Porvir
1 Família Dragneel
Notas iniciais
Família Dragneel
Magnolia — x807
— TADAIMA! — Natsu berrou animado, chutando a porta do apartamento, que quicou na parede e voltou, acertando em cheio a testa da pobre — e exausta — Lucy que vinha logo atrás.
— Tadaima! — Happy repetiu, animado.
— Okaeri!!! — Ryuuji saudou com empolgação, correndo em direção aos recém-chegados. Natsu se abaixou e esfregou os cabelos rosados do filho
— VOCÊ ESTÁ TENTANDO ME MATAR??? — A loira gritou abrindo a porta furiosamente, fazendo marido, filho e exceed saltarem assustados.
— Gomen! — Natsu pediu, esfregando a nuca com um sorriso sem graça, enquanto Happy rolava de dar risada. Lucy, que ainda fuzilava o parceiro com o olhar, virou-se para o filho, mudando seu semblante de “esposa demoníaca” para “mãe coruja babona e apaixonada”. O mago do fogo ainda achava incrível como ela conseguia transformar seu humor tão rapidamente.
— Oi bebê lindo! Mamãe estava com tantas saudades! — Lucy falou com voz melosa, escolhendo cuidadosamente os adjetivos que mais envergonhariam o filho, enquanto o agarrava e o pressionava contra os fartos seios. O coitadinho, desesperado, agitava os braços freneticamente pela falta de oxigênio.
— Kaa-chan, eu não sou mais um bebê!!! — Protestou o pequeno, finalmente se livrando do aperto de urso, cruzando os braços e inflando as bochechas.
— Que lindo! Ryu-chan já está se comportando como um homenzinho! — Continuou a constranger a pobre criança, ignorando o rubor irritado que lhe surgia na face.
— Como foi a missão? — Ryuuji perguntou, desfazendo o bico e encarando os pais com expectativa.
— Tranquila. Nós detonamos uma quadrilha de Bandidos Mágicos e ganhamos uma baita recompensa. — Vangloriou-se Natsu, ante o olhar admirado do filho.
— É uma pena que tivemos que deixar metade dessa baita recompensa para cobrir os gastos dos danos que Gray e você provocaram. — Lamentou Lucy, puxando a mala cor de rosa para dentro e fechando a porta.
— Natsu e Gray destruíram uma ponte e dois barcos. — Happy contou, voando em direção a cozinha.
Ignorando as acusações, Natsu perscrutou a sala do pequeno ambiente, a procura de mais alguém.
— Onde está a sua Onee-ch... — Começou a perguntar para Ryuuji, parando repentinamente ao sentir um cheiro familiar.
— O que foi, Natsu? — Lucy perguntou, preocupada, percebendo a irritação crescer no semblante do marido.
— Aquele… aquele desgraçado… — Ele comentou ainda farejando o ar.
— Quem? — Lucy insistiu, olhando para os lados preocupada e trazendo Ryuuji para mais perto.
— EU ESTOU SENTINDO O CHEIRO DAQUELE DESGRAÇADO NO NOSSO APARTAMENTO!!! — Berrou, disparando para dentro.
— Ah não! — Lucy exclamou chorosa, correndo atrás do marido, prevendo o que viria a seguir.
— To-chan! — Ryuuji exclamou, também o seguindo, sem entender a situação.
— Natsu, não! — Lucy pediu, vendo-o parar em frente a porta do quarto da filha mais velha.
— CADÊ O DESGRAÇADO DO GAEL??? — Natsu gritou, chutando a porta do quarto, fazendo-a voar cômodo adentro, só não acertando a filha porque ela foi rápida — e sortuda — o bastante para desviar a tempo.
Entretanto, o estardalhaço assustou Yuffie, a pequena exceed de pelos lavanda, que encontrava-se dormindo até segundos antes, e saiu correndo para ficar longe da confusão.
— VOCÊ ESTÁ TENTANDO ME MATAR??? — A garota berrou, os olhos arregalados, uma reação idêntica a de sua mãe segundos antes. — O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO??? — Gritou para o pai, apontando a porta de seu quarto, que tinha batido na parede oposta e agora estava caída ao seu lado.
— Eu acho que já vi isso. — Ryuuji resmungou entediado, observando tudo do corredor.
— Nashi é assustadora como a Lucy, Aye! — Happy, que vinha voando com um peixe nas patinhas, observou.
— Calado Neko! — Lucy gritou, irritada.
— CADÊ O MALDITO??? — Dentro do quarto, Natsu perguntou, abrindo as portas do armário da filha uma por uma.
— Quem? — Nashi, perguntou para a mãe, confusa. A menina, que havia acabado de sair do banho, encontrava-se envolvida apenas por uma toalha branca, os cabelos rosados completamente molhados e grudados na pele, o corpo ainda úmido.
— Não se faça de desentendida, você sabe muito bem de quem eu estou falando! — Exclamou Natsu, levantando o edredom e conferindo embaixo da cama.
— O que está acontecendo? — Yuffie perguntou, esfregando os olhos com as patinhas, por causa do sono interrompido.
— O To-chan pegou o rastro do Gael aqui em casa. — Ryuuji explicou.
— Ah! — Exclamou a gatinha, compreendendo a situação.
— Muito bonito, Nashi! Você aproveita a minha ausência para colocar aquele idiota aqui dentro! — Natsu exclamou, olhando-a irritado.
— Natsu, pare já com isso! — Lucy mandou, entrando no quarto e na discussão.
— E qual o problema? — A garota perguntou, ignorando a presença da mãe, cerrando os punhos e inclinando-se para frente. — Gael é meu companheiro de time! É natural que ele frequente a minha casa e também que eu frequente a dele! — Desafiou o pai.
— Natural coisa nenhuma! — Ele respondeu, exasperado, com os olhos em chamas. — Olha só, o cheiro dele está até mesmo aqui, no seu quarto! E porque você tomou banho? — Perguntou, esticando o braço da filha em um movimento repentino e farejando-a, até o pescoço.
— KYAAAAA!!! — Nashi gritou, correndo e se escondendo atrás de Lucy — O QUE RAIOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO??? — Indagou, indignada.
— Você tomou banho, isso é muito suspeito! — Natsu respondeu, sem um pingo de constrangimento.
— Kaa-chan, o To-chan está me farejando!!! — Choramingou a adolescente para a mãe.
— Natsu, você endoidou? — Lucy perguntou, com ar de cansada.
— Ela acabou de tomar banho, isso é muito estranho. — O dragon slayer comentou, na maior cara de pau.
— Desde quando tomar banho tornou-se um comportamento estranho? — A adolescente rebateu, incrédula.
— Você pode estar tentando disfarçar o cheiro do desgraçado. — Sugeriu o mago do fogo, fazendo Nashi arregalar os olhos, pasma.
— AGORA CHEGA! — Lucy gritou, perdendo a paciência. — Natsu, preste mais atenção em suas palavras! Você está desrespeitando nossa filha! — Ralhou, enfurecida. O dragon slayer, imediatamente, fez um semblante culpado, arrependendo-se de suas palavras.
— É isso que você anda pensando de mim? — A garota perguntou, em tom ofendido.
— Gomen! — Ele pediu, com a consciência pesada.
— Você não pode simplesmente chegar metendo o pé na porta do meu quarto por causa de uma desconfiança! — Chiou a adolescente, caminhando até o pai. — Isso é invasão de privacidade! — Acusou, apontando para ele.
— É que logo que eu cheguei eu senti o cheiro daquele idiota… — Natsu tentou justificar.
— E se você fosse um pouco menos precipitado, teria percebido também o cheiro da Crystal, da Agatha e do Egeo, que também estavam aqui com a gente, evitando esse espetáculo. — Ralhou.
Natsu imediatamente farejou o ar, confirmando as palavras da filha. O rubor em sua face alcançou um tom inacreditavel.
— Por favor To-chan, não duvide da minha inteligência. — Começou ela, no mesmo tom convencido que Lucy usava quando vencia uma discussão. — Gael e eu somos companheiros de time, viajamos juntos com frequência. É claro que se eu fosse ter algo com ele, não seria justamente aqui em casa. — Comentou, com ar de deboche.
— COMO É QUE É??? — Natsu gritou, avançando novamente em direção a filha.
— EU JÁ DISSE PRA PARAR!!! — Lucy, exasperada, deu um tabefe na nuca de Natsu.
— Sim senhora! — Ele respondeu, acalmando-se imediatamente. A impressão que tinha é que a esposa estava com os olhos vermelhos e uma aura negra em torno de si.
— Nashi, vista-se antes que pegue um resfriado! — Lucy ordenou.
— Mas o To-chan derrubou a minha porta! — Reclamou a garota.
— E ele vai arrumar. — A loira anunciou, fazendo Natsu cruzar os braços e olhar para o outro lado, com as bochechas infladas. — AGORA! — Enfatizou ela, ante a reação infantil do esposo, que imediatamente bateu continência. — Enquanto isso, pegue suas roupas e se troque lá no nosso quarto. — Orientou a filha.
Nashi, com uma tromba de fazer inveja a qualquer elefante, pegou suas roupas e marchou corredor afora, pisando duro, com Yuffie em seu encalço.
— Depois nós conversaremos, Natsu Dragneel! — Lucy sentenciou, cruzando os braços e batendo os pés impacientemente, fazendo o marido se arrepiar. Ter o nome completo pronunciado pela esposa nunca fora bom sinal.
Mesmo assim, para não dar o braço a torcer, ele deu de ombros, fazendo com que Lucy rolasse os olhos para cima e suspirasse resignada, retirando-se do quarto em seguida. Enquanto ela seguia para o quarto do casal, com o objetivo de ter uma breve conversa com sua primogênita, pôde ouvir o marido e o caçula conversando.
— Eu já disse que você tem que cuidar da sua Onee-chan quando O To-chan estiver fora! — Escutou Natsu reclamando.
— Por quê? — Ryuuji perguntou, em tom emburrado.
— Porque senão algum homem safado pode tirar ela da gente. — Natsu respondeu, desesperado.
Lucy riu. Natsu fazia suas trapalhadas, mas era um ótimo pai no fim das contas. Ao parar em frente a porta do próprio quarto, a loira deu três batidas, para não exaltar ainda mais os ânimos da filha adolescente.
— Nashi? — Perguntou, ainda do lado de fora.
— Pode entrar. — A garota respondeu. Lucy empurrou a porta, deparando-se com a filha já seca e vestida, penteando os enormes cabelos róseos e úmidos. — Você veio defender o To-chan? — Ela perguntou, levemente irritada.
— Não. — Lucy respondeu, sentando-se no meio da cama de casal. — Eu vim conversar com você.
— Eu volto depois. — Yuffie anunciou, caminhando até a porta e retirando-se.
Lucy deu leves batidinhas no espaço a sua frente do colchão, sinalizando para que a filha sentasse ali. A menina obedeceu, acomodando-se no espaço indicado, de costas para a mãe, que pegou a escova que ela vinha usando e passou a desembaraçar os longos fios rosas. Vindos de fora, já era possível escutar os ruídos que Natsu provocava ao reparar a porta derrubada.
— Eu sei que isso é exigir bastante de você — Começou a maga celestial. — E sei também que não posso falar nada, pois me estresso com o Natsu o tempo todo. — Comentou risonha. — Mas tente ser paciente com seu pai. — Pediu.
Nashi torceu a barra da camisola branca adornada com corações coloridos que vestia. Lucy continuou deslizando a calmamente a escova pela cabeleira da adolescente.
— Você tem quase a mesma idade que eu tinha quando seu pai me conheceu. — Lucy revelou, saudosa. — Acho que é por isso que ele está entrando em pânico. Deve ter medo que apareça alguém em sua vida do mesmo modo que ele apareceu na minha.
— Eu só quero que ele pare de invadir minha privacidade. — Nashi justificou, virando e encarando a mãe. — Ou pelo menos que a invada de forma mais discreta e menos desastrosa. — Completou, fazendo Lucy cair na risada.
— Se você acha que ele invade a sua privacidade, não sabe o que ele fazia com a minha na época em que eu entrei na Fairy Tail. — Contou. — Natsu e Happy invadiam esse apartamento o tempo inteiro! Claro que naquele tempo ele era bem menor, pouco mais que um quarto. O que mais me irritava é que ele sempre arrombava a janela. Nunca usava a porta. — Lamentou.
— Sei como é. — Nashi se solidarizou. — Gael faz isso o tempo todo. — Comentou, arrependendo-se logo em seguida de suas palavras, corando intensamente.
— Não precisa se envergonhar. Eu sei disso. — Disse a maga celestial. — E o seu pai também. Aliás, toda a guilda sabe. — Lembrou, fazendo a garota corar ainda mais. — Provavelmente é por isso que Natsu está ficando doido. Porque ele sabe como nossa história começou, e está vendo algo parecido acontecer.
— Não existe nada entre Gael e eu! — Nashi avisou, saltando da cama.
— Hai, hai. — Lucy assentiu. — Também não haveria problemas se existisse alguma coisa. — Piscou para a filha.
Envergonhada, porém consideravelmente mais calma, Nashi deixou o quarto dos pais e seguiu para o próprio, onde Natsu estava fazendo os últimos ajustes na porta.
— Prontinho. — Ele resmungou, ainda um pouco irritado, juntando as ferramentas usadas no conserto.
— To-chan… — Nashi chamou, timidamente. Natsu imediatamente largou as ferramentas no chão e a encarou, curioso.
— Nani? — Perguntou.
— Okaerinasai. — Disse ela, sorrindo, lembrando-se que devido a confusão nem saudara devidamente o pai. Natsu, surpreso, abriu seu largo e característico sorriso, que Nashi simplesmente amava, pois lhe fazia parecer um garoto. Repentinamente, ele puxou a filha pela nuca, tocando a própria testa na dela, fazendo-a corar.
— Tadaima! — Ele exclamou, achando graça da face corada da menina. — Oyasumi. — Desejou, afastando-se e pegando novamente as ferramentas.
Depois de guardá-las na cozinha, o dragon slayer seguiu para o próprio quarto, onde Lucy o aguardava sentada na cama, ainda irritada.
— Você consegue fazer milagres com essa garota. — Natsu comentou, impressionado.
— Mas não consigo fazer com você! — Lucy respondeu, cruzando os braços. — Eu já te pedi tantas vezes para ser um pouco mais cuidadoso com a Nashi! — Lembrou.
— Mas é exatamente isso que estou fazendo. — Protestou o rosado. — Sendo cuidadoso! — Emendou.
— Então tenha mais cuidado ao ser cuidadoso! — A esposa reclamou. — Você está assustando a nossa filha agindo assim!
— Hai, hai. — Natsu respondeu, tirando o cachecol e a camisa. — Tudo isso porque aquele filhote de striper fica invadindo nossa casa o tempo todo. Não gosto disso! — Reclamou.
— Você sabe que é a última pessoa que pode reclamar de ter a casa invadida, não sabe? — Lucy lembrou.
— Claro. — Ele respondeu ironicamente, jogando-se em cima da esposa. — Porque você faz questão de me lembrar disso a cada minuto. — Falou, posicionando-se em cima dela.
— E vou continuar lembrando. — Lucy declarou, totalmente ignorando as segundas intenções do marido. Natsu rolou os olhos para cima.
— Confessa que você adorava chegar e me encontrar no seu apartamento. — Provocou.
— Eu odiava. — Ela mentiu, desviando o olhar.
— Você continua turrona. — Alfinetou o dragon slayer.
— E você continua um idiota. — Rebateu a maga celestial.
— Eu adoro quando se irrita assim. — Natsu comentou, fazendo Lucy arquear as sobrancelhas de forma inquisitiva. — Você nunca aguenta por muito tempo, e acaba cedendo. — Vangloriou-se, com um sorriso safado.
— É mesmo? — A maga perguntou, rolando para o lado e derrubando-o da cama. Natsu bufou irritado, enquanto Lucy ria deliciada.
— É sim! — Ele respondeu, cinicamente, puxando o braço da maga celestial que caiu por cima dele. Lucy riu com mais intensidade. — Viu só? — Ele perguntou. — Não demorou nem três segundos. — Concluiu, vitorioso, forçando o corpo por cima do da esposa, prendendo-a entre as coxas e capturando-lhe a boca em um beijo sedento.
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