Por você, Baby Girl.

35 Primeiro seis meses.


Mês 1...

As duas primeiras semanas de Penelope no cativeiro foram aterrorizantes. Ela continuava posicionada na cadeira na parte da manhã e depois em uma cama. Cada vez que ela era movida, ela recebia uma dose controle de Frank.

O braço nem doía mais. Acabou cicatrizando sozinho. O braço curou esticado e ela não podia mais mover ou dobrar. Ela nem tinha mais sensibilidade nele. Só os dedos respondiam, mas ela não conseguia mover o braço e não tinha mais nenhuma força neles.

Frank botava comida na frente dela, colocando num garfo e dando a ela na boca. Nos primeiros dias ela tentou não aceitar, mas isso só iria piorar para ela. Ela sabia que se quisesse ter uma chance de escapar ela deveria se conter.

Ela não conseguiu escapar. Ele saia por alguns minutos e voltava em seguida. Eles estavam em uma casa no meio de Washington. Depois de uma semana ele começou a deixar ela desamarrada no quarto, trancado e sem janelas. A porta abria apenas por fora. Ela tinha um banheiro igualmente sem janelas.

Ele passava comida e roupas por uma abertura na porta.

Aos poucos Penelope aprendeu a controlar sua raiva e frustação.

Mês 2 ...

Não era uma coisa agradável. Penelope começou a enjoar de todo tipo de comida que ele lhe dava. Ela passava metade do tempo vomitando no banheiro. No começo ela achava que era uma infecção estomacal violenta, mas agora ela estava pensando outra coisa. Ela não tinha como confirmar. Ele não lhe daria um teste de gravidez a àquela altura, mas ela deduziu pelo tempo.

Frank a levou disfarçada para um médico. Novo nome, nova identidade e uma peruca. O rosto de Penelope estava nos principais meios de comunicação desde o desaparecimento dela. Frank agora tinha um novo rosto, graças a um amigo cirurgião que o operou e foi morto em seguida.

Ela estava sentada na recepção do médico esperando para ser atendida. Frank tinha um canivete escondido embaixo de um casaco em suas mãos apontado para ela.

Ele a seguiu para a consulta com o médico.

— Você deve ser Marisol. – O médico disse. – Sou Dr. Willians.

— Prazer. – Penelope apertou a mão do médico ansiosa. – Marisol.

— Você é o pai do bebê? – Willians perguntou.

— Sou um amigo dele. – Frank mentiu. – O pai do bebê morreu em um acidente semana passada. Nunca soube que seria pai.

— Eu sinto muito. – Willians falou olhando a mulher apavorada a sua frente. – Quer ver como ele está?

— Sim. – Penelope falou baixinho.

— Me acompanhe. – Willians levantou.

Quando Penelope levantou ela começou a ver tudo girando.

— Marisol? – Willians correu até Penelope enquanto ela caia em seus braços.

Willians a colocou na mesa de exames.

— Ela está bem doutor? – Frank teve uma falsa preocupação.

— Deve ter sido apenas uma queda de pressão. – Willians pegou um medidor de pressão. – Ela tem uma pressão baixa. Precisa de uma noite internada para ver isso.

— Não tenho como mantê-la no hospital. – Frank sabia que uma vez no hospital ela não conseguiria sair sem que o FBI ou alguém a reconhece. – Eu tenho uma cama confortável e um lugar calmo.

— Vou passar alguns remédios para que ela possa ficar bem. – Willians deixou Penelope dormir um pouco. – Entretanto não posso deixar de notar o braço dela.

— Ela é teimosa doutor. – Frank falou. – Não quis ir a um médico quando quebrou.

— Volte daqui a duas semanas. – Disse Willians. – Precisamos monitorar o bebê.

Frank pegou Penelope nos braços. Até parecia um verdadeiro marido preocupado. Ele a colocou cuidadosamente no carro. Agora que ela estava grávida ele teria que ter cuidados com ela. Ele passou pela farmácia e comprou alguns sedativos para ela, todo permitidos na gravidez.

Ele chegou em casa e a colocou de volta na cama.

Mês 3...

Penelope podia estar se sentindo realizada com a gravidez em andamento, mas uma parte dela queria que ela e Derek pudessem estar compartilhando as experiências que isso proporcionava nela.

Ela fez sua primeira ultrassonografia e viu seu bebê pela primeira vez ou o que conseguia ver. Ela se sentia incomodada pelo fato de Frank estar vendo isso também quando Derek deveria estar ali.

— Quer saber o sexo do bebê? – O médico perguntou.

— Quero que seja surpresa. – Penelope falou antes que Frank opinasse. – Vai ser bom.

—Seu desejo mamãe. – O médico passou uma cópia da ultrassonografia para Penelope.

Frank a levou para fora do consultório e tomou a pequena cópia.

— Não. – Penelope protestou pela perda. – Me dê.

— Desculpa querida. – Frank fez pedaços daquela cópia. – O combinado era sem cópias.

— A bebê é minha e de Derek. – Penelope tentou se virar, mas Frank agarrou o pulso dela.

— Sabe o que vai acontecer se você fugir? – Frank estava bem ao lado dela, falando no ouvido. – Eu vou pegar a Agente Jareau e vou fazer o mesmo que fiz com a namorada do Jason.

— Deixe JJ em paz. – Penelope parou de resistir.

A imagem da possibilidade desse homem matar JJ a fez parar de tentar fugir. Ele a levou para o carro.

— Boa garota. – Ele falou entrando no carro e saindo dali.

Penelope suspirou em derrota. Ela estava a mercê desse homem.

Mês quatro...

A barriga de Penelope começou a aparecer. Ela demorava mais no banho, único momento onde poderia ficar sozinha agora que Frank trouxe uma nova garota para morar com ele.

Ela era bem legal e tirando o fato que ele disse a essa moça que Penelope era sua irmã mais velha, que ela tinha problemas mentais e que provavelmente não sabia quem era o pai do bebê, elas se davam muito bem.

Mas do mesmo jeito que ela apareceu, ela sumiu duas semanas depois. A cada dia a barriga era mais evidente e Penelope podia ir até a sala da casa e assistir algo na televisão em horas especificas.

Foi numa dessas horas que ela viu JJ na televisão em um pronunciamento oficial sobre o caso Penelope. Ela se sentiu mal quando ouviu a amiga falando na tv.

— Eu gostaria de anunciar que o caso Penelope Morgan Garcia está sendo oficialmente arquivo. – JJ falou com certa tristeza. – Embora sabemos que o homem que a sequestrou provavelmente está mantendo ela em algum lugar desconhecido e até a possibilidade de ela estar morta não podemos ficar com esperanças falsas.

Quando Morgan apareceu no vídeo, de cabeça baixa e olhar triste Penelope sentiu o bebê se mexer. Ela chorou de tristeza, felicidade e até frustação.

— O agente Derek Morgan, Marido de Penelope está aqui e pode responder qualquer pergunta. – JJ deu espaço para Derek.

— Agente Morgan. – Um dos repórteres perguntou. – Acha que sua mulher ainda está viva?

— Acho que sim. – Morgan respondeu sem pensar. – Penelope é uma guerreira.

— Agente Morgan. – Outro repórter chamou a atenção do agente. – Acha que ele está violentando ela no momento?

— Esse homem não sente prazer estuprando pessoas. – Morgan engoliu em seco. – Tudo que ele quer é ver o sofrimento nos olhos das vítimas.

— É verdade que ele manteve o ex agente Jason Gideon por cinco anos em cativeiro? – Uma repórter quis saber.

— Sim. – Derek falou. – Mas não quer dizer que não teve oportunidades de descobrirmos isso.

— Poderia explicar? – Ela perguntou de novo.

— Ele fazia o ex agente Jason Gideon telefonar para o filho a cada um ano. – Derek parou. – Ele ameaçava matar o filho dele se ele não ficasse quieto sobre ser mantido refém.

— Acha que ele vai fazer ela dar uma ligação? – Perguntou alguém.

Derek procurou a pessoa, mas não encontrou. Ele respirou fundo.

— Teremos que esperar um ano. – Derek saiu da linha da imprensa.

JJ retornou a seu posto na frente das câmeras.

— Mesmo o caso sendo encerrado no momento, não demos nos esquecer que ela está em algum lugar. – JJ respirou. – Então se a virem ou virem o sequestrador. – Ela mostrou as fotos de Frank e Penelope. – Não hesitem em ligar.

Penelope estava em lágrimas. Derek não a disse que a amava, embora ela soubesse disso. Eles haviam feito aquele bebê.

Mês cinco...

Penelope exibia uma barriga maior do que no mês anterior. Frank teve que comprar roupas para grávida o que demandou uma operação diferente. Ele nunca esteve com uma grávida antes.

Ele sabia que ultrassons mensais era o mínimo que poderia fazer para que o bebê nascesse saudável.

Penelope se pegou comprando um macacãozinho rosa na esperança que fosse uma garotinha. Ela começou a articular um plano. Então quando eles chegaram em casa ela teve coragem de falar com Frank.

— Eu preciso pedir uma coisa. – Ela viu o quanto isso soava estranho. – Sim Penelope. Peça um favor para um maníaco sexual que está te mantendo presa por cinco meses.— Ela pensou consigo mesma. – Eu quero que esse bebê seja entregue para Derek.

— Como assim? – Frank se sentou à sua frente.

— Quero que ele cuide do bebê. – Ela disse. – Quero que esse bebê seja entregue para Derek, para que ele possa cuidar dele como ele merece.

Frank pensou um pouco.

— Combinado. – Frank decidiu. – Eu não tenho interesse em bebês. E você não pode ter um bebê aqui.

— Eu quero duas semanas com o bebê quando ele ou ela nascer. – Penelope pediu.

— Está certo. – Frank posiciou uma bandeja de comida. – Você precisa comer.

Mês seis...

Era o sexto mês de gravidez de Penelope. Era estranho ter Frank ao seu lado quando o que ela queria era Derek com ela. Ele a levou para o médico. Ela estava saindo do carro quando viu Derek do outro lado. Ela olhou para ele e percebeu que Frank a segurava.

— Lembre-se do trato. – Ele a puxou de lá no mesmo instante que Derek olhou para ela.

Eles trocaram um olhar antes dela sumir dentro do consultório médico.

Ela viu seu bebê outra vez no ultrassom e dessa vez Frank a deixou ficar com uma cópia do seu bebê.

Penelope se lembrou de que Emily estava para ter seu bebê ou já poderia ter tido. Ela realmente queria ter conhecido o bebê deles. Ela entrou no carro e eles voltaram para casa.