Porque me tornei escritor?

Numa roda de amigos essa pergunta me foi dada

E por cada um deles foi justificada

Primeiro a falar, com muita convicção

Mesmo com a voz pastosa e um copo na mão

Nickolas, cineasta semi-frustrado

Morador de Paulínia

Num quarto e sala alugado

“Não foi para pegar mulher, com toda a certeza

Pois nem o maior épico é capaz de lhe dar beleza

Nenhuma mulher deve ter dado a palavra

Caio, suas licenças poéticas me deixam em ponto de bala!”

Sua imitação de mulher menstruada

Arranca boas risadas

Quando todos se acalmam

Com um cubano entre os dentes

Bruna tenta controlar uma mesa de dementes

Tem casa, carro, filha e uma esposa ardente

Nada mal pra uma ilustradora independente

“Ser popular também não deve ter sido o objetivo

Ameaças de morte e processos enchem os seus arquivos

Desafetos na família crescem de maneira exponencial

Embora não ache isso mal

Apenas encurta a sua lista de natal”

A maioria está bêbada demais até mesmo pra rir

Eu e meu terno surrado teremos a chance de nos redimir

Escritor por profissão

Hobbie: ficar enfurnado numa repartição

Olho pros lados para checar a plateia

Prestes a dizer algo que ninguém espera

“Prestem atenção

É difícil de crer

A minha verdadeira missão

É mostrar que o ‘porque’ acima separado deve ser”

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