Positive
1 Bons amigos
Notas iniciais
Quase não acreditei quando ouvi o alarme do meu celular tocando. Fiquei até tarde ontem a noite terminando um artigo para entregar hoje, por isso estou com a impressão de que não descansei o suficiente.
Como não tinha mais jeito eu levantei da cama, fui arrastando até o banheiro, tomei um rápido banho, fiz uma maquiagem simples e voltar o quarto para escolher uma roupa. Escolhi uma calça jeans, uma blusa baby look azul e uma jaqueta para o caso de fazer frio.
Encontrei minha amiga, Elena, sentada na mesa da cozinha comendo cereal. Nós duas dividimos esse apartamento desde que viemos de Atlanta para Nova York para fazer faculdade na Colúmbia.
– Bom dia, Car! — ela me disse abrindo um enorme sorriso.
– Oi, Lena! — não estava tão animada assim quanto ela – Estou a impressão que dormi menos de uma hora essa noite, tudo por causa do artigo das bolsas de grife. Mas pelo menos já está tudo pronto e já enviei para o e-mail da editora de jornalismo.
– Eu entendo! — minha amiga afirmou – Também fiquei horas desenhando as roupas que vou apresentar a minha editora. Afinal, não é todo dia que você é a encarregada do figurino da capa ainda mais quando a modelo será Carly Rae Jepsen.
Faz pouco mais de um ano desde que eu me formei em jornalismo e já sai da faculdade com o emprego garantido na Mystic Magazine, uma das revistas de moda mais conceituadas do mundo, aonde eu já tinha feito estágio durante o último ano de curso. Elena também trabalha no mesmo lugar que eu, mas está no departamento de moda.
– Estou muito feliz por você, amiga – coloquei um pouco de café na minha xícara, preciso de alguma coisa para ficar acordada durante o dia – Ainda estou esperando pelo dia em que vão me pedir para fazer a matéria de capa da revista.
– Tenho certeza de que isso vai acontecer um dia, Car – garantiu – Você é muito talentosa e não vai passar a vida inteira escrevendo artigos sobre bolsas e sapatos da moda ou fazer revisão de matérias.
– Obrigada! — sentei em frente a minha amiga.
– Bom você quer ver as roupas que eu desenhei? — afirmei com a cabeça, então ela se levantou e voltou alguns minutos depois trazendo uma pasta – Aqui estão, me diga se gostou.
Ela me mostrou cinco desenhos de modelos completamente diferentes. Um era um vestido longo, que poderia ser usado para um baile; o segundo era um vestido um pouco mais curto e de alcinha; o outro era uma saia de prega com uma camisa no estilo social com uma camiseta regata por baixo; o seguinte era uma calça jeans com uma bata; e o último era um short curto uma blusa um pouco mais cumprida e um chapéu para completar o look.
– Estão todos maravilhosos, Lena! — afirmei depois que dei uma olhada em todos – Cada um no seu próprio estilo.
– Não me falaram qual seria o tema do ensaio fotográfico, então não quis me ater a um tipo de look apenas — explicou – Quem sabe ela não usa mais uma roupa diferente, uma na capa e outra dentro da revista?
– Estou orgulhosa de você, Lena! — disse, por fim – Lembra quando éramos pequenas e você desenhava roupas para as nossas bonecas?
– Como poderia me esquecer, foi assim que eu descobri que queria ser estilista – lembrou – Bom, acho melhor eu guardar esse desenho, se algum deles sumir, garanto que vou me jogar na frente do primeiro carro aqui na rua.
– Elena Gilbert, sempre dramática – revirei os olhos.
Foi nesse momento que a campainha tocou. Nós nos entreolhamos em dúvida, não estávamos nos esperando por ninguém, ainda mais aquela hora da manhã.
– Acho melhor eu ir ver quem é – avisei enquanto me levantava.
Não foi surpresa nenhuma ao encontrar Klaus parado na entrada do apartamento com o seu melhor sorriso. Nossas mães são amigas de infância e, consequentemente, crescemos juntos, todos sempre disseram que formávamos uma casal legal, mas nunca fomos mais do que bons amigos.
– Bom dia, Caroline – me deu um beijo no rosto e entrou antes que pudesse dizer qualquer coisa – Vim tomar café da manhã, espero que não se importe.
– Claro que não me importo, mas não faria a menor diferença mesmo se eu dissesse que não – cruzei os braços e o encarei seriamente – Sério, Klaus, um dia você vai chegar aqui e nós não vamos deixar você entrar. Só quero ver o que vai fazer.
– Nada, por que eu sei que isso nunca vai acontecer – levantou as sobrancelhas, convencido – Você e a Lena amam a minha companhia.
Tudo que pude fazer foi revirar os olhos. Ele tinha razão, a casa está sempre aberta para o nosso amigo, mas às vezes eu queria que ele ligasse antes de aparecer.
– Estamos na cozinha – avisei apontando para a porta que levava ao outro cômodo – Tenta não demorar muito, temos hora para chegar no trabalho.
– Pode ficar tranquila quanto a isso – garantiu – Também tenho que estar no escritório daqui a meia hora.
Klaus também veio fazer faculdade em Nova York juntamente comigo e Elena, estudou Direito. Ele mora sozinho em um apartamento bem próximo daqui e costuma vir sempre limpar a nossa geladeira.
– Olá, Leninha – entramos na cozinha e ele deu um beijo no topo da cabeça da nossa amiga.
– Klaus – virou-se para poder olhá-lo melhor – Mas que surpresa te ver aqui – tinha certeza de que ele percebeu o tom de ironia.
– Vocês duas estão tão engraçadinhas hoje! — sentou em uma das cadeiras e colocou as duas mãos atrás da cabeça – E então, qual das duas vai me servir hoje.
– Você sabe muito bem aonde fica cada uma das coisas – lembrei – Pode muito bem se servir sozinho.
– Certo! — sorriu antes de se levantar e ir pegar o cereal no armário.
Foi nesse momento que o celular de Elena, que estava em cima da mesa, tocou indicando que tinha chegado uma nova mensagem. Ela pegou o aparelho para lê-lo e abriu um enorme sorriso em seguida.
– Deixa eu ver se eu acerto quem acabou de mandar a mensagem – coloquei a mão no queixo, me fingindo de pensativa – Damon Salvatore?
Conhecemos os irmãos Salvatore quando tínhamos 11 anos e família deles se mudou da Itália para Atlanta. Damon é três anos mais velho que a gente, mas isso não o impediu de ficar totalmente encantado por Lena na primeira vez que a viu, e um dos grandes motivos dela ter escolhido fazer faculdade em Nova York foi para poder ficar perto do namorado, que já cursava administração aqui.
Ele acabou de chegar no aeroporto de Nova York! — avisou, Damon passou os último três meses em Viena visitando sua família e resolvendo alguns problemas sobre o vinho produzido pelo vinhedo Salvatore, do qual ele cuida da importação para os Estados Unidos.
– Então eu devo imaginar que vocês vão sair juntos hoje a noite, não é mesmo? — ela balançou a cabeça afirmativamente – Já vi que vou dormir mal hoje de novo e dessa vez não vai ser por causa do trabalho.
– O que quer dizer com isso, Car? — me olhou em dúvida.
– Não se faça de desentendida, Elena Gilbert – respondi – Ainda me lembro da última vez em que o Damon veio dormir aqui, antes dele viajar. Vocês pareceram se divertir muito, mas eu passei a noite inteira escutando gemidos.
– E você pode falar muita coisa – começou a se defender – É que agora você está solteira, mas eu já várias coisas vindo do seu quarto.
Nesse momento eu senti as minhas bochechas ficarem vermelhas de vergonha.
– Será que vocês podem parar com esse assunto! — Klaus pediu – Vocês duas são minhas amigas e eu realmente não quero imaginar esse tipo de cena.
– Em minha defesa, foi a Car quem começou – Lena levantou as duas mãos em sinal de rendição, estávamos parecendo duas crianças discutindo.
– Assim está melhor! — agora ele se juntou a nós a mesa trazendo um pote com cereal – Mas mudando de assunto, já que a Lena vai sair com o Damon, por que eu e você não assistimos a um filme lá em casa, Car? Eu deixo você escolher o filme e ainda compro o seu sorvete preferido.
– Parece uma boa ideia! — concordei – Faz tanto tempo que eu não temos uma noite de cinema com os melhores amigos.
– Muito obrigada por me excluírem dessa – Elena entrou na conversa – Também adoro vocês dois.
– Adoraríamos ter você lá – avisei – Mas você vai sair com o seu namorado, então não posso fazer nada.
– Fazemos uma outra noite de melhores amigos uma outra vez quando você puder, Lena – Klaus sugeriu – O que você acha?
– É uma boa ideia! — concordou.
– Bom, Car, então eu te busco na sede da revista na hora da saída – meu amigo continuou, se virando para mim.
Está bem, eu estarei te esperando.
Não demorou muito para terminamos o café da manhã e logo estávamos saindo do apartamento e indo cada um para o seu trabalho. Peguei uma carona com Elena, já que estávamos indo para o mesmo lugar.
– Olha, Car, uma hora ou outra você vai acabar sabendo, então é melhor que seja por mim – minha amiga começou a falar sem tirar os olhos da estrada.
– Uau, o que foi, Lena? — fiquei preocupada – Você está tão séria!
– Damon me ligou ontem antes de viajar – explicou – O Stefan está vindo junto com ele para Nova York.
Stefan é o irmão mais novo de Damon e nós namoramos durante o Ensino Médio, perdi a minha virgindade com ele e fomos eleitos o casal da turma do último ano que iria ficar junto mesmo depois da formatura. Infelizmente não foi isso que aconteceu, Stef decidiu ir fazer faculdade na Itália e eu viria para Nova York, no inicio até tentamos manter o relacionamento a distância, mas não estava dando certo, então decidimos terminar.
– Ora, Lena, não sei por que você estava tão cautelosa para me dizer isso – comentei – Eu e Stefan terminamos pacificamente, ainda somos amigos, não tem problemas estarmos morando na mesma cidade.
– Que bom que você pensa assim – deu um longo suspiro – Por que ele não está voltando sozinho.
– Entendo... — foi tudo que eu consegui dizer, acho que não estava esperando por isso.
– O nome dela é Lexi e os dois estão juntos há, mais ou menos, um ano – continuou – Já tem um tempo que Damon me contou isso, mas eu não quis tá contar nada, só que agora as coisas são diferentes.
Passei o restante do tempo em completo silêncio. Não que eu esperasse que Stefan tivesse sido fiel a mim todos esses anos esperando voltar para ficarmos juntos novamente, até porque eu mesma não permaneci solteira o tempo todo. Mas não imaginei que estivesse namorando tão sério a ponto de trazer a garota junto com ele. Preciso admitir que isso me deixou um pouco triste.
– Vamos almoçar juntas? — Elena me perguntou depois que entramos no prédio e estávamos esperando o elevador.
– Claro! — balancei a cabeça afirmativamente.
– Perfeito, nós nos encontramos aqui embaixo na hora do almoço – Agora eu preciso ir, tenho que mostrar esses desenhos agora mesmo.
– Boa sorte! — falei por fim.
A manhã foi bem entediante. Quando liguei o computador tinha um e-mail dizendo que aprovaram a minha matéria sobre as bolsas de grife e que estaria na próxima edição, pelo menos uma boa notícia.
Mas a maior surpresa aconteceu logo depois do almoço. Assim que cheguei me avisaram que Ângela, a editora chefe da revista, queria me ver o mais rápido possível. Fiquei totalmente curiosa para saber o que ela queria comigo e fui na mesma hora.
O escritório dela ficava no último andar do prédio, que era todo da redação da revista. Assim que cheguei fui até a mesa da secretária.
– Boa tarde! — disse, fazendo com que ela me olhasse – Sou Caroline Forbes, a senhora Ângela pediu para me ver.
– Um minuto! — pegou o telefone e discou alguns números – Com licença, senhora, Caroline Forbes está aqui para vê-la – concordou com a cabeça antes de desligar – A senhorita pode entrar.
Agradeci antes de caminhar em direção as duas porta de madeira. Ângela estava sentada em sua mesa olhando alguns papeis, era uma mulher muito elegante, como uma editora de revista precisa ser.
– Olá, senhorita Forbes, é muito bom, finalmente, conhecê-la – abriu um sorriso ao me ver – Por favor, sente-se – indicou a cadeira para mim.
– Soube que a senhora queria me ver – estava muito nervosa, não sei como é que eu conseguia falar – E fiquei muito curiosa.
– Eu li a sua matéria para a próxima edição e fiquei maravilhada – continuou – Você tem muito talento, tenho certeza de que vai longe se continuar assim.
– Obrigada! — estava envergonhada nesse momento – Eu faço o que eu posso para dar o meu melhor a essa revista.
– Não sei se você sabe, mas estamos procurando alguém para fazer a entrevista com o Carly Rae Jepsen na semana que vem – eu continuei a observá-la atentamente – E gostaria muito que você fosse a jornalista a entrevistá-la e ainda escrevesse a matéria.
– Está falando sério? — disse um pouco mais alto que estava planejando, não estava esperando por isso.
– Sei que é um pouco em cima da hora, afinal a revista precisa ir para a gráfica na semana que vem, acontece que nos enrolamos com com a marcação da entrevista, problemas de agenda – tentou explicar – Mas eu tenho certeza de que você consegue isso.
– Claro que consigo – garanti – E vou ficar feliz com essa função.
– Perfeito! — pareceu satisfeita – A entrevista está marcada para segunda-feira de manhã, vou pedir para a minha secretária te mandar o endereço e todos os detalhes.
– Está bem! — me levantei e apertei a mão dela – Muito obrigada.
Eu estava tão feliz que quase não vi o tempo passar. Quando menos esperei recebi uma mensagem de Klaus dizendo que estava esperando por mim na recepção da revista.
– Oi, Klaus! — disse o abraçando e dando um beijo no seu rosto.
– Oi, Car! — me olhou de cima a baixo – Você parece de bom humor, isso é muito bom. Aconteceu alguma coisa durante o dia para estar assim?
– Sim, você não vai acreditar – comecei a usar o meu tom animado – Você está olhando para a jornalista que vai assinar a matéria de capa da próxima edição da Mystic Magazine.
Comecei a pular e ele me abraçou, fazendo com que eu saísse do chão e deu um giro de 360º em torno de si.
– Isso é incrível, Car! — disse, por fim – Eu sabia que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde.
– Não tem ideia do quanto eu estou animada! — continuei – É claro que isso vai dar um pouco mais de trabalho do que uma matéria normal, mas vai valer muito a pena, eu tenho certeza.
– Vai valer a pena sim – concordou – E bom, agora temos algo que comemorar na nossa noite de filmes. O que acha de comprarmos uma garrafa de vinho para brindarmos a isso?
Fiquei um pouco incerta. Não tinha o costume de beber e sempre que fazia isso acabava fazendo alguma besteira. É claro que estando com o meu melhor amigo isso mão irá acontecer.
– Claro, vamos sim – balancei a cabeça afirmativamente.
– Então vamos! — colocou o braço em volta dos meus ombros e fomos caminhando em direção a saída do prédio – Primeira parada, locadora de filmes.
Klaus abriu a porta do passageiro para mim antes de dar a volta no carro, ligou o veículo e saímos pelas ruas de Nova York. Uma coisa eu tenho certeza, essa será uma noite muito divertida.
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