Notas iniciais
Boa Leitura. ❤

Chego da escola já tarde e decido preparar o bolo que a Pheobe passou a semana inteira pedindo.
Troco de roupa e vou prepar o bolo.
Depois de pegar todos os ingredientes eu começo a fazer.
Enquanto estou preparando o bolo ouço a porta abrir, logo sinto alguém me abraçar e o cheiro do pergume de Christian me invade.

—Oi. —Ele beija meu pesço causando-me arrepios.
—Oi. —Sussurro e me viro beijando-o castamente. —Onde está a Pheobe?
—Na casa da minha mãe.
—Como assim? —Digo me soltando de seus braços. —Por que ela esta lá?
—Nós fomos para lá e ela acabou dormindo, eu não quis trazê-la dormindo e achei melhor que ela ficasse lá.
—Achou melhor? —Digo perdendo a paciência. —Você sabe muito bem que a menina não dorme sem nós dois.
—Não dorme sem você.
—Ok Christian! —Grito. —Mas você sabe, e mesmo assim você faz essas merdas toda vez.
—Anastásia eu não vou perder meu tempo discutindo com você.
—Não Christian, você nem eu precisamos discutir, e se você agir com mais responsabilidade as coisas estariam melhores. Nem cuidar da Pheobe você quer.
—Não quero mesmo! —Christian grita e eu dou um solavanco. —Sabe por que? Porque ela não é minha filha! Você quis cuidar daquela menina, agora se vire com ela!
—Você é um idiota! —Digo com os olhos merejados e saio da cozinha.

Pego meu celular e a chave do carro e saio de casa.
Assim que entro no carro e começo a dirigir meu celular começa a tocar, coloco-o no suporte e atendo-o.

—Mia?
—Ana. —Mia praticamente grita do outro lado. —A menina está chorando.
—Eu imaginei, olha eu já estou chegando, avise-a.
—Ok, nós vamos aguardar.

Desligo o celular e continuo meu caminho, logo chego na casa dos Grey.
Estaciono o carro e entro, a primeira coisa que ouço são os gritos de Pheobe.
Caminho até a sala e vejo Mia e Grace tentando acalmá-las de toda a forma possível.

—Oi filha. —Digo e Pheobe para de chorar.
—Mamãe. —Ela diz estenendo-me os braços. Caminho até ela e a pego no colo. —Não me deixa sozinha, por favor.
—Tudo bem querida, eu estou aqui.
—Que bom que você chegou Ana. —Diz Grace. —Ela acordou e quando não te viu entrou em desespero.
—Tudo bem Grace, desculpe.
—Não se desculpe querida. —Grace diz me olhando. —Aconteceu algo entre você e o Christian?
—Sim. —Sussurro. —Eu acho que não foi uma boa ideia ter deixado o Christian entrar na minha vida. Ele não nasceu para ter uma família, ao menos, não agora.

Grace me dá um olhar triste, e eu apenas lhe dou um sorriso fraco.

—As coisas estão tão ruins assim? —Mia pergunta.
—Pior do que vocês pensam. —Digo. —Bom, eu tenho que levar a Pheobe para casa, até logo.
—Tchau vovó. —Pheobe diz. —Tchau titia.
—Tchau. —Mia e Grace dizem juntas.

Saio com Pheobe da casa de Grace e a coloco no carro, entro logo em seguida e sigo para casa.

—Mami. —Pheobe diz ganhando minha atenção. —Você vai fazer meu bolo?
—Claro meu bem, quando chegar em casa.
—Você está cholando mami?
—Chorando filha, com R. —Digo calmamente. —Não amor, eu não estou.
—Está sim mami, você está tliste? Triste. —Ela se corrige.
—Não querida, eu não estou triste, não é possível ficar triste quando se tem uma menina feito você ao lado.

Pheobe sorri e continua sua canção.
Estaciono o carro em frente a nossa casa e vejo as luzes apagadas.
Merda, eu estou sem chave.
Desço do carro com Pheobe e tento abrir a porta, mas consto que ela está trancada.
Ok Ana, respiro fundo.
Toco a campainha, mas nada.

—Porra! —Grito assustando Pheobe.

Fadinha e Floquinho aparecem correndo e pulam em cima de Pheobe derrubando-a, o que resulta em choro.

—Fadinha, Floquinho. —Digo firme e os dois se afastam de Pheobe que está berrando no chão. Abaixo em sua frente e a pego no colo. —Ok amor, não foi nada.
—Mamãe, eu estou com fome.
—Ok, nós vamos para a casa da vovó Carla, ok?
—Ok.

Volto para o carro com Pheobe, mas dessa vez levo meus cachorros.
Quando chego na casa da minha mãe Pheobe já está dormindo, desço do carro e pego no colo, Fadinha e Floquinho vão correndo na frente. Entro em casa e encontro mamãe e papai no sofá assistindo TV.

—Ana? —Mamãe diz e com o seu olhar acho que ela já notou que não estou bem.
—Querida, aconteceu algo? —Papai pergunta.
—Não. —Digo começando a chorar.

Mamãe se levanta e vem me abraçar, ela pega Pheobe de meus braços e entrega a papai, sento-me ao lado deles e abraço minha mãe.

—O que houve querida? —Mamãe pergunta.
—Eu não aguento mais mamãe, eu não consigo viver a base de brigas. Eu pensei que eu conseguiria, mas eu não sei como lidar com uma vida assim0. É responsábilidade demais, e eu não aguento.
—Calma meu amor, explica direito. —Papai pede.

Começo a contar com mais calma as coisas que tem acontecido. Todas as brigas, tudo.

—Ana, você não acha melhor voltar a morar conosco? —Papai sugere.
—Eu não sei. —Digo confusa. —Eu não quero deixar o Christian, eu o amo.
—Querida, pense bem. —Fala mamãe. —Se as coisas estão difíceis assim, imagine daqui pra frente. Vocês são novos e talvez essa não seja a vida para vocês.
—Eu não quero acabar com tudo assim. —Digo chorando.

Abraço mamãe e começo a chorar em seu colo.
A campainha toca e segundos depois Christian aparece na porta da sala, ele me olha e é ai que eu choro mais.

—Baby. —Christian sussurra.
—Eu vou levar a Pheobe lá para cima. —Papai diz se levantando e mamãe o acompanha.

Christian se aproxima e senta ao meu lado.

—Me desculpe. —Ele sussurra.
—Desculpar? Pelo que?
—Por eu estar sendo um idiota com você.
—Para Christian! —Peço ainda chorando. —É sempre assim, você diz algo que me fere, eu choro por isso, e você vem com um maldito pedido de desculpas. Isso não vai mudar nada.
—Ana...
—Eu sei que essa não é a vida que você quer. E você tem feito questão de deixar isso bem claro ultimamente.
—Não é bem assim...
—É sim, e você sabe disso, mas quer saber? Eu não vou mais te prender à isso.
—O que está querendo dizer?
—Acabou Christian, para mim já chega!
—Você não está falando sério.
—Estou sim! Eu nunca falei tão sério.
—Ana, eu te amo.
—Para! —Exclamo me levantando. —Para com isso. Para!
—Eu não quero deixar você e a Pheo, eu amo vocês. —Christian se levanta.
—Não! —Grito. —Se você amasse realmente tentaria mudar, mas eu não quero mais isso. Você finge que está feliz, mas não está. Eu prefiro ficar sem você do que ficar ao seu lado sabendo que estou te destruíndo.
—É isso que você acha? Que está me destruíndo?
—Não é o que eu acho ou penso, é o que você desmontra.
—Você está enganada Ana.
—Não é o que parece.
—É isso que você quer então? Que eu vá embora?
—Não Christian, não é o que eu quero, é o que é melhor para nós, e ficar ao meu lado por pena, não vai nos levar para frente.
—Mas eu te amo.
—Tem certeza?
—Sim.
—Eu não acredito.
—Eu não vou desistir de você.
—Azar o seu.

Christian me olha e dá um passo na minha direção, mas eu fecho os olhos e dou um passo para trás.

—Eu sei que você me ama.
—Você está certo. Eu te amo, mas agora isso não faz diferença, viver com as migalhas do amor que já tivemos não mudará as nossas vidas. —Respiro fundo e abro os olhos. —É melhor você ir embora.
—E você e a Pheo?
—Nós vamos dormir aqui hoje, e amanhã vamos pegar nossas coisas.
—Você não pode me deixar Ana, eu não sei viver sem vocês.
—Nós também não sabemos viver sem você, mas acho bom aprendermos, certo?

Vejo seu olhar perdido e uma única lagrima escorre pelos seus olhos, ele se vira e para como se estivesse pensando, cogitando talvez, alguma ideia, mas logo se vai, deixando-me mais uma vez sozinha.
Sento-me sobre o sofá sem derramar uma única lágrima.
Esse foi o melhor para nós dois, não foi?

Acordo com uma baita dor de cabeça e de brinde olhos inchados.
Dou graças que ainda tenho roupas e maquiagens aqui na casa de mamãe.
Depois de me arrumar eu desço e encontro papai e Pheobe fazendo panquecas... Corrigindo... Tentando fazer panquecas. Enquanto mamãe está preparando o café e Fadinha e Floquinho lambem a massa de panquecas que cai sobre o chão.

—Bom dia. —Aproximo-me do balco e me apoio ganhando um sorriso linda da minha bebê. —Oi.
—Mamãe. —Pheobe sorri e sobe em cima do balcão, ela vem gatinhando e me dá um beijinho nos lábios. —Bom dia.
—Bom dia querida. —Papai diz e depois mamãe.
—Dormiu bem? —Mamãe pergunta.
—Sim. —Sussurro.
—Você deicidiu algo?
—Sim, a Pheobe e eu vamos vir morar com a vovó e o vovô.

Mamãe me dá um sorriso triste e eu retribuo com um olhar.

—O papai não vem? —Pheobe pergunta preocupada.
—Dessa vez não, vamos ser só a mamãe, a Pheobe, o vovô e a vovó por um tempo.
—Mas e o papai? Eu goste dele mamãe.
—Eu sei amor, você ainda vai poder vê-lo. Quando quiser, mas nós vamos ficar aqui na vovó.
—E o Floquinho e a Fadinha?
—A Fadinha vai vir conosco, e se o papai quiser o Floquinho fica com ele, caso contrário ele também vem.
—Por que tudo isso mamãe? —Pheobe pergunta chorando. —Você não ama mais o papai? Ele não se comportou dileito?
—Não é isso meu amor, é assunto para adulto.
—Eu não gosto de assuntos de adultos.

Olho para os meus pais e solto um longo suspiro.
Papai ganha a atenção de Pheobe com as panquecas e eu decido ajudar mamãe.
Depois do café eu me arrumo com Pheobe e nós vamos até a nossa casa buscar as nossas coisas.
Desço do carro com Pheobe e os cachorros, Fadinha e Floquinho correm para os fundos da casa e eu entro com Pheobe.
A porta está entreaberta, e isso me causa arrepios.

—Christian? —Chamo.

Um arrepio toma conta de mim.

—Pheobe... —Digo baixinho. —Eu preciso que você saia daqui. Vá lá fora, e entre no carro, ligue para o papai.
—Mamãe?
—Agora Pheobe. —Ordeno.

Assim que Pheobe sai uma pessoa aparece na sala.
É ele...
Dou um passo para trás, mas ele está armado.

—Nós encontramos de novo, filhinha.
—Josh... —Sussurro.

Notas finais
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