Por você, eu vou...
3 Capítulo 3
Notas iniciais
‘’e pensando em quanto eu achava o Diego incrível, mas de repente me veio outro rosto a cabeça, um rosto com olhos verdes e cabelo loiro.
CÉREBRO, PARA JÁ COM ISSO!’’
Os dias estavam passando muito rápido e eu já estava bem próxima da Diana e da Léa, éramos praticamente inseparáveis.
Era uma aula antes do recreio e eu já estava definhando de fome, rogando todas as pragas que eu conhecia e desconhecia para aquele relógio girar mais rápido. Uns dois minutos depois minhas preces foram atendidas e finalmente tocou o sinal. Eu fui tão rápido para a cantina que Léa e Diana tiveram que correr para me alcançar. É amigos, essa é força da fome.
—Meu Deus, isso aqui parece um campo de batalha. — Diana falou levando uma bundada de alguém também desesperado por um lanche.
—Acho que um campo de batalha deve ser bem mais calmo. –Eu tava tentando não morrer sufocada naquele embolado que supostamente deveria ser uma fila.
Finalmente consegui chegar até o balcão e pedi logo um croissant e um suco, se demorasse mais um minuto acho que meu estomago sairia pela minha boca para pedir o lanche ele mesmo. Peguei meu pedido e fui tentado sair da fila.
—Segura aqui pra mim? — entreguei o croissant pra Léa.
—Posso pegar um pedaço? — ela pegou o lanche das minhas mãos e eu tava quase mudando de ideia e pegando de volta mas meu espírito solidário resolveu falar mais alto.
—Claro- mas se não quiser mais, não tem problema também- Eu vou tentando abrir esse suco do capeta-
De muitas coisas difíceis que fiz na vida, abrir aquele suco está no top 5, acho que fazem pra gente desistir de tomar, só pode. Quando finalmente, por milagre divino e muita força (e talvez uma faca que peguei na cozinha da escola), consegui abrir aquela tampinha, alguém bateu atrás de mim fazendo com que eu jogasse o suco em mim mesma.
—Bah, foi mal ai-
—Puta que o...- falei olhando minha camisa molhada
Eu me virei com tanto ódio no coração já prontinha pra descer o cacete no distraído que tinha feito isso, mas foi só ver o tipinho pra eu ficar ainda mais puta da cara.
—Acho que você tem sérios problemas de olhar por onde você anda garoto. -
—Desculpa ta, eu não tinha te visto mesmo. – Ele mexeu no cabelo loiro (provavelmente para me distrair, mas eu não ia cair nessa, até parece que eu reparei o quanto ele é lindo e charmoso e gostoso e cheiroso, pera, onde que eu estava?) –Mas agora estamos quites. — estava rindo ainda, o debochado.
Revirei os olhos e sai quase que correndo tentando achar um banheiro.
—Ei, espera, deixa eu te ajudar. — Ele tava me seguindo?
—Vai fazer o que, soprar até secar? Sai daqui. – Eu sou grossa mesmo, morô?
Ele agarrou meu braço e me fez ficar de frente para ele.
—Ei, sua grossinha, eu ia te dar minha blusa de treino. — Atitude legal, mas eu já tinha dado uma de nervosa, não podia ceder agora né?
—Obrigada, mas eu me viro sem sua caridade. — Me soltei da mão dele, quem ele achava que era pra me segurar com aquelas mãos incrivelmente lindas e aqueles braços enormes? Aislinn! Foca!
Ele não estava me ouvindo, muito menos me olhando, quando segui a linha de seu olhar fui parar diretamente nos meus peitos. Como a blusa era branca, por causa do molhado do suco, dava pra ver o contorno dos peitos e o sutiã quase que nitidamente, cruzei os braços na frente.
—Gostou do meu sorriso foi? — Espero que ele tenha sentido o potente soco do meu sarcasmo.
—Sim, e muito. Mas para os outros não precisarem apreciar seu ‘sorriso’ vem comigo que eu te empresto a blusa. — ta, eu senti o soco.
Eu realmente não queria aquela blusa idiota, mas não tava com a menor condição de negar, a não ser que quisesse mostrar meus peitos para a escola toda. Não tive outra opção a não ser segui-lo. Entramos na nossa sala e fomos em direção à carteira dele, ele pegou da mochila uma blusa com o número 9 escrito ‘Becker’ nas costas, arranquei a maldita blusa da mão dele e fui contorna-lo, mas não antes dele entrar na minha frente bloqueando minha passagem.
—O que esta fazendo? — Perguntei sem paciência
— Aonde você vai? — Mas que garoto metido!
—Onde você acha? No banheiro né. – Não era óbvio?
—Falta um minuto e meio para o sinal bater. — Ele disse apontando para o relógio.
— E daí? -
— Daí que ser for até o banheiro se trocar não vai conseguir chegar antes do professor e vai ficar fora da sala, vai perder nota e vai anotação para os pais... -
— E o que você sugere? Que eu fique molhada? -
—Não, acho que você deveria se trocar aqui. – Ele deu de ombros COMO SE FOSSE A COISA MAIS NORMAL DO MUNDO.
—Você deve estar ficando maluco que eu vou me trocar aqui na tua frente – Mas olha que audácia!
— Eu viro de costas se esse é o problema. — ele se virou com as mãos erguida- Você tem trinta segundos. — apontou para o relógio de novo.
Eu sabia que se me trocasse ali ele poderia virar a qualquer momento e me ver só de sutiã, mas faltava muito pouco tempo para voltar a aula e a blusa branca já estava começando a ficar amarelada do maracujá do suco.
AH MAS QUER SABER? DANE-SE.
Tentei trocar de blusa o mais rápido que meus bracinhos magrelos me permitiram, olhando fixamente pro menino loiro para ver se ele não ia virar e me ver de sutiã e com cara de otária e, por incrível que pareça, ele nem sequer tentou, ficou virado para o outro lado mexendo no celular — bom mesmo.
— Trocou? – Primeiro sinal de vida do abençoado depois de incríveis 20 segundos.
—Troquei- já estava quase na minha carteira
—Onde você ta indo? — Mas esse menino tava aqui ainda?
—Guardar a blusa ué. – E por que eu tava respondendo ainda?
—Você estuda na mesma sala que eu? — Como é que é, garoto?
—Dãr- Será que ele sentiu que o fundo de ‘’sim, otário’’?
—Mas como eu não te notei antes? — ok, agora ele ta chegando mais perto, já posso agredi-lo?
—Essa sala tem mais de oitenta alunos, por que me notaria? -
—Por que não tem como não notar. — alguém precisa urgentemente ensinar esse garoto sobre respeitar o espaço pessoal dos outros.
Devia ter apenas uns dois dedos de distância entre nossos rostos, eu já estava a ponto de ter um ataque nervoso. Ele tocou suavemente meu rosto e eu comecei e sentir uma movimentação no meu estomago- mas que raio era isso?- Ele começou a se aproximar e prendi a respiração.
—Obrigada pela blusa, parece que não é tão mala assim – Para acabar com climas chame Aislinn Carter, acabo com casamentos e chás de panela também.
— Meu nome é Bernardo. — ele deu aquele sorriso perfeito que fez minhas perninhas bambearem, finalmente o sinal tocou.
AMÉM SENHOR- eu ainda tava com a respiração presa e nem reparei.
Sentei em minha carteira mantendo o máximo de compostura que meu coração acelerado e meu corpo trêmulo permitia e comecei a pegar os materiais para a próxima aula, tentando ignorando completamente a presença de um deus grego loiro do meu lado, ele se aproximou, abaixou e beijou perto da orelha – senti um arrepio percorrer minha espinha- ele sorriu.
—Até mais – ele simplesmente se levantou e foi sentar no lugar dele
MAS QUE PORRA ACABOU DE ACONTECER AQUI? Como que eu podia estar tão vulnerável? Ou como que eu simplesmente deixei ele chegar tão perto sem enfiar uma lapiseira no nariz dele? Vacilou feio Aislinn. Eu não sabia direito o que eu tava sentindo mas com certeza tinha a ver com ódio, eu não conseguia parar de pensar nele e tinha vontade de encara-lo toda hora, isso era ódio não era? Ou será que to doente?
Naa, acho que é só fome, nem consegui comer meu lanche. Olhei de novo para o culpado de toda essa palhaçada e me deparo com Bia tarântula pendurada nele. Meu Deus, que garota ridícula! Pera ai, por que to me importando com isso?
—Que isso menina, vai explodir? — Diana estava me encarando preocupada. Será que to com alguma coisa na cara?
—Que?
—Amiga, você ta vermelha. -
—Ah, deve ser o calor. — aham, calor...
—Onde você estava e que blusa é essa? O que aconteceu depois que você e o Bernardo saíram do pátio? — Que isso agora gente? Virou interrogatório essa merda?
Contei toda a história para elas e elas pareciam super empolgadas com a notícia.
—Gente, o Bernardo é o garoto mais lindo do colégio. — qual parte que eu chamei ele 98765 vezes de idiota que ela não entendeu?
—De todos os colégios. — Corrigiu Léa
—Mais do que adianta ser um gato e um idiota? — 98766 vezes agora- Nada! Eu quero é ficar bem longe de gente como ele. — As duas só se olharam e iam falar algo, mas eu virei para a frente e comecei a copiar matéria que estava no quadro.
A última aula era física e eu já estava querendo me tacar da janela, finalmente o sinal bateu e eu só vi um bando de desesperados querendo ir para casa, foi então que eu lembrei o motivo daquela agitação toda: era sexta feira.
LEVANTEM AS MÃOS PRO ALTO E DEEM GLÓRIA AO SENHOR
Demorei um pouco arrumando meus materiais para não ter que pegar aquele tumulto, ser pisoteada e morrer. Quando já não tinha mais ninguém na sala eu sai, ainda tinha gente nos corredores, mas o fluxo era bem menor. Quando sai do colégio vi Diego sentado em um dos bancos, ele sorriu quando me viu e eu retribui o sorriso.
—Eu estava te esperando. – Eita, esqueci alguma coisa, será?
Ele tentou pegar minha mochila
—Por que? — segurei a mochila com força, o que esse garoto tava pensando? — Deixa que eu levo isso- folgado- Esta pesada e você já tem a sua. -
Ele não disse nada, simplesmente arrancou a mochila da minha mão e pôs em suas costas, eu apenas dei de ombros, vou eu discutir para levar peso? MAS NUNCA.
—Então, por que estava me esperando? -
—Vou com você para casa, ninguém veio me buscar hoje, então vou andando, é pro mesmo lado. – Ele já tinha dado uns 3 passos .
—Pera ai, você passa todo dia pela minha casa de carro e me deixa ir a pé? — mas olha a audácia do menino.
-Só passei uma vez por você, minha mãe não pega esse caminho, mesmo sendo o mais rápido. -
Fomos conversando até a entrada do meu prédio.
—Pronto, está entregue. -
—Pois é, chegamos. – Será que eu já estava autorizada a pegar MINHA mochila?
—Viu, você não gostaria de fazer alguma coisa amanhã? – Ele estava me convidando pra um encontro ou só alucinei por um minuto?
—Ah, claro, vou ver se eu posso e qualquer coisa eu te ligo. – Como se eu tivesse muita coisa pra fazer mesmo- Pode me passar seu número? -
—Não se preocupe, eu já tenho o seu, te mando mensagem depois. — Fico surpresa ou com medo?
—Como você tem meu número? — Alô, polícia?
—Tenho minhas fontes. — Ele riu como se fosse a coisa mais engraçada do mundo e eu fiquei tentando bancar a séria para ver se obtinha mais informações, não consegui. Ele se aproximou de mim e beijou minha testa – que fofo-.
—Até mais nanica. -
— Nanica é sua mãe! — Viu como eu também sou fofa?
Cumprimentei o porteiro e subi para meu apartamento, ainda não tinha chegado ninguém em casa, então aproveitei pra tomar banho e ajeitar minhas coisas, quando acabei fui ver TV, peguei meu celular pra ver se tinha alguma novidade e tinha uma mensagem:
-Oi nanica.
Soltei um sorriso frouxo e salvei o número do Diego, começamos a conversar e fomos parar só a uma e pouco da manhã.
Coloquei meu celular na cabeceira e descansei minha cabeça no travesseiro, fiquei uns minutos fitando o teto e pensando em quanto eu achava o Diego incrível, mas de repente me veio outro rosto a cabeça, um rosto com olhos verdes e cabelo loiro.
CÉREBRO, PARA JÁ COM ISSO
Virei de lado e me esforcei ao máximo para tentar dormir.
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