nada sobre estar vomitando demais ou ela ia querer que eu fosse ao médico e se eu me negasse iria me amarrar e me arrastar a força.
– Está vendo o que dá encher a cara – brincou – Mas me diga como foi o jantar? Como é a nova namorada do Klaus?
– O jantar foi..., interessante – pensei o pouco antes de responder – E a Halley parece ser legal, apesar de um pouco enjoadinha. Acredita que ela ficou inventando um monte de apelido estranho para ele.
– Já estou até imaginando – riu – Queria muito ter visto essa cena.
– Acredite em mim, Lena, você um dia ainda vai agradecer por não ter ido a esse jantar – revirei os olhos.
– Sabe, eu sempre imaginei que você e o Klaus iriam acabar juntos – comentou casualmente – Acho que vocês formariam um casal fofo.
– De maneira nenhuma, Lena – fiz uma careta – Klaus e eu sempre fomos o melhores amigos, nunca nada mais do que isso, você sabe disso.
– Nunca diga nunca, Caroline, querida – levantou as sobrancelhas sugestivamente – Quem sabe ele não termina com essa garota e vocês dois encontram a felicidade nos braços um do outro?
Revirei os olhos. Foi por isso que eu quis manter segredo a noite que passei com Klaus, Elena nunca me deixaria esquecer se acabasse descobrindo.
– Aonde o Damon, Lena? — perguntei, mudando totalmente de assunto – Vocês não tem se desgrudado desde que ele voltou da Itália.
– Ele tinha uma reunião importante hoje de manhã – explicou – E depois ele vai almoçar com o Stefan e a Lexi.
= E por que você não vai também? — quis saber mais uma vez – Você é namorada do Damon e não vai ao almoço com ele?
– O Damon até me convidou, mas eu disse não – explicou – Não quero confraternizar com o Stefan e a namoradinha dele. Você sabe, Car, uma coisa que eu não sou é hipócrita.
– Ainda não estou entendendo qual o problema – comentei – Já te disse milhares de vezes que eu e Stefan terminamos de forma pacífica, não estou chateada por ele ter voltado para cá junto com uma nova namorada.
– Caroline Forbes, você mente tão mal – revirou os olhos – Eu já percebi o quanto está chateada com tudo isso. Não vou sair para jantar com eles sabendo que isso magoa a minha melhor amiga.
Ainda acho que isso é uma grande bobagem, mas não posso deixar de ser grata com a Elena. Ela era mesmo uma grande amiga, disso eu não podia duvidar.
– Obrigada, Lena – foi tudo que consegui dizer.
Decidi comer uma coisa bem leve, apesar de estar com fome, eu tinha passado mal assim que acordei e não queria correr o risco de que acontecesse novamente. Comi duas torradas com geleira de morango e uma xícara de café com leite, estava muito bom e até pensei em repetir, mas decidi não exagerar.
Infelizmente no momento em que eu me levantei senti uma tontura muito grande e tivesse que me sentar imediatamente com medo de desmaiar. Tudo estava rodando a minha volta.
– Está tudo bem, Car? — Lena já estava parada bem ao meu lado.
– Sim! — afirmei com a cabeça tentando me levantar novamente, mas infelizmente tive de que me sentar pois a tontura continuava – Acho que não...
– Você disse que estava com dor de cabeça na hora que acordou – observou – Talvez não seja somente por causa da ressaca, é melhor você ir ao médico verificar isso.
– Não precisa, é sério – garanti na mesma hora, não queria ir ao médico de jeito nenhum – Já estou bem melhor!
– Caroline Lucy Forbes, é melhor você parar de me enrolar – cruzou os braços e ficou me encarando — É melhor você ir ao médico ou eu vou ter amarrar no banco de trás do carro e vou te levar ao hospital a força.
Fiz uma careta, sabia muito bem que ela iria falar isso. Sinceramente, não sei qual de nós duas consegue ser mais teimosa.
– E então, você vai ao médico por bem ou por mal? — perguntou por fim.
– Certo, eu vou poder bem – dessa vez consegui me levantar sem nenhum problema – Vou trocar de roupa.
Vesti a primeira coisa que encontrei no meu armário e logo estava de volta a sala. Fomos no carro de Elena até o hospital mais perto do nosso apartamento, por sorte a recepção não estava muito cheia.
– Eu odeio hospitais! Eu odeio hospitais! — fiquei repetindo isso desde que chegamos ao local.
– Sério, Car, você ainda não superou a vez em que teve apendicite? — não pode deixar de rir de mim.
– Você ri porque não foi com você – olhei séria para ela – E sim, eu ainda não superei, fiquei traumatizada.
– Crianças de cinco anos são mais corajosas do que você – mostrei ao língua para ela em um gesto infantil.
– Caroline Lucy Forbes – uma enfermeira com um prancheta na mão chamou o meu nome, fazendo com que eu me levantasse imediatamente – A doutora já vai atendê-la.
– Vai lá, Car – minha amiga me encorajou.
– Mas eu não vou sozinha – a puxei pelo braço para que se levantasse comigo – Me fez vir aqui e também vai entrar.
A médica estava sentada atrás da sua mesa olhando alguns papeis. Ela nos cumprimentou antes de nos acomodarmos nas cadeiras a sua frente.
– Então, Caroline – disse – Me diga tudo que está sentindo.
Tive que contar tudo: os enjoos matinais, a dor de cabeça hoje e a tontura. Ela ficou apenas observando atentamente enquanto eu falava.
– Provavelmente não deve ser nada grave – garantiu – Mas vou te pedir um exame de sangue. O resultado fica pronto hoje e assim que estiver comigo você volta eu vejo o resultado.
Maravilha! Se tem uma coisa que eu deteste mais do que ir ao médico é fazer exame de sangue, péssima hora que eu concordei de Elena me trazer aqui no hospital.
– Tudo bem! — tive que dizer, por fim.
– A enfermeira vai acompanhar você até a sala de exame de sangue – avisou – Depois pode voltar a recepção até que a chame novamente.
Por sorte não demorou tanto para que eu tirasse sangue e logo estava de volta ao mesmo local de antes com Elena ao meu lado.
– Por que você não me contou estava sentindo enjoos? — ela me perguntou de repente.
– Achei que não deveria ser nada demais – dei de ombros – Não queria te deixar preocupada a toa.
Estou achando que você não queria que eu te convencesse a vir ao médico, isso sim – comentou.
– Talvez – foi tudo que eu disse.
De repente meu celular apitou avisando a chegada de uma nova mensagem. Reconheci imediatamente o número do meu melhor amigo.
De Niklaus Mikaelson: Car, o que você vai fazer hoje a noite? A Halley vai sair com algumas amigas e pensei que você poderia vir aqui em casa. Podemos pedir uma pizza e você me diz tudo que pensou sobre a Halley.
De Caroline Forbes: Hoje vai ficar meio difícil. Combinei de fazer alguma coisa com a Lena. Você sabe, desde que o Damon voltou de viagem quase não tenho a visto e olha que moramos no mesmo apartamento.
De Niklaus Mikaelson: Ela pode vir também. Assim fazemos aquela noite de amigos, somente nós três, que tentamos combinar há várias semanas.
– Não acredito que você disse isso, Car – Elena estava olhando as mensagens no meu celular sob o meu ombro – Nós não combinamos de fazer nada hoje, deixa de ser mentirosa.
– Mas o o Klaus no sabe disso – expliquei.
– Vai mesmo mentir para ele desse jeito – fingiu-se de chocada – O que aconteceu ontem para você não querer vê-lo?
– Não aconteceu nada – garanti – Apenas não estou com muita vontade de sair de casa. Eu passei mal hoje de manhã e pensei em passar o meu sábado a noite debaixo das cobertas vendo televisão.
– Sei... — me olhou de cima abaixo – Então talvez tenha acontecido algo antes de ontem a noite. Talvez quando você foi assistir aquele filme na casa dele há duas semanas.
– Vai mesmo continuar insistindo nisso – revirei os olhos.
– Então combina de irmos lá no apartamento dele hoje a noite – concluiu – Vou adorar passar o meu sábado a noite com vocês dois.
– Certo – dei um longo suspiro antes de pegar o meu celular novamente e responder a mensagem dele.
De Caroline Forbes: OK! Acabei de falar com a Lena e ela concordou. Pizza e conversa fora?
De Niklaus Mikaelson: Perfeito, estou esperando vocês aqui. Sim, pizza e conversa a fora, você consegue pensar e uma maneira melhor para uma reunião entre amigos?
Não demorou muito para a enfermeira dizer que poderíamos voltar a sala. A médica estava com o meu exame na mão e tinha um enorme sorriso.
– Bom, Caroline, acho que eu tenho que te dar os parabéns – disse – Você está grávida!
– Como é? — gritei mais alto do que estava planejando, o que não foi uma boa ideia levando em consideração que estávamos em um hospital – Isso não é possível.
– Bom, nem tão impossível assim – colocou o papel em cima da mesa e virou na minha direção – Seus níveis de BHCG estão altos, o que só pode significar uma coisa.
Fiquei olhando para aquela linha que ela indicava com a caneta. Não era possível que uma palavrinha podia mudar tanto assim a minha vida: positivo.
– Posso ver pela sua reação que é uma gravidez inesperada – comentou e eu apenas balancei a cabeça afirmativamente – A boa noticia é que o restante do seu exame deu perfeitamente normal, o que deve ser um sinal de que você vai ter uma gravidez tranquila. Mas precisa marcar uma consulta com um obstetra o quanto antes, para começar logo o pré-natal.
– Sei disso! — afirmei com a cabeça, mas na verdade minha mente estava longe. Era totalmente surreal pensar que existia um outro ser humano que dependia de mim para tudo e, o pior de tudo, um pedacinho de mim e de Klaus crescendo dentro de mim.
– Posso recomendar a obstetra aqui do hospital – sugeriu – Pode marcar um consulta assim que sair daqui.
– Vou fazer isso – avisei.
Ela se despediu de mim e de Elena e então saímos do seu consultório. Fui até a recepção e merquei uma consulta com a obstetra para a semana que vem, embora eu ainda ache que isso tudo é apenas um sonho muito doido e eu irei acordar logo.
– Você está grávida, Caroline! — minha amiga fez com que eu parasse quando estávamos indo para o estacionamento – Quando foi que isso aconteceu? Ou melhor, quem é o pai?
– Isso é uma longa história – fiquei encarando os meus pés – Não é o tipo de assunto para conversarmos na porta do hospital.
– Espera um minuto – ficou me olhando de cima a baixo – Não vai me dizer que o pai é o Klaus? — não tinha mais porque mentir para ele, então eu confirmei – Car...
– Lena, será que podemos falar em outro lugar? — pedi – Prometo que te conto tudo.
Então fomos para o shopping que não ficava muito longe dali e sentamos na praça de alimentação. Então contei a Lena sobre a noite que eu e Klaus passamos juntos depois de termos bebido demais e o fato de temos prometido que não íamos mais falar sobre isso, só que agora as coisas tinham mudado.
– Você tem que contar agora mesmo para ele – avisou – Pega o celular e liga para o Klaus.
– De maneira nenhuma, Lena – reclamei – Além de não ser uma noticia que se dá por telefone, as coisas não são tão simples assim.
– Não estou vendo nada de complicado nisso – observou.
– Ah claro, eu chego para ele e falo assim: Oi, Klaus, a proposito, eu estou grávida e você é o pai – revirei os olhos enquanto falava – E ainda tem a Halley, imagina como ela vai reagir ao saber que o namorado vai ter um filho com a melhor amiga.
– Isso tudo aconteceu antes deles começarem a namorar – lembrou – E você não fez esse bebê sozinha e tenho certeza de que vai querer ajudar para criá-lo.
– Claro que sim, o Klaus e o bebê tem o direito de conviverem – dei um sorriso bobo passando a mão na minha barriga pela primeira vez – Mas não sei como vou fazer isso.
– Nós vamos lá hoje, não é mesmo? — falou – Eu dou um jeito de sair por alguns minutos enquanto vocês conversam.
– Talvez seja uma boa ideia – falei.
Mas eu tinha mentido para ela, não iria contar ao Klaus hoje, na verdade se pudesse esconder isso para sempre ficaria muito feliz. Como sei que isso é impossível, preciso de mais um tempo para me preparar psicologicamente.
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