Portfollium
6 Pé Atras
Notas iniciais

O dia realmente foi longo.
Joshua e eu demos a volta em seu carro e corremos direto para dentro do colégio. Eu estava observando Marshall pela janela do corredor, quando Joshua, agora sério, ficou de frente para mim e segurou meus ombros.
– Você não pretende se esconder para sempre, não é? Sabe que tem que arrumar um plano bem rápido se quiser sobreviver. — ele me disse, os olhos azuis cravados nos meus.
Eu não poderia dizer meu verdadeiro plano para ele, logicamente. Primeiro que envolvia enganar ele e segundo que, apesar de ele ter me ajudado com informações e tal, eu não conseguia confiar nele.Tem algumas coisa neste garoto que sempre me faz ficar com um pé atrás. E não era só o fato de ele ser um Portfollium.
– Não, eu não vou me esconder mais. E sim, eu tenho um plano. — eu disse, me soltando dele. — A aula já vai começar, te vejo depois.
– No treino? — ele disse, olhando para trás. Parecia estar um pouco nervoso. — digo, se você deixar.
– O.k., te vejo lá. — eu disse, da porta da sala. Ele sorriu e saiu andando.
Entrei na sala, me deparando com o professor de Matemática, o Sr. Dorth, me observando por eu não estar no meu lugar.
Bom, e com isso minhas aulas continuaram a mesma coisa de sempre: Um tédio. Mas quando acabou, todos os alunos já estava indo embora, e eu estava lá na sala vazia, treinando e esperando o Joshua. Eu não gosto de quando as pessoas me veem dançando. Por isso geralmente estou sozinha naquele lugar, sem ninguém no colégio.
''Tok, Tok'' eu ouvi bater na porta.
– Entra — eu disse, já sabendo quem era. Joshua.
– Não vou te atrapalhar dessa vez. — ele riu. — vou ficar aqui sentado.
Então se sentou no chão, com a mochila no colo, me observando. Eu me sentia estranha, de costas para ele.
– Tudo bem — reiniciei a música novamente e fiquei na ponta dos pés, 'entrando na música'. (*)
Quando dei um salto, vi de relance ele se encolhendo, parecendo assustado. Então parei e acabei meu repertório de pulos e rodopios com um agradecimento ao meu grande público. Joshua sorriu, com os olhos arregalados.
–Você é muito boa — ele se levantou me dando um abraço apertado — Porque você não se apresenta?- disse, rindo.
– Hum, porque meu trabalho como bruxa ocupa muito meu tempo? — eu disse, com sarcasmo evidente na voz.
–E daí? Ninguém sabe — eu levantei um sobrancelha para ele — Nem todo mundo sabe, baby.
– Para com isso. -eu disse, pegando minha bolsa.
– Com isso o que? — ele me olhava curioso.
– Com os apelidos. Eu não gosto. — abri a porta.
– Ah, desculpa. Mas quem falou fui eu, então você não tem nada haver com isso — disse ele, rindo.
– O.K, mas você estava falando comigo e de mim. E acho melhor você abaixar o tom, não sou suas minas.- disse, trancando o portão do colégio.
– Opa, calma amiga. Eu só estou brincando e — ele me olhou de cima para baixo. — Você seria minha mina perfeita. — e sorriu, com todos os dentes, fazendo aparecer covinhas em suas bochechas. Seu rosto estava tão fofo, que eu ri, andando em passos lentos, para esperá-lo.
Ele ficou parado, então me seguiu, ainda sorrindo.
– Então você topa? — sua voz estava animada.
–Topo o que? — levantei uma sobrancelha, confusa.
– Ser minha namorada? — ele disse me olhando, esperançoso.
Infelizmente, eu teria que botar meu plano em prática. Então, com vocês, o que eu disse:
– Quem sabe — eu disse, dando o sorriso mais charmoso que consegui, e voltei a andar. — vai fazer alguma coisa agora?
Minha cabeça ficou arquitetando o que eu mais queria que ele dissesse: ''Sim, tenho um compromisso''. Mas, como tudo na minha vida, ele me decepcionou.
– Não, porque? — se já estava difícil para Joshua parar de rir, agora eu teria de ver suas covinhas repentinas mais nítidas e profundas. Não me responsabilizo pelas palavras à seguir:
– Vamos lá em casa. Ver um filme, sei lá. — me sinto uma imbecil cantando ele. Tudo para sobreviver.
– Claro. — seus olhos brilhavam.- calma, vamos no meu carro.
Fomos no estacionamento vazio do colégio e entramos num Cadillac ELR preto e reluzente. Ele ligou o carro e começou a pilotar enquanto eu dizia por onde ir. Quando chegamos em frente à casa branca de dois andares razoavelmente simples que eu chamava de minha, ele disse sério:
– Se eu não te conhecesse bem, pensaria que está tentando me enganar.
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