Porque o jogo continua

2 Ravenswood começa com R de Recomeço


Dentro desse ônibus pra Ravenswood, eu venho pensado em como novas coisas podem ser criadas, eu não sou mais o centro de tudo, mas preciso ser, e só existem duas pessoas neste mundo nas quais podem fazer isso acontecer novamente O motorista é tão sombrio, ele possui olhos esbugalhados, e ombros largos, e ele me olha como se eu fosse o ultimo pedaço de carne em um dia de churrasco, só tem eu e mais uma garota de cabelos chanel no ônibus, mas eu não sou mais uma adolescente, preciso encará-lo como se eu estivesse no comando, ele deixou de olhar-me pelo retrovisor, e começou a olhar pra frente. A garota que estava atrás de mim estava assustada, ela era muito semelhante a mim, porém aparentava ter uns treze anos, e possuía cabelos curtos e castanhos, mas assim como eu tinha pele branca e gélida, e belos olhos azuis. “― Ravenswood” Disse o motorista. Eu ajeitei minha bolsa Louis Vuitton, levantei-me e desci, dei alguns passos e deparei-me com uma grande casa, pude ouvir o barulho do ônibus parando novamente, virei o canto do rosto para que pudesse observar, e sim, era aquela garota, ela era um tanto assustadora, era crescida, mas usava roupas de uma criança de cinco anos de idade, e carregava uma boneca de um metro de olhos redondos e negros, eu sorri levemente com o canto direito da boca, porém ela continuou séria, virei-me para frente e continuei a andar, ouvi passos atrás dos meus, e quando me virei não havia mais ninguém, aquilo me intrigou, a casa na qual eu olhava era de uma antiga família italiana os Azzoline, eram amigos dos meus avós, eu me recordava que eles sempre deixavam a chave embaixo do tapete, eu abaixei-me e a chave estava lá. Eu peguei a chave, e coloquei-a na fechadura, ela encaixou perfeitamente, pude ouvir o som da porta destrancando. Quando coloquei meus pés dentro da casa, senti algo tocando meu braço, virei aterrorizada, e era a garota que estava no ônibus comigo. “―Olá” disse eu tentando ser gentil

A garota não respondeu, apenas apontou para dentro da casa, e depois entrou. Eu entrei e fechei a porta, e a segui, ela parecia saber onde estava, era uma casa escura, clareada apenas por uma bela lareira que estava no fim do corredor, a garota andou até lá, e eu pude avistar duas grandes poltronas cor de cobre, ela sentou em uma delas, e eu sentei na outra.

“―Você mora aqui?” perguntei a ela.

― Temporariamente

―Você tem quantos anos?

― 14

― Como você se chama?

― Aria, eu me chamo Aria, Alison

― Você tem o nome de uma das minhas melhores amigas! Como sabe meu nome?

― Eles me contaram...

― Eles? Eles quem?

A garota levantou da poltrona, e jogou um pedaço de lenha na fogueira, quando virou novamente em minha direção, pude perceber, que seu cabelo estava escondido por seu casaco estampado por diversos pirulitos, seu cabelo era cumprido, chegava até a cintura, tinha a raiz lisa como seda, e belos cachos nas pontas assim como os meus, porém possuíam um castanho divino.

“― Todos vão embora, dizem que esse lugar tem uma maldição, mas no fim, sempre descobrimos que os monstros são as pessoas, você não acha? “Perguntou ela”

Eu não tinha idéia do que responder, mas naquele instante, descobri que aquela garotinha estaria presente nos meus novos planos, ela era aterrorizante o suficiente pra isso.