Porto Dos Pássaros.
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Estávamos no caminho de volta para a casa, estava escuro e ficamos alerta, qualquer barulho era pra correr primeiro e perguntar depois. Ficamos falando besteiras pelo caminho e rindo muito. Chegamos perto de uma loja de doces que ainda estava aberta, entramos.
- Olha quantos doces bom. — Falou olhando tudo. — Quero comprar todos. — Completou.
- Tem dinheiro pra comprar todos? — Perguntei, dei uma risada baixa.
- Não, você tem? — Perguntou. — E não ri. — Falou.
- Não. Só pra alguns. E rio sim. — Respondi.
- Então compra esse? — Perguntou, e me mostrou um saco de MM's. — E não ri, não. — Falou.
- Tá, compro esse. E esse. — Respondi, e lhe mostrei um doce de caramelo. — E rio sim. — Falei.
- Tá. — Falou, me levando em direção ao caixa. — E não ri, poxa. — Falou, fazendo um bico enorme.
- Não faz bico, eu paro de rir, tudo bem. Mas não faz bico. — Falei, paguei os doces e fui saindo da loja, Frank estava me seguindo.
- Por que não posso fazer bico? — Perguntou. Estávamos andando novamente no caminho de volta para a casa.
- Porque não. — Respondi.
- Por que não? — Perguntou.
- Porque eu fico com vontade de te morder, porque eu sou um mordedor de pessoas fofas. — Respondi.
- Eu sou fofo? — Perguntou.
- Quando faz bico é. — Respondi. Ele abaixou a cabeça e pareceu corar um pouco. Seguimos o caminho em silêncio. Até que chegamos.
Entramos em casa e minha mãe só faltava matar a gente.
- Garotos onde estavam? — Perguntou ela.
- No porto mãe. — Respondi.
- Até agora? — Perguntou ela.
- É mãe. Depois fomos para a loja de doces. — Respondi.
- Mas por que toda essa preocupação senhora? — Perguntou Frank. Minha mãe não respondeu, apenas ligou a televisão no noticiário. A noticia nos assustou, havia acontecido um tiroteio na praça, 12 mortos, todos opositores do governo. Ficamos assustados.
- Nossa mãe, desculpa, eu devia ter avisado. — Falei.
- Tudo bem, o importante é que estão bem. — Falou ela, e se retirou pra cozinha.
Eu e Frank nos sentamos para jogar videogame com o Mikey até que a minha mãe nos chamou para a janta, jantamos e voltamos para o videogame, ficamos até a hora de dormir. Mikey e minha mãe dormiram mais cedo. Eu e Frank ficamos até de madrugada no videogame.
- Ganhei de novo. — Falou.
- Você é bom, admito. — Falei.
- Sim, sou. — Falou.
- Convencido. — Falei.
- Não sou convencido. — Falou, fazendo bico.
- Já disse para não fazer bico. — Falei. Ele continuou fazendo, não resisti e mordi ele, sua bochecha direita para ser exato.
- Isso doí. — Falou.
- Avisei para parar. Eu ia acabar te mordendo. — Falei.
- Revanche? — Perguntou. Como ele é rápido em mudar de assunto.
- Claro. — Respondi. Ficamos até tarde no videogame, até que fomos dormir.
Nessa noite não arrumei o seu colchão, deixei que ele dormisse comigo como na outra noite.
- Boa noite Gee. — Falou.
- Boa noite Frank. — Falei. Dormimos naquela posição mesmo. Um do lado do outro, espremido na minha cama de solteiro.
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