Notas iniciais
Sobre a Alice. sim. ela é toda baseada em mim em tudo, especialmente nas histórias, menos no sequestro. e nada mais justo que um caso no meio das férias de Pen e Derek.

Eles estavam a meia hora na estrada, rumo a uma programação totalmente diferente da planejada. Derek viu Gramado ficar para trás, mas nem ele nem Penelope da nova programação.

A garota parecia agitada depois de meia hora.

— Está tudo bem? – Morgan Questionou quando ela se mudou de lado outra vez.

— Meia hora sem cafeína me deixam nervosa. – Ela confessou para Morgan. – E temos ainda mais quatro horas pela frente e uma ponte.

— Uma ponte? – Derek ficou surpreso pela menção direta a ponte.

— Acredite, é melhor quando eu tomo um calmante e durmo a parte que passa pela ponte. – Ela confessou de novo. – Eu tenho horror a ponte altas.

— Quando isso começou exatamente? – Penelope queria saber.

— Não lembro. – Ela olhou em volta assustada. – Um dia depois de um passeio da escola estávamos passando pela mesma ponte e bem, digamos que eu tenha olhado pela janela. Alguns dias antes, minha madrinha contou a história de uma amiga dela que ficou três dias lá embaixo viva e partir dali eu simplesmente passei a odiar a ideia de passar por qualquer.

Derek riu. Uma garota que parecia forte com um medo de algo tão simples? Bem, não era engraçado.

— Acho que ainda não nos apresentamos. – Penelope foi a primeira a notar. – Penelope Garcia. Trabalho para o FBI. E acredite, você fala muito bem inglês.

— Derek Morgan. – Derek se apresentou. – Sou casado com Penelope e também trabalho no FBI. Mais especificamente para a unidade de analise comportamental do FBI.

—Alice. – Ela estendeu a mão. – Muito prazer.

— Muito prazer. – Derek gostou da garota.

— Então. – Ela começou a se soltar. – Deve ser emocionante trabalhar no FBI. Quero dizer, todos aqueles agentes, armas e tiros. E eu sou super fascinada por analise comportamental.

— É bem legal. – Derek Responde, se sentindo feliz pelo fato que agora ela parecia mais relaxada mesmo sem cafeína. – Se você tirar os psicopatas que matam por coisas tão banais é legal.

— Eu trabalho no computador. – Penelope começou a falar. – Eu tenho que balancear com fotos de gatinhos.

— Gatinhos melhoram tudo mesmo. – Alice falou. – Eu tenho dois agora e estou bem com isso. Um é mais novo e está na fase de morder.

— Sei como é isso. – Penelope se juntou a Alice na risada. – Talvez você possa me apresentar a eles quando chegarmos.

— E como é o lugar que você mora? – Derek sentiu que a pergunta a fez ficar tensa.

— Bem, é um lugar mais, como posso chamar... – Alice pensou um pouco em como descrever. – Afastado da cidade. É um lugar católico e bem, não é dos mais agraveis quando tem a romaria anual.

— Porque? – Derek achou estranho.

— Muitas pessoas enchem o chão de sujeira e abandonam cachorros por lá nessa época. – Alice estava triste em contar isso. – O que seria evitado se as pessoas se conscientizassem em adotar animais apenas quando pudessem e não em uma necessidade em mostrar algo para os outros.

Penelope ficou surpresa com aquele discurso. Não por discordar, mas por ter vindo de uma pessoa jovem. E porque ela concordava com aquilo.

— Então. – Penelope perguntou. – Quantos anos você tem?

— 22 Anos. – Alice respondeu. – Mas não costumo fazer festa de aniversário. Acho que a família e uma torta está bem.

— E você gosta de celular e computador. – Derek estava mentalmente perfilando Alice. – Eu vejo seus dedos eles parecem estar prontos para digitar em um teclado até tarde da noite. E você tem fones o suficiente para várias pessoas, o que significa que você ama música alta.

— Uau.- Ela disse com certa ironia. – Já gostei desse negócio de perfil. – Você me perfilou quando nos conhecemos? Porque entrar num carro com uma desconhecida pode ser perigoso uma vez que vocês trabalham para o FBI.

— Na verdade eu perfilei sim. – Derek admitiu. – Você é uma garota fora dos padrões, mas não parece se importar sobre o que as pessoas pensam sobre você. Mais do que isso. Suas orelhas de gatinho foram compradas e você previu que elas se soltariam porque elas ainda têm cola, mas estão com uma linha preta cuidadosamente costurada. Você usa a faixa no pulso porque já teve problemas em um dos dedos e não quer voltar a ter.

Ela olhava para qualquer lugar menos para o novo amigo.

— E tem medo de perder as pessoas que você gosta. – Derek continuou. – Com certeza você perdeu alguma pessoa que amava, um parente muito próximo e sente a falta dele.

As lágrimas já estavam nos olhos dela agora.

— Tem razão sobre tudo. – Alice falou. – Especialmente sobre perder pessoas. E com toda certeza sobre perder um parente.

— Já visitou algum psicólogo? – Penelope ouviu as palavras saírem como farpas de vidro. – Sinto muito. – Ela se desculpou.

— Não precisa se desculpar. – Ela tentou dar um sorriso. – Acredite. Esse é o melhor conselho que alguém já me deu em anos. Eles simplesmente me pedem para superar e ir em frente.

— Eu adoraria bancar o psicólogo para você. – Derek falou. – Sou um bom ouvinte.

— Eu simplesmente achei que nunca iria perder alguém tão cedo na vida. Era um dia como qualquer. Exceto pelo fato dele ter me chamado para almoçar na casa dele naquele dia. – Ela suspirou. – Talvez ele soubesse que... Aquilo iria acontecer. A gente ficou conversando sobre a escola e gatos. Eu e meu avô éramos apaixonados por gatos. Tinha tirado uma gatinha da rua alguns meses antes e ele me disse para sempre cuidar dela.

Ela estava quase desabando. Nunca havia contado toda a história sobre aquele dia.

— Então naquela noite eu não posso dizer porque eu segui minha mãe até a casa do meu avô minutos antes de tudo acontecer. Eu só sabia que deveria ir lá. – Ela teve que parar por um momento. – E então estávamos eu, meu pai e minha mãe por lá. E meu pai fazia fisioterapia para ele porque ele andava de cadeira de rodas a àquela altura. A gente voltou para casa e foi quando eu ouvi minha tia gritar.

— Deve ter sido horrível. – Derek e Penelope tinham lágrimas nos olhos. Era uma coisa tão triste e eles sabiam agora porque ela sempre se afastava das amigas.

— Então eu deitei na cama depois de tudo estar terminado e tudo o que eu consegui foi chorar. – Ela recomeçou. – Eu não queria ir ao velório porque isso tornaria muito real, mas minha mãe me convenceu que seria algo bom me despedir do meu avô. Eu sei que eu quis morrer quando eu vi ele lá.

O casal de agentes viu então seus olhos brilhantes ficarem sem brilho nenhum.

— Não fui ao cemitério se for uma pergunta futura. – Alice falou. – Apenas queria chegar em casa e acabar com todo aquele sonho horrível que eu estava vivendo. Eu tive que aceitar aquilo sozinha.

— Você raramente fala sobre isso com alguém, não é? – Derek hesitou sobre fazer aquela pergunta.

— A maioria das minhas amigas só fala comigo quando precisa de algo de edição ou texto. – Alice estava triste em falar aquilo. – A internet me fez conhecer gente incrível especialmente no Twitter.

— E escrever te alivia. – Penelope constatou.

— Acredite quando eu digo que antes eu virava a noite e praticamente não dormia por insônia. – Ela falou com certo orgulho de si. – E agora uma da manhã já quero dormir. E eu acordo bem. Apenas escrevendo qualquer que seja a coisa.

Ela parecia relaxada e aliviada depois de desabafar com Derek.

— Talvez pudéssemos fazer uma pausa. – Derek sugeriu.- e injetar cafeína nos sistemas.

— Eu agradeceria. – Alice se sentiu bem. – Eu vou pegar um para mim.

Ela tirou uma carteira florida da bolsa, bem estilo anos cinquenta cheia de moedas.

— Quer saber um dos meus defeitos, Agente Morgan? – Ela falou.

— Por favor, apenas Derek. – Ele a corrigiu. – Qual?

— Nunca gastar todo o dinheiro. – Ela falou. – Nunca chego em uma loja e compro em lotes. Sempre tenho para um café ou para algo urgente.

— Não caracterizo como defeito. – Morgan sorriu. – Talvez esse lugar que você mora tem um hotel?

— Acho melhor que vocês fiquem na minha casa. – Alice falou. – Lá é caro e a minha casa é pequena, mas tem lugar para todo mundo.

Ela sorriu e entrou na loja para comprar café. Ela pediu o seu preferido e se sentou na mesa para esperar. Ela se sentiu em um daqueles dias em que tudo começa bem e termina mal quando um homem se sentou ao seu lado na mesa.

Ela se deu conta de que o lugar estava cheio de homens que a olhavam. Ela se sentiu doente e saiu correndo de lá. Ela não seguiu para o carro que ela estava, mas na direção contrária.

Derek podia ver o medo nos olhos dela quando ela olhou para eles no carro e saiu na outra direção. Ele saiu do carro com a arma em punho, mas a perdeu de vista. Algo tinha dado errado.

Ele a procurou por todos os lados e não a viu em lugar nenhum. Foi quando ele percebeu o carro saindo alguns minutos antes e entrou na cafeteria completamente lotada de homens. Agarrando a carteira retro ele saiu e voltou para o carro.

— Temos que encontrá-la. – Falou Derek.

— Não temos jurisdição aqui. – Penelope se chutou mentalmente. – Talvez se ligássemos para Hotch e pedíssemos ajuda.

— Sabe o que esse tipo de homem faz, não é? – Derek ficou triste.

— Quem sabe quando tudo acabar, poderíamos levar ela com a gente para o Estados Unidos. – Penelope sorria internamente. – Talvez incluir ela na proteção a testemunha e fazer ela vir trabalhar conosco.

— Melhor ideia. – Derek deu um beijo em Penelope. – Precisamos encontrar aquela garota antes que seja tarde.