Posena
24 XXIV - Lonely
Notas iniciais
Depois de um tempo, a ideia de tudo não ter passado de alucinações começou a fazer sentido na cabeça de Atena. Não havia como ela fazer tudo aquilo, ela não era tão fraca, tão vulnerável. Ela estava começando a duvidar se ela o amava daquele jeito mesmo, se isso não passaria depois de um tempo.
E também, ela não fazia o tipo dele. Poseidon nunca se apaixonaria justamente por ela. Ela passava falando sobre coisas de “nerd”, enquanto ele preferia muito mais coisas mais simples. Ele aproveitava a vida de modos que ela nunca imaginaria, e ele nunca se divertiria fazendo as coisas que Atena fazia. Ele sempre foram tão diferentes. Sempre se odiaram, mas ela sentia a necessidade de odiá-lo. Era como se seu dia não fosse completo se ela não brigasse com ele, se não tivesse algum contato com ele.
Ódio. Muitas vezes Atena chegou à conclusão de que era algo forte demais para descrever o que ela sentia por ele, mas então ele chegava e fazia alguma piada infame e a raiva e o orgulho tomavam o controle novamente. Ela sentia que se importava com ele, não queria vê-lo mal, apenas precisava deixar claro que ela era superior, só isso. Sempre fora orgulhosa demais.
-Knock knock. — Um certo ser disse, imitando o barulho da porta, esperando para entrar no quarto de Atena, ela nem havia percebido que a porta estava aberta. Ao ver a pessoa se arrepiou inteira, como se ela conseguisse ler seus pensamentos. E talvez conseguisse mesmo.
-Afrodite.
-Atena.
-O que queres?
-Conversar – O sorriso que se formou nos lábios de Afrodite assustava um pouco Atena, ela nunca sabia o que aquela mulher planejava, mas nunca era boa coisa. — Então, está melhor? Ouvi dizer que você pegou o vírus... — Afrodite realmente parecia preocupada.
-Peguei sim, e já me recuperei, só ando meio zonza.
-Que bom.
-É.
Afrodite se sentou na cama e soltou seus cabelos cor de areia. Atena se sentou ao seu lado e a encarou, esperando que pedisse logo o que quer que ela desejasse.
-Você está bem?
-Sim, Afrodite, você já me perguntou isso.
-Não me refiro a isso, Atena. Quero saber se você está bem aqui – Afrodite apontou para a cabeça de Atena, e depois para o coração.
-Não comece...
-Eu consigo sentir, Atena, sabes disso.
-Sentir o quê?
-Eu sei dos sentimentos dos outros, Atena. Eu sei o que praticamente todas os seres sentem, animais, ninfas, deuses, semideuses, mortais. Quase todos.
-Menos aqueles que estão ligados a você. — Afrodite corou. Atena sempre soube que ela nunca foi capaz de prever os sentimentos de Hefesto, pois ela o amava, e havia algum tipo de barreira nos sentimentos dele.
-Isso não é o caso agora, Atena. Eu posso explicar as suas dúvidas.
-Não preciso de você.
-Não sofra sem necessidade, Palas.
-Não me chame de Palas. — “Só o Poseidon me chama assim.” Atena corou ao pensar nisso. O apelido soava estranho quando não vinha dos lábios levemente avermelhados do Deus dos Mares.
-Eu tenho as respostas para as suas perguntas.
-Eu não tenho perguntas. Não tem nada que eu não saiba. — Mentira. Ela estava com a cabeça cheia de perguntas, mas tinha o ego grande demais para se deixar levar por Afrodite. Ela era Atena, por Zeus! Conseguiria se virar sozinha.
-Como queiras. — Afrodite sorriu, mas seu descontentamento era visível nos seus olhos violeta. Ela realmente se importava com Atena, por mais que a sobrinha¹ a odiasse mortalmente.
A deusa do Amor deixou Atena sozinha, arrependida e confusa. Ela se sentou na frente de sua janela, na sua confortável poltrona, e pegou um de seus incontáveis livros para tentar refrescar sua mente.
Atena nunca havia se sentido tão sozinha quanto naquele momento, observando o céu tão azul do Olimpo, seus campos verdes e suas praças bem projetadas. Tudo estava lindo demais, injusto para Atena, que se corroía por dentro.
Notas finais
Eu sei que vocês me odeiam agora, mas me mandem reviews me xingando que eu gosto *u*
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