Posena
17 XVII - Broken
Notas iniciais
Ele gritou. Gritou de raiva. De dor. De tristeza. De tudo. Seu grito afastou as águas, atirando Anfitrite para longe, fazendo o tridente cravado em Atena volta a sua dona.
O ferimento estava tão fundo, ela jazia inconsciente nos braços dele. Poseidon correu e pegou alguns panos e uma caixa de primeiros socorros. Ele tentava fazer tudo calmamente, mas suas mãos tremiam. A pele de Atena, que já era branca, agora estava muito branca, como papel. No final ele conseguiu fazer um curativo, o ícor de Atena praticamente ocupada toda a sala. Ele a segurou em seus braços, suas lágrimas lavando seu rosto.
Ele controlou a água, para que lavasse seus corpos e o chão. Tirassem aquela lembrança dali. Como se ele fosse esquecer. Ele levantou com ela no colo, e a deitou no sofá do modo mais confortável possível. E então ele rezou (sério!). Rezou para Apolo, para que talvez este pudesse vir curá-la. Nada. Ele poderia simplesmente se transportar para o Olimpo, mas ele já sentia Anfitrite atacando as paredes do Palácio, o corroendo por dentro.
Ele não podia deixar a água, desmaiaria novamente. Mas não podia deixar Atena sofrendo. Ela é imortal, não vai morrer mesmo. Dizia seu maldoso subconsciente, o egoísta. Ele não poderia deixá-la sofrer daquele jeito, era errado.. o matava por dentro. Talvez eu possa...
-Po-pose-seidon.
-Atena! — Ele disse, tentando manter a voz calma, mas a surpresa e o alívio eram visíveis na sua voz. Ela estava tão fraca, sua voz saía como um sussurro.
-Dor..
-Eu sei, eu sei. — Ele procurou por algum analgésico dentro da maleta de Primeiros Socorros. Algodão, acetona (Anfitrite, é.), gaze, uma seringa, uma camisinha (?), mas sem analgésicos.
-Eu.. — Ela tossiu, fraca demais para continuar, mas fez esforço. — Você.. — O coração dele parou, ele se ajoelhou novamente ao lado dela. — Para.. — Ele podia ouvir Anfitrite se aproximar, mas não conseguia desviar os olhos dos loiros cachos da deusa a sua frente. — Sempre. — Mais lágrimas, dele e dela. Ele se inclinou e a beijou delicadamente, sem que ela precisasse fazer qualquer esforço. Então se levantou e conjurou seu tridente no exato momento em que o de Anfitrite entrou voando em direção a ele. Fácil demais. Eu o dei de presente a ela, eu o tirarei. Ele ergueu o seu Tridente e ambos se chocaram. O tridente menor, que pertencia a Anfitrite, se desintegrou ao contato com o de Poseidon, é claro que o dele eramuito mais poderoso.
-VENHA AQUI VOCÊ MESMO, ANFITRITE, MOSTRE-ME SUA CARA. — Uma suposta sereia passou por ele, ele tentou a agarrar, ela era rápida demais.
-Covarde, você não pode bater em mim. — A voz dela ecoava pelo que agora eram apenas destroços do que fora a casa deles. Ele não queria deixar Atena sozinha, não podia. Ideia maluca, Poseidon. Então ela a pegou no colo. Deixou que a bolha de ar se reduzisse e apenas contornasse o corpo deles. Estava decidido, deixaria Atena em terra firme antes de lutar com Anfitrite, e estava há dois metros das portas do Palácio já, quando tudo deu errado.
Rápido demais, as paredes cederam, junto com os braços e pernas de Poseidon. Atena caiu calmamente sobre a areia, ainda com a bolha de ar. Ele, por outro lado, assumira seu lado "peixe", seus pés se transformaram em pequenos pés-de-pato, junto com suas mãos. Ele nadou até ter a visão de sua mulher. Ela o viu, e se escondeu. Ele sabia que ela não poderia se esconder por muito tempo, mas eram tantos escombros que o confundiam. Então ele fez a coisa mais estúpida do dia: explodiu o resto do Palácio.
Ele caiu violentamente, como se um peso o puxasse para baixo, mas logo voltou a si, consciente de que não estava tão forte, mas ainda mais forte que Anfitrite. Ele lançou seu Tridente no nada, esperando acertá-la, não havia nem percebido que a mulher que ele pretendia um dia chamar de "minha" havia sumido. E então ele as viu.
Notas finais
Reviews para deixar uma [mentira] linda [/mentira] semideusa feliz *u*
Espero que gostem, tals e tals.
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