Portal das Fadas
3 Momento magico. Encrenca
Portal das fadas
Acordou animado no outro dia, ate mais sedo do que costumava acordar. Foi rápido par o banho e mais rápido do que um raio se preparou para ir a escola. Queria acabar com logo com esse dia e assim poder vê-la mais uma vez. Vestiu uma blusa vermelha, uma calça jeans preta com detalhes cinza, uma jaqueta preta por cima da blusa e as mesmas botas pretas com detalhes vermelhos e amarelos.
Pegou suas coisas e nem foi tomar o café da manhã. Foi direto para sua moto e dirigiu ate a escola chegando ate mesmo antes de Sonic. Subiu em uma arvore e começou a observar o bosque que tinha no parque. Ele ficava a apenas alguns quilômetros do colégio e dava para ver completamente as belas arvores chacoalhando com o leve vento que soprava. Conseguia ver aquela pequena onde tinha um espaço aberto no meio do bosque. Era o lugar onde ficava o pequeno lago onde deveria se encontrar com ela.
Queria já ir ate lá, mas sabia que não podia faltar a esse ultimo dia de aula. Sorriu. Ultimo dia, isso significava que a partir de amanhã teria mais horas livres, o que significava que poderia passar mais tempo com ela. Com Maria. Só esperava que fosse ela mesma.
— Ei Shadow! – olhou para baixo se encontrando com Sonic e Silver que o miravam confusos. Pulou do galho onde estava sentado e caiu perfeitamente em pé na frente dos dois. – Por que saiu tão rápido? Nem tomou o café da manhã. Nelly ficou preocupada.
Shadow deu de ombros e foi na direção do edifício branca da escola. Seus irmãos se entreolharam e logo o seguiram de perto sem saber o que estava acontecendo. O ouriço negro não via motivos em contar para os dois o bilhete que recebera, nem de quem recebera, afinal eles não iam acreditar mesmo. Eles o seguiam pelos corredores olhando atentamente para ele para ver se tinha algum indicio sobre o que estava acontecendo, mas não a única coisa estranha era que ele estava muito calmo.
— Por que está tão tranqüilo Shadow? – perguntou Silver desconfiado olhando atentamente para o irmão que apenas sorriu, um pequeno sorriso de lado, mas mesmo assim visível o que fez seus irmãos arregalarem os olhos.
Shadow nunca sorria, se sorria ninguém conseguia ver. Ele sempre fora serio e frio, sempre de mal humor e quieto, era raro vê-lo calmo muito menos feliz, ou pelo menos demonstrando felicidade. Sonic e Silver que estavam com ele a mais tempo só viram ele demonstrar felicidade quando falava daquela garota imaginaria que ele vira quando era pequeno, mas nem isso o fazia sorrir, a única coisa que mostrava que ele estava alegre era o brilho que ele tinha no olhar.
— O que deu em você Shadow? – perguntou Silver, mas o ouriço negro estava muito perdido em pensamentos para responder. Era incrível como ele podia se desligar do mundo quando ficava assim, nem se tudo estivesse acabando ele acordava de seus transes mentais. Era simplesmente algo impressionante.
Continuaram andando pelos corredores no momento vazios quando de repente uma gata de cabelos castanhos escuros, olhos verdes, um corpo bastante farto, de estatura mediana apareceu na frente deles. Ela mexia as mãos nervosamente e olhava para baixo com o rosto um pouco corado. Shadow a mirou curioso e ela corou ainda mais.
— V-você g-g-gostaria d-de s-s-s-sair comigo e-esse n-noite S-shadow? – gaguejou a garota em um tom baixo que por pouco os ouriços não escutam. Sonic e Silver tiveram pena da garota. Shadow não saía com ninguém a não ser que estivesse muito entediado ou que quisesse se divertir. Provavelmente ele nem a responderia, ou apenas daria um curto e grosso “não”.
— Desculpe tenho compromisso. – disse simplesmente para logo continuar andando. Os três que estavam lá se impressionaram. Ele havia se desculpado e alem disso disse que tinha outro compromisso! O que estava acontecendo?!
Sonic e Silver correram atrás do irmão que voltara para seu mundo de pensamentos. Depois de alguns intentos dos irmãos tentando acordar Shadow de seus devaneios finalmente ele voltou a realidade e prestou atenção no que os irmãos queriam dizer.
— Desde quando você tem um compromisso? – perguntou Sonic andando lado a lado com o irmão que apenas mirava para frente distraído.
— Desde ontem. – respondeu sem mais detalhes deixando os outros dois ouriços ainda mais curiosos.
— E com quem? – perguntou Silver já suspeitando um pouco a resposta. Não era a toa que lia livros de detetives ou que ficasse tentando resolver pequenos casos.
— Com uma garota. – respondeu Shadow novamente sem dar mais informações fazendo seus irmãos ficarem ansiosos e curiosos ao extremo. Shadow sabia como eles gostavam de saber as coisas, essa era apenas sua pequena tortura pelos vários anos que passou sendo incomodado por eles.
— E quem é ela? – perguntou Sonic quase se corroendo por dentro de curiosidade. Shadow devia saber dessa sua ânsia então por que fazia uma coisa dessas de guardar segredo?
Shadow ficou um tempo calado ate que chegou na porta de sua sala. Despediu-se de seus irmãos e entrou no sala deixando assim os dois com aquela curiosidade. O resto do dia de escola se passou mais lentamente do que Shadow previa com alguns intentos de seu professor se mostrar superior a ele. Quando a aula finalmente acabou foi direto para casa tomar um banho e assim ir bem arrumado encontrá-la. Não seria igual da ultima vez que estava todo sujo e machucado.
O sol já estava quase se ponta, estava emitindo seus últimos raios pelo horizonte nesse mesmo instante indicando que tinha que ser rápido, mas onde estava as chaves da moto? Não estavam no lugar onde costumava colocá-las, então onde poderiam estar? A menos que...
— Sonic!! – gritou e o mesmo pareceu sentado no corrimão da escada segurando sua chave e a balançando lentamente de um lado para o outro. – Me devolve essa chave Sonic eu tenho que ir!
— Vai ter que me falar quem é ela primeiro. – disse Sonic com um tom brincalhão. Shadow tentou pegar a chave, mas Sonic correu para cima da escada mostrando a língua infantilmente. O ouriço negro olhou pela janela e viu que lhe restavam poucos minutos correu atrás de Sonic por toda a casa, mas por mais que chegasse perto de pegar a chave nunca conseguia, Sonic arrumava uma maneira de afastá-la de si.
Depois de um tempo olhou novamente para a janela e viu que já tinha escurecido. Estava atrasado e já que Sonic não iria lhe devolver a chave teria que ir correndo ate o local. Saiu rapidamente da casa e correu o máximo que podia ate o bosque, e já que era um pouco mais rápido que Sonic acabara chegando em poucos instantes no lago que fora marcado o encontro.
E bem ali, sentada em uma pedra no meio do lago estava a garota que procurava a quatorze anos. Os cabelos loiros chegando ate o quadril sendo escovados por aqueles dedos delicados e macios, os olhos azuis fechados delicadamente, a cabeça ligeiramente inclinada para o lado, com o rosto sereno de feições infantis, mas mesmo assim de aparência de uma menina de dezessete anos, não devia ter mais que um metro e 60 e seu corpo era proporcional ao tamanho, com curvas nem tão esbanjadas nem tão pequenas. Ela vestia um vestido azul curto que não tampava metade de suas coxas, de alças delicadas passando pelos ombros e o tecido perfeitamente ajustado para seu corpo. Ela cantarolava uma pequena canção que jurara ser a mesma que ela cantou quando era pequeno. Mas o mais incrível não era a bela aparência que possuía e sim as asas delicadas e finas azuis e brancas que tinha nas costas, quase transparente, e o fato de não ter mudado nada nesses últimos anos.
De repente ela parou de cantar e o mirou com aqueles belos olhos cheios de sabedoria, mas ao mesmo tempo com um brilho juvenil. Um sorriso delicado apareceu em seu rosto e ela se ajeitou na pedra.
— Ola Shadow. – disse com aquela voz doce como o mel e tão angelical quanto cantos de anjos. Ela era simplesmente perfeita, perfeita de mais para ser real. – Pensei que você não vinha. Temi que tivesse se esquecido de mim.
— Não tem como eu esquecer de você. – falou quase em um sussurro enquanto o rosto corava ligeiramente. A garota deu um pequeno risinho e se levantou encostando seus delicados pés calçados com um sapato boneca brancos na água cristalina. Ela ficou de pé sobre a água como se fosse o próprio chão e começou a andar em sua direção lentamente enquanto suas asas que pareciam as das fadas representadas nos filmes mexiam delicadamente espalhando um brilho azul por onde assavam.
Ele ficou bem próximo dele e o analisou de cima a baixo. Agora ele estava bem maior, ele devia ter um pouco mais de um metro e oitenta, fazendo com que ela tenha que olhar para cima para poder ver seu rosto. Ela sorriu novamente para ele enquanto se afastava um pouco.
— Você mudou muito. – disse vendo como ele tinha ficado um ouriço atrativo, com músculos definidos e um belo rosto com detalhes nem tão rudes nem tão delicados. – Ate ficou maior do que eu!
— E você não mudou nada. – disse ele sem poder evitar um pequeno sorriso no rosto. Agradecia internamente por ela não ter mudado, mas mesmo assim continuava sendo estranho. – Continua parecendo uma garota de dezessete anos.Mas o que eu não entendo é como? E por que você tem asas?
— Isso meu querido. – disse com uma cara brincalhona. – É um segredo que eu queria te contar, ma não posso no momento. – ela riu um pouco ate que um pequeno brilho no pescoço dele chamou sua atenção. Olhou mais de perto e viu aquele pequeno pingente que recordara muito bem. – Você ainda usa o pingente que eu te dei! Trará proteção e sorte.
— Nunca o tiro. – disse Shadow dando de ombros e desviando o olhar com o rosto um pouco corado. Não era de ficar constrangido, mas com ela as coisas eram diferentes. – Por que acha que eu iria tirar?
— Talvez porque se esqueceu de mim. – disse Maria dando de ombros e caminhando de volta para perto da água. Se sentou perto da margem e deu um pequeno tapinha do seu lado, indicando para ele se sentar também.
Shadow se aproximou lentamente e se sentou do lado dela. Ela tinha as pernas dobradas próximas ao peito e o rosto apoiado na mesma enquanto um de seus dedos da mão direita fazia pequenos círculos na superfície da água. Shadow se sentou de pernas cruzadas com os braços apoiando o corpo ligeiramente para trás, sempre a observando. Cada detalhe, cada movimento, tudo o que pudesse guardar na memória para os momentos em que não pudesse ficar com ela.
— Então você tem uma família? – perguntou ela de repente ainda olhando para a água cristalina que tinha a sua frente. Shadow nem pensou em como ela saberia disso sem que ele falasse, sua confiança nela era de mais para isso.
— É pode se dizer que sim. – disse ele olhando dessa vez para o céu escuro da noite. A lua cheia estava exatamente encima dele iluminando o local e fazendo o lago brilhar. Era simplesmente um lugar mágico, podia se dizer.
De repente algumas gostas de água caíram sobre os dois fazendo com que olhassem na direção do lago. Mais ou menos no meio dele tinha uma pequena movimentação, o que parecia ser uma cauda escamosa e azul estava para fora, junto com uma pequena curva do que devia ser as costas da criatura, que era do mesmo jeito que a cauda – escamosa e azulada – e a cabeça do que parecia ser de um que parecia ser um dragão. O focinho meio quadrado era pequeno, mas compensava isso em sua largura, ele também dava inicio a boca que era cheia de dentes pontiagudos e serrilhados. O topo da cabeça era um pouco arredondado com os olhos grandes da cor safira. Havia algumas ondulações em seu corpo parecidas com chifres ondulados e largos que pegavam toda a extensão da parte de trás de seu corpo, indo desde o topo da cabeça ate a ponta da calda em uma linha reta constante. Seu pescoço era um pouco grande, mas não muito, seu corpo era pequeno com quatro patas um pouco gordas e a calda era bem alongada, mais ou menos o triplo de seu tamanho.
— Aguarios! – exclamou Maria para o dragão que nadava prazerosamente na água, tacando de fez em quando um pouco nos dois. – O que você está fazendo aqui? Me seguindo é?
O pequeno dragão nadou rapidamente ate Maria e saiu da água ficando do lado dela que agora estava com as pernas deitadas para o lado ainda dobradas. O dragão colocou a cabeça em seu colo e começou a fazer pequenos carinhos em sua barriga, mexendo a cabeça de cima para baixo. Maria riu um pouco e acariciou a cabeça do pequeno dragão que se deitou comodamente no chão com a cabeça ainda no colo de Maria. A ouriça pode ver levemente como Shadow mirava tudo aquilo confuso e surpreso, era de se esperar já que um dragão não é algo comum de se ver.
— Shadow esse é Aquarius, um dragão da água. – falou Maria apresentando o pequeno dragão que apenas deu uma pequena mirada na direção de Shadow. – E ele é outros dos segredos que não irei poder te contar, pelo menos agora. – De repente o dragão pegou uma grande esmeralda azul escura e começou a correr. – Aquarius! Me devolve isso agora mesmo!!!
Maria se levantou e correu atrás de Aquarius que sempre esquivava dela quando podia. Quando o pequeno dragão passou ao lado de Shadow o mesmo o segurou com força esperando que Maria viesse pegar a esmeralda que estava na boca do animal mitológico, mas ele se contorceu batendo a cauda em seu rosto e escapou. Agora eram os dois ouriços que corriam atrás do pequeno dragão que conseguia escapar dos dois com muita facilidade. O que começou como uma tarefa se transformou em uma pequena brincadeira, onde ambos os ouriços riam e se divertiam. Ate mesmo Shadow que não costumava sorrir estava sorrindo extensamente nessa pequena brincadeira.
Em um certo momento os dois foram tentar pegar Aquarius ao mesmo tempo, mas o pequeno escapou fazendo com que Maria caísse encima de Shadow que caiu no chão. Os dois tinham a respiração agitada por causa da correria, mas mesmo assim mantinham o leve sorriso no rosto. Quando Maria olhou para cima e se encontrou com os olhos vermelhos de Shadow pode perceber a proximidade em que estavam. Seu rosto corou igual ao do garoto e seu coração foi a mil se chocando com o dele no mesmo ritmo. Rapidamente Maria se levantou ficando ajoelhada no chão olhando para outro lado enquanto Shadow se sentou a mirando determinadamente. Encantava-lhe vê-la daquele jeito tão tímido.
De repente o pequeno dragão se aproximou e deixou a esmeralda azul entre os dois. A esmeralda começou a brilhar intensamente. Os olhos de Maria se arregalaram e passaram da esmeralda para Shadow e visse-versa enquanto Shadow apenas mirava tudo confundido. A ouriça loira pegou delicadamente a esmeralda e logo depois a mão de Shadow entregando-a. A esmeralda brilhou com mais intensidade para logo voltar a ficar sem nenhum, apenas o reflexo da lua.
— Mas o que... – Shadow não sabia o que dizer. O que estava acontecendo? Primeiro descobre que Maria não envelhece e que tem asas, depois um dragão aparece e agora uma esmeralda brilha loucamente? O que era isso tudo?
— Ela é sua. – sussurrou Maria soltando a esmeralda e deixando-a na mão do ouriço. Seu rosto estava ligeiramente corado, mas seus olhos estavam tristes e vazios. Isso incomodou a Shadow que não gostava de vê-la daquele jeito. – Cuide bem dela, vai precisar no futuro.
Maria se levantou em seguida e se dirigiu para a margem do lago, olhando distraidamente para o mesmo. Logo ela olhou para cima e quando a lua atingiu finalmente seu auge ela fechou os olhos e pisou na água do lago. Shadow não entendia, mas mesmo assim observou maravilhado como Maria começava a dançar por cima do lago com harmonia e destreza. Os pequenos pontinhos de luz azul que suas asas emitiam faziam seu trajeto de uma maneira encantadora. Seus cabelos se esvoaçavam tanto para trás quanto para frente e ela nem abria os olhos, os mantinha fechados levemente.
Quando tudo terminou ela se posicionou no centro do lago e abriu ligeiramente os olhos que estavam mais brilhantes do que qualquer outro momento que ele poderia imaginar, mas mesmo assim pareciam tristes e depressivos, coisa que não combinava com ela. Se levantou levemente e se aproximou da margem do lago lentamente ficando bem na beirada a esmeralda ainda em sua mão e seus olhos grudados nos da garota que também o mirava diretamente também.
Ele queria ir ate ela, mas a água o impedia, enquanto ela tinha medo de se aproximar, por mais que a vontade fosse grande. O medo de sair machucada nessa historia a perturbava e corroia por dentro. Mas seu coração a impulsionava para frente a fazendo dar pequenos passos hesitantes na direção dele ate finalmente ficarem frente a frente.
Ele levantou a mão e a direcionou para o rosto da garota, mas hesitou, como se temesse que se encostasse ela desapareceria como em uma sonho. Depois de mais duas hesitações ele finalmente encostou no delicado rosto dela fazendo com que ela fechasse os olhos e apertasse mais o rosto contra sua mão querendo sentir um atrito maior. Ele começou a se aproximar lentamente do rosto dela, se abaixando para ficar mais ou menos da altura dela e poder encostar os lábios um no outro. Era em um ritmo lento e hesitante. Ela se mantinha de olhos fechados esperando o contato enquanto ele tentava esquecer a possibilidade de ser rejeitado.
Quando estava a centímetros de se encostarem Maria pode sentir como o Sol começava a nascer no leste. Preocupada abriu os olhos e olhou para o céu que já estava começando a clarear. Tinha que ir embora o mais rápido possível antes que descobrissem que ela estava lá.
— Tenho que ir! – disse tentando andar para o meio do lago. Aquarius já havia pulado e nadado para o fundo, mas antes que Maria pudesse se distanciar Shadow segurou seu braço a fazendo voltar o rosto só para se encontrar com o rosto triste dele. Isso doía, e muito.
— Vou te ver de novo, não vou? – perguntou suplicante a mirando com os olhos brilhando de tristeza. Era quase palpável a melancolia que ele sentia e Maria sentiu um aperto no coração ao ver isso. Se aproximou dele novamente e sorriu levemente.
— Assim espero Shadow. – sussurrou para longo ficar na ponta dos pés apoiando no peito dele e dando um ligeiro beijo na maça de seu rosto. Mas, com um pouco de hesitação, esse beijo foi se movendo ate finalmente alcançar os lábios, os juntando em um pequeno roce.
Shadow arregalou os olhos, mas não demorou muito para corresponder ao beijo passando a mão que estava no braço dela para suas costas a aproximando mais de si. Para eles esse momento durou horas e ao mesmo tempo milésimos de segundos. Maria se separou dele e quando Shadow voltou a abrir os olhos ela não estava mais lá. Ficou triste, mas ao mesmo tempo um pequeno sorriso apareceu em seu rosto enquanto ele dirigia seu caminho para casa.
Caminhava distraído, perdido no momento em que tudo aconteceu. Chegou em casa e todos ainda estavam dormindo, deviam ser mais ou menos umas cinco da manhã, passara a noite inteira fora. Dirigiu-se para seu quarto, tirou a blusa quando chegou no mesmo e se deixou cair na cama ainda um pouco atordoado. Foi tudo tão mágico. Tentaria vê-la de novo, só que mais tarde, agora a única coisa que queria era dormir e sonhar com essa maravilhosa noite.
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Em outro lugar, nas profundezas do lago, do outro lado do mágico portal que tinha no fundo perto de um lago igual aquele anterior só que mais brilhante estavam pequenas garotas passeando para lá e para cá, todas eram muito diferentes, mas usavam o mesmo vestido azul e tinham as mesmas asas azuis com branco, só que diferente das de Maria, as delas era menos brilhantes e encantadoras, mas mesmo assim não deixavam de ser belas.
Uma delas, uma raposa de pelo castanho, olhos meio avermelhados, um corpo praticamente infantil e de estatura mediana corria pelas margens do lago apressada, passando rapidamente pelas outras garotas como um foguete. Seus pés nem encostavam no chão e suas asas batiam rapidamente erguendo-a um pouco e dando mais velocidade.
Ela chegou ate uma pequena área onde um pequeno riacho, a alguns metros do lago, e onde uma pequena cachoeira desaguava delicadamente formando uma espécie de lençol de água. A garota passou pelo meio da cachoeira fazendo a água se afastar como uma cortina para ela como mágica e logo se fechar atrás dela. Dentro dessa pequena cachoeira tinha uma pequena caverna, só que essa era iluminada por esferas azuladas e era decorada com vários livros, poções e algumas plantas aquáticas. No centro dessa caverna estava um pequena ouriça loira que cantarolava alegre enquanto despetalava uma pequena flor e um dragão de pequeno porte estava deitado dormindo em seu colo. A garota tinha um sorriso sonhador no rosto e não parava de cantarolar.
— Maria! – exclamou a raposa assustando a pequena que olhou para ela surpresa, mas logo sorriu ao ver a amiga.
— Ola, Mires. – disse sorrindo docemente para ela e deixando assim a pequena flor quase sem pétala de lado. – O que a traz aqui?
— Como o que me traz aqui? – perguntou a garota desconcertada sentando do lado da ouriça e a mirando com um grande sorriso – Me conta como foi ora! Quero saber cada detalhe, cada pedacinho, tudo!!
— Ah! Você nunca vai acreditar Mires! – disse Maria em um suspiro sonhador, os olhos começando a brilhar de emoção. – Ele estava tão bonito! O tempo o fez muito bem e o mais emocionante é que ele se lembra de mim! Continua usando o colar que eu o dei e sem falar que é ele o escolhido!
A raposa arregalou os olhos. Era incrível isso já que assim poderiam se livrar do problema que tinham, mas agora havia outro. O escolhido sempre acabava magoando a ninfa mestra, a fazendo dar suas ultimas gotas de energia para protegê-lo só para depois ter seu coração partido, e não queria que Maria sofresse com isso.
— Ainda sonhando acordada Maria? – na entrada da caverna estava uma loba de pelo branco macio, olhos azuis escuros, alta e um corpo esbanjado e belo.
— Ola Tiana. – disse Maria sorrindo para a loba que apenas se aproximou com os braços cruzados e uma expressão de critica.
— Sabe que ele vai fazer a mesma coisa que os outros escolhidos fizeram com as ninfas mestras anteriores a você não sabe? – perguntou a garota olhando diretamente nos olhos de Maria com uma mirada penetrante, Maria devolveu o olhar só que com alegria e confiança.
— É ai que você se engana Tiana. – disse Maria sorrindo extensamente fazendo as duas outras garotas a mirarem confusas. – Ele não vai fazer o mesmo comigo.
— E como tem tanta certeza? – perguntou Tiana erguendo uma sobrancelha com ar de confusão. Maria sorriu ainda mais e olhou para o teto da averna lembrando do pequeno momento que tiveram.
— Porque ele me beijou. – disse ela ainda com um olhar distraído fazendo as outras duas arregalarem os olhos.
— Pelo criador!! Não acredito! Isso é incrível, inédito, emocionante romântico e... – antes que Mires pudesse continuar com seu ataque de emoção Maria tampou a boca dela e olhou envolta. Seu rosto tinha ficado serio e seus olhos sombrios, era a face de Ninfa Mestra que adquiria quando tinha problemas chegando.
— Aquarius se esconda! – disse se levantando assustando o dragão que foi para seu pequeno esconderijo em um buraco da caverna. Maria mexeu em algumas coisas na confusão de vidros de poções ate achar um pedaço de papel verde onde escreveu com uma caneta dourada uma pequena mensagem logo depois a entregou para Mires. – Entregue isso para ele quando chegar! É muito importante que ele leia isso e faça exatamente o que está ai!
— Mas Maria... – começou Mires sem entender o que estava acontecendo, mas a ouriça a interrompeu.
— Só entregue e a ele e não fale a ninguém sobre isso. Vocês duas, entenderam? – as duas assentiram sem compreender exatamente o que estava acontecendo. – Ele provavelmente virá com os outros escolhidos e não importa o que acontecer eles tem que seguir o rumo para conseguir seus poderes, eles não podem desviar a atenção para mais nada nem para...
Antes que Maria pudesse terminar de falar um barulho de cavalos parando na entrada da caverna fez o lugar ficar em um clima tenso e preocupado. Maria mirou a entrada seria e esperou que mais alguma coisa se pronunciasse.
— Ninfa mestra! Saía rápido por ordens do rei sem mostrar resistência, se caso contrario destruiremos todo o seu domínio. – disse uma voz grossa e amedrontadora do lado de fora. Maria respirou fundo e saiu do lugar se encontrando com um ouriço branco com espinhos completamente voltados para cima e uma aura branca amedrontadora ao seu redor junto com mais uns dez soldados de armadura e bem armados. O ouriço era de um porte atlético extremamente bom mostrando que era um verdadeiro guerreiro. – Você está sendo enviada para o castelo para cumprir pena por ter desobedecido uma das leis.
Maria assentiu e começou a andar na direção deles com uma pose determinada e decidida logo olhou para trás e se encontrou com os olhares preocupados de Mires e Tiana que não estavam entendendo o que estava acontecendo.
— Tiana. – disse Maria em um tom autoritário fazendo a loba se encolher um pouco. – Você vai ficar no comando enquanto eu estiver fora. Não deixe que nada saía de ordem.
A loba assentiu e viu junto com a raposa como Maria era levada para longe pelos soldados do tirado rei. Aquarius também observava a cena e por mais que fosse um animal selvagem tinha inteligência o suficiente para saber o que estava acontecendo e o que precisava fazer para as coisas voltarem ao normal.
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