Por você

10 Uma simples canção


Notas iniciais
Olá pessoal :D Aqui está mais um capitulo e não é um capitulo qualquer. É o capitulo 10! Nunca pensei que fosse chegar tão longe T_T Tentei fazer um capitulo especial e que agradasse a todos. Eu só tenho a agradecer a todos vocês que acompanham a minha fic, vocês são fofos e me sinto muito feliz por ter leitores tão carinhosos como vocês *-* Não vou enrolar, curtam o capitulo.

— Pra que você quer um violão? — Lars perguntou me olhando estranho.

— Você ainda pergunta pra que? — Respirei bem fundo e bufei. — Cara, você me encheu o saco para fazer alguma coisa e agora que eu finalmente resolvo tomar atitude, você reclama!

Ele parou um pouco por alguns segundos me olhando.

— Ah saquei. — Finalmente ele entendeu porque eu precisava de um violão, parecia que tinha feito a descoberta do século.

Nós despedimos dos caras e só conseguimos ser liberados dali depois que recebi várias dicas de como ter a Connie de volta. Fomos para fora da boate, procurar um taxi já que não estávamos em condição de dirigir deixamos o carro lá para buscar de manhã.

Quando chegamos à casa do Lars, ele abriu a garagem e sussurrou se virando para mim.

— Não faz barulho, senão a Susie acorda e a Sadie me mata!

— Tá.

— Agora pega aquele banco ali pra mim subir e pegar o violão. — Ele apontou para o canto da garagem onde tinha um pequeno banco escondido no meio de muitas caixas.

Me abaixei para pegar o banco fazendo um verdadeiro malabarismo já que eu não podia fazer barulho, consegui puxar o banco, comemorei internamente dando um suspiro de alivio, me virei para voltar para o Lars e sem querer esbarrei em uma caixa do meu lado, a caixa se espatifou no chão fazendo um barulho enorme, é incrível que nos momentos que queremos silêncio algo simples pode parecer ficar tão escandaloso, isso me lembra quando a Ametista assaltava a geladeira de madrugada e eu acordava assustado, mas ela não fazia questão de ser silenciosa. A caixa caiu no chão e eu fechei os olhos para não ver a reação de Lars, abri os olhos devagar.

— Sério? Eu pedi para você não fazer barulho! — Lars gritou enquanto eu entregava o banco para ele.

— Mas você que ta gritando... — Falei sussurrando olhando para ele, ele bufou e subiu no banco para pegar o violão, a porta da garagem se abriu, nós viramos assustados para a porta. Sadie estava parada na porta com uma expressão assustada no rosto, ela tinha uma frigideira na mão, ela usava uma camisola azul estampada de corações.

— Ah são vocês. —Ela revirou os olhos.

— Querida! Você acordou o que está fazendo aqui? — Lars perguntou se aproximando devagar dela.

— Eu estava dormindo tranquilamente quando ouvi um barulho na garagem. — Sadie falou.

— Foi tudo culpa dele! — Lars apontou para mim choramingando enquanto se escondia atrás de Sadie, tudo é culpa minha agora?! Covarde... — Eu falei para ele não fazer barulho.

— Vocês são os piores ladrões do mundo. — Sadie revezava entre olhar para mim e o Lars. — Afinal, o que vocês estão fazendo?

Antes que eu pudesse responder Lars respondeu.

— O gênio ali teve a brilhante idéia de fazer uma serenata.

— Que lindo Steven, você acha que consegue? — Sadie estava entusiasmada com a minha serenata.

— Nunca fiz isso antes...

— Posso ir com vocês? Eu nunca vi uma serenata antes e eu acho tão romântico, a música, as flores, o jeito que cara olhar apaixonado para a garota...

Sadie começou a falar sem parar, parecia ter entrado no seu mundo imaginário, acho até que ela já estava imaginando coisas demais. Lars e eu ficamos olhando para ela.

— Eu vou pegar a Susie e colocar ela no carro, já que ela não pode ficar aqui sozinha.

Lars falou entrando em casa.

Alguns minutos mais tarde, estávamos com o carro parado em frente ao prédio da Connie. Não era um prédio sofisticado, era simples e bem bonito do de lado fora, ele tinha apenas seis andares, as janelas eram brancas e davam um tom mais rústico e elegante para o prédio de tijolos vermelhos. Abri a porta do carro e respirei fundo antes de sair com o violão já na minha mão.

— Boa sorte Steven. — Sadie me apoiou.

— Não me decepcione cara. — Lars falou, queria saber o que ele me ensinou porque eu não faço idéia.

— Connie! — Gritei não sabendo em qual andar ela morava. Gritei mais uma vez. — Connie!

Uma luz se acendeu no terceiro andar. Era ela, a minha Connie.

— Steven? O que você ta fazendo aqui?

— Espera, espera. Eu tenho que te falar uma coisa, melhor, eu vou cantar pra você.

Passei a alça do violão pelo meu pescoço e o ajeitei.

“Nós nunca mais nós falamos

E eu sei que foi tudo culpa minha

Eu pensei em te ligar

Pedir desculpa por tudo que lhe fiz

Mas tive medo de você não me ouvir

Não consigo mais ficar longe de você

Você se lembra?

Nós éramos melhores amigos

Você me completava

E me via de um jeito que ninguém nunca viu

Descobri que tinha que partir

Por tanta coisa eu passei

Eu voltei e descobri que perdi você

Eu não quero viver sem você

Eu não quero amar mais ninguém

Eu só quero amar você

Você tem um olhar tão especial

Eu não sei o que é

Mas me faz viajar para a lua

Toda vez que vejo você

Você se lembra?

Nós éramos melhores amigos

Você me completava

E me via de um jeito que ninguém nunca viu”

— Que romântico. — Uma senhora havia chegado à janela e gritou.

— Tem gente querendo dormindo aqui cara! — Um dos vizinhos dela falou.

— Só saio daqui quando a Connie descer.

— Vai sair daí quando eu descer e arrebentar sua cara!

— Pode vim! — Falei gritando pro cara.

A porta do prédio se abriu Connie saiu correndo, ela estava usando uma calça preta de dormir com desenho de estrelas e uma blusa regata branca.

— Steven, vem logo!

Ela me puxou pela mão me fazendo entrar.

O prédio dela não tinha elevador, então me atrapalhei enquanto subia as escadas já que ela andava muito rápido na minha frente e me puxava, eu não conseguia acompanhar o ritmo dela.

— Connie, eu...

Tentei puxar assunto a fim de quebrar o clima, mas o que ganhei foi um “shiu” e logo me calei.

Quando chegamos ao terceiro andar ela correu para abrir o apartamento 302 e eu segui ela. Logo que entrei dei de cara com a sala dela que também dava de cara com a cozinha, o apartamento era muito bem organizado e limpo, o tapete cinza dela parecia ser tão macio e felpudo, o sofá era cinza e acima dele na parede havia um quadro de uma praia.

Fiquei em pé olhando para ela sem graça.

— O que você estava pensando fazendo isso tudo? — Ela cruzou os braços e me encarou.

— Eu quero que você me perdoe e fale comigo. — Falei enquanto me ajoelhava devagar em frente a ela.

— Steven, você sabe que não é assim.

— Claro que é!

— Você me magoou! — A voz dela estava diferente.

— Me desculpa pela nossa briga na praia, me desculpa de verdade!

— To falando das coisas que você falou pro Pedee. — Ela me olhou séria batendo o pé.

—Connie! Por favor, pensa só um pouquinho, você acha mesmo que eu falaria aquilo tudo? —Olhei sério para ela, não fazia sentido eu falar uma coisa daquelas sobre ela. Connie me encarou parecendo pensar um pouco.

— É tem razão, você não faria uma coisa daquela, mas você pode ter mudado no tempo que ficou fora — Ela continuava com os braços cruzados me olhando desconfiada.

— Sério? Eu mudar? A única coisa que mudou foi a minha aparência, afinal todo mundo cresce! — A encarei de volta, ela se abaixou do meu lado e me abraçou.

— Eu senti muito sua falta.

Suspirei aliviado quando ela falou, nunca pensei que fosse ficar tão feliz ouvindo essas palavras.

— Eu também senti muito sua falta.

Ficamos durante um bom tempo no chão frio abraçados, palavras não eram necessárias naquele momento, acho que nós sentimos a mesma coisa. O abraço dela era tão reconfortante e me trazia uma sensação boa, uma paz e isso era maravilhoso.

Ela se afastou e me olhou.

— Você está bem?

— Sim. — Falei sorrindo.

— Não tenho certeza, abre a boca. — Ela ordenou com o mesmo tom autoritário de sempre, eu abri a boca soltando um pouco de ar, ela cheirou minha boca e franziu a testa.

— Você bebeu!

— Só um pouco e foi na despedida de solteiro do Ronaldo. Eles me obrigaram.

— Eu sabia que tinha alguma coisa errada. — Ela se afastou de mim.

— Por favor, não fica com raiva de mim!

Ela não me respondeu, se levantou em silêncio e entrou em uma porta no corredor e voltou com uma toalha na mão.

— Pra que isso ai? — Perguntei.

— Você vai tomar um banho!

— Mas... — Tentei argumentar, mas ela levantou a mão para que eu parasse de falar.

— Não tem “mas” você vai entrar naquele banheiro e vai tomar um banho frio para acabar com esse estado duvidoso seu.

Ela estava com as mãos na cintura, me olhando com uma cara mandona.

— Não posso tomar banho, desculpa. — Falei sorrindo pra ela.

— E por quê? — Ela me olhou com um olhar interrogativo.

— Quando sai ontem de casa não sabia que iria parar aqui na sua casa, se soubesse eu tinha colocado uma roupa melhor confesso e teria uma roupa extra, então como não tenho roupa extra não posso tomar banho.

— Então o problema é só roupa extra e nada mais? — Ela me perguntou e eu assenti positivamente. — Então seu problema está resolvido.

— Como assim? — Perguntei olhando pra ela desconfiado.

— Eu tenho umas roupas que comprei pro Pedee e ficaram muito largas nele, acho que vão servir em você.

— Tá me chamando de gordo? — A olhei desconfiado.

— Para de criar caso com tudo e vai logo tomar banho!

— Eu vou, mas eu volto ta.

Levantei do chão cambaleando um pouco, caminhei para o banheiro com Connie me olhando.

O banheiro dela era tão limpo e cheiroso, a decoração era simples. Me olhei no espelho e vi que estava parecendo um mendigo, não me reconheci no espelho.

Enquanto a água caia sobre meu corpo eu pensava em como reagir a Connie, agora que ela havia me desculpado e eu estava na casa dela.

— Vou deixar as roupas aqui do lado da pia, ta?

Ouvi a voz da Connie do lado de fora do Box.

— Obrigado.

Quando sai do banheiro caminhei devagar de volta para a sala eu a vi trabalhar agilmente na cozinha, ela estava preparando alguma coisa cuidadosamente. Ela levantou a cabeça e me olhou, não sei se foi impressão minha, mas achei que ela ficou me olhando tempo demais e inclusive me olhou de cima em baixo, percebi que ela ficou um pouco vermelha, mas não falei nada.

— Essa roupa ficou muito bem em você. — Ela falou finalmente tentando recuperar sua postura.

— Mesmo? Obrigado. — Agradeci um pouco sem graça. — Então, o que está fazendo?

— Eu to fazendo um lanche pra gente.

— Você quer ajuda? — Olhei para ela cortando o salame em alguns pedaços finos.

— Já estou acabando, mas você pode pegar os copos pra mim e colocar aqui na bancada? — Olhei para ela com um olhar que deixava claro que eu não fazia idéia de onde estavam os copos. — Os copos estão ali naquele armário.

Ela apontou para o armário do lado da geladeira, a cozinha dela não era muito espaçosa então tentei passar sem esbarrar nela, mas isso foi uma missão impossível levando em consideração meu porte físico e meu estado atual. Esbarrei um pouco nela, congelei onde estava com meu rosto ficando um pouco mais vermelho do que eu gostaria, ela me olhou também com o rosto também corado, ficamos em silêncio olhando um para o outro.

Dentro dos olhos castanhos dela eu via a pequena garota sem amigos que conheci anos atrás, via a garota por quem eu daria a minha vida, eu me perguntava como poderíamos ter seguido caminhos tão diferentes, acho que ela se perguntava a mesma coisa enquanto me olhava.

— Connie? — Falei sussurrando ficando próximo dela.

— Sim Steven?

Ela também se aproximou mais de mim, apesar de estarmos em uma posição desfavorável e totalmente torta. Aproximei-me dela e encostei minha testa na dela.

— O que o tempo fez com a gente?

— Eu não sei, eu queria que a gente pudesse voltar no tempo.

— Eu também queria.

— Vamos comer que já está ficando tarde e comer tarde faz mal.

Ela se afastou de mim pegando os sanduíches que estavam em cima da pia, eu odeio quando ela foge de mim desse jeito, isso me deixou confuso, já que pareceu que ela ainda gostava de mim.

Me sentei do lado dela na bancada, ela não olhou pra mim, continuava a encarar o prato na sua frente.

— Então... Quais as novidades que perdi desde que fui embora? — Perguntei para ela na intenção de quebrar o clima estranho.

— São 10 anos de novidades perdidas.

— Faça um resumo das mais importantes.

— Me deixa pensar... Eu ganhei o mérito acadêmico no final do primeiro ano, eu tive as maiores notas da escola. — Ela falou se orgulhando de si mesma.

— Meus parabéns, você sempre foi muito inteligente.

— Obrigada, eu também ganhei as feiras de ciência e também passei em primeiro lugar pra cursar medicina.

— Nossa você cumpriu mesmo o que disse.

— Como assim?

— Uma vez você me falou que iria fazer tudo isso e ainda deixaria todo mundo orgulhoso de você.

— Eu nem me lembrava disso. — Ela me olhou.

Mesmo tendo ficado longe dela por um tempo era bom voltarmos a nos falar, só de estar aqui eu me sentia diferente, finalmente o mal entendido havia passado e eu tinha a minha Connie, não era do jeito que eu queria, mas pelo menos estávamos aqui juntos.

— Fico feliz que voltou a falar comigo. — Olhei para ela.

— Eu também. — Ela pousou sua mão em cima da minha, olhei para nossas mãos ali tão juntas trocando um calor que era reconfortante pra mim. — Acho melhor irmos dormir.

— Está ficando tarde e você tem que trabalhar amanhã. — Olhei para o relógio e me assustei ao ver que já se passava das três da manhã.

— Eu não estou de plantão amanhã.

— Quer almoçar comigo? — Perguntei esperançoso para ela.

— Eu adoraria. —Ela sorriu e acariciou minha mão. — Vamos dormir para amanhã conseguirmos levantar antes do almoço.

Ela se levantou pegando os pratos e os copos para levar para pia, a observei arrumar a cozinha, eu me perguntava como um ser tão gracioso mexia tanto comigo.

Depois de terminar de arrumar a cozinha Connie foi para o quarto e quando voltou me entregou um travesseiro junto com um cobertor.

— Tem certeza que vai ficar bem ai? — Ela me perguntou.

— Vou, não se preocupe.

— Então boa noite. — Ela sorriu. — Se sentir fome pode ir na geladeira, tem um bolo de laranja que eu fiz, fique a vontade.

Eu ia dizer que a amava, mas algo me impediu. A frase engasgou na garganta e pensei comigo mesmo não quero estragar a noite de hoje e nem me machucar de novo. Sorri e com a voz tranquila disse.

— Até amanha.

Do sofá eu conseguia ver as estrelas através da janela, o céu estava lindo antes de dormir apenas duas coisas se passavam pela minha cabeça. A primeira era Connie e a segunda era que cada estrela torcia secretamente por nós dois.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo e muito obrigado por terem lido a fic até aqui. A música eu mesma criei, não sei se ficou boa... Vocês gostaram? Comentem ai falando se gostaram ou não do cap especial. Beijos galera :D