Porque não só de Malfoys vive a Sonserina!
1 Rabastan Lestrange
Notas iniciais
Porque não só de Malfoys vive a Sonserina!
Meu nome é Rabastan Lestrange e eu já amei alguém. Eu não deveria ter amado. Minha vida teria sido muito mais simples, apesar de que acabaria se encerrado da mesma maneira, creio eu. Mas o ponto é que, ao contrário do meu irmão, que apenas gostava muito de Bellatrix, eu realmente amei alguém. Amar de verdade. De ficar acordado a noite, pensando naquela pessoa. De ficar vermelho quando ela me olhava. De sentir o coração acelerar ao ouvir a voz dela... Eu amei a ponto de comprar um maldito anel de noivado.
Mas deu tudo muito errado. Tudo deu terrivelmente errado.
Eu e meu irmão éramos melhores amigos, ao contrário de Régulus e Sirius, por exemplo. E Régulus morria de inveja de mim por conta disso. Meu irmão e eu dividíamos tudo. Quando eu beijei uma garota pela primeira vez, eu contei para ele e quando ele perdeu a virgindade, ele me contou também.
Sempre o admirei e ele era o que eu queria ser. Excelente bruxo, talentoso, inteligente. E quando ele virou um comensal de morte, tudo o que eu queria era fazer igual e enchê-lo de orgulho.
E essa mulher que eu amei. Não foi como nessas histórias de amor clichês. Não foi amor a primeira vista. E a gente não se odiava. Eu mal a conhecia.
Emily Valentine. Ela não era absurdamente bela, como Narcisa, Andrômeda e Bellatrix. Ela não era linda de um jeito inocente e meigo, como Meadowes ou Evans. Ela não era absurdamente inteligente como Amélia Bones.
Emily Valentine era uma bruxa, de sangue puro, que estava na média. Ela era muito boa em feitiços. Era a única coisa em que realmente se destacava. Ela não estava no time de quadribol, ela não era a garota mais popular da escola. Ela era comum. Simplesmente comum. Mesmo sendo sangue puro, não vinha de uma família importante e por conta disso, eu nunca tinha reparado verdadeiramente nela.
Ela estava no mesmo ano que eu, na Grifinória. Era muito amiga de Longbottom e dos marotos, principalmente de Black. Ela tinha uma risada espalhafatosa e falava alto demais. Gostava de duelar contra os Marotos, apesar de só conseguir vencer Pettigrew.
Ela era loira, dos olhos verdes, com um rosto comum e risonho. Mas eu nunca reparei muito nela, na verdade, antes de os pais dela morrerem.
E eu comecei a reparar por dois motivos. Primeiro, ela mudou muito. E segundo. Foi meu irmão quem matou os Valentine.
Eles eram muito amigos de Dumbledore e eram nomes muito fortes na Corte dos Bruxos. Tinham se transformado em um estorvo para o Lorde das Trevas. Então ele mandou que meu irmão e Bellatrix os matassem.
Meu irmão me contou como foi. Afinal, tinha sido a primeira vez que ele matara alguém. Ele e Bella mataram os pais de Valentine e o irmão caçula dela, que tinha uns dez anos. Mataram todos que estavam na casa. Emily não estava lá, ou teria morrido também. Ela tinha ido passar uns dias na casa de uma amiga. E quando voltou, descobriu-se órfã. Sem nenhum outro parente no mundo.
Eu a vi no Expresso Hogwarts, quando estava no meu quinto ano, logo depois da morte dos pais dela. Ela estava muito diferente. Mais esbelta, com o rosto sério, apesar de não parecer nem um pouco abatida. Os olhos verdes, sempre pintados com o lápis pretos. Mas a maior mudança foi a pele dela. Ela tatuara uma flor de narciso no braço e os cabelos dela estavam trançados na lateral, tingidos de rosa e azul, e presos num rabo de cavalo estiloso. Aquele penteado esquisito virou a marca registrada dela na escola. Era um pouco estranho, pois parecia que ela tinha metade da cabeça raspada, já que as tranças na lateral da cabeça eram bem rentes ao couro cabeludo.
Mas eu achei bem legal. E eu também notei que ela tinha ficado muito bonita. Já no trem, ela estava conversando com Remo Lupin, eu a espiei de canto de olho, olhando para o corpo esbelto dela e senti o sangue esquentar de desejo. Cinco anos para notar aquela garota e eu só notara porque meu irmão matou a família dela.
Assoviei para ela olhando-a de cima a baixo e ela me olhou achando graça e não disse nada, saindo de perto de mim.
Mas só fui falar com ela, perto do dia das bruxas.
Estava passando pelo corredor com Theo e Severus, quando vi que ela conversava com Remo Lupin novamente.
“E eu pensei que a gente poderia sair para se divertir, sabe... em Hogsmeade?” perguntou ela. Meus colegas também prestavam atenção. Lupin estava corado e coçava a cabeça parecendo sem jeito.
“Eu não sei...” murmurou ele.
“Esquece ele, Valentine.” Eu disse e os dois se viraram para me olhar. “Esse frouxo não sabe se divertir. No dia que quiser diversão de verdade, me procure.”
Me afastei dos dois e Theo me socou no braço.
“Diversão de verdade, é?” perguntou ele. Eu apenas ri.
“Eu não me importaria de me divertir de verdade com ela.” Disse rindo. Severus apenas revirou os olhos.
“Larga de ser idiota. Ela gosta de um dos Grifinória. Está sempre com eles.”
“Não quero que ela goste de mim. Só quero me divertir.” Retruquei com um sorrisinho.
Eu não era o maior mulherengo da escola.
Eu não era conquistador como Sirius Black, nem popular como James Potter. Muito menos inteligente como Remo Lupin. Mas eu era um bom aluno, eu fazia algum sucesso com as meninas e eu era o mais popular da Sonserina, no meu ano. Provavelmente por causa do meu irmão.
Eu decidi por não ir para Hogsmeade no Dia das Bruxas, para adiantar minhas tarefas. Já era quase horário do jantar, quando eu saí do salão comunal, para dar uma volta. Talvez ir no corujal...
Foi quando vi Valentine. E ela parecia simplesmente furiosa.
“Lestrange!” rosnou ela.
Pisquei sem saber o porquê dela estar zangada.
“O que?”
Mas ela simplesmente me segurou pela gola da camisa e me empurrou contra a parede.
“Você disse que se eu quisesse me divertir, era só te procurar. Pois bem. Me divirta!” ralhou ela.
Sorri achando aquilo interessante e a beijei. Assim. Seco. Nada de romance. Nada de palavras bonitas ou tocantes. Ela tomou a iniciativa, por algum motivo que no momento eu não sabia, e eu apenas me deixei levar.
Nos beijamos durante um tempão e quando ela se cansou de mim, apenas se afastou e foi embora. Eu simplesmente dei de ombros.
E não. Eu não fiquei louco com ela. Eu já tinha beijado outras garotas. Ela não foi diferente. Só tinha sido de uma maneira meio exótica. Quando passávamos um pelo outro nos corredores, murmurávamos o sobrenome um do outro. Quando fazíamos aula juntos, não sentávamos um do lado do outro. Era como se nada tivesse acontecido.
Tinha sido simplesmente um beijo.
Raramente falava com ela.
Só fui puxar assunto com ela novamente quase um ano depois, no Expresso Hogwarts. Quando voltávamos para escola para nosso sexto ano. Eu reconheci o penteado dela, cheio de tranças colorias e me aproximei, sem intenção de conversar com ela. Mas quando me aproximei, notei que ela tinha tatuado alguns caracteres atrás do pescoço.
Coloquei o dedo na tatuagem e ela pulou de susto e me encarou.
“Tatuagem nova?” perguntei. Ela deu um sorrisinho travesso e concordou.
“Sim, cinco, na verdade. Tatuei ‘lealdade’ no pescoço.” Ela me mostrou os pulsos com outros caracteres que eu não sabia ler. Pareciam runas “ Aqui é ‘coragem’, esse é ‘inteligência’ e...” ela abaixou um pouco a saia e um pedaço da calcinha, para me mostrar outra tatuagem entre o ventre e a virilha “...aqui é ‘astúcia’. São os lemas das quatro casas.”
Olhei hipnotizado para o ‘astúcia’ que ela tinha tatuado, mas ela logo subiu a saia, rindo travessa pra mim.
“Você disse cinco tatuagens... só contei quatro.” Disse olhando novamente para o rosto dela.
“Sim, mas a outra é em um lugar íntimo e eu não posso mostrar.” Explicou ela, rindo para mim. Pisquei achando aquilo muito interessante.
“O que é?”
“Segredo.” Riu ela.
“Emms!” nos viramos e vimos Black se aproximar. Ele me olhou feio e puxou a garota pelo cotovelo “Por que está falando com esse idiota?”
“Isso é da minha conta, até onde eu sei.” Respondeu ela com o mesmo sorrisinho no rosto “Ciúmes?”
“Pare de besteira e vamos logo.” Riu Sirius.
Ela deu uma risadinha e me olhou travessa.
“A gente se vê por ai, Rabs.”
Eu sorri para ela, levemente interessado. Ela tinha ficado mais alta e com o corpo mais bonito, apesar de não ser gostosona.
Depois daquele dia, passamos a conversar, vez ou outra. Eu a beijei algumas vezes, quando ficávamos sozinhos. Eu não queria que meus colegas da Sonserina me vissem e nem ela queria ser vista pelos colegas dela.
Não. Eu não me apaixonei por ela. Mas fomos ficando mais amigos.
E eu tinha certeza de que Severus tinha razão. Ela gostava de um dos marotos, pois sempre lançava olhares e suspiros para o grupinho deles.
Um dia, nos encontramos num corredor vazio e ficamos conversando. Apenas conversando. Ela falou que queria tatuar uma serpente na perna, mas que ainda estava trabalhando no desenho.
“Quero que fique perfeita! Vai subir da minha perna até minhas costelas e costas. Acha que vai ficar legal?”
“Vai ficar sexy.” Concordei. Ela me deu outro daqueles sorrisinhos dela.
“Você acha, é?”
“Com certeza. Quando tatuar, eu vou querer ver, viu?”
“Você é um safado, Rabs.”
“Sou nada.” Retruquei e ficamos rindo “Emms... Você gosta de um dos marotos, não gosta?”
Ela me olhou despreocupadamente.
“Por que?”
“Eu acho que gosta. Sempre está olhando para eles.” Respondi “Aposto que é do Black.”
Ela riu com pouco caso.
“Sirius é bonitão. Mas ele é mulherengo. Eu sou a única garota do nosso ano que ele nunca deu em cima.” Ela se sentou na janela sem parecer se importar “Acho que não estou a altura dele.”
“Hum... me parece insultada.”
“Não... acho que ele gosta demais de mim para dar em cima. Somos amigos demais, saca?” riu ela brincando com as milhares de pulseiras que ela usava.
“Ok. Então com certeza é o Potter. Ele é o garoto mais popular da escola. E é a estrela do quadribol. As meninas suspiram por ele...”
“Eu não sou essas idiotas que só tem um interesse superficial. James é muito legal, mas é egocêntrico demais. Sem falar que ele gosta da Lílian Evans. E mesmo se não gostasse...” ela colocou a língua pra fora e apontou para a goela, fazendo careta “Eu nunca gostaria dele. Ele só sabe falar de quadribol e você sabe que eu não gosto de quadribol.”
Dei um sorrisinho e me encostei na parede ao lado dela.
“Bem... só sobra Lupin e Pettigrew. Eu vou chutar Lupin, porque o Pettigrew é um mongol.”
Emily sorriu novamente e corou de leve. Não foi o sorriso travesso dela. Foi um sorriso meio bobo e sonhador, que eu nunca tinha visto ela usar.
“Sim. Eu gosto do Remo. Ele é tão maduro e doce... e gentil...” ela soltou um suspiro “Todo mundo me acha esquisita e pouco feminina, só porque sou desleixada. A maioria das garotas não se dão bem comigo... Só a Dorcas, que é um amor... E Remo sempre foi legal comigo, desde o primeiro ano... Eu gosto muito dele.”
“Vou ficar com ciúmes, heim?”
“Ah, Rabs. Você não tem chances contra Remo. Desculpe.” Riu ela pulando para o chão, para girar no mesmo lugar, com aquele sorriso sonhador “Ele é o homem da minha vida!”
Não consegui não rir dela. Ela nunca tinha agido daquele jeito.
“Ok... e o nerd do Lupin ao menos sabe que você gosta dele?”
“Não... eu acho que não.” Murmurou ela. “Ele não gosta de mim...” adicionou ela e a alegria que ela transbordara pouco antes pareceu desaparecer “Ele gosta das meninas bonitas... tipo a Lily, ou a Dorcas... Ou a Lene... Eu sou alternativa demais pra ele. Ele é todo certinho, sabe?”
“Você é muito melhor do que todas essas garotas ai.” Garanti rindo para ela “Eu escolheria você, sem sombra de dúvidas.”
“Oh, Rabs. Vou achar que está apaixonado por mim!” brincou ela e nós dois caímos na gargalhada.
“Vamos fazer o seguinte.” Eu disse a empurrando contra a parede “Se o idiota do Lupin não quiser você, eu te dou uns pegas pra te fazer esquecer ele, que tal?”
“Eu não vou me declarar pra ele!” riu Emily apoiando a cabeça contra a parede “Eu já disse que ele não gosta de mim. Pra que eu iria me declarar pra ele?”
“Por que ele não gostaria de você? Por conta das tatuagens? Dos brincos? Do cabelo colorido? Fala sério! Eu sou de uma família super conservadora e não vejo problemas!”
Emily deu outro de seus sorrisinhos travessos.
“Ok, se eu levar um fora, você me consola. Feito?”
“Feito.”
Mas a verdade é que eu não achei que ela fosse levar um fora. Eu já sabia que ela gostava era do Lupin e eu já observara o loirinho da Grifinória. Ele secava Emily e soltava suspiros o tempo todo, para depois parecer se repreender. Ele gostava dela e provavelmente achava que não teria chances com ela.
Eu já gostava bastante da Emily. Muito mesmo. Mas não estava apaixonado. Apenas apreciava bastante a companhia dela. Viramos amigos.
Mas umas três semanas depois daquilo, eu estava deitado na minha cama, quando ela entrou no dormitório da Sonserina. A olhei sem entender. Não fazia ideia do que ela queria ali e muito menos como ela tinha entrado ali.
“Remo Lupin é um idiota!” ralhou ela com o rosto vermelho.
“O que houve?” perguntei sem entender coisa alguma.
Valentine se sentou na cama, ao me lado e fungou.
“Se algum dia eu falar sobre amor e relacionar isso a Lupin, por favor, me dê uma porrada bem forte na cabeça!”
“O que ele fez?”
Ela negou com a cabeça.
“É complicado. Mas o importante é que ele... gosta de mim, mas não vai ficar comigo!”
“Ele é idiota, por um acaso?” perguntei franzindo a testa “Se ele gosta de você, então por que...?”
“É isso mesmo. Ele é idiota!” cortou ela se deitando na minha cama.
Soltei um suspiro e me deitei ao lado dela.
“Que chato, heim?” perguntei meio sem jeito com a situação. Ela virou o rosto e concordou em silêncio “Quer dar uns malhos pra se distrair?” perguntei.
Ela virou o rosto e soltou um suspiro.
“Sabe o que? Eu quero sim!” disse ela decidida.
Fechei a cortina e comecei a beijá-la.
Eu nunca tinha me pegado com uma garota na minha cama e aquilo me atiçou inteiro. Fiquei beijando Emily e passeando as mãos no corpo dela. Ela não me evitou. Até que então ela se sentou nos meus quadris e tirou a blusa. Fiquei completamente hipnotizado pelo corpo dela. Eu nunca tinha visto uma garota sem blusa, muito menos em cima de mim.
Ela se curvou e voltou a me beijar. Senti aquele desconforto nas calças, sentindo-me apertado. Ela estava bem em cima dele. A gente não conversou. Foi simplesmente instintivo. As roupas foram deixando nossos corpos, que pareciam em completa sintonia. Parecia que já tínhamos feito aquilo milhares de vezes.
Ela me beijou por todo o corpo e eu fiz o mesmo com ela. Só paramos para pensar o que estávamos fazendo, no último segundo. Já estávamos nus. Eu estava entre as pernas dela, tão louco de tesão e expectativa para perder a virgindade... Ela me olhou nos olhos, sem medo algum. Ou ao menos não parecia com medo, apesar de tremer um pouco. Ficamos nos olhando nos olhos, em silêncio, por quase um minuto inteiro. Eu esperava que ela falasse para que eu não continuasse, ou para que eu continuasse. Mas ela não falou nada.
E depois de um minuto de silêncio e me posicionei para os finalmentes. Ela se ajeitou na cama, como que dando consentimento e dobrou os joelhos. Respirei fundo e olhei para baixo, procurando o lugar onde eu deveria entrar. Me guiei com a mão mesmo e comecei a entrar. Voltei a olhar para ela e vi que ela fechou os olhos com força. Quis perguntar se estava tudo bem, mas tive medo que ela perdesse a coragem. Eu ficaria maluco se ela perdesse a coragem.
Então fui entrando aos pouquinhos, tremendo de excitação. Era simplesmente tão bom quanto todo mundo dizia. Quente, úmido e apertado. Deliciosamente apertado, como toda garota virgem deveria ser.
Depois daquele longo minuto de silêncio, eu soltei um gemido, sem conseguir me conter. E logo era Emms quem soltava um gemido dolorido. Senti as unhas dela nas minhas costelas, mas isso só me atiçou. E então fiquei olhando para o rosto dela, achando fascinante as caretas que ela fazia. Dor e prazer misturados com a tentativa de ficar em silêncio.
“Rabs...” murmurou ela alguns minutos depois.
“Não me pede pra parar, por favor... não agora.” Sussurrei.
“Me... me deixa ficar por cima... acho que vai doer menos.” Disse ela.
“Mas eu sou o homem!” eu disse insultado. Ela me olhou e sorriu travessa.
“Uma mulher nua rebolando em cima de você te faz afeminado por um acaso?”
Era um belo ponto. Concordei em que ela ficasse por cima. Ela gemeu baixinho quando voltamos a nos encaixar. Senti os dedos dela entrelaçarem nos meus, para conseguir apoio e então ela começou a mexer o quadril. Joguei a cabeça para trás, completamente louco de prazer.
“Minha nossa, Emms...”
O corpo dela serpenteava sobre o meu. Era delicioso de ver. A cara dela ela tão sexy... e a visão dos seios dela balançando de acordo com o movimento que ela fazia...
Estava tão bom que eu gozei e não avisei. Acho que nem cheguei a amolecer, graças aos meus dezesseis anos. Ela continuou lá, gemendo baixinho de maneira absolutamente sensual, rebolando de maneira absolutamente excitante. Ficamos um tempão ali, daquele jeito. Quando ela cansava, eu ficava por cima. E quando eu cansava, ela subia.
Já estava muito tarde da noite quando as cortinas balançaram.
“Puta que pariu, Rabastan! Chega, cara! Eu quero dormir!” ralhou Theo.
“O fôlego dele não acaba. Como pode?” perguntou Severus.
“Eu me exercito bastante.” Respondi rindo.
Olhei para Emily e ela não pareceu envergonhada. Ela se curvou e desceu de cima de mim e ficamos nos beijando até cair no sono.
Quando acordei no dia seguinte, ela não estava mais ali. A única evidência de que ela esteve foi a mancha de sangue no meu colchão e o perfume dela no meu travesseiro.
Eu não conseguia pensar em mais nada. Só queria me enfiar com ela e repetir aquilo. Nunca tinha experimentado algo tão... tão intenso. Era infinitamente melhor que me masturbar e muito melhor que os boquetes de Aleto.
Então eu passei a ver Valentine com outros olhos. Eu a queria pra mim. Eu queria ser único e exclusivo. Mas não. Eu não a amava. Era puro tesão. Nada mais do que isso. Tesão puro e absoluto. Eu era um adolescente, afinal de contas.
Mas eu não sabia o que fazer... eu fingia que nada tinha acontecido? Eu ia atrás dela?
Nos encontramos na aula de Herbologia e eu corri para falar com ela. Emms me olhou e sorriu um pouco sem jeito.
“Dormiu bem?” perguntei no ouvido dela, para que Meadowes não ouvisse. Ela concordou em silêncio.
“E você?”
“Sim.” Respondi sem saber como agir “Hum... posso falar com você mais tarde... a sós?”
“Ok.” Respondeu ela. “Antes do almoço, pode ser?”
“Certo!”
E eu contei os minutos. A medida que o horário do almoço se aproximava, já sentia as bolas doerem, pois minha mente divagava para a noite de sexo. Como eu queria aquilo de novo...
Quando finalmente me encontrei com ela, mal consegui falar. Só a empurrei contra a parede e a beijei. Ela não parecia interessada em conversas, pois me beijou de volta com urgência.
“Vamos fazer de novo, vamos?” perguntei pressionando meus quadris contra ela, para mostrar o quanto eu estava louco. Mas ela riu travessa.
“Que isso, Rabs... Tá achando que é fácil assim?”
“Ontem foi.”
“Ontem foi coisa de momento. Não vai acontecer de novo.”
“Por que não?”
“Porque não.” Respondeu ela risonha “Somos amigos, Rabs. Não quero deixar tudo confuso.”
“Vamos ser amigos com benefícios.” Sugeri “Vamos Emms...” mas ela riu se divertindo. Eu adorava quando ela ria daquele jeito. “Vamos fazer umas loucuras, vamos? Vai ser legal.”
“Eu sei que vai.” Riu ela “Mas não acho que seja uma boa ideia. Foi só aquela vez, Rabs... Não é como se não tivesse outras garotas que queiram transar com você.”
Eu queria transar com ela. Mas na impossibilidade de explicar aquilo, apenas me conformei.
E durante o ano eu transei com outras garotas. O sexo era sempre bom. E eu sempre contava para ela. Ela sempre me pedia detalhes e sempre tínhamos histórias sujas para contar, apesar dela não estar transando com ninguém.
Mas pouco antes do natal ela soltou uma que me deixou bolado.
“Sirius está dando em cima de mim. É hilário.” Riu ela.
“O que?”
“Sim. Estávamos jogando um jogo de prendas no dormitório e James me desafiou a fazer uma dança sexy para o Remo.” Ela jogou as tranças do rabo de cavalo para longe. “Mas Sirius disse que eu não sabia ser sexy e que era uma hippie sem um pingo de feminilidade. Então eu dancei e eles ficaram todos boquiaberto.” Ela riu desdenhosamente “Eu fiz um curso de dança no verão, pra descolar uns trocados. Eu danço muito bem.”
“Hum...”
E ver Sirius Black dando em cima dela me fazia querer vomitar de raiva. Quando o ano estava para acabar eu a convidei para ir comigo para o baile de inverno e ela aceitou. E eu vi que ela não mentiu ao falar que dançava bem. Ela tinha um rebolado e uma ginga... me deixava duro só de ver.
No final da noite eu a levei para o dormitório e Severus ameaçou nos azarar se não usássemos um feitiço silenciador na minha cama.
Mas não. Eu não a amava. Eu podia estar apaixonado, mas isso é bem diferente de amar. Eu estava louco por ela. Louco. Nem dormimos aquela noite. Ficamos nos agarrando e suando no outro até amanhecer.
E no dia seguinte fomos juntos para a mesa do café da manhã. Meu braço ao redor da cintura dela, demarcando território. Ela não era nenhuma santinha. Ela era tão safada quanto eu, mas apenas comigo. Eu não a pedi em namoro, mas ela sabia que eu a considerava minha namorada. E quando voltei para casa, contei para meu irmão que estava namorando Emily Valentine.
“A garota está namorando o irmão do algoz da família dela. Isso é hilário.” Riu ele.
“Ela não precisa saber desse detalhe.”
E quando voltamos para Hogwarts, eu estava tão sedento por ela que fomos para o banheiro do trem e transamos lá mesmo.
Parecíamos dois coelhos. Era absurdo. Mas eu simplesmente não me cansava dela. Os problemas surgiram quando começamos a falar sobre a guerra. Ironicamente, nunca tínhamos conversado sobre aquilo...
“Você não apoia o Lorde das Trevas?” perguntei decepcionado pela primeira vez com ela. Ela me olhou um pouco triste e negou com a cabeça “Como não?”
“Não quero falar sobre isso.” Ela respondeu dando de ombros.
E evitávamos tocar no assunto.
Os amigos dela me odiavam e meus amigos a achavam vulgar.
“Fala sério. Ela nem se importa em disfarçar que vocês estão trepando.” Resmungou Theo. “Ela se deitou facilmente com você, Rabs... como pode namorar uma garota dessas?”
“Ela é segura de si mesma o suficiente para não deixar que tradições idiotas controlem o comportamento dela. E eu sou muito grato por isso.” Respondi “Não fique com invejinha só porque Lys não abre as pernas pra você.”
“É tão injusto!” lamentou ele me fazendo rir.
Eu estava completamente fisgado por Emily Valentine. E quando ela finalmente terminou a tatuagem de serpente dela, se tornou minha favorita.
“Céus... você é tão sexy...” murmurei deitado na minha cama enquanto ela exibia a tatuagem enorme, que vinha do calcanhar, se enroscava no quadril, passava pelas costelas e terminava nas costas “Ficou foda demais.” Garanti e ela riu satisfeita.
“Quer que eu faça uma pra você?” perguntou ela se sentando nos meus quadris.
“O que você tatuaria?” perguntei sorridente.
“O meu nome, pra todo mundo saber que você é meu.”
“Só se tatuar o meu nome na sua bunda.” Retruquei “Para ser oficialmente minha e você finalmente liberar a portinha dos fundos.”
“Continue sonhando Rabs...” riu ela travessa.
Deixei que ela tatuasse as minhas costas. Uma serpente com feições draconianas. Completamente relacionada com o meu nome, que vinha de uma das estrelas da constelação de dragão. Eu achei o máximo e ficava o tempo todo pensando em outras coisas para tatuar. Era viciante.
Próximo do natal, eu enviei uma carta para meu pai, perguntando se eu poderia convidar alguém para o feriado e ele não se importou. Convidei Emms para vir comigo e ela aceitou contente.
“Eu normalmente passo o natal com os Meadowes, mas vai ser legal variar.” Riu ela.
E quando estávamos no trem, eu achei sensato explicar algumas coisas pra ela.
“Minha família é super tradicional... eles não podem saber que você tatuou as minhas costas...”
“Eles vão achar ruim as minhas tatuagens?” perguntou ela arqueando as sobrancelhas.
“Vão. Então... se possível... tenta vestir algo que... que esconda as tatuagens e... e seu cabelo...”
“O que tem o meu cabelo?” perguntou ela.
“Bem... você... Emms. Você sabe que eu acho seu cabelo super foda.” Eu disse sem rodeios “Mas meus pais não vão gostar, então... tenta parecer mais tradicional e menos...”
“Menos eu?” perguntou ela arqueando as sobrancelhas.
“Não... não é isso. Menos rebelde, entende?”
Ela soltou um muxoxo de desagrado.
“Como quiser, Rabs.”
“Não fique chateada. Eu gosto do seu estilo. É a garota mais estilosa da escola!” disse a abraçando e a beijando no pescoço “Mas... minha família é... complicada, entende?”
“Diretório Puro Sangue.” Murmurou ela “Não se preocupe, Rabs. Eu sei como agir em ocasiões formais. Eu não tinha mais ninguém para puxar me orelha, então acabei radicalizando. Mas eu não fui sempre assim, sabe?”
“Sei!” respondi. Mas a verdade é que eu me lembrava muito pouco dela antes dela se radicalizar. “Se for meu irmão quem vier me buscar, então a gente fica de boa. Te apresento para ele. Ele não vai chiar. Mas se forem meus pais...”
“A gente finge que não está junto. Entendi.” Murmurou ela olhando pela janela.
“Isso mesmo.” Disse contente por ela ter aceitado numa boa.
“Rabs...”
“O que?”
“Você tem vergonha de mim?”
“De jeito nenhum... só quero te proteger dos meus pais.” A beijei no ombro incomodado por ela não olhar para mim “Eles são muito tradicionais. Só isso.”
Quando chegamos na plataforma e eu vi Rodolfo e Bellatrix, sorri animado e entrelacei meus dedos com os de Emily e a puxei para apresentá-la. Ela podia ser um pouco alternativa, mas ela era sangue puro e não se envolvia com sangues ruins e até gostava da causa puro sangue, muito mais dos que os pais, que eram completamente contra.
Rodolfo me viu de longe e fechou a cara, olhando para Emily. Bellatrix torceu o nariz com desaprovação, mas eu sabia que seria temporário. Emily respirou fundo olhando para os dois.
“Rodolfo! Como está?” perguntei animado “Essa é a Emily, minha namorada. Ela é sangue puro...”
“Emily Valentine, não é? Rabastan fala muito de você.” Disse Rodolfo secamente.
“Valentine?” perguntou Bellatrix sorrindo, provavelmente achando a situação hilária.
“Algum problema?” perguntou Emily.
“Você está namorando uma Valentine?” riu Bellatrix “O que acha disso, Rodolfo?”
“Por enquanto nada. Mas chegarei em uma conclusão em breve. Meu irmão não é idiota e se ele escolheu namorar com ela, ele deve ter bons motivos.” Disse Rodolfo olhando para a flor de narciso tatuada no ombro dela, depois para o cabelo colorido “Mas espero que ela não vá assim para a casa dos nossos pais.”
“Eu já expliquei pra ela. Não se preocupe.” Disse para tranquilizá-lo. Rodolfo ainda olhava com desaprovação para ela, mas eu estava confiante que aquilo iria mudar.
Me despedi de Emily e disse que buscaria ela em casa e de lá iríamos para a casa dos meus pais. Ela concordou sem parecer muito empolgada. Quando entrei na carruagem com Rodolfo e Bellatrix, meu irmão cruzou os braços e me encarou querendo explicações.
“O que raios tem na cabeça? Por que está namorando aquela cacatua?”
“Eu sei que ela é um pouco alternativa, mas...”
“Um pouco?” cortou ele “Um pouco alternativa? Você já olhou para ela? Ela não é o padrão da nossa família, irmãozinho! Só porque você é o caçula não quer dizer que não tenha responsabilidades!”
“Ela é sangue puro. É o que importa, não é?”
“A família dela apoia Dumbledore!” riu Bellatrix que ainda estava achando graça por ter matado os sogros do cunhado dela.
“Mas ela acha que ele não passa de um velho caduco!” retruquei. Ela já me falara aquilo mais de uma vez “Sem falar que ela gosta da causa puro sangue. Ela não é como os pais dela.” Soltei um suspiro “Ela nem fala deles. Parece até que tem vergonha!” e naquele momento meu rosto se contorceu num sorriso animado. Eu olhei para Rodolfo cheio de expectativa “Ela é perfeita pra mim, Rodolfo. Eu sei que é!”
Meu irmão e minha cunhada piscaram olhando em choque para mim.
“Está apaixonado por ela!” ralhou Bellatrix, parando de achar graça da situação.
“Estou!” respondi sorrindo. Meu irmão me fitava preocupadamente “Eu sei que ela não causa uma boa primeira impressão! Mas esperem pra ver! Esperem pra ver! Eu tenho certeza que vão gostar dela. O papai e a mamãe também!” então respirei fundo e tirei uma caixa do bolso “Eu vou pedi-la em casamento!”
“Não acha que está se precipitando?” perguntou meu irmão.
“Não! Ela é perfeita para mim! Vocês vão ver! Todos vão gostar dela, eu tenho certeza!”
Meu irmão trocou um olhar preocupado com a esposa e suspirou voltando a me olhar.
“Eu espero que sim, Rabastan... para o seu bem...” ele soltou outro suspiro e então sorriu “Eu tenho boas notícias pra te dar.”
“Quais?”
“O Lorde quer te conhecer. Eu disse que você sempre sonhou em se tornar um comensal. Ele vai te conceder isso.”
Nossa, como eu fiquei feliz. Era um sonho na minha vida prestes a se realizar. Lord Voldemort sempre foi o bruxo mais fantástico de quem eu já tinha ouvido falar. Seria capaz de arrancar a mão fora somente para poder fazer parte do grupo dele. Eu acompanhava a carreira dele desde os meus doze anos. Meu quarto era cheio de pedaços de jornais com qualquer coisa que falasse sobre ele. E finalmente eu poderia me considerar alguém do grupo dele. Aquilo era um sonho. Só podia ser... um dia eu poderia fazer parte do círculo íntimo dele, como meu irmão e Bella faziam. E quem sabe, eu convenceria Emily a estar lá comigo.
Como eu era idiota...
Voltei para casa, fiquei um pouco com os meus pais e então fui para meu quarto me arrumar. Quando estava perto da hora da ceia, fui para a casa de Emily. Eu nunca tinha ido lá, mas ela me deu um endereço e foi fácil de achar. A casa dela era bem simples, pelo lado de fora. Toquei a campainha e um elfo abriu a porta para mim, fazendo uma reverência.
Não dei muita bola, mas fiquei satisfeito por ao menos ela ter um elfo.
“Vou chamar a senhorita Valentine, mestre Lestrange.” Sussurrou o elfo desaparecendo num estalo.
A casa era bem simples. Era um pouco grande, é verdade, mas parecia ter móveis de menos. Prestei atenção no chão e na parede e notei que a cor de certos lugares eram diferentes de outros. Só então me toquei que boa parte dos móveis deveria ter sido retirada por algum motivo qualquer.
Naquele momento me ocorreu que talvez Emms estivesse tendo que vender os móveis... ela tinha dito que precisara fazer uns bicos pra arrumar uns trocados, não era?
Caminhei pela sala, que não tinha um sofá sequer, e olhei para o monte de livros e tabelas de transfiguração ali. Me abaixei e notei que a maior parte dos livros eram sobre animagia e lobisomens. Ela tinha grifado uma parte em que dizia que lobisomens não atacavam animais. Olhei para a parede e vi um monte de tabelas numéricas com cálculos complicados de transfiguração.
“Não dê atenção... isso é bem antigo.” Murmurou Emily. Olhei para trás e quase não a reconheci.
Ela usava um vestido comprido, roxo, com uma fenda que mostrava justamente a perna tatuada. Não é que não tenha ficado bonito, mas eu estava preocupado com o que os meus pais pensariam de uma namorada cheia de tatuagens...
(Vestido)
“Emms... você tá linda.” Comecei. Ela girou no lugar exibindo o vestido. Os cabelos dela estavam soltos e completamente loiros e isso causou uma diferença gritante. E mesmo o vestido tendo uma manga, era de renda e a flor de narciso no braço era muito visível. “Mas...”
“O vestido era da minha mãe.” Cortou ela. “Desculpe, Rabs... mas eu não vou esconder minhas tatuagens. Eu mudei o cabelos e estou usando essa coisa brega. É o máximo que dá pra fazer. Se seus pais ficarem incomodados comigo, eu vou embora...” ela cruzou os braços “Ou talvez nem vá...”
Respirei fundo avaliando as opções...
“Ok... você está linda assim... Vai assim mesmo.” Murmurei “Tá tão linda que eu quero...” me aproximei dela e a beijei desejoso. Ela riu nos meus lábios e quando eu a peguei no colo, ela me abraçou com as pernas. “Eu quero te provar agora.”
Era tão diferente ver Emms daquele jeito, mas me excitou do mesmo jeito e transamos no chão cheio de papéis. Quando terminamos, fiquei olhando os olhos verdes dela, feito bobo.
“Eu gosto demais de você, Rabs.” Murmurou ela sorrindo.
“Eu também gosto demais de você...” murmurei.
Voltamos a nos arrumar e eu tirei um pedaço de papel que tinha ficado preso na minha bunda e então ficamos prontos.
“Posso usar o banheiro?” perguntei. Ela me falou como chegar lá e eu fui me aliviar.
Mas no meio do processo, vi vários frascos azuis em cima da pia.
Peguei um deles e o levei comigo, curioso. Quando cheguei na sala, Emms estava terminando de retocar a maquiagem.
“O que é isso?” perguntei.
Ela olhou para mim e corou de leve. Veio caminhando até mim com um sorriso nervoso e pegou o frasco de volta.
“É chá de lua.” Respondeu ela. “Você sabe... pra evitar gravidez...” explicou ela.
Concordei em silêncio.
“Não esqueça de tomar.” Murmurei.
“De jeito nenhum.” Riu ela voltando a guardar o frasco no banheiro.
Quando ela voltou, entrelacei meus dedos nos dela.
“Vou logo avisar que meus pais não são muito sociáveis...”
“Seus pais são dois monstrinhos. Você está tentando me intimidar?”
“Não. Só quero te deixar preparada.” Expliquei “Eles podem ser um pouco complicados. Mas você vai se dar bem com eles. Tenho certeza!”
Ela me olhou um pouco apreensiva.
“Rabs... seus pais são Comensais de Morte?”
“Não. Por que?” perguntei com um alarme apitando dentro de mim.
Emily me olhou com um olhar firme.
“Eu odeio os Comensais de Morte.”
“Por que?” perguntei sentindo um enorme peso no meu estômago.
“Porque eles mataram os meus pais. Mataram meu irmãozinho... e teriam me matado se eu estivesse aqui...” Emily soltou um longo suspiro triste “Eu não quero me envolver de nenhuma maneira com comensais de morte, entendeu?”
Eu deveria ter aberto o jogo. Eu deveria ter falado que meu irmão e minha cunhada eram comensais, que eu em breve seria um comensal e que meus pais apoiavam a causa de Voldemort com fervor.
Mas no lugar disso eu apenas aparatei para casa, trazendo Emily comigo.
Assim que chegamos meu irmão me olhou parecendo mais aliviado com a aparência de Emily. Mas meu pai não a tinha visto antes para comparar, então torceu o nariz para ela. Minha mãe parecia quase ofendida com a presença dela.
“Gente... essa é Emily Valentine. Ela é puro sangue.” Disse apresentando minha namorada para meu pai. Ele a olhou dos pés a cabeça.
“Ela não é do diretório puro sangue.” Disse meu pai como se isso fosse terrível.
“Não, mas venho de seis gerações de famílias puro sangue e minha mãe era uma Rosier, senhor Lestrange. Preciso mostrar os títulos?” perguntou ela sarcástica. “E tenho parentesco com os...”
“Não está no diretório puro sangue.” Cortou meu pai. Emily o olhou com frieza “O que viu nela que compensasse isso, Rabastan?”
Murchei um pouco intimidado.
“Tem duas Flints, uma Avery, uma Yaxley, e uma Bulstrode com idades próximas a sua, Rabastan. Por que raios trouxe uma Valentine pra nossa casa?” perguntou minha mãe.
Olhei para meus sapatos e não respondi, intimidado. Meu irmão me olhava com cara de ‘eu te avisei’ e Bellatrix parecia quase enojada com a situação.
“Rabastan me escolheu porque ao contrário dessas mongolóides que vocês citaram, eu tenho personalidade, sou melhor bruxa e gosto dos trouxas tanto quanto ele.” Emily olhou meu pai como se o desafiasse “E eu sou mais bonita também.”
Olhei para meus pais e ele não pareceram se convencer com aquilo.
“A ceia fica pronta em dez minutos. Espero que ela ao menos saiba comer de forma civilizada.” Rosnou minha mãe voltando para a cozinha.
Emily respirou fundo pedindo paciência e eu a levei até um sofá. Ficamos um tempo em silêncio até que ela desse uma risada sarcástica.
“Acho que causei uma boa impressão, não é?”
“Desculpe... eu te avisei que...”
“Quer que eu vá embora, Rabs?”
Respirei fundo e concordei.
“Acho melhor...” murmurei.
Emily me olhou friamente e se levantou.
“Adeus, então. A gente se vê na escola.”
“Emms, espera.” Pedi me levantando “Tente entender... é que...”
“EU SOU SANGUE PURO!” gritou ela enfurecida. Lembrei do dia em que a tinha beijado pela primeira vez “E ELES ME TRATAM FEITO ESCÓRIA? QUEM ELES ACHAM QUE SÃO?”
“Emms... mas é que seu sobrenome não é importante e...”
“Ótimo!” ela fechou os olhos e uma lágrima escorreu pelo rosto dela, mas ela logo a secou com as costas das mãos. “Ótimo!”
“Emms... não chore, por favor... é só que...”
“Eu não estou a altura do grande Rabastan, não é?” perguntou ela bagunçando os cabelos e rasgando a manga do vestido “Então, não traga mais tanto desgosto pro papai e pra mamãe. Não me traz mais aqui! Afinal. Temos as irmãs Flint, temos Bulstrode, temos Yaxley, não é?”
“Emms...”
“Faça melhor suas escolhas da próxima vez e...”
“CALE A BOCA!” gritei perdendo a paciência. “EU TE AVISEI QUE ELES ERAM ASSIM! POR QUE NÃO ARRUMOU UM VESTIDO QUE ESCONDESSE SUAS TATUAGENS?”
“AH! A CULPA É MINHA ENTÃO?”
Não. A culpa era minha. Mas eu não ia dizer isso. Então apenas virei o rosto. Emily então se virou e saiu, indo embora. Me sentei no sofá me sentindo muito triste e vazio... Com uma sensação de que deveria ter feito alguma coisa, mas não fiz.
Quando voltei para a sala de jantar, meu pai parecia muito satisfeito, minha mãe ainda estava zangada e meu irmão levemente constrangido. Bellatrix me olhava como se eu fosse uma decepção. Me sentindo ainda pior, me sentei ao lado do meu irmão e ceamos, como se Emily nunca tivesse entrado na minha casa.
E quando eu voltei para escola, ela não veio falar comigo e nem eu com ela. Mais uma vez ela usava o penteado estilizado, com mais cores do que nunca. A maquiagem nos olhos estava mais pesada e ela tinha mais uma tatuagem na perna. Mas eu não sabia o que significava. Não conversei com ela durante um tempo.
Sentia uma falta absurda dela. Principalmente a noite. Não era apenas do sexo – apesar de eu certamente sentir muita falta do sexo. Eu sentia falta do corpo quente dela durante a noite. Eu tinha simplesmente me desacostumado a dormir sozinho.
Um mês se passou e depois outro. Eu já não aguentava mais de saudades dela. Já não aguentava mais fingir que ela não significava mais coisa alguma pra mim.
Mas eu estava com medo de falar com ela.
Afinal eu tinha me tornado um comensal de morte.
Mas quase no final de Março, eu vi Eloá bebendo um frasquinho azul escuro.
Curioso, me aproximei e quando ela me notou, corou violentamente e quase engasgou.
“O que está olhando, Rabastan?”
“O que é isso ai?” perguntei curioso. Eloá corou de novo.
“É chá de lua, oras!”
“Pensei que chá de lua fosse mais claro...”
“Não. Chá de lua é azul escuro.” Resmungou Eloá.
“Azul claro é o que?” perguntei me lembrando dos frascos que eu tinha visto na casa de Emily.
“Eu sei lá. Pode ser várias coisas!” resmungou a garota “Pergunta pro Severus. Ele que é viciado em poções.”
E foi o que eu fiz. Severus pensou durante uns segundos.
“Bem... só assim, pela cor... é meio difícil de dizer. Mas... dependendo do cheiro e do brilho podemos diferenciar poções de sono sem sonhos, ou gole da paz, testes de gravidez, poções essenciais...”
“O que?” perguntei me sobressaltando.
“Poção essencial. É uma poção extremamente complexa que...”
“Você disse teste de gravidez?”
“É.” Murmurou Severus. Mas então ele me olhou parecendo chocado “Onde você viu essa poção, Rabastan?”
“Pelas cuecas de Merlin.” Disse Theo “Você engravidou Valentine?”
“Acho que não. Ela não me falou nada!”
“Mas vocês não estão mais conversando, estão?” perguntou Theo “E ela estava mesmo engordando. Crouch tava dizendo que os peitinhos dela estavam maiores. Eu nunca tinha reparado...”
“Pare com isso!” eu disse com certo pânico “Emily não está grávida!”
Mas eu não consegui relaxar até falar com ela.
Emily estava rindo com os marotos. Potter e Evans estavam dançando um com o outro, enquanto Emily e Sirius cantavam animados. Lupin olhava para ela sonhadoramente enquanto Meadowes olhava do mesmo modo para ele. Pettigrew estava tocando gaita e batia o pés para dar ritmo e McKinnon dançava com Longbottom de maneira mais ordenada que Evans e Potter.
Mas quando eu cheguei, todos ficaram quietos e em silêncio, me fitando com frieza.
“Valentine. Preciso falar com você.” Eu disse.
“Sobre?” perguntou ela me olhando com as sobrancelhas arqueadas.
“Você está grávida?”
“Não.” Respondeu ela.
Suspirei aliviado.
“Mas esteve?”
“Não.” Respondeu ela novamente.
“Ótimo.”
Aliviado, fui embora dali e logo a algazarra voltou. Assim como minha vontade de beijá-la. Céus... eu sentia tanta a falta dela...
Fui para o dormitório, tentar dormir, mas não consegui. Fiquei virando na cama, de um lado para o outro, sem que o sono viesse. Só conseguia pensar nela.
E quando tínhamos aulas juntos, ficava olhando para ela, lembrando dos nossos momentos juntos. Estava olhando para ela durante a aula de feitiços quando ela me encarou. Não desviei o olhar e nem ela. Nos encaramos longamente, até que Black a abraçasse e me mostrasse o dedo do meio. Emily se desvencilhou dele, mas não voltou a me olhar.
Quando a aula acabou eu tentei chamá-la para conversar...
“Não tenho nada para conversar com você, Rabs...”
“Tem certeza?” perguntei. Ela bufou e saiu de perto de mim.
Passei um bom tempo correndo atrás dela. Eu a queria de volta. Eu sentia tanta falta...
Eu acho que eu já amava, mesmo que não aceitasse isso. Queria me convencer que era apenas paixão. Nada mais do que isso...
Mas ela não queria me dar chances, até que em meados de Maios eu consegui beijá-la de novo. A princípio ela me bateu e tentou me afastar, mas eu insisti até que ela me abraçou e me beijou de volta. Eu estava completamente desesperado por ela e ela por mim. Tenho certeza que sim. Entramos numa sala vazia e começamos a nos agarrar ali mesmo.
“Eu gosto tanto de você, Rabs... mas...”
“Shhh...” murmurei voltando a beijá-la. E ficamos ali até que beijos não fossem suficientes. A coloquei de costas para mim, apoiada na parede e levantei a saia dela. Nem ao menos nos despimos e foi tão bom quanto eu me lembrava.
Quando terminamos, me sentei no chão e ela se sentou no meu colo. Ficamos namorando durante muito tempo, até que esquentamos de novo e ela tirou minha blusa. Eu nem me toquei. Estava tão afoito por transar novamente que esqueci completamente da marca negra. Mas a princípio ela nem viu.
A deitei no chão e me deitei em cima dela. Voltamos a nos divertir como nos bons tempos e ela virou o rosto para que eu a beijasse no pescoço. E então ela viu, no meu antebraço.
“Rabs... o que é isso, Rabs?” perguntou ela se sentando.
“O que?” perguntei sem entender, louco para continuar.
“Isso... isso é...” ela me olhou horrorizada e se afastou para longe de mim “Eu não acredito...”
“Emms... calma...”
“EU NÃO ACREDITO! SEU CRETINO! COMO VOCÊ TEM CORAGEM?”
Ela se levantou, se vestiu e saiu correndo.
“Emms! Pera! Espera!”
“NÃO FALE COMIGO! NUNCA MAIS FALE COMIGO! SEU CRETINO! SEU NOJENTO! ELES MATARAM A MINHA FAMÍLIA E VOCÊ É UM DELES! É UM DELES!”
A agarrei e a fiz se calar.
“Não conte a ninguém! Por favor! Eu posso ser preso!” murmurei com pânico, tampando a boca dela.
Emily me olhou parecendo magoada.
“É com isso que você está preocupado?” perguntou ela “Você sabe quem matou a minha família? Você sabe?” Me afastei dela sem conseguir encará-la “Você sabe! Desde quando? Me responde Rabastan!” mas eu não conseguia nem olhar para ela, quanto mais falar qualquer coisa. “EU ODEIO VOCÊ!”
E então ela saiu. Me encostei na parede, arrasado. Preferia que ela tivesse me acertado no saco. Preferia qualquer coisa a ouvir que ela me odiava.
Nunca tive coragem de falar com ela, sobre os assassinos da família dela. Nunca entregaria meu irmão dessa maneira...
E depois daquilo eu só a vi mais uma vez, anos depois. Ela não me aceitava como eu era. Eu era um comensal. Sonhei a vida inteira em ser um comensal. Eu não desistiria de tudo por conta de uma mulher... por mais que eu a amasse.
A causa era maior do que eu. Maior que minha felicidade.
Mas eu nunca superei Emily Valentine. Tanto é que nunca casei.
E agora que estou preso, assim com meu irmão, me sinto responsável tanto quanto ele pela morte de nossa família...
Seremos os últimos Lestrange...
[] [] []
Estava sonhando com as pessoas que matei quando uma luz brilhante me cegou. Fechei os olhos com força sentindo calor pela primeira vez em muito tempo. Me empurrei contra a grade e tentei abrir os olhos. Talvez fosse Crouch... ou quem sabe Narcisa. Vez ou outra ela vinha visitar Bellatrix.
Procurei pelo patrono pavão da loira, mas no lugar disso eu vi uma serpente prateada e brilhante parada na minha frente. Olhei confuso para ela, sentindo-me confortável e tranquilo. Depois levantei o olhar e vi um garoto. Deveria ter seus onze anos. Talvez um pouco menos.
“É ele?” perguntou o garoto.
“É. É ele.” Arrepiei-me todo e levantei o olhar mais uma vez. Há quantos anos não escutava aquela voz?
“Emms...” murmurei.
“Rabs...” murmurou ela de volta “Quero te apresentar Rasalas. Meu filho.” Disse ela. Olhei para o garoto novamente.
“Rasalas...” repeti em choque. “Rasalas o que?”
“Lestrange, o que acha?” perguntou ela “Era Valentine, mas depois que seus pais descobriram sobre ele vieram implorar para que eu o nomeasse Lestrange. Depois desse dia eles nunca mais torceram o nariz para mim.”
Olhei para o garoto novamente. Ele se parecia muito com ela. Os cabelos loiros e o rosto comum... mas os olhos eram meus, assim como a expressão fechada.
“Eu só queria saber como você é.” Disse Rasalas “Não nos parecemos muito.”
O olhei ainda chocado.
“Quantos anos você tem?”
“Doze. Eu sou da Sonserina. Como você.” Respondeu ele.
E pela primeira vez desde que eu tinha sido preso, eu sorri.
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