Posfácio de Guerra
2 2ª Marca: Sangue e cinzas [Roy Mustang]
Notas iniciais
Apenas depois de abandonar aquele campo de batalha, que era, na verdade, cenário de um massacre, eu compreendi o porquê de meu mestre ter ficado tão transtornado por eu ter me tornado um Alquimista Federal. Não que antes eu não tivesse uma mínima noção, mas apenas após me tornar um verdadeiro cão assassino do governo eu realmente entendi a profundidade de seu transtorno.
E seu possível arrependimento em me tornar seu discípulo.
Era, provavelmente, um sentimento próximo ao que levou a Tenente a decidir jamais permitir que outro alquimista das chamas se criasse, desejando que as próprias chamas malditas queimassem essa possibilidade de sua pele. Quando as chamas atingiram sua figura vulnerável, e tal aparência nela era rara, eu compartilhei dessa vontade. Outro alquimista das chamas não deveria existir.
Um já havia trazido desgraça demais.
Talvez minha mente imatura daqueles dias nunca tenha pensado no que significava ter a arma mais destrutiva existente à mercê de seus dedos. E o que isso causaria quando àquele que detém este poder está sujeito a pessoas que causam guerras. Talvez, lá no fundo, eu compreendesse isso. Mas era jovem e estúpido demais para entender o fardo eterno que isso me traria. Porém, ainda que carregue arrependimentos eternos de uma culpa que também é minha, não voltaria atrás em minhas decisões. E, por este motivo, sigo vestindo esta farda.
De que serviria abandonar tudo depois do maior estrago já feito? Não era como se eu pudesse apenas esquecer tudo e seguir uma vida pacífica longe da realidade de meus atos. O que me restava era meu objetivo, o sonho que só poderia ser alcançado enquanto eu usasse esta farda. E eu o alcançaria, não importa o quantas coisas eu teria que matar em mim mesmo para conseguir.
Não permitiria que a história se repetisse.
Enquanto esse objetivo ardesse em mim, fomentado pelas lembranças das violentas chamas que dançaram vilmente pelo solo ishvaliano, não haveria um segundo massacre de Ishval. Enquanto eu respirar, moverei tudo que estiver ao meu alcance, e até o que estivesse além dele, para tornar real o futuro que meus olhos vislumbravam. Um futuro distante, talvez, mas não impossível. Se meus olhos conseguiam enxergar, ainda que distante, eu traçaria o caminho necessário para que minhas mãos alcançassem. Um caminho provavelmente doloroso e nada puro; como aquele que tracei até aqui.
Um caminho de sangue e cinzas.
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