Por você mil vezes - Se não fosse amor

61 Se não fosse amor - Cap. 18: O que não fazer, quando se está esperando um bebê.


Notas iniciais
Boa tarde lindas minhas! Fortes emoções no capítulo, espero que gostem! Beijos, Suy.

POV Sophie Trammer

“Como você conseguiu entrar aqui?” Disse incrédula. Com a segurança tão reforçada, como ela tinha conseguido subir se Matthew não estava aqui?

“Eu sequer sai, querida.” Ela falou arrogantemente. Ah meu amor, me chame de vadia, mas não me chame de querida! “Matt saiu correndo praticamente pra resolver um problema e eu disse que só iria guardar minhas coisas e descia. Mas achei melhor esperar ele voltar e quando ouvi você chegando, resolvi vim falar com você.”

“E o que você quer afinal, querida?” Sorri ironicamente, enfatizando a última palavra.

“Nós temos alguns assuntos para serem resolvidos.”

“Eu não tenho nada pra resolver com você.” Cruzei os braços, fazendo um esforço enorme pra conseguir me manter em pé sem a muleta.

“Ah, mas eu tenho muito o que resolver com você.”

“Por exemplo?”

“Por exemplo, o fato de você não desgrudar e não parar de dar em cima do pai do meu filho.” Eu juro que eu tentei me controlar, mas não consegui, dei a gargalhada mais histérica que eu já tinha dado em toda minha vida e Lindsay queria me matar. “Pode me explicar qual a graça?”

“Você está muito mal informada das noticias Lindsay. Deveria estar tendo essa conversa com o pai do seu filho, já que é ele quem dá em cima de mim e não o contrário.”

“Ou você que fica se insinuando para ele.” Ela falou e eu revirei os olhos.

“Eu namoro sua doente, não tenho por quê ficar dando em cima de outro cara. Até por que, esse lance de ficar com dois ao mesmo tempo é mais sua cara do que minha.”

“Você não tem o direito de falar da minha vida!” Ela apontou o dedo na minha cara e eu o abaixei bruscamente.

“E você tem o direito de vir na minha empresa falar o que quiser da minha?”

“Essa empresa não é sua, é do Richard!”

“Ai coração, me poupa da sua burrice!” Bufei impaciente. “É o meu sobrenome que está no letreiro desse prédio, eu que mando aqui e você vai embora por bem ou eu devo mandar os seguranças subirem pra fazer essa gentileza?”

“Eu não terminei de falar com você!” Ela gritou.

“E eu não sou obrigada a ficar aqui ouvindo as idiotices que você fala!” Gritei mais alto que ela. “O que você achou Lindsay? Que engravidar dele ia fazer com que ele quisesse voltar e ter uma família com você? Me poupe!” Ri ironicamente.

“Qual problema? Matt sempre quis um filho, nós planejamos isso durante anos, é questão de tempo voltarmos, eu vou estar sempre presente e com a convivência ele vai ver que vai ser o melhor para o nosso filho.”

“Nosso filho? Fala sério Lindsay, ele nem sabe se ele filho é mesmo dele.” Disse e ela me olhou surpresa. “O quê? Ele me conta tudo, eu sei que ele tem dúvidas sobre a paternidade.” Dei de ombros.

“Você não percebe que só está atrapalhando? Por que você não vai viver sua vida? Já que, como você mesma disse, está namorando. O Matt só insiste em você por puro orgulho ferido, por que foi você quem terminou!” Ela falou e eu a olhei a fuzilando. “Ele também não aceitou bem quando eu quis terminar, é uma coisa típica dele, não reage bem a rejeições, por isso nem se preocupe, esse amor todo que ele diz sentir por você é pura mentira.”

“Eu não me interesso se o amor dele é de verdade ou não, eu não faço questão de ter esse amor pra mim.” Disse com a mandíbula cerrada. “Mas eu não tenho tanta certeza se você acredita nessa sua teoria de que ele não sente nada por mim, já que precisou ficar praticamente escondida pra vir tirar satisfação comigo.”

“Eu só queria te avisar para ficar longe dele.”

“Ele trabalha na sala ao lado da minha, é fisicamente impossível ficar longe dele.”

“Então o demita.”

“Como é Lindsay? Você tem noção do que está falando? Está pedindo que eu demita ele!” Falei chocada e ela assentiu. “E como ele vai pagar as despesas do bebê? Com amor?” Ironizei.

“Vamos voltar para Califórnia, lá ele pode escolher com quem quer trabalhar, Matt é muito bom, recebeu diversas propostas de emprego, mas infelizmente escolheu vir para cá.”

“A única maneira de ele sair daqui, é se ele mesmo pedir demissão. Nem eu e muito menos Richard temos interesse em perder o trabalho dele aqui.” Até por que, se eu demitisse Matthew, meu pai me demitiria, esse tinha sido o trato de inicio.

“Claro, você gosta de saber que ele está correndo atrás de você. Deve fazer bem pro seu ego.”

“Olha... Mal é que não faz.” Sorri.

“Como consegue dormir a noite sabendo que está destruindo a vida de uma criança que ainda nem nasceu ainda?”

“É que eu tenho uma cama bem confortável, então facilita tudo.”

“Tudo pra você é piada, não é Sophie Trammer?”

“As coisas engraçadas são sim.”

“E o que tem de engraçado em tudo isso?” Ela gritou de novo.

“Primeiro, abaixa o tom de voz, só eu tenho autorização para gritar aqui.” Falei impaciente. “E segundo, o fato de você ser tão miserável a ponto de engravidar dele por achar que isso vai fazer ele se sentir obrigado a assumir algum tipo de compromisso com você. Terceiro e último, mas não menos importante, você vir aqui implorar que eu o demita, por que pelo sabe que não tem chances contra mim. Viu? Não é muito engraçado?” Falei rindo.

“Toda essa sua ironia não passa de um disfarce, por que você sabe, bem no fundo, que eu que ganhei.” Lindsay disse dando um passo em minha direção.

“E qual é o prêmio Lindsay? O Matthew? Acorda pra vida! Se ele quisesse ficar com você, já teria voltado e nem tente me culpar por isso, ele não volta pra você por que é uma vadia traidora que passou anos dormindo com o irmão dele!” Falei e Lindsay me deu um tapa no rosto. Cobri o lado em que ela tinha batido e a olhei incrédula. “Chega!” A puxei pelo braço o apertando e fui andando em direção ao elevador.

“Me solta! Agora!” Ela falou tentando se soltar de mim, sem sucesso.

“Escuta aqui...” A empurrei em direção a parede. “Você está muito feliz e realizada por que tá com esse filho na barriga não é? Mas acho que não se tocou da realidade. Quando está ai dentro de você é tudo maravilhoso, todas as atenções e os cuidados são voltados para você, mas espera só até essa peste que você está carregando nascer. Você vai estar cansada de passar a noite acordada, sozinha, tentando o fazer dormir enquanto o Matthew vai estar dormindo calmamente em casa e com uma grande chance de estar dormindo com outra mulher. Você vai engordar, ficar mais ridícula do que já é, enquanto o seu tão amado ex-noivo vai continuar vivendo a vida dele, sem dar a mínima pra você.” Ela estava com os olhos arregalados e tentou sair, mas a puxei de volta. “Agora você vai me ouvir. Não era isso que queria? Que eu perdesse a paciência, meus parabéns Lindsay!” Falei com sarcasmo. “Sabe onde você vai passar os seus finais de semana? Na casa da vovó! Olha que glamuroso! Vai ter que agüentar, pelo resto dos seus dias, a mãe do Matt te culpando por estragar a vida dele, enquanto eu, meu amor, vou estar linda em Paris. Sentiu a diferença?”

“Quando você vai aprender que o seu dinheirinho sujo não pode te comprar tudo?”

“Típica conversa de quem não tem dinheiro.” Sorri. “Ele pode não comprar tudo, mas tudo o que me interessa ele compra.”

“É mesmo? Então ele pode fazer com que você consiga ter um filho? Por que, até onde eu saiba, você não pode engravidar!” Ela disse vitoriosa e eu engoli em seco.

“Como sabe disso?”

“Amy é uma ótima amiga da família, é muito bom sentar com ela e conversar, principalmente tendo tanto em comum. Por exemplo, o ódio por você.” Ela cruzou os braços. “Todo esse seu discurso de ‘Eu sou poderosa’ é só pra disfarçar a raiva que você tem e a inveja que você está nesse momento, por que eu tenho um anjinho dentro de mim que vai nascer a cara do pai, enquanto você é seca, nunca vai saber o que é segurar o seu filho nos braços, ou ouvir o coraçãozinho dele batendo. Sabia que o Matt até chorou quando ouviu o do nosso filho?” Ela começou a alisar a barriga. “O seu dinheiro consegue comprar esse tipo de amor, Sophie? Por que você pode até ter razão sobre Matt e eu, talvez aconteça de não voltarmos, mas o amor do meu filho eu vou ter para sempre e você nunca vai saber o que é isso. Quando o seu amado namorado perceber que não vai conseguir ter mais nada de você, ele vai procurar outra, nem precisa se preocupar. Todo homem sonha em ser pai um dia, é uma pena que você nunca vai ser capaz dessa dádiva...” Não a deixei terminar e retribui o tapa que ela havia me dado, ela me olhou sorrindo com cinismo.

“Escuta bem o que eu vou te dizer...” A prendi contra a parede. “Eu quero que se foda, você e esse seu maldito bebê.” Tirei o celular do bolso. “Vou mandar os seguranças virem aqui agora te tirar e proibir que você passe sequer na calçada do meu prédio, ou você quer descer de bom grato?”

“Eu vou, não precisa se incomodar.” Ela levantou as mãos e saiu em direção ao elevador, mas eu a puxei pelo braço em direção a escada. “Vai deixar uma pobre mulher grávida descer todas essas escadas?” Ela disse com ironia e parei em frente a porta.

“Exercícios vão te fazer bem.” Abri a porta. “Além disso, não precisa ser tão burra a ponto de descer todos os andares até a recepção. Desça um andar e pegue o elevador de lá, por que essa sua cara me da ânsia, aproveite e se despeça do prédio, é a última vez que colocou os pés aqui dentro.” Fechei a porta em sua cara e voltei andando em direção à minha sala.

Senti uma fisgada na minha perna e caí de joelhos, minha muleta estava no chão, em frente ao meu escritório. Apoiei-me no balcão de Emily, conseguindo ficar de pé e quando ia dar o meu primeiro passo, ouvi um barulho vindo das escadas. Olhei para trás, assustada pelo barulho, arrastei-me até conseguir pegar minha muleta e voltei para as escadas, quando abri a porta, Lindsay estava desacordada no chão. Cacete! Peguei meu celular e liguei para a recepção.

“Eu preciso que alguém venha aqui no meu andar, uma moça caiu da escada e ela está grávida!” Falei exasperada.

“Meu Deus!” A recepcionista disse. “Já estão subindo ai senhorita!”

“Obrigada.” Falei e desliguei o celular.

Fiquei observando Lindsay, esperando que ela se movesse, mas nada. Chamei seu nome, várias e várias vezes, mas ela permaneceu imóvel, eu não podia descer, iria demorar muito até conseguir e com grandes riscos de me machucar também. Poucos momentos depois, três seguranças chegaram e desceram as escadas até onde Lindsay estava. Um deles ligou para uma ambulância e as coisas pareciam mais sérias do que eu pensava. Eu preciso avisar o Matthew... O desespero começou a tomar conta de mim, por que não sabia como ia contar pra ele o que tinha acontecido. Disquei o número em meu celular.

“Luke, onde você está?” Falei tentando não parecer tão nervosa quanto eu estava de verdade.

“Eu fui deixar Ken no estúdio e estou indo para casa agora. O que foi?” Ele perguntou calmamente.

“Eu preciso que você faça um favor para mim...”

“Claro, o que quiser. Precisa do quê?”

“Preciso que você ligue pro Matthew pra mim, é urgente.”

“Tudo bem, mas por que você mesma não liga?” Luke falou e eu olhei em direção à escada novamente.

“Eu não vou ter coragem de contar pra ele o que aconteceu...”

“E o que aconteceu?” Ele falou preocupado. “Sophie você está bem? Onde você está?”

“Eu estou bem, não foi nada comigo.” Disse receosa. “Luke, você não sabe a merda que eu fiz!”

Contei para ele o que tinha acabado de acontecer, ele ficou em choque e mal disse uma palavra. Ele me disse que iria ligar e conversar com Matthew pra mim, mas que eu avisasse para qual hospital estariam levando Lindsay para ele ir e me encontrar lá. A ambulância chegou, alguns enfermeiros subiram para prestar os primeiros socorros, depois de uns minutos ela recuperou a consciência e reclamou de dores no braço, eles o imobilizaram e desceram com ela. Entrei em contato com meu motorista e fomos seguindo a ambulância, quando chegamos ao hospital, enviei uma mensagem para Luke com a localização e ele respondeu que estava indo com Matthew. Ow merda... Como eu iria conseguir ao menos olhar na cara dele depois do que eu fiz?

“Cadê ela?” Ouvi a voz de Matthew, fiquei de pé e fui caminhando até ele, sentindo minha perna protestando de dor.

“Eles levaram para examiná-la, mas não sei onde estão, não pude entrar.” Respondi.

“E com você? Tudo bem? Está doendo?” Ele olhou para minha perna.

“Nada demais, é melhor você ir procurá-la pra saber como ela está e se está tudo bem com o bebê.”

“Está certo... Eu volto já.” Ele disse e saiu em busca de Lindsay.

“Como ele reagiu?” Olhei para Luke, com medo da resposta.

“Dá pra imaginar como ele reagiu né?” Ele andou ao meu lado, me ajudando a sentar. “Ficou bastante nervoso, mas tentei o deixar mais tranqüilo. Achei melhor não contar para ele sobre a parte em que vocês duas estavam discutindo quando isso tudo aconteceu...”

“É... Vou contar para ele quando as coisas se acalmarem mais.” Apoiei minha cabeça na parede. “Eu devia ter ficado calma Luke, mas não... Insisti em discutir com ela.”

“Você é humana, não fica se culpando por isso. Já sabemos que Lindsay não é um amor de pessoa, deve ter falado coisas que te deixaram nervosa e isso é completamente compreensivo.” Luke disse tentando me reconfortar, mas não fez o sentimento de culpa desaparecer. Eu sabia que em tese eu não tinha culpa, ela provavelmente escorregou ou tropeçou quando foi descer da escada, mas eu poderia ter evitado, isso é fato.

“Se acontecer alguma coisa com o bebê...” Fechei os olhos com força. “Luke, ele vai me odiar.”

“Ele não vai te odiar!” Luke segurou minha mão. “Ele sabe que tudo foi um acidente e não sabemos como está o bebê.” Ele alisou minha bochecha e eu gemi de dor, tirando sua mão. “Que arranhão foi esse no seu rosto?” Abri os olhos e ele estava me observando.

“A vagabunda me deu um tapa...” Cobri o lado machucado com a mão. “Não sei por que as pessoas gostam de me dar tapas...” Revirei os olhos.

“Ela te bateu?” Ele ficou em pé. “Sorte dela já estar em um hospital, senão eu mesmo ia fazer com que ela ganhasse um bilhete de entrada para a UTI daqui!”

“Eu dei um tapa nela também Luke. Agredi uma mulher grávida...” Bufei. “Eu vou pro inferno, tenho certeza.”

“Você pode até ir para o inferno, mas não por ter devolvido uma agressão. Ela está grávida e você acidentada. Nenhuma das tuas tem razão nessa história.” Ele disse e eu fiquei calada.

Passamos alguns minutos em silêncio, ansiosos por noticias que nunca chegavam. Mais de 1hr tinha passado e nada ainda.

“Você e Ethan conseguiram se resolver?” Luke perguntou e eu o olhei confusa.

“Como sabia que estávamos com problemas?”

“Ele foi lá em casa cedo de manhã, Ken e eu ainda não tínhamos saído e ele nos contou o que aconteceu. Kenny ficou puto da vida com ele por ter escondido sobre o novo trabalho.”

“Eu fiquei bastante chateada por ele ter escondido sobre isso, mas... É a vida dele, o trabalho dele, não posso interferir assim dessa forma.” Dei de ombros.

“Uau, seqüestraram minha amiga e eu não estou sabendo? Desde quando é tão madura assim?”

“Estamos bem...” Suspirei. “Não quero acabar com tudo por causa de uma mentirinha.”

“É que não foi uma mentirinha, foi uma mentira grande pra cacete! Na última vez que mentiram assim pra você, você terminou com o rapaz. Inclusive é o rapaz que está lá dentro agora.”

“E você sequer disfarça qual dos dois prefere não é Luke?” Disse rindo e ele riu também.

“Sou apenas um observador externo sem nenhum interesse no caso.”

“O Ethan é legal... Gosta de mim, cuida de mim... É mais simples ficar com ele.”

“Ai Sophie, eu não acredito que ouvi você falando isso!” Ele me olhou incrédulo. “E desde quando se escolhe com quem vai ficar só por que é mais simples? Cadê o amor, o sentimento, a paixão?”

“Eu já tenho quase 30 anos Luke, aos 20 a gente procura alguém que nos faça sentir amor e paixão, aos 30 a gente só quer alguém que consiga nos aturar.”

“É um pensamento muito medíocre esse seu. Sou mais velho que você e encontrei alguém por quem eu sinto amor e que me ama de volta, por que você não pode ter isso também?”

“E por que eu não posso aprender a amar o Ethan? Essas coisas vão acontecendo com o tempo, com a convivência... Não acho que seja impossível eu me sentir apaixonada por ele. Um dia. Talvez.”

“Ah e até chegar esse belo dia que você talvez sinta amor por ele você vai fazer o quê? Ficar com ele só por que é mais fácil? Desculpe, mas não concordo.”

“Ainda bem que sou eu quem decide isso e não você.”

“Sua grossa...” Ele me olhou feio.

“Mas você me ama mesmo assim.” Disse com diversão.

“Só por que é mais simples te amar do que te odiar.” Ele beijou minha mão e vimos Matthew vindo pelo corredor.

Ao se aproximar de nós, percebi que seus olhos estavam vermelhos e com lágrimas. Ele está chorando? Ah não... Isso quer dizer...

“Como ela está?” Luke se levantou e eu fiquei de pé também.

“Está bem. Só machucou um pouco o braço, mas não chegou a fraturar.” Ele respondeu.

“E... Bem...” Olhei para Luke e depois para ele, sem graça. “Tudo bem com seu filho?” Perguntei. Ele limpou a garganta e abaixou um pouco o olhar, tentando disfarçar a lágrima que desceu.

“Se vocês não se importam, eu vou ali fora tomar um ar, quero ficar um pouco sozinho. Podem ir para casa se quiserem e muito obrigado por tudo.” Ele foi andando para a saída e eu olhei para Luke perplexa. Ela perdeu o bebê.

“Vá falar com ele.” Ele segurou minha mão.

“Ele disse que quer ficar sozinho...”

“É, mas nesse momento, por mais que ele não queira admitir, ele precisa de alguém.”

“Então vai você!”

“Qual de nós dois você acha que ele vai preferir que vá consolá-lo?” Ele esboçou um sorriso. “Eu vou tomar um café, vá conversar com ele.” Assenti e fui andando na direção oposta de Luke.

Procurei por Matthew e o vi sentado em uma escada de frente para algumas árvores, ele havia tirado o paletó e soltado o nó da gravata, andei parando de frente para ele, ele passou a mão nos olhos os secando quando percebeu que eu estava ali.

“Maldita poeira, fica caindo nos meus olhos.” Ele disse tentando usar como desculpas para os seus olhos marejados e eu sorri.

“É, maldita poeira...” Encostei no corrimão da escada. “Eu sinto muito, por tudo. Só queria que soubesse.”

“Obrigado.” Ele assentiu. “Nem sei por que estou tão mal, podia nem ser meu filho no fim das contas.”

“Acho que não mudaria muito as coisas ele ser seu filho ou não... Você ficou ao lado dela desde o começo, cuidando dos dois, então ele já era seu filho, independentemente de qualquer resultado de algum exame de DNA.” Ele franziu a testa e me olhou, ele parecia tão triste e eu comecei a me sentir pior do que já estava. “Tem uma coisa que eu quero te dizer.”

“Pode falar. Não quer sentar?”

“Não... Eu levaria 2hrs pra conseguir levantar daí.” Tentei sorrir. “É que... Bom...” Respirei fundo. “Quando voltei do almoço, Lindsay veio me procurar para resolver uns assuntos comigo.”

“Que assuntos?”

“Pois é, é que segundo ela, eu estava atrapalhando o relacionamento de vocês e ela pediu pra eu afastar de você.”

“Ridículo...” Ele bufou.

“Eu sei, mas é que depois disso... Nós duas meio que começamos a discutir... Tipo discutir mesmo, feio. E eu não sei em que ponto eu realmente perdi o juízo, talvez depois do tapa ou depois de ela passar na minha cara que eu não posso ter filhos...”

“Espera, espera.” Ele me interrompeu. “Ela te deu um tapa?”

“Olha, tentando amenizar, eu devolvi o tapa então isso anula as coisas.”

“Por que tá me contando isso afinal?”

“Matthew eu sei que no geral, não foi minha culpa, por que eu jamais faria algo pra machucar ela, mas... Eu perdi completamente minha razão. Eu deveria ter ignorado ela, ter ido embora, ter me trancado na minha sala... Não sei. Mas não, eu insisti, caí nas provocações dela e a expulsei de lá, mandei ela descer pela escada e esperar o elevador em outro andar e foi quando eu ouvi o barulho e... Foi tudo rápido demais e eu estou me sentindo péssima por que você está chorando e eu não consigo parar de pensar que eu sou o motivo disso tudo. Então, por favor, me desculpa pelo o que eu fiz, eu estou muito arrependida.” Ele ficou calado, apenas me olhando e depois suspirou.

“Você não teve nada a ver com isso, ela não deveria ter ido atrás de confusão em primeiro lugar... Eu não tenho o que desculpar, já soquei seu namorado em uma discussão, se você não se lembra. Isso também meio que anula as coisas.”

“Mas ele não estava grávido...”

“Que bom, eu ficaria chocado se ele estivesse.” Ele esboçou um sorriso. “Eu que peço desculpas por ter envolvido você nisso tudo, era um problema meu, mas tomou proporções maiores. Ela vai ficar bem, o médico disse que não vai afetar em nada sua fertilidade, ela vai poder ser mãe algum dia, quando encontrar alguém que a ame e que possa oferecer o que eu não poderia.”

“É que eu sempre critiquei a postura da Amy comigo, quando eu estava esperando a Annie e mesmo assim, agi igual ou pior que ela. Eu tento me convencer de que sou melhor que ela e que Richard, mas acho que eles que são melhores pessoas do que eu.”

“Não se compare com a Amy, por favor. Você era uma menina e ela uma mulher já formada, ela deveria ter tido a consciência de respeitar sua gravidez. Lindsay sabia que nos primeiros meses todos os cuidados do mundo são necessários, ela abriu mão desses cuidados por culpa de um ciúme sem nexo, por que nunca dei falsas esperanças para ela. Não me entenda mal, não estou te defendendo cegamente, claro, teria sido ótimo se você tivesse conseguido evitar uma discussão, mas ela procurou por isso.”

“Então... Tudo bem?” Perguntei e ele fez que sim com a cabeça.

“Eu só... É que eu já tinha começado a me acostumar com a idéia, entende?” Sua voz falhou um pouco e ele abaixou a cabeça.

“Não chora Matt, vai me fazer chorar e eu não choro.” Soltei minha muleta e o abracei. Ele apoiou sua testa em minha barriga e envolveu seus braços ao redor de mim.

“Eu não estou chorando... É a poeira.” Matthew disse e eu sorri alisando seus cabelos.

“Eu sei, maldita poeira.”

Notas finais
E agora? Como vamos saber se o filho era ou não do Matt? :O Deixem suas opiniões nos reviews, o filho era do Matt ou do Mason?